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terça-feira, 11 de julho de 2017

Tentando entender você

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Eu não consigo entender certas coisas em você. Eu não consigo entender muitas coisas, pra falar a verdade. Eu não entendo como você diz que eu sou a melhor. Melhor em tudo: no beijo, no sexo, na companhia, na inteligência... E ainda assim você continua a não me querer para estar ao seu lado. Você diz que quer ter opções, que precisa disso para ser feliz. Você diz que quer ter outras não tão boas quanto eu, só por ter, só para saber que realmente tem essa opção.

Você entende isso como liberdade. Mas eu entendo  como uma confusão que você faz com sua vida e com a minha. Soa tudo tão incoerente e desconexo. Não quero criticar você, não ache isso. Eu só queria entender. Queria. Na verdade eu nem sei se quero mais. Talvez eu apenas me deixe levar pela situação e me satisfaça só com o fato de estar com você de vez em quando. Às vezes é bom viver na ignorância mesmo. Sem compreender determinadas coisas.

Mas minha cabeça não para. Ela insiste em saber o porquê de você querer outras se tem a melhor disponível para você a qualquer momento que precisar. Além de ser a melhor, eu sou também a que te ama. A que te ama incondicionalmente. Sou a mulher que te amou nesses últimos anos, independente do que você fizesse. Eu sou a mulher que te conhece melhor do que você mesmo, eu sou a mulher que te viu chorar feito criança em vários momentos, sobretudo, no momento em que seu time foi rebaixado. Eu sou uma mulher maravilhosa, como você mesmo diz. E eu não preciso que ninguém diga, eu sei que sou. 

Nem você consegue me explicar, os motivos dessa sua escolha. Já que tem a melhor, ainda opta em ficar, ou encontrar outras que serão pessoas menos importantes na sua vida. O que você quer? Colecionar afetos? Pequenos afetos, pequenos envolvimentos emocionais... Pequenos... Sempre pequenos. Porque o maior você já teve e tem. Você tem o amor da sua vida na sua frente e como mesmo já me disse, deveria se sentir privilegiado, mas não se sente.

Privilégio para você é poder estar "livre" para "ficar" com quem quiser, a hora que quiser. Questiono isso que você chama de liberdade, pois isso pode ser uma ou várias prisões. Prisões em conceitos, em pré-conceitos, prisões em ideias retrógradas e nefastas sobre você mesmo e sobre mim. E ainda há as ideias otimistas sobre as outras pessoas. Acho que você tem esperança de procurar, procurar e encontrar alguém igual ou melhor que eu. Você não aceita que possa haver apenas uma mulher para dedicar tanto amor durante tantos anos, durante a vida inteira... Você não se conforma com essa possibilidade e quer experimentar várias outras possibilidades para saber que não está perdendo nada da vida.

O problema é que enquanto você brinca de encontrar outro amor tão especial como o nosso e tenta experimentar "as alegrias da vida", você pode estar perdendo a possibilidade de ter seu amor, de ter sua companheira, sua amiga confidente, a pessoa que mais ama e cuida de você. Sabe por que? Não porque eu não esteja disposta a esperar por você e ficar com você, mas porque a vida pode acabar a qualquer hora, já pensou nisso? Além disso, nesse momento deve existir pessoas me observando. E eu não sei o que vai acontecer daqui pra frente, mas a gente tem que pensar em todas as possibilidades da vida, não é? Pois, enquanto você está aí dizendo que quando se ama quer  ver o outro feliz  e tentando buscar alguém para me substituir - mero discurso - eu estou "livre, leve e solta" e pensando que só posso mesmo obter ou reobter minha felicidade no amor com você, ao seu lado.



Rafaela Valverde

domingo, 2 de julho de 2017

Enredo para um tema - Adélia Prado


Ele me amava, mas não tinha dote,
só os cabelos pretíssimos e um beleza
de príncipe de estórias encantadas.
Não tem importância, falou a meu pai,
se é só por isto, espere.
Foi-se com uma bandeira
e ajuntou ouro pra me comprar três vezes.
Na volta me achou casada com D. Cristóvão.
Estimo que sejam felizes, disse.
O melhor do amor é sua memória, disse meu pai.
Demoraste tanto, que...disse D. Cristóvão.
Só eu não disse nada,
nem antes, nem depois.


