segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Era Uma Vez - Kell Smith





Música é poesia. Espero que não enjoem essa música que nem fizeram com Trem Bala. Oremos!


Era uma vez
O dia em que todo dia era bom
Delicioso gosto e o bom gosto das nuvens
Serem feitas de algodão
Dava pra ser herói no mesmo dia
Em que escolhia ser vilão
E acabava tudo em lanche
Um banho quente e talvez um arranhão
Dava pra ver, a ingenuidade a inocência
Cantando no tom
Milhões de mundos e os universos tão reais
Quanto a nossa imaginação
Bastava um colo, um carinho
E o remédio era beijo e proteção
Tudo voltava a ser novo no outro dia
Sem muita preocupação

É que a gente quer crescer
E quando cresce quer voltar do início
Porque um joelho ralado
Dói bem menos que um coração partido
É que a gente quer crescer
E quando cresce quer voltar do início
Porque um joelho ralado
Dói bem menos que um coração partido

Dá pra viver
Mesmo depois de descobrir que o mundo ficou mau
É só não permitir que a maldade do mundo
Te pareça normal
Pra não perder a magia de acreditar na felicidade real
E entender que ela mora no caminho e não no final
É que a gente quer crescer
E quando cresce quer voltar do início
Porque um joelho ralado
Dói bem menos que um coração partido
É que a gente quer crescer
E quando cresce quer voltar do início
Porque um joelho ralado
Dói bem menos que um coração partido

Era uma vez

Eu escrevo

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Eu escrevo porque tudo dentro de mim exige
Escrevo por ser um caminho sem volta
Escrevo por estar no meu âmago esse tal desejo
O ato de escrever é o maior que em mim existe
É o que me faz estar viva e querer continuar
A vida precisa ser registrada
E escrevendo assim a é
E aproveitando o ensejo
Vivo muito mais
Para ter o que escrever
Quem não vive não tem bagagem
Assim como quem não lê
Não sei como alguém vive sem ler
Não sei como consegue 
Ler é inspirar
Escrever é expirar
Um interna
O outro externa
Eu não sei os outros, mas eu vivo para escrever
E escrevo para viver
Coisas indissociáveis
Inseparáveis
Eu escrevo porque tudo dentro de mim exige
Escrevo por ser um caminho sem volta
Escrevo porque minha mente implora
À noite, mergulhada na ansiedade eu penso:
"Preciso escrever sobre isso amanhã..."
E às vezes
As palavras dançam em meus pensamentos
Para que eu não as esqueca
Escrevo porque assim foi determinado
Em algum momento antes de eu nascer
Ou sei lá pode ter sido depois também
Não sei
Eu sei que eu escrevo
Porque o que sinto é intenso demais para ficar apenas na minha cabeça
E a forma de saírem daqui, meus sentimentos e as loucuras que penso é através da escrita
Ainda não encontrei forma melhor
Eu escrevo porque tudo dentro de mim exige
Escrevo por ser um caminho sem volta
Eu escrevo
Eu apenas escrevo
Escritora
Narradora da vida e dos fatos cotidianos
Faço graça escrevendo
Conto coisas escrevendo
Falo de mim escrevendo 
Vivo escrevendo
Caneta, papel, lápis, tela, teclado.
Eu escrevo
E sempre vou escrever
Porque o momento pede
A vida exige
E eu preciso
Desesperadamente
Escrever
É só o que eu faço
É o que eu faço de melhor
É o que me satisfaz
É a minha cachaça
É a minha vida!
É o que eu nasci para fazer
É o que me faz tão igual a todo mundo e ao mesmo tempo tão diferente.




Rafaela Valverde


sábado, 14 de outubro de 2017

Rapidinha sob o luar

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Estávamos no carro. É um grande clichê, mas foi ali onde tudo começou. Ele enfiou a mão debaixo da minha saia e puxou minha calcinha para o meio das pernas, deixando a área totalmente livre para sua mão. Fiz aquele biquinho sexy de quem está gostando. Olhei para ele de esguelha e suspirei. Ele continuou me massageando lá em baixo, enquanto dirigia com a outra mão. O nome era massagem mesmo, pois os dedos passeavam suave e despretensiosamente pelo meu clitóris. Estava muito gostoso e apenas aproveitei o momento.

