sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Não te pedi opinião sobre meu corpo!


Não. Eu não te autorizo a fazer comentários sobre meu corpo. Não quero que você fale sua opinião sobre mim, sobre meu corpo, sobre meu cabelo, meu estilo de vida, tatuagens... Nada! Cale a boca e pronto. Nós, gordos, já nos cansamos de ouvir seus comentários maldosos sobre nossos corpos. Aguentamos isso durante anos, anos e anos. Mas agora temos voz, tomamos nossa voz e não permitiremos mais piadas, comentários escrotos e nem mais pio. 

Já escutei muitas coisas durante toda minha vida. Minha infância foi tomada por bullying e zoação sobre meu corpo. Minha adolescência foi um pouco melhor porque espichei um pouco e perdi peso, mas agora na minha vida adulta passo a ouvir comentários sobre meu corpo e sobre o fato de eu estar acima do peso. Sempre estive e sempre estarei. Até mesmo o homem que se diz ou se dizia meu pai fazia comentários, brincadeiras e dava gargalhadas com suas piadas infames sobre o fato de eu ser gorda. Quando decidi dar um basta nele, nós deixamos de nos falar. Graças a Deus.

Ser gordo é esquisito, é estranho. Estar acima do peso é chamariz de doenças, assim eles dizem, todos eles que são os perfeitões, os julgadores de corpo e vida alheias. Sou incapaz de fazer qualquer comentário sobre o que quer que seja  da vida dos outros. Mas existem pessoas que parecem sentir  um prazer orgástico nisso. Só se sentem realizadas se tecerem comentários desagradáveis sobre tudo e todos.

Essa coisa escrota sempre existiu. A diferença é que agora a gente expõe quem faz isso. A gente cansou de aceitar tudo calado. Eu já me cansei.  Não foi uma, nem duas, nem três vezes que encontrei pessoas na rua e elas se admiraram pelo fato de eu estar gorda. O mais engraçado é que uso o mesmo manequim há anos. Minhas roupas são grandes, ou a depender da forma, super grandes há anos. Não tem nenhuma novidade no fato de eu estar acima do peso. Mas, mesmo assim ainda é possível encontrar com pessoas admiradas, pois cada vez estou mais gorda.

Ontem foi um desses dias. Estou morando aqui no bairro novamente há mais de um ano. Não engordei mais de dois quilos desde que vim morar aqui e ainda assim consigo encontrar gente com língua ferina, para não dizer maldita, que fala algo sobre isso, como se eu tivesse triplicado o peso ou ficado grávida de repente. Falo grávida porque é uma condição em que geralmente se engorda muito...

Enfim, espero que as pessoas tomem consciência e parem de tomar conta da vida, da comida, da gordura e do corpo do outro. Porque é muito ruim pra gente escutar coisas desse tipo. Nós temos espelho em casa, nós compramos roupas, nós vivemos no nosso corpo e sabemos exatamente como ele é. Nós gostamos de comer. Nós sabemos que somos gordos. Não precisamos das opiniões de vocês. E calem a bokita, tá? Tá! Beijos de luz e paz




Rafaela Valverde


Pela rua...


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Um dia, andando pela rua
Me senti vazia, me senti nua
Não estava mais me sentindo plena
Saia de mim e via aquela cena
De mim mesma caminhando à toa
Tentando ser uma mulher boa
Das que se sentem tristes quando necessário
Mas ainda gostam de fazer aniversário
Isso porque a plenitude vem e nos alcança
Somos dessas, não gostamos de cobrança
Nem precisa
A vida avisa
O momento de mudar
O momento de bradar
Bem alto
Quebro meu salto
Andando pela rua
A tristeza se insinua
Aqui na minha frente
Faz me ver carente
Mas não estou mais
Coisas banais
Voltam a acontecer
Coisas boas até o anoitecer
E eu continuo aqui andando
Pelas ruas vazias cantarolando
Nada mais me atinge, bailando
Na dança que a vida me dá
Feliz pra-lá-de-Bagdá!



Rafaela Valverde




quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Manhã de outono

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Estava aos poucos voltando a me exercitar depois de um tempo parada. Lutei durante anos, mas por motivos pessoais havia parado há um tempo. Sedentarismo não faz bem a ninguém e não serve para nada. Corria pelas ruas do bairro quando a avistei. A mesma moça, sentada no mesmo banco de sempre. A diferença é que estamos no início do outono e os bancos da praça, além do chão estão cheios de folhas secas, exibindo sua falta de vida por todo o ambiente urbano que ainda era predominante em todo o cinza dos seus concretos.