Rafaela Valverde

Um dia ela percebeu


Um dia ela percebeu que só precisava dela mesma
Entendeu que é incrível mas também não presta
Não presta pra levar desaforo pra casa
Não presta pra ser menos do que é
Está mais para pôr-do-sol
Do que o nascer
O nascer é calmo, ela não
Ela entendeu que é sombria, mas ilumina todos ao redor.
Seu coração está leve
Suficiente para a alma que não aguenta pesos
De pesada basta a vida
Mas ela aguenta
E vive
Ela percebeu que se basta
Percebeu que só precisava de si mesma para viver
É fluída
É volúvel
É maravilhosa, costumam dizer
Mas, meu Deus, está sendo consumida pela solidão
Por que isso?
Por que é que ninguém quer pegar na sua mão?
E nem amá-la nos momentos de crise?
Será por causa da sua descoberta?
Ela sabe que só precisa dela
Tem certeza disso.
Mas está o tempo todo presente
Ela e ela mesma
Não é uma opção
O que ela gostaria de ter era a opção de ter mais alguém por perto
Para segurar sua mão
Para te abraçar no frio
E não mais ser consumida pelo tédio de ser sozinha
Estar  consigo mesma é maravilhoso
Tão maravilhoso, que ela quer dividir com alguém.
Um dia ela percebeu.



Rafaela Valverde



sexta-feira, 30 de junho de 2017

Desmergulha!


Mergulho na complexidade de quem você é
E assim me vejo afogada
Desfibrilada
Me socorrem
Me aplaudem
Como isso é possível?
Eu finjo que morri
Ou eu também me aplaudi?
Acho que não, né?
Deixa de bestagem!
Desmergulha!
Sai daí!




Rafaela Valverde

Rios sem discurso - João Cabral de Melo Neto


Quando um rio corta, corta-se de vez
o discurso-rio de água que ele fazia;
cortado, a água se quebra em pedaços,
em poços de água, em água paralítica.
Em situação de poço, a água equivale
a uma palavra em situação dicionária:
isolada, estanque no poço dela mesma,
e porque assim estanque, estancada;
e mais: porque assim estancada, muda,
e muda porque com nenhuma comunica,
porque cortou-se a sintaxe desse rio,
o fio de água por que ele discorria.

O curso de um rio, seu discurso-rio,
chega raramente a se reatar de vez;
um rio precisa de muito fio de água
para refazer o fio antigo que o fez.
Salvo a grandiloqüência de uma cheia
lhe impondo interina outra linguagem,
um rio precisa de muita água em fios
para que todos os poços se enfrasem:
se reatando, de um para outro poço,
em frases curtas, então frase e frase,
até a sentença-rio do discurso único
em que se tem voz a seca ele combate



Rafaela Valverde

sábado, 24 de junho de 2017

Em Chamas - Suzanne Collins ♥


Reli Em chamas de Suzanne Collins. O livro foi lançado em 2011 e eu li pela primeira vez em 2015. Eu amo a trilogia Jogos Vorazes, como vocês já sabem. Em Chamas é o segundo e traz novamente Katniss Everdeen e Peeta Mellark que mudaram os Jogos Vorazes e desafiaram a Capital. Nesse livro eles retornam à Arena.

Tudo parece diferente e ao mesmo tempo o mais do mesmo, mas o casal desafortunado do Distrito 12 não sabem nada do que os esperam pela frente. Eu gosto de Em Chamas porque ele não funciona como um intermediário, apenas para encher linguiça, preparando os leitores para o último livro. Não, esse livro traz emoções diferenciadas. 

Mais uma vez sentimental e ao mesmo tempo duro. Distópico, futurista, crítico das ações humanas, politico, feminista. As aventuras dos tributos que voltam à Arena para começar o 75º Massacre Quaternário são bem diferentes, a Arena funciona com uma nova dinâmica. Mas eles não estão lá ocm objetivo de matar uns aos outros e apenas um vencedor. É muito mais que isso. Dessa vez, o inimigo é outro... Ou sempre foi? Maravilhoso, amo!


Rafaela Valverde

História da flor - Carlos Drummond de Andrade


Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava, e eu furtei a flor.

Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber, e flor não é para ser bebida

Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem.

Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí-la no jardim. Nem apelar para o médico de flores. Eu a furtara, eu a via morrer.

Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me.

– Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim!




Rafaela Valverde

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Em Código - Fernando Sabino

 Gente, quando eu era criança e adolescente eu adorava ler  o que Fernando Sabino escrevia. Especialmente os contos e as crônicas. Li esse num livro de Irandé Antunes ontem e me lembrei desse período. Quis trazer para vocês, meus leitores. Aproveitem!