Quando faltava cerca de dez minutos para chegarmos em casa, ele tirou o dedo e chupou da base até a ponta, sentindo meu gosto. O dedo estava bem melado. Eu estava bem melada. Passei dez dias longe de casa, viajando a trabalho. Longe dele. Sem seu corpo. Estava cheia de tesão. Me inclinei e mordisquei de leve sua orelha, indicando que o queria.

Encostou o carro na porta de casa. Não estávamos guardando na garagem, pois ela estava ocupada com o carro da empresa. Portanto, ficava ali mesmo, na rua. Saí daquele jeito, com a calcinha nas pernas. Já era bem tarde, a lua brilhava intensamente no alto do céu, iluminando a vizinhança. Era um dia de semana normal e a rua estava tranquila, como sempre. Pensando nisso, encostei a barriga no carro, ele já estava saindo pelo outro lado. Abri as pernas e empinei a bunda. Foi a deixa. Em menos de um minuto já estava atrás de mim, me penetrando delicadamente.  Gemia e me contorcia. Aos poucos o ritmo foi aumentando e passei a rebolar com força, enquanto ele socava com vontade.

Ele levantou minha blusa e beijou minhas costas várias vezes. Sempre fazia isso. Eu amava. Tão carinhoso e tão sexy... Depois lambeu minhas costas subindo até a nuca. Já estava gozando quando ele enfiou a mão debaixo do meu sutiã e acariciou meus seios com intensidade. Gozamos. Me virei e nos beijamos calorosamente. Arfantes, nos desvencilhamos, ajeitamos as roupas e entramos em casa como se nada tivesse acontecido.



Rafaela Valverde

Convoque Seu Buda - Criolo





Convoque seu Buda!
O clima tá tenso
Mandaram avisar que vão torrar o centro
Já diz o ditado, apressado come cru
Aqui não é GTA, é pior, é Grajaú

Sem pedigree, bem loco
Machado de Xangô fazer honrar seu choro
De UZI na mão, soldado do morro
Sem alma, sem perdão
Sem Jão, sem apavoro

Cidade podre, solidão é um veneno
O Umbral quer mais Chandon, heróis crack no centro
Na tribo da folha favela desenvolvendo
No Jutso secreto Naruto é só um desenho
Uns cara que cola pra ver se cata mina
Umas mina que cola e atrapalha ativista
Mudar o mundo do sofá da sala, postar no Insta
E se a maconha for da boa que se foda a ideologia

Nin Jitsu, Oxalá, capoeira, jiu jitsu
Shiva, Ganesh, Zé Pilin dai equilíbrio
Ao trabalhador que corre atrás do pão
É humilhação demais que não cabe nesse refrão

Nin Jitsu, Oxalá, capoeira, jiu jitsu
Shiva, Ganesh, Zé Pilin dai equilíbrio
Ao trabalhador que corre atrás do pão
É humilhação demais que não cabe nesse refrão

E se não resistir e desocupar
Entregar tudo pra ele então, o que será?
E se não resistir e desocupar
Entregar tudo pra ele então, o que será?

Sonho em corrosão, migalhas são
Como assim bala perdida? O corpo caiu no chão!
Num trago pra morte cirrose de depressão
Se o pensamento nasce livre aqui ele não é não

Sem culpa católica, sem energia eólica
A morte rasga o véu, é o fel vem na retórica
Depressão é a peste entre os meus
Plano perfeito pra vender mais carros teus
A beleza de um povo, a favela não sucumbi
Meu lado África, aflorar, me redimir
O anjo do mal alicia o menininho
Toda noite alguém morre
Preto ou pobre por aqui

Nin Jitsu, Oxalá, capoeira, jiu jitsu
Shiva, Ganesh, Zé Pilin dai equilíbrio
Ao trabalhador que corre atras do pão
É humilhação demais que não cabe nesse refrão

Nin Jitsu, Oxalá, capoeira, jiu jitsu
Shiva, Ganesh, Zé Pilin dai equilíbrio
Ao trabalhador que corre atras do pão
É humilhação demais que não cabe nesse refrão

E se não resistir e desocupar
Entregar tudo pra ele então, o que será?
E se não resistir e desocupar
Entregar tudo pra ele então, o que será?