Aquela moça sentada ali, com sua pele pálida e seu cabelo caramelo contrastava claramente com aquele ambiente gélido e mórbido da praça outonal, em plena seis da manhã. Continuei a correr e percebi que seu olhar estava paralisado em algum ponto invisível ou em um ponto que só ela conseguia ver.

Sombras de tristeza habitavam aquele olhar. Eu não era capaz de adivinhar o que se passava naquela cabeça. Talvez alguém próximo a ela tivesse morrido, ou talvez tivesse sido abandonada por algum amor... Amor não recíproco é uma tragédia para quem não sabe lidar com tragédias... Ou talvez fosse qualquer outra coisa... Podia ser qualquer coisa... Mas aquela menina estava sentada ali há dois dias. Depois da minha corrida matutina saía para trabalhar e à noite quando chegava ela não estava ali. Ela era diurna. Uma coruja diurna. Com seus olhos parados no tempo. Em algum momento que talvez nunca poderei acessar.

Duas manhãs. Duas manhãs que eu havia voltado a correr e avistava aquela menina que parecia ter o quê? Dezesseis anos? O olhar dela passeava à sua frente e voltava para si mesma quando ela fechava os olhos. As folhas mortas típicas do outono continuavam ali alimentando um clima mórbido e repleto de angústia e confusão. Parei, apoiando as pernas no joelho, arfando e decidi que precisava me aproximar.

Respirei fundo, atravessei a rua e fui até o banco da praça que estava bem na minha frente.  Sentei ao seu lado no banco. Disse oi e perguntei se estava tudo bem. Ela nem me olhou, continuou olhando para o nada e disse: "ele vai matar ela..." Franzi as sobrancelhas sem entender, mas fiquei calada, esperando que ela falasse. 

Demorou alguns minutos até alguém falar novamente. Ela começou a falar que o padrasto estava há dois dias espancando a mãe pela manhã, antes de sair para o trabalho, ela já tentara apartar, já tentara gritar, já ligara para a polícia e nada resolvia. Quando a polícia chegava ela negava tudo, sua mãe. Percebi as lágrimas pulando em seu rosto. Passei a mão em seu ombro em sinal de solidariedade e fui andando até minha casa. No armário, a arma extra, no coldre cor de rosa. Aquela era especial. Para ocasiões raras e especiais, como por exemplo a prisão de um traste em flagrante... As algemas estavam na bolsa pendurada atrás da porta. Enfiei ambos debaixo da blusa da corrida, por dentro da calça legging, saí enquanto meu gato se esfregava em minhas pernas.

Parei na frente da garota e nesse momento pela primeira vez ela me olhou nos olhos. "Levanta! Anda logo, levanta" Puxei a pelo braço. "Me mostra onde é sua casa..." Ela arregalou os olhos mas não disse nada, apontou para umas casinhas que ficavam em um beco. Espero que ainda lembre alguns golpes de imobilização, pensei. E de repente vi uma árvore florida bem na minha frente...





Rafaela Valverde

As festinhas da moda para constranger bebês que ainda nem chegaram ao mundo

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Já repararam na obrigação que as pessoas parecem que têm agora em fazer festa de anúncio de sexo de bebê e chá de fralda, quando não dois chás de fraldas; um para a empresa em que trabalha e outro para a família. Eu acho tudo isso as coisas mais ridículas que se pode fazer ao esperar a chegada de um filho. Essas modinhas, espero que passem, causam aversão em mim às pessoas que as realizam. Parece que é o maior acontecimento do mundo. Parece que é a coisa mais extraordinária do mundo, fazer e parir um filho. Saibam que não é. Qualquer ser mamífero pode parir, a única diferença é que somos seres humanos, seres "racionais" e "pensantes" e aparentemente achamos ou temos certeza que mandamos no mundo, mandamos em todo o reino animal. Portanto, só nós mesmos somos capazes de sermos patéticos, de tornar uma coisa tão bonita, tão simples e ao mesmo tempo tão complexa em um circo de horrores...

Minhas reflexões acerca do assunto começaram a partir de um episódio da série Grace e Frankie que assisto e adoro. Mas já pensava nessas coisas há um tempo. O que o episódio trouxe? Um casal descobre que serão pais e fazem uma pequena festinha com a presença da família, que também não gostara muito da ideia de ir à esse tipo de festa e fazia muita galhofa. A festa vai rolando, a família criticando e bebendo para esquecer que estavam ali participando daquele momento patético e no final acabam não descobrindo o sexo do bebê porque o bolo tem recheio lilás, o azul se misturou com o rosa e não chegaram a nenhuma conclusão. O casal virou motivo de chacota para a família e para mim também. Mas, não só o casal, o bebê também. Será que as pessoas já pararam para pensar nisso? Que as coisas ridículas que fazem para "dar as boas vindas" aos filhos podem constranger os bebês antes mesmos de eles chegarem ao mundo? Acho que ninguém para para pensar nisso. E também nem sei se estou certa ao falar isso, eu só acho muito sintomático seguir essas modinhas que transformam o acontecimento de ter um filho constrangedor. As pessoas pensam que estão abafando, postando nas redes sociais, mas, na maioria das vezes estão pagando mico.