Fui chamado ao telefone. Era o chefe de escritório de meu irmão:
- Recebi de Belo Horizonte um recado dele para o senhor. É uma mensagem meio esquisita, com vários itens, convém tomar nota: o senhor tem um lápis aí?
- Tenho. Pode começar.
- Então lá vai. Primeiro: minha mãe precisa de uma nora.
- Precisa de quê?
- De uma nora.
- Que história é essa?
- Eu estou dizendo ao senhor que é um recado meio esquisito. Posso continuar?
- Continue.
- Segundo: pobre vive de teimoso. Terceiro: não chora, morena, que eu volto.
- Isso é alguma brincadeira.
- Não é não, estou repetindo o que ele escreveu. Tem mais. Quarto: sou amarelo, mas não opilado. Tomou nota?
- Mas não opilado - repeti, tomando nota. - Que diabo ele pretende com isso?
- Não sei não, senhor. Mandou trasmitir o recado, estou transmitindo.
- Mas você há de concordar comigo que é um recado meio esquisito.
- Foi o que eu preveni ao senhor. E tem mais. Quinto: não sou colgate, mas ando na boca de muita gente. Sexto: poeira é minha penicilina. Sétimo: carona, só de saia. Oitavo...
- Chega! - protestei, estupefato. - Não vou ficar aqui tomando nota disso, feito idiota.
- Deve ser carta em código ou coisa parecida - e ele vacilou: - Estou dizendo ao senhor que também não entendi, mas enfim... Posso continuar?
- Continua. Falta muito?
- Não, está acabando: são doze. Oitavo: vou mas volto. Nono: chega à janela, morena. Décimo: quem fala de mim tem mágoa. Décimo primeiro: não sou pipoca, mas também dou meus pulinhos.
- Não tem dúvida, ficou maluco.
- Maluco não digo, mas como o senhor mesmo disse, a gente até fica com ar meio idiota... Está acabando, só falta um. Décimo segundo: Deus, eu e o Rocha:
- Que Rocha?
- Não sei: é capaz de ser a assinatura.
- Meu irmão não se chama Rocha, essa é boa!
- É, mas foi ele que mandou, isso foi.
Desliguei, atônito, fui até refrescar o rosto com água, para poder pensar melhor. Só então me lembrei: haviam-me encomendado uma crônica sobre essas frases que os motoristas costumam pintar, como lema, à frente dos caminhões. Meu irmão, que é engenheiro e viaja sempre pelo interior fiscalizando obras, prometera ajudar-me, recolhendo em suas andanças farto e variado material. E ele viajou, o tempo passou, acabei me esquecendo completamente o trato, na suposição de que o mesmo lhe acontecera.
Agora, o material ali estava, era só fazer a crônica. Deus, eu e o Rocha! Tudo explicado: Rocha era o motorista. Deus era Deus mesmo, e eu, o caminhão.


Rafaela Valverde

domingo, 18 de junho de 2017

Quando você voltar


Quando você voltar
Pense na possibilidade
De não me encontrar
Mesmo que eu esteja aqui
Eu posso tentar fugir
Seus beijos mostram
O que você quer ocultar
Os sentimentos furtivos que por mim tens
Não adianta negar!
Seus olhos vão além e complementam a mensagem
Sei que me amas
Sei que não vai embora
Seu corpo não sabe ser sutil
Você disfarça mas  sabe me esquecer
Tentou encobri, mas me chamou de seu bebê
Eu ouvi
Eu percebi
Eu senti
E eu vivi
Até agora sem você
Mas o amor permanece aqui
Se fazendo perceptível cada vez que amanhece
Você dissimula
Tudo bem, eu te entendo
É forte e complexo demais
Nem todo mundo consegue lidar
Mas aqui no meu peito esse amor só se acumula
E nunca deixarei de te amar!



Rafaela Valverde

sexta-feira, 16 de junho de 2017

A vida

Vou pensar
Vou penar
Vou chorar
Vou beijar
Vou sorrir
Vou sair
Vou cair
Vou levantar
Vou suar
Vou jogar
Vou cantar
Vou dançar
Vou trepar
Vou gemer
Vou viver
Mas nunca vou te esquecer.



Rafaela Valverde

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Eu

Eu te amo
Eu me odeio porque te amo
Eu não consigo te odiar por um minuto sequer
Eu brinco de te esquecer
Eu finjo que hoje não vou pensar em você
Eu minto dizendo que não me importo
Eu fico imaginando como seria ter você aqui, ao meu lado
Eu tenho certeza que aqui é o seu lugar
Eu te amo
Eu sei que a minha vida seria melhor com você
Eu odeio a minha vida por isso
Eu sei que não será possível, não mais!
Eu perdi você
Eu me odeio por isso
Eu acordo pensando em você
Eu relembro nossos momentos juntos e penso como eu já fui feliz ao seu lado
Eu amo você
Eu sempre vou amar você
Eu me odeio por ter perdido você
Eu sempre vou achar que vou estar melhor do seu lado
Eu sei que não adianta você estar ao meu lado se não quiser e se não estiver feliz
Eu sei de tudo isso!
Eu me importo com sua felicidade, acredite
Eu
Amo
Você.
Eu.
E você? Me fala de você.
Qual seu ponto de vista nessa historia?


Rafaela Valverde

terça-feira, 6 de junho de 2017

Crianças sabem mais que poeta


Eu não sei o que quer dizer isso
Mas sei que não tem nada de enguiço
Como costumavam me dizer na infância
Tramam contra as crianças, porquê?
Inventam respostas ininteligíveis

Vocês que são bestas
Achando que criança não entende
Criança tem sabedoria
Mas às vezes ficam invisíveis
Aos olhos do mundo

Crianças sabem mais que poeta
Que como dizem por aí,
Nada mais é que um fingidor
Criança finge que não vê e que não escuta
Criança sabe mais do que a gente imagina

Criança sabe mais que a gente adulta
Que se acha melhor e mais culta
Mais livre e mais esperta
Mas não sabe de bulhufas
Especialmente quando se apaixona

Gente adulta fica cega
Cega de amor
Criança, não!
Criança ainda não tem burrice para passar por isso
Sim, a gente cresce e emburrece.
Quero voltar a ser criança!




Rafaela Valverde

As pessoas...

E que se dane a dieta, que se dane meu cabelo feio e a espinha cravada na minha testa. Hoje eu não estou interessada no que o espelho tem a me dizer. Não me importo mais se estou gorda, não me importo mais se meu cabelo precisa de hidratação e minha pele se comporta como se eu tivesse doze anos.

Hoje eu não quero mais me importar com o que as pessoas pensam e dizem sobre mim e sobre minha aparência. Eu gosto de ter cabelo curto, essa juba cresce demais e me transforma em escrava dele. Eu gosto de ser gorda, porque eu gosto de comer, beber e fumar. E que se danem minhas veias, meu fígado e meu pulmão. Eles não são meus, porra?

Então, quem vai morrer cedo, de câncer de pulmão e feia? Eu. Então vão procurar lavar umas panelas ao invés de me atazanar. Peguei a tesoura no armário do banheiro e comecei a cortar o cabelo. Sempre o cortei, sozinha em casa. Sempre fui muito independente em relação a mim mesma. O que me fez ficar tão abobalhada me importando com as opiniões alheias?

Talvez tenha sido uma forma de me enturmar, de me encaixar em um determinado grupo. Sabe, as pessoas impõem qualquer ideia idiota sobre nossos corpos e a gente acredita. Que coisa, mulher não pode viver em paz! As pessoas sempre me disseram que eu ficava mais bonita de cabelo comprido, as pessoas sempre me disseram que eu seria mais saudável se fosse magra; as pessoas sempre me disseram que eu seria mais feliz se gastasse rios de dinheiro com depilação e tratamentos de beleza.

As pessoas... Que se danem o que elas acham ou dizem. Eu sou preguiçosa, não gosto de cuidar do cabelo, eu gosto é de comer e por isso sou gorda. Eu gosto de ser eu mesma e por isso eu sou feliz. Pelo fato de me permitir ser eu mesma. Com minhas comidas, meu cabelo curto, meu cigarro e meus pelos.

Então, hoje eu digo, com toda convicção: que se danem as pessoas, que se dane essa porra dessa dieta e que se dane esse cabelo ridículo e mal tratado. Vou continuar sendo eu mesma, com meus noventa quilos e meu cabelo de "machão".



Rafaela Valverde

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Livro O leitor


Terminei de ler o livro O leitor. Esse livro originou o filme que deu o Oscar de melhor atriz a Kate Winslet. Inclusive, assisti o filme antes e nem sabia que existia o livro. Descobri há bem pouco tempo. Comprei o livro por dez reais com uma menina que conheci no Facebook em grupos de vendas de livros.

Confesso que demorei de ler o livro, achei ele meio paradão. Meu ritmo de leitura de livros está bem lento, sobretudo por causa da faculdade e por casa das séries hehehe. O livro foi escrito pelo escritor alemão Bernhard Schlink e publicado em 1995. A adaptação para o cinema só foi feita em 2008.

O filme é bastante fiel ao livro. Há muitos detalhes, claro, que no filme não são contados. Essa parte gostei bastante. Alguns detalhes foram esclarecidos com a leitura. A história contada é a de Michael Berg, menino de 15 anos que ao ficar doente conhece a cobradora de bondes Hanna Schmitz, que tinha 36 anos. Eles vivem um caso tórrido de paixão e Hanna pede que o "menino", como ela