A Hora da Estrela - Clarice Lispector

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Já li A Hora da Estrela pela segunda vez esse ano. Eu já havia lido em algum momento da minha pré adolescência, mas não tinha nenhuma memória dele. Macabéa é uma personagem bastante conhecida na literatura brasileira. Clarice Lispector em seu último livro marcou a literatura brasileira com a estória da nordestina datilógrafa que mal sabia escrever. Em 1977, ano de sua morte, a escritora nos trouxe a rica estória da pobre mulher nordestina que "só sabia chover."

Além da história de Macabéa, narrada pela figura masculina de Rodrigo S.M já que mulheres narrando estórias é de uma pieguice sem tamanho, então tomem um homem! E assim o livro que tem treze títulos inicia a partir da voz deste homem, que além de contar a história de Macabéa, algo que pouco conhecia, ainda reflete sobre a função do escritor, sobre a ação de escrever e funciona (se coloca ou é colocado) como alter ego de Clarice.

Eu não estou aqui para escrever uma simples resenha do livro. Contar como se dá a história, descrever e analisar personagens, essas coisas... Não! Há muito disso por aí. Estou aqui para contar para vocês o que esse livro, essa história, esse personagem e esse narrador significam para mim. E talvez eu ainda não consiga deixar isso muito claro, mas pelo menos posso tentar.

Pois bem, no início, a presença de Rodrigo me causou certa estranheza. Mas o que esse homem pensa que está fazendo? Ele nem sabe o que quer contar e como contar. Mas confesso que fui me acostumando e reconheço que ele conseguiu cumprir bem a missão de nos trazer Macabéa, a alagoana insignificante que fora para São Paulo para 'melhorar" de vida. E "é claro que a história é verdadeira embora inventada..."

Macabéa aprendera com a tia a bater à máquina. Muito mal, poque era quase analfabeta. Macabéa era tola. "Ela como uma cadela vadia era teleguiada exclusivamente por si mesma. Pois reduzira-se a si." Ela nunca se viu, nunca se olhou no espelho por ter vergonha. Macabéa era sem atrativos. Macabéa era virgem. Sim, virgem! Ela mal vive, somente inspira, expira, inspira e expira... Macabéa é incompetente, ouve rádio-relógio com anúncios e cultura. E adora. Marias dividem o quarto com ela. Assim que vive essa nordestina: amontoada em um quartinho amorfo que pode muito bem ser igual a sua vida. Mas ela nunca perdera a fé, apesar de não saber em que deus acreditar. Era desencantadora aos olhos do mundo. Esta era Macabéa. Ou é. Porque ela ainda vive, apesar de morta. Mas ela não é só isso. Dentro de sua pequenez há algo muito maior. Quer saber? Leia as retorcidas palavras narradas por Rodrigo S.M porque eu agora hei de me calar.

Rodrigo afirma que escrever não é fácil. E não é mesmo. Ele, assim como todos os escritores, vê a escrita como uma fuga, como única alternativa para o cansaço da mente e da alma. O narrador fala de se preparar para falar sobre a nordestina. É preciso se igualar ao nível dela para que se consiga  escrever sobre a vida medíocre que ela levava. E isso não é fácil. Se abster de sua própria vida para compor ou descrever uma personagem como essa... Pobre, pobre de espírito, sem atrativos, moça infeliz...