Pelo menos na minha opinião. Eu não estou aqui dizendo que o que eu acho das coisas é a verdade absoluta, não. Estou aqui apenas afirmando, e isso tenho direito absoluto, que detesto esse tipo de festa modinha e acho que há muitas coisas mais importantes em que se investir MEU dinheiro. Eu, por exemplo preferiria investir em educação e livros para meus filhos, mas cada um sabe o que faz com seu dinheiro. O mais irônico dessas situações é que esses mesmos pais que gastam horrores fazendo essas festas ridículas, economizam em escolas, não querem comprar livros, nem pagar transporte escolar e reclamam todo ano para comprar material escolar. E os chamados "mêsvesários"? Meu Deus, não tem coisa mais ridícula que essas comemorações mensais em que se gasta um dinheirão e posta fotos temáticas a cada mês...

E quem não faz esse tipo de coisa ou cai na asneira de criticar esses comportamentos idiotas, como eu estou fazendo agora, ainda é taxado como insensível, desnaturado, etc. Na cabeça das pessoas só é legitimada a parentalidade se houver esse tipo de cena e festinha na internet. Caso você não faça nada disso, porque afinal tem uma criança para cuidar ou uma gravidez para administrar, você não é pai ou mãe de verdade. Mas, tá. Pai e mãe são só aqueles que posam tematicamente e pagam mico - e fazem seus filhos pagarem - antes, durante, e depois da chegada de um bebê na família. Falta do que fazer define, na minha opinião.



Rafaela Valverde

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Se todas as garotas - Nikita Gill

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Se todas as garotas fossem ensinadas
como se amar ferozmente
em vez de como competir
umas com as outras
e odiar seus próprios corpos,
que diferente
e bonito mundo
nós viveríamos.





Rafaela Valverde

Nossa dança sensual

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O quarto fica mais quente com a gente dentro. Nus. Dançando movimentos sensuais. Nenhum momento com você é igual, nenhuma de nossas transas é igual, por mais que façamos as mesmas posições, por mais que pareça aquele sexo burocrático típico de casais apaixonados, nunca são as mesmas sensações. É sempre diferente, delicioso. E quando você falou: "deixa eu te chupar um pouquinho", foi tão tesudo de ouvir. Parecia desesperado por fazê-lo. Esse cabelo roçando na minha barriga enquanto está lá embaixo é a carícia mais encantadoramente sensual que pode acontecer...

Adoro quando você tira minha calcinha dessa forma única que me deixa ainda mais te querendo. Beija e lambe partes do meu corpo que eu nem sabia  que eram beijáveis. Eu quando estou embaixo de você me sinto no céu, sufocada por uma sensação que não sei de onde vem. Ou em cima, ou do lado... Todos esses momentos e posições ritmados são incríveis, porque é com você.

Eu não consigo nem descrever como fica meu corpo quando você me toca e daí já partimos para a ação e não consigo pensar em mais nada. A partir daí entramos em um transe inefável e inimaginável. Eu meio que saio de mim e só lembro de como me sinto no final, ofegante e quase infartando depois de gozar.

Alguns desses seus detalhes que te fazem único me deixam enlouquecida de tesão e você sabe do que eu estou falando. Adoro sentar em você e observar essa sua cara safada de cima, é uma visão panorâmica melhor que da Baía de Todos os Santos. Gosto de olhar seu rosto enquanto goza e puxo seu cabelo para cima. Não é por mal, é só porque é muito lindo de ver.

Quero que me coma em todos os cômodos desse apartamento que ainda me parece incauto demais. Você sabe disso, porque eu já te disse, mas não sei qual foi sua reação, aff esses aplicativos de mensagem que não deixam a gente ver a reação do outro, mas vou falar de novo só pra ver sua reação e carinha falsa de timidez. Você vai dar uma risadinha sem graça e nem vou acreditar nisso... E essa gargalhada? E essa voz deliciosa cantando em meu ouvido... É melhor eu parar por aqui mesmo porque estou na sala e tem gente aqui...



Rafaela Valverde  
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