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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Livro Antes Feliz do que Mal Acompanhada - Emanuela Carvalho


Terminei de ler o livro Antes Feliz do que Mal Acompanhada de Emanuela Carvalho. O livro foi lançado no ano passado aqui em Salvador. Emanuela é baiana. Encontrei- o por acaso nas estantes de sugestões de leitura da Biblioteca Central dos Barris. Me interessei pelo título e texto da contracapa e trouxe. 

O livro traz histórias anônimas de 25 mulheres sobre relacionamentos abusivos, violências física, psicológica e sexual e todo o sofrimento vindo desses relacionamentos. Dá uma dor no coração ler algumas dessas histórias. A gente que é mulher sempre se vê em situações como essas, em que nosso amor próprio vai embora, expulso por nós mesmas. 

Muitas vezes, amamos mais o outro do que a nós mesmas e quase sempre a vida mostra nosso erro. Há no livro histórias de relacionamentos abusivos entre mulheres também, há filhos envolvidos, dor, lágrimas, tristeza, falta de amor próprio, juventudes destruídas... Há coisas demais. E quando a gente para e pensa que são casos reais (a autora se inspirou em casos reais para escrever as histórias) misturados a um pouco de ficção, claro. Mas quando a gente percebe quantas mulheres estão envolvidas nesse tipo de relação, mesmo que tentem esconder e mostrar para o mundo o quanto são felizes, a gente pensa: "poderia ser eu..." ou "antigamente eu também agiria assim, hoje mais não..." 

Querendo ou não a gente se vê ali. Quantas mulheres não foram e são enganadas até hoje por homens e mulheres também, que acham que são seus donos? Que são possessivos, controladores e mau caráter... São esses alguns dos pensamentos que vêm à mente enquanto lia esse livro. É triste e dói saber que ainda somos tratadas como as culpadas por esses abusos. Muitas vezes recriminadas e julgadas... Bom, é isso. O livro é bastante interessante, por trazer casos próximos da gente, são histórias daqui de Salvador e nos faz refletir...




Rafaela Valverde












Mapa - Murilo Mendes

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Me colaram no tempo, me puseram
uma alma viva e um corpo desconjuntado. Estou
limitado ao norte pelos sentidos, ao sul pelo medo,
a leste pelo Apóstolo São Paulo, a oeste pela minha educação.

Me vejo numa nebulosa, rodando, sou um fluido,
depois chego à consciência da terra, ando como os outros,
me pregam numa cruz, numa única vida.
Colégio. Indignado, me chamam pelo número, detesto a hierarquia.

Me puseram o rótulo de homem, vou rindo, vou andando, aos solavancos.
Danço. Rio e choro, estou aqui, estou ali, desarticulado,
gosto de todos, não gosto de ninguém, batalho com os espíritos do ar,
alguém da terra me faz sinais, não sei mais o que é o bem
nem o mal.

Minha cabeça voou acima da baía, estou suspenso, angustiado, no éter,
tonto de vidas, de cheiros, de movimentos, de pensamentos,
não acredito em nenhuma técnica.

Estou com os meus antepassados, me balanço em arenas espanholas,
é por isso que saio às vezes pra rua combatendo personagens imaginários,
depois estou com os meus tios doidos, às gargalhadas,
na fazenda do interior, olhando os girassóis do jardim.

Estou no outro lado do mundo, daqui a cem anos, levantando populações…
Me desespero porque não posso estar presente a todos os atos da vida.

Onde esconder minha cara? O mundo samba na minha cabeça.
Triângulos, estrelas, noites, mulheres andando,
presságios brotando no ar, diversos pesos e movimentos me chamam a atenção,
o mundo vai mudar a cara,
a morte revelará o sentido verdadeiro das coisas.Andarei no ar.

Estarei em todos os nascimentos e em todas as agonias,
me aninharei nos recantos do corpo da noiva,
na cabeça dos artistas doentes, dos revolucionários.

Tudo transparecerá:
vulcões de ódio, explosões de amor, outras caras aparecerão na terra,
o vento que vem da eternidade suspenderá os passos,
dançarei na luz dos relâmpagos, beijarei sete mulheres,
vibrarei nos cangerês do mar, abraçarei as almas no ar,
me insinuarei nos quatro cantos do mundo.

Almas desesperadas eu vos amo. Almas insatisfeitas, ardentes.
Detesto os que se tapeiam,
os que brincam de cabra-cega com a vida, os homens “práticos”…
Viva São Francisco e vários suicidas e amantes suicidas,
os soldados que perderam a batalha, as mães bem mães,
as fêmeas bem fêmeas, os doidos bem doidos.
Vivam os transfigurados, ou porque eram perfeitos ou porque jejuavam muito…
viva eu, que inauguro no mundo o estado de bagunça transcendente.

Sou a presa do homem que fui há vinte anos passados,
dos amores raros que tive,
vida de planos ardentes, desertos vibrando sob os dedos do amor,
tudo é ritmo do cérebro do poeta. Não me inscrevo em nenhuma teoria,
estou no ar,
na alma dos criminosos, dos amantes desesperados,
no meu quarto modesto da praia de Botafogo,
no pensamento dos homens que movem o mundo,
nem triste nem alegre, chama com dois olhos andando,
sempre
em transformação.




Rafaela Valverde

domingo, 12 de novembro de 2017

Outra Vez- Saulo




Música maravilhosa!



Outra noite sem você
Outra vez sem ombro pra recostar
Outra noite sem dormir
Menos uma chance pra sonhar

Fecho os olhos me concentro
Talvez o pensamento me mostre um filme seu
Te veja feliz, te veja cantando
Pra me tirar a saudade e aliviar a dor
Queria estar perto de você

Ouvir suas historias de princesa
Ver o seu sorriso de menina
E sentir sua pureza, te aconselhar como amigo
Te livrar do perigo, te desejar sorte
Te abraçar forte e dizer

Faz tempo que eu não vejo o sol
Faz tempo que eu ando só
Faz tempo que eu não sou seu namorado amor
'Tô' sem saber o que fazer
Queria ficar com você
Se for pra enlouquecer que seja do seu lado




Rafaela Valverde

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

A Cor Púrpura - Alice Walker

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Terminei de ler o livro A Cor Púrpura de Alice Walker. É com certeza um dos melhores livros que já li na vida. Nunca li uma coisa tão linda, forte, militante e tão cheia de saberes. O livro lançado inicialmente em 1982 nos EUA, teve muito sucesso desde o início e logo foi adaptado para virar filme com Whoopi Goldberg, Danny Glover e Oprah Winfrey.

Alice é militante feminista e negra. Daí é possível entender um pouco da grandiosidade dessa obra. Porém não é um livro de clichês, daqueles que dizem mais do mesmo da militância, repetindo sempre a mesma coisa. A Cor Púrpura vai além, nos faz pensar em coisas não pensadas antes e através do conhecimento e texto bem escrito da autora.

O livro tem narração a partir de cartas. Primeiro as cartas de Celie, a personagem principal são voltadas para Deus, que passa a ser testemunha de todos os sofrimentos diários passados pela mulher que começa sua narrativa ainda menina, vivendo em um ambiente de extrema violência e grande ataque à sua auto estima. Fora violentada pelo pai e maltratada pelo marido, que sempre a rechaçava por ser "feia, pobre, negra e mulher..." Mulher não pode fazer determinadas coisas. Mulher é mais fraca que homem, portanto não deve falar nada, ficar calada e apanhar...

As narrativas epistolares se dão entre os anos de 1900 e 1940 nos EUA, trazendo de forma crua e real a situação que vivia as pessoas negras naquele país, naquele momento. As mulheres eram tratadas ainda pior e estas questões são mostradas no livro e o melhor, do ponto de vista de quem viveu, sendo narrado em primeira pessoa. Os erros de português de Celie, que era semi-analfabeta foram mantidos para manter a veracidade, já que eram cartas.

Celie, após ser violentada pelo pai -  spoiler: ou pelo que se diz pai - é "dada" em casamento para outro homem violento chamado de Sinhô. Sinhô queria sua irmã mais nova Nettie, por achar Celie feia e sem graça, mas acabou casando com Celie, que pensava apenas em proteger a irmã, pois o amor entre elas é muito grande. A vida com Sinhô consegue ser pior do que a vida com o pai. Cuidar de seus filhos, apanhar e passar por humilhações. Além de ficar longe da irmã Nettie - que virara missionária na África - e de seus filhos, feitos pelas violências do pai e dados a outra família por ele.

Um belo dia, chega  em sua casa Shug Avery, uma cantora, amante de Sinhô. A partir daí, aos poucos, é claro, Celie passa a enxergar a vida de outra forma e começa seu processo de libertação do marido e daquela vida. O medo e a repulsa que sente pelos homens fica mais evidente com a aproximação das duas, que vivem um romance, chegando a morar juntas.

Enfim, nada que eu disser desse livro vai conseguir traduzir meu encantamento e amor pela história. Com certeza entrou na lista de meus livros preferidos. Peguei na Biblioteca Central da Bahia, mas assim que puder, com certeza, vou comprar. Os textos das cartas das irmãs são fortes e não simplesmente narram os acontecimentos da vida, mas sim, dão aulas para a gente em vários setores. Aulas de África e de tribos africanas, aula sobre o racismo e a escravidão nos EUA, aula de língua, já que até o pidgin (quem é de letras vai saber o que é) é citado; aula de feminismo, aula de luta por direitos, aula de vida e até ensinamentos de como lidar com fins de relacionamentos. É um grande livro e eu estou maravilhada até agora. Fico por aqui recomendando esse livro incrível e ainda tão atual. Leiam! Vale muito a pena.




Rafaela Valverde

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Cinismo - Tati Bernardi

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E o único jeito de ser mais malandro 
que a tristeza é sendo cínico.
E lá vai a garota. 
Comprar pão quente com seu cinismo. 
Comprar absorvente com seu cinismo. 
Amar com seu cinismo. 
Porque só o cinismo vence a tristeza.
Porque só o cinismo é mais triste do que a tristeza. 
E eu virei um muro alto feito de pedras cheias de pontas. 
Tudo isso só porque eu quero tanto um pouco de carinho 

que acabei ficando com medo de não ganhar.



Rafaela Valverde

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Tuas Mãos - Pablo Neruda

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Quando tuas mãos saem,
amada, para as minhas,
o que me trazem voando?
Por que se detiveram
em minha boca, súbitas,
e por que as reconheço
como se outrora então
as tivesse tocado,
como se antes de ser
houvessem percorrido
minha fronte e a cintura?

Sua maciez chegava
voando por sobre o tempo,
sobre o mar, sobre o fumo,
e sobre a primavera,
e quando colocaste
tuas mãos em meu peito,
reconheci essas asas
de paloma dourada,
reconheci essa argila
e a cor suave do trigo.

A minha vida toda
eu andei procurando-as.
Subi muitas escadas,
cruzei os recifes,
os trens me transportaram,
as águas me trouxeram,
e na pele das uvas
achei que te tocava.
De repente a madeira
me trouxe o teu contacto,
a amêndoa me anunciava
suavidades secretas,
até que as tuas mãos
envolveram meu peito
e ali como duas asas
repousaram da viagem.




Rafaela Valverde

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Fim

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O cabelo solto passeia no vento
Ela olha para o horizonte
Lá no fim do mar
Procurando alento

Tentou encontrar a fonte
Cansou de procurar
Amor, paz e alimento
O coração já sucumbiu

Não quer mais se enfeitar
Esqueceu o arroubamento
E cansou de imaginar
Sua esperança ruiu

Ninguém ouve seu lamento
Em silêncio, pôs se a gritar
Continua olhando o nada
A natureza brincando com seu corpo

Em um baile de conformismo dançar
Lutar contra, suar frio
Sentir ira e calmaria

Tudo ao mesmo tempo
Enquanto olha pro final do mar




Rafaela Valverde

Como Eu era Antes de Você - Jojo Moyes

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O livro Como Eu era Antes de Você da escritora inglesa Jojo Moyes é de 2013 traz a história de Louisa Clark e Will Traynor, os protagonistas mais autênticos dos últimos tempos. Lou é uma jovem de 26 anos sem perspectiva, sem sonhos e ambição. Ainda mora - em uma pequena cidade, rodeada por um antigo castelo - com os pais e dorme em um minúsculo quartinho.

Um dia, o café em que ela trabalhava há anos fecha, o que faz Lou perder o emprego e se ver ainda mais perspectivas. Até que, decidida a não ficar desempregada, Lou resolve ir, a contragosto, à uma entrevista para a vaga de cuidadora. Lou finalmente conheceu a bela mansão dos Traynor. E após uma entrevista, mesmo sem acreditar, conseguiu o emprego.

Will não recebe muito bem a nova cuidadora, mas aos poucos uma amizade vai sendo construída, com muito esforço por parte de Lou. Ao mesmo tempo, senti um pouco de egoísmo por parte dela em achar que ele teria que estar feliz e satisfeito, mesmo de ser paraplégico. Mas entendo que fazia parte do trabalho dela colocá-lo para cima, deixá-lo feliz e ela tentou muito até conseguir. Além disso tem a questão da composição de personagens. Nenhum personagem é uma coisa só. Aliás nenhuma pessoa é uma coisa só. Louisa se mostrou muito dedicada, sobretudo com a amizade  e afeto que surge entre eles.

Com o tempo os personagens vão se construindo e a gente percebe o quanto eles são complexos, especialmente os principais. Eu me apaixonei por Will e Lou. Eram engraçados e possuíam química, sintonia... Enfim, foram escritos para isso. Aliás, é um livro muito bem escrito, com boas tiradas, conflitos de gente como a gente, como desemprego, problemas familiares, financeiros, etc... Em muitas coisas me senti muito parecida com Louisa: a irmã mais velha que não sabia muito bem o que queria, sem emprego e preocupada com o bem estar da família.

Em vários momentos do livro eu ri alto. Há muitas coisas engraçadas. Mas também há muitas questões importantes a serem tratadas, além de emocionantes, como os momentos em que Will ficava doente. Chorei muito no final do livro, mas durante a leitura eu me diverti muito. Em alguns momentos a narrativa mudava um pouco e a história passa a ser contada a partir do ponto de vista da mãe, do pai e do enfermeiro de Will, além da irmã de Louisa. Dá nos visões diferentes da mesma história. Pontos de vista diversos sobre um mesmo ponto da história. Isso deu ainda mais dinamismo à estória.

Confesso que tive um pouco de preconceito com o livro no início. Por ser um livro bem popular, bastante falado e que virou até filme, fiquei meio receosa de ter um novo Cinquenta Tons de Cinza nas mãos. Mas o livro me surpreendeu muito. Gostei bastante e com certeza é um dos melhores livros que li ultimamente. Com certeza vou comprá-lo um dia, já que o exemplar que eu li é da minha irmã.

Para finalizar esse pequeno texto de impressões, gostaria de ressaltar que é um livro triste e diferente dos clichês que vemos por aí. Não há "final feliz." O feliz é todo o decorrer do livro, a alegria e os desafios de viver, apesar de tudo. É essa a principal mensagem que o livro passa: "viva a vida, porque ela vai acabar." Outro ponto que quero ressaltar é que ficaria ainda menos clichê se não houvesse o romance, o amor romântico entre os dois.  Achei desnecessário. A grande amizade que se desenvolveu entre eles já seria suficiente, mas acredito que o romance surja mais por uma questão comercial mesmo. Atrair mais leitores com paixão. Mas, ainda assim, não são dois jovens desmiolados, são duas pessoas maduras, que já passaram muitas coisas e se encontraram no momento certo de suas vidas. Aprenderam um com o outro e nos deram uma linda e triste estória.




Rafaela Valverde

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Era Uma Vez - Kell Smith





Música é poesia. Espero que não enjoem essa música que nem fizeram com Trem Bala. Oremos!


Era uma vez
O dia em que todo dia era bom
Delicioso gosto e o bom gosto das nuvens
Serem feitas de algodão
Dava pra ser herói no mesmo dia
Em que escolhia ser vilão
E acabava tudo em lanche
Um banho quente e talvez um arranhão
Dava pra ver, a ingenuidade a inocência
Cantando no tom
Milhões de mundos e os universos tão reais
Quanto a nossa imaginação
Bastava um colo, um carinho
E o remédio era beijo e proteção
Tudo voltava a ser novo no outro dia
Sem muita preocupação

É que a gente quer crescer
E quando cresce quer voltar do início
Porque um joelho ralado
Dói bem menos que um coração partido
É que a gente quer crescer
E quando cresce quer voltar do início
Porque um joelho ralado
Dói bem menos que um coração partido

Dá pra viver
Mesmo depois de descobrir que o mundo ficou mau
É só não permitir que a maldade do mundo
Te pareça normal
Pra não perder a magia de acreditar na felicidade real
E entender que ela mora no caminho e não no final
É que a gente quer crescer
E quando cresce quer voltar do início
Porque um joelho ralado
Dói bem menos que um coração partido
É que a gente quer crescer
E quando cresce quer voltar do início
Porque um joelho ralado
Dói bem menos que um coração partido

Era uma vez

Eu escrevo

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Eu escrevo porque tudo dentro de mim exige
Escrevo por ser um caminho sem volta
Escrevo por estar no meu âmago esse tal desejo
O ato de escrever é o maior que em mim existe
É o que me faz estar viva e querer continuar
A vida precisa ser registrada
E escrevendo assim a é
E aproveitando o ensejo
Vivo muito mais
Para ter o que escrever
Quem não vive não tem bagagem
Assim como quem não lê
Não sei como alguém vive sem ler
Não sei como consegue 
Ler é inspirar
Escrever é expirar
Um interna
O outro externa
Eu não sei os outros, mas eu vivo para escrever
E escrevo para viver
Coisas indissociáveis
Inseparáveis
Eu escrevo porque tudo dentro de mim exige
Escrevo por ser um caminho sem volta
Escrevo porque minha mente implora
À noite, mergulhada na ansiedade eu penso:
"Preciso escrever sobre isso amanhã..."
E às vezes
As palavras dançam em meus pensamentos
Para que eu não as esqueca
Escrevo porque assim foi determinado
Em algum momento antes de eu nascer
Ou sei lá pode ter sido depois também
Não sei
Eu sei que eu escrevo
Porque o que sinto é intenso demais para ficar apenas na minha cabeça
E a forma de saírem daqui, meus sentimentos e as loucuras que penso é através da escrita
Ainda não encontrei forma melhor
Eu escrevo porque tudo dentro de mim exige
Escrevo por ser um caminho sem volta
Eu escrevo
Eu apenas escrevo
Escritora
Narradora da vida e dos fatos cotidianos
Faço graça escrevendo
Conto coisas escrevendo
Falo de mim escrevendo 
Vivo escrevendo
Caneta, papel, lápis, tela, teclado.
Eu escrevo
E sempre vou escrever
Porque o momento pede
A vida exige
E eu preciso
Desesperadamente
Escrever
É só o que eu faço
É o que eu faço de melhor
É o que me satisfaz
É a minha cachaça
É a minha vida!
É o que eu nasci para fazer
É o que me faz tão igual a todo mundo e ao mesmo tempo tão diferente.




Rafaela Valverde


sábado, 7 de outubro de 2017

Escuta - Maria da Conceição Paranhos


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Ocorre que há uns lapsos na história,
há uns lapsos. Então vêm, videntes,
relatar histórias conhecidas
em noites longas de calor, insônia.
Ouvimos. Pacientemente.
Sob discursos jazem outras vozes.

Necessário cantar.
Animais se aninham ao nosso ânimo,
baixam seu brado à espera da canção.
E os leões de pedra dos portões
deixam rolar os globos que os sustentam.

Falamos línguas obscenas.
Não. Endureceu-se o ouvir.
Indefinidamente?
Afrontar a rija espada dos confrontos,
permitir soluções, se o peito arfa
curvado de rajadas imprudentes.
Se não se deixa a alma nesses lances
em que transidos vagamos dementes,
como afrontar as rugas, decifrar mensagens
(não correm ventos nas paisagens mortas,
largadas ao relento)?

Necessário é amar.
Primeiro e último tormento.

Xô, passado!



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Minha vida é um balde cheio de passado. Parece que coisas e pessoas do passado sempre voltam. Tive um namorado da época da escola, recentemente reencontrei na rua um ex namorado. Mesmo que seja em pequenos momentos meu passado sempre fá um jeito de me encontrar. Não sei o que acontece com minha vida. Porque sei que muita gente consegue deixar o passado para trás e lá mesmo ele fica. Mas eu não. Acho que sempre tenho algo para resolver. Dá a impressão de que nada novo vai aparecer.

Lembranças das merdas que eu já fiz, sobretudo no que se refere a empregos também andam pairando em minha mente nos últimos meses, especialmente por eu estar desesperadamente procurando emprego. Parece que estou sendo castigada por esses erros do passado. Esse ano está sendo o ano de eu tomar porrada do passado.

Uma paquera do passado já apareceu e já me decepcionou como costuma fazer todos os homens. Nenhuma novidade, né? Mas o que quero dizer mesmo, é que tenho essa forte relação com o passado. Uma amiga disse que eu posso ter deixado coisas mal resolvidas e essas coisas têm que acontecer e portanto voltam para que eu "resolva." Mas eu não sei se acho isso positivo não. Parece que impede minha vida de andar pra frente. E eu fico achando que mudei e aprendi mas acabo cometendo os mesmos erros do passado. Repetindo atitudes e deixando que essas pessoas do passado retornem à minha vida.

Eu não sei exatamente o que tudo isso significa. Só estava refletindo sobre isso outro dia e estou aqui, escrevendo, contando para vocês.  É bom poder fazer essas análises e reflexões sobre a vida. E tentar fortemente, esforçosamente não cometer os mesmos erros de novo. Esquecer o passado e evitar que ele fique pairando em minha cabeça e refletindo sobre o meu presente e futuro.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Relacionamento


Relacionamento não é fácil. Mas é para ser bom, mesmo que difícil. Relacionamento é fazer concessões. É ceder umas coisas, aceitar outras. É ser aceito. É buscar - e achar - um equilíbrio. Nada pode ser radical. É um relacionamento em que duas (ou mais pessoas, né, vai saber...) estão envolvidas. Muitas vezes é melhor estar em paz com outro e dentro deste relacionamento do que simplesmente ter razão.

Estamos vivendo um momento em que ter relacionamento é muito raro. Ninguém quer mais se abrir a esse ponto. É como se fosse aquela luz no fim do túnel. Poucos conseguem vê-la. Mas também, com tantas "leis" de desapego, com tantos discursos de "não se apaixonar", as pessoas estão cada vez mais se distanciando. Viramos um bando de amargurados, sem sentimentos. Não vivemos. Não nos arriscamos. Estamos sempre sozinhos e segue o baile...

Assim, com medo de sofrer, não nos envolvemos. Não nos apaixonamos e nem nos apegamos. Nem a quem por ventura venha a merecer. Se é que existe mesmo essa pessoa que "porventura venha a merecer..." Viu? Eu já estou impregnada com essa ideia de que ninguém presta e ninguém vale meus sentimentos.

Depois de tantas decepções  talvez seja verdade. Talvez ninguém realmente preste mesmo. Acredito que hoje é mais difícil ter e manter um relacionamento porque estamos sempre com medo. E quem vai tirar nossa razão? Me parece certo às vezes querer se preservar de um sofrimento que hora ou outra vem.

E ainda tem o fato de abrir nossa vida, nossa casa,  apresentar nossa família a alguém e essa pessoa ser super escrota e sacanear com todo mundo no final. É muita coisa, poxa. Envolver a família, a rotina para nada... Sempre que há um relacionamento, mesmo que não seja longo, há o envolvimento da família, mesmo que de forma superficial. E ainda há o medo da violência contra mulher tão presente em nossa sociedade.

Não vou contar todas as decepções e perrengues que já passei com omis, até porque levaria o dia escrevendo. Mas vou dizer que foi meio barra pesada. Até mesmo com os que eu nem cogitei ter relacionamento, o contato foi ruim. Sobretudo com presença de joguinhos.

Há dois anos terminei um relacionamento de nove anos. Um casamento. O melhor relacionamento dos quatro que já tive. O relacionamento-referência da minha vida e não aceito menos que algo parecido com ele. Ainda assim, depois deste relacionamento, tive um namoro desde o ano passado que terminou por que estava muito abaixo do referencial, estava muito abaixo do que eu mereço. 

Um erro, esse namoro. Não deveria ter acontecido. Lembro disso todos os dias. Para não cometer o mesmo erro de novo. E pretendo não cometer mesmo. Para evitar erros estúpidos acabo entrando na onda do "desapego." Por mais que eu não queira sair por aí e pegar geral, como já fiz, não pretendo mais entrar em qualquer relacionamento, com qualquer pessoa. Prefiro ficar sozinha e me preservar emocional e fisicamente. Além de não envolver minha família. Relacionamento agora, só com uma pessoa muito especial, em um momento muito especial.


Rafaela Valverde


A você que faz joguinhos


As pessoas estão viciadas em joguinhos de desinteresse ou simplesmente joguinhos. Que não são engraçados e não fazem bem para nada. E não digo que há joguinhos somente em relacionamentos afetivos e/ ou sexuais. Acabo observando jogos em diversas relações: amizade, relação profissional, familiar, etc.

Há disputas idiotas por coisas sem sentido. Quem tem mais contatinhos. Quem faz mais ciúmes no outro. Quem se interessa e liga menos para o outro. Há também a tentativa constante de provar para o outro que é mais desejado, que fica com várias pessoas e não precisa desse outro para nada. Além disso existe joguinhos do "quem desapega mais rápido", "quem ignora mais", etc. Criou-se a cultura de visualizar e não responder. O celular está do lado, mas deixa lá. Esnoba que ele (a) se apaixona. Vou dar um vácuo porque assim a pessoa se interessa.

Na boa, a pessoa tem que ser muito desinteressante, chata e sem graça, para achar que a única coisa que faz alguém se interessar é vácuo, desinteresse e escrotidão. Não sei quem inventou esses joguinhos. Não sei quem foi a pessoa que achou que isso daria certo em algum momento.

Não interagir, não curtir, não comentar, não puxar assunto, não responder, além de dar a entender que quer a pessoa mas não fazer nada mais que confirme isso. Falar por códigos, não ser direto (a) e tantos outros sinais de demonstrar não-interesse não levam a lugar nenhum e no mínimo só vai fazer o outro se cansar e sumir. Porque realmente cansa e cansa muito. Não faça joguinhos. é chato, é feio, é ruim e só afasta as pessoas. Eu quero distância desse tipo de gente.


Rafaela Valverde




sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Uma manhã...

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Ela tinha acabado de correr, por isso estava ofegante e suada. A esteira ainda ligada na tomada. O cômodo tomado por seu cheiro. Hidratante e seu suor quente. Mistura química que me enlouquece. Andava de um lado para o outro, impaciente. Devia estar atrasada. Sempre se atrasava quando corria de manhã. Observei- a pelo que pareceu ser uma eternidade, antes de entrar no quarto. Coque no alto da cabeça, camiseta rosa bebê, calça legging estampada. O tênis já estava no canto. Seus pés à mostra. Unhas pintadas de vermelho. Os pés mais lindos e sensuais que já vi na vida.

Entrei enquanto ela estava de costas e a abracei beijando-a no pescoço. "Cheguei"- disse em seu ouvido. Mais um plantão, mais uma noite que ficara fora de casa, longe dela. Ouvi o som do seu sorriso por saber que eu estava ali. Virou e me beijou suavemente. Beijo de saudade. "Tô atrasada." Respondi que sabia e que não iria incomodá-la. Revirou os olhos dizendo muda que eu não incomodava. Sabia que era isso que queria dizer. Tirei a roupa do trabalho e entrei no banho, enquanto ela continuava sua saga matinal.

Nossa rotina estava pesada. Quase não nos encontrávamos mais. Eu chegava e ela saía. Respirei fundo sentindo a água passeando pelo meu corpo. Cheguei cansada, mas cheia de tesão. Queria-a. Mas hoje não parece ser um bom dia. De costas para a entrada, me ensaboando, ouvi o barulho do box se abrindo e me virei. Lá estava ela, nua. Me olhando daquele jeito gostoso. Me beijou com veracidade, reavivando meu corpo.  "Liguei pra lá e disse que vou me atrasar..." - disse. Agarrou meu cabelo e me empurrou até a parede, me beijando cada vez com mais força. Meu corpo ainda estava cheio de sabão e sua mão escorregava sobre ele. Me apalpava com intensidade, parecia que eu iria escapar caso não me segurasse.

De repente parou. Me enxaguou, retirando o sabão do meu corpo. Se ensaboou rapidamente, me provocando e fazendo aquela dancinha boba que eu gostava. Terminou seu banho enquanto eu fica ali parada, olhando-a. Abriu o box, saindo do banheiro sem se secar. Sorri. Vesti o roupão e fui atrás. Ela havia deitado na cama, nua, molhada e de bruços. As pernas jogadas pra cima. Pouco se importando comigo...

Tirei o roupão e me joguei de leve por cima dela. Beijando suas costas molhadas até quase o bumbum. Massageei suas pernas e pés. Ah, aquelas unhas vermelhas... Virei-a beijando sua boca suavemente, acariciando seu cabelo. Passeei a língua pelos seus seios e ela gemia baixinho. Aréolas, bicos... Mordicadas de leve e ela ficava cada vez mais enlouquecida. Seu olhar pegava fogo. Intercalava beijos, mordidas e lambidas em sua barriga, me concentrando no umbigo. Nessa hora, ela já puxava meu cabelo e gritava.

Sentir seu gosto era o momento mais esperado. Foi o que eu fiz. Mergulhei em seu universo enquanto a chupava. Ela estava deliciosamente excitada, molhada. Fazia movimentos diversos com a língua. Sentia prazer com seu prazer. Ela gemia e apertava minha cabeça e ali eu permanecia obedientemente. Passeando minha língua, matando meu tesão. Satisfazendo-a. Língua, dedos, saliva, suor, água... Nós duas ali, esquecendo horários, obrigações e tudo que não fosse nós mesmas e nossos corpos...

Gozamos. Arfantes, deitadas lado a lado olhávamos para o teto. Mãos dadas. Não falamos nada. Não precisava. Eu sabia o que ela pensava e vice-versa. Depois de vários dias, tivemos uma transa deliciosa. Nossa sintonia aumentava, nossos corpos se entrelaçavam e crescia o tesão. Ela virou de lado, olhando diretamente para mim. O sorriso safado ainda estava ali. Se jogou em cima de mim, me beijando. Recomeçamos...


Rafaela Valverde





quarta-feira, 13 de setembro de 2017

A Sua - Marisa Monte




Eu sou completamente apaixonada por essa música. Até porque é Marisa, né?




Eu só quero que você saiba
Que eu estou pensando em você
Agora e sempre mais
Eu só quero que você ouça
A canção que eu fiz pra dizer
Que te adoro cada vez mais
E que eu te quero sempre em paz

To com sintomas de saudade
To pensando em você
Como eu te quero tanto bem
Aonde for não quero dor
Eu tomo conta de você
Pois te quero livre também
Como o tempo vai o vento vem

Eu só quero que você caiba
No meu colo porque
Eu te adoro cada vez mais
Eu só quero que você siga
Para onde quiser
Que eu não vou ficar muito atrás

To com sintomas de saudade
To pensando em você
Como eu te quero tanto bem
Aonde for não quero dor
Eu tomo conta de você
Pois te quero livre também
Como o tempo vai o vento vem

Eu só quero que você saiba
Que eu estou pensando em você
Pois te quero livre também
Como o tempo vai o vento vem
Porque eu te quero livre também

Como o tempo vai o vento vem



Rafaela Valverde

Série Grace e Frankie

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Conheci recentemente a série Grace e Frankie. Não lembro exatamente o porquê de ter adicionado a série à minha lista da Netflix, mas já estava há alguns meses. Daí comecei a assistir e gostei logo de cara. No início pensei que seria uma série chata e dramática sobre velhinhos, mas fui muito pega de surpresa, pois é uma série muito engraçada, bem feita e alto astral.

Criada por Marta Kauffman, Howard J. Morris, a série estreou em 2015 e tem três temporadas na Netflix. Já vi as três e estou apaixonada pelas velhinhas fofinhas cujo os nomes dão título a série. No elenco estão  Jane Fonda (Grace), Lily Tomlin (Frankie), Sam Waterston, entre outros. A série americana de comédia traz a história de Gracie e Frankie que depois de quarenta anos de casadas descobrem repentinamente que seus maridos são gays e estão tendo um caso há vinte.

A partir daí começa a série de conflitos mais engraçados que eu já vi na minha vida. Mas não são simplesmente engraçados, são diálogos bem feitos, situações tão inusitadas que a gente esquece até o drama do caso (traição) dos maridos. Até porque a série não se baseia nisso, a série funciona ao redor das duas setentonas "prafrentex."

Elas  namoram, fazem sexo, fumam maconha, tomam porres as onze da manhã e até criam um vibrador e uma empresa Sex Shop. Essa série mudou minha visão sobre a terceira idade. Mesmo que seja ficcional e Grace seja ninguém menos que Jane Fonda toda conservada e até um pouco plastificada, é impossível não mudar alguma coisa da imagem que temos da terceira idade. Até porque as imagens que tenho vêm das minhas duas avós e nem de longe se compara com as cenas que são protagonizadas por essas duas. Elas ficam muito amigas e essa amizade cheia de implicância, pois elas são tão diferentes, é que segura o enredo da série.

É claro que sempre tem alguma coisa que incomoda a gente um pouco em qualquer coisa. No caso da série o que me incomodou foi o silenciamento sobre a existência da bissexualidade. Os maridos são nomeados ou "taxados" o tempo inteiro como gays. Se assumem gays, se auto intitulam gays. Mas óbvio que eles são bissexuais não, é? E não só pelo fato de terem passado quarenta anos casados com mulheres, mas, também pelo de terem laços afetivos, filhos e vida sexual. É notório que houve paixão pelo menos em um dos casais. E esse casal  até tem uma pequena recaída sexual... e eu não vou contar mais nada. Apenas precisava problematizar isso, porque passei as três temporadas engasgada com isso. 



Rafaela Valverde

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Aquele bom e velho medo de se apegar

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O que venho observando é que as pessoas estão meio perdidas. Elas não sabem exatamente o que querem. Claro, que em "as pessoas" eu me incluo porque não gosto disso de falar pelo outro ou sobre o outro me excluindo do problema. Entenderam? Quando eu digo as pessoas, são todos nós. Ok? Pronto, agora posso continuar. Pois bem, não temos em nossa cultura atual ideias bem definidas de relacionamentos. Às vezes nem amizade hoje em dia, é apenas amizade. Claro, que tudo é relativo, mas apenas tentem entender o que estou querendo dizer.

Antes, pelo menos na época de minha mãe e minha avó, existiam namorados, noivos, casados, amantes e outros nomes que queiram dar. Mas havia definição. Quando se fazia sexo sem ter "compromisso" havia recriminação, claro que com as mulheres né? Aff Mas se sabia o que queria ou em que estava metido. Não estou dizendo que era melhor, mas também não vou dizer que é pior. Eu não sei. Não estava lá. Não vivi essas épocas. Nasci no final dos anos oitenta...

O que quero dizer é queque existia um certo conservadorismo. Hipócrita e machista, claro. Eu acho que minha vó nem sabe o que sexo casual. Hoje temos essa liberdade. Temos a possibilidade de ter sexo casual, temos a possibilidade de não ter "compromisso" de não nos relacionarmos com ninguém. Isso foi muito bom, eu acho. Para nós mulheres, foi um ganho absoluto sobre nossos corpos e sobre nossa sexualidade.

Por outro lado, no entanto, viramos um bando de perdidos. Atarantados em nós mesmos, com medo de se abrir, com medo de qualquer contato mais próximo, com medo de se importar, de se apegar, de se importar. Vivemos com medo de tudo. Da violência urbana e de se relacionar. E não falo só de relação amorosa, falo de amizade e falo de ter consideração com o outro, mesmo que estejam em algo casual, mesmo que estejam ficando. Porque com nossos egos inflados, não querendo nos envolver para não sofrer acabamos sendo muito escrotos com as outras pessoas.

Medo. Tudo isso vem do medo. Medo de amar e de sofrer. Medo de abrir nossas casas e convívio familiar com quem quer que seja, medo de relacionamentos abusivos, medo de sermos enganadas. Medo. Nossas vidas foram invadidas pelo medo. Mesmo que nem todas as pessoas sejam assim, medrosas, sempre há algum, em maior ou menor proporção. Algum trauma do passado, em muitos casos vai determinar esses medos e nossas atitudes diante dele e sobre ele.

Eu tenho esse medo também. Sim, fui atingida. Tantas decepções dão nisso não, é? Mas eu não quero falar de mim. Estou tentando falar sobre a tendência que temos, em geral, em nossos dias, de não se envolver, não se relacionar, não se apaixonar. Queremos mesmo o casual, o raso. Mas tenho cá minhas dúvidas se estamos realmente felizes com isso. Já estou começando a sentir uma quebra de todo esse discurso bem elaborado e construído em nossas mentes.  Porque não é possível que se viva assim o tempo todo, a vida inteira. Em algum momento esse gelo tem que ser quebrado e o medo enfrentado. Em algum momento a gente vai se apaixonar, querer dividir o edredom,o brigadeiro e o filme em uma tarde de domingo. Mesmo que já tenha feito isso em determinado momento e quebrado a cara. Coloquemos a cara pra bater. E pra quebrar também. Porque a vida é se arriscar... Bom, é o que dizem, porque por enquanto eu prefiro é não dividir nada. Ficar só comigo mesma. É o melhor que posso fazer por mim nesse momento. Sem medo de ter medo.