O livro traz poucos personagens. O livro em si é pouco, mas um pouco que preenche a grandiosidade literária que se propõe. Glória, a colega de trabalho de Macabéa; o chefe, cujo nome agora eu esqueci; Olímpico, o namorado; as Marias, já citadas acima e a cartomante. Ainda há a tia de Macabéa que aparece in memorian e não deixa de ser marcante devido a seu relacionamento abusivo com a sobrinha. Havia o relacionamento abusivo também com Olímpico, o namorado. Que bom que hoje temos esse termo para nomear esse tipo de relacionamento. Até Glória maltratava a nordestina. Todo mundo a maltratava. Parece que ela atraía...

A morte, a aflição, a culpa, a crítica, a angústia e a briga com si mesmo - o auto-embate - como eu carinhosamente chamei, são temas que permeiam todo o livro. Por mais que não estejam explícitos, estão ali. O tempo todo. É só prestar atenção. A crítica literária e o preconceito sofrido por Clarice, por ser mulher também estão presentes. Há ainda de se ressaltar referências ao Nordeste e a Recife, terra onde viveu nossa autora. Eu vejo esse livro de muitas formas diferentes. A Hora da estrela é somente uma: a derradeira. Só se é estrela uma vez. Só se tem hora uma vez. Nada mais que isso... Eu vejo, entre outras coisas, a grande despedida de Clarice através deste livro, através de Macabéa, sua insignificante e grandiosa personagem. A personagem com nome esquisito que foi apresentada e narrada por um homem, fato que simbolizou, talvez, a voz feminina que tentaram calar.



Rafaela Valverde

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Dias...

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Têm dias que me acho linda. Têm dias que me acho feia. Têm dias em que nem estou aqui. Têm dias que estou longe, mas aqui. Têm dias que quero aprender inglês. Têm dias que mando tudo ir à merda. E vamos sair do ter e vamos para o há. Há dias em que esqueço quem sou. Na verdade já nem lembro se sei alguma coisa. Há dias que quero ser magra e ter corpão igual as artistas Pop. Há dias que quero sumir, há dias em quero ficar. Continuar. Viver. Ouvir música e dançar.

E em determinados dias já acordo com vontade de morrer, ou menos: só dormir de novo. Em dias ensolarados quero ficar deitada vendo séries e filmes de baixo orçamento. Em dias chuvosos lamento por não poder sair. Inconstante. Inconsistente. Incoerente. Ingrata. Indecisa. Eu. Sou eu. Que também sou decidida, determinada, diligente, disciplinada...

Em outros dias, poucos, que fique claro, acordo reluzente, sorridente e saltitante. Mas não espero mais nada de lugar nenhum. Sou eu por mim mesma. Mais nada. Mais ninguém. E ao longo do dia, toda essa alegria pululante de passarinho se esvai. E eu já vou dormir imaginando que tem o amanhã. O porquê de o amanhã existir e todas essas coisas que geram nosso medo de viver. Quem passa por isso sabe!

O que será que vai acontecer amanhã? O que será que o dia de amanhã me reserva? Mais um dia deitada esperando as coisas melhorarem? Mais um dia esperando que minha orações, ações e corações façam efeito. Mas nada acontece. Dias desperdiçados, horas. Vinte e quatro. Em que poderia ter acontecido algo. Algo que mudasse tudo. Mas o tempo insiste em brincar comigo. A vida sai de órbita e volta só para esfregar na minha cara que contra ela eu não posso nada. Só deitar passivamente, ver minhas séries e esperar.

Têm dias que não espero; vou à luta. Têm dias que não tenho disposição para mais nada a não ser esperar. Esperar calmamente e esperar. Só isso que consigo fazer. Têm dias que a vida me cansa tanto que eu só quero descansar. De quê? Têm dias que só queria saber como é a sensação de não estar mais por aqui passando por essas coisas. Têm dias que só queria ser rica e ter alguns dias de férias em um hotel à beira mar vendo como ele brinca com o vento, com a areia e com o sol. Em harmonia. Sem brigar. Era isso que eu queria: harmonia. Com a vida, com o corpo, com a conta bancária, com os pequenos problemas diários, com a saúde, com tudo. Eu só quero humildemente que a vida seja harmonicamente a meu favor.


Rafaela Valverde
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