Rafaela Valverde

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Tá bom - Los Hermanos


Senta aqui
que hoje eu quero te falar
não tem mistério não
é só teu coração
que não te deixa amar
você precisa reagir
não se entregar assim
como quem nada quer
não há mulher irmão que goste dessa vida
ela não quer viver as coisas por você
me diz cadê você aí
e aí não há sequer um par pra dividir

senta aqui
espera que eu não terminei
pra onde é que você foi
que eu não te vejo mais
não há ninguém capaz
de ser isso que você quer
vencer a luta vã
e ser o campeão
pois se é no não que se descobre de verdade
o que te sobra além das coisas casuais
me diz se assim está em paz
achando que sofrer é amar demais



Rafaela Valverde

Não faça mais ninguém sofrer do jeito que me fez

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Cansei de impor minha presença onde não sou bem vinda e para quem não me quer por perto. Cansei de ser segunda, terceira, quarta opção. Fantoche, apenas para nego se divertir. Quando você se ama tanto e se descobre tão incrivelmente maravilhosa, não sobra espaço para se permitir ser tratada de forma escrota. Às vezes, na verdade, quase sempre a gente se deixa levar, no meu caso por amor e pela "trouxice" e sou tratada como lixo. De forma que nenhum ser humano merece ser tratado. O outro lado sequer pede desculpas, acha que está certo, "só porque aquilo já aconteceu e não tem como mudar." Ah, vai te catar! Não foi obra do acaso, aconteceu porque você quis que acontecesse. Você, conscientemente agiu como um porco com a última pessoa que deveria sacanear no mundo: eu. Não vou ficar aqui dizendo todas as vezes em que te apoiei, estive do seu lado e cuidei de você, por que você sabe e nesse momento vai passar um filme na sua cabeça. Mas, olha quer saber? Eu sou uma retardada mesmo. Quantas vezes eu vim aqui neste mesmo blog escrever coisas assim? Quantas vezes eu me despedi, eu briguei, eu lutei contra o que eu sinto, eu escrevi com lágrimas nos olhos e os dedos tremendo? Muitas! Você, nem leu, cara! E nem vai ler. Você nunca saberá da metade das coisas que eu penso e sinto porque você não me ouve, você nunca me ouviu. Na verdade, você pode até ouvir a minha voz, o eco dessa voz irritante chegando no seu ouvido, mas você não me escuta e nunca vai escutar. E quer saber? Quer saber mesmo? Eu tô cansada de ser a otária dessa história, poque definitivamente quem é otário aqui é você. E não só por me abandonar no momento em que eu mais precisava de você. Mas também por me tratar como um lixo. Um lixo bem descartável. Que não era bem vindo em seus eventos sociais, mas na cama era quem te satisfazia, porque nenhuma dessas mulheres que você insiste em querer pegar "tem o beijo como o meu." Não era isso que você costumava dizer? Não era isso que você dizia sempre? Que eu era a melhor mulher e que você nunca encontraria nenhuma outra como eu. Ora, disso eu sei. Agora fique aí vivendo essa vidinha medíocre que você escolheu ao invés de estar ao lado da pessoa mais maravilhosa que você conheceu. A minha burrice tem limite, sabe? Você achou que eu ia ficar servindo de suporte pra você? Você achou que eu ia continuar a vida toda sendo seu " socorro sexual? " Você realmente achou que isso ia durar? Eu sou maravilhosa demais e transo bem demais para ser apenas seu brinquedinho sexual, diga se de passagem o melhor brinquedo sexual que você já teve na vida. Mas, que pena que acabou né? Porque eu deixei de ser otária. Pelo menos sou menos otária do que há alguns meses quando você se aproveitou do fim traumático do meu namoro e como um abutre, começou a dizer que me amava, só para transar comigo. Só para eu te mimar, cuidar e acarinhar como só eu faço. E você sabe disso. O mais engraçado nisso tudo é que você decidiu abrir mão do melhor, para ter o pior, simplesmente pelo prazer de ser muito escroto. Caralho! Será que ensinam isso aos homens desde o ventre? Não é possível! Não entendo e nunca vou entender. Pra que causar tanta dor? Se não quer ficar não fica. Mas sai de vez! Como diria Carpinejar, você é o homem que não vai nem tampouco fica. Decide. Tantas vezes eu te pedi para decidir e você nunca teve coragem. Você é a pessoa mais covarde que eu conheço. Realmente não combina comigo que sou tão corajosa. Todas as coisas que eu fiz na vida, foram atos de coragem, que me fizeram estar realmente viva hoje. Eu já sei. Você se sente pequeno e tacanho diante de mim. E talvez seja mesmo. Talvez você seja toda a escória que sempre disse que é e eu nunca quis acreditar. Precisou eu, logo eu, tomar a decisão de me afastar de você, porque você nunca o faria. Eu tenho muita raiva da pessoa que você se tornou. Sem coragem, sem escrúpulos. Eu não vou ficar aqui apontando seus erros. Você é virginiano, conhece detalhadamente cada um deles. Eu espero, não que você sofra ou que seja infeliz. Não. Isso seria muito pouco pra você. E eu não sou assim. Eu sou a mulher que te perdoa há onze anos. Todas as suas cagadas. Olha, é triste saber que uma história tão linda se transformou nisso, nessa bosta. Saiba que por culpa sua. Vou jogar na sua cara um pouco de culpa pra ver se você passa sentir alguma!  Na boa, eu espero que você não cause mais sofrimento e infelicidade em mais ninguém. Pois tenho sofrido e sido infeliz desde que você começou a agir assim. Não sei como é, porque eu nunca causei tanta dor a ninguém, mas qualquer pessoa que tenha o mínimo de valores sabe que deve ser muito foda fazer alguém sofrer tanto. Mas, não sei. Você talvez não tenha tantos valores assim, já que não demonstra culpa, ao contrário, é frio e se diverte depois de fazer merda atrás de merda. Eu não tenho raiva de você. Eu tenho pena. Eu tenho medo que você cause essa dor que eu venho sentindo a alguma outra pobre coitada que apareça na sua frente. Portanto, por favor não faça mais ninguém sofrer. Para de ser escroto. Para de ser idiota. Para de falar uma coisa e fazer outra. Para de dizer que ama para conseguir sexo. Para, para, para. Para logo!


Rafaela Valverde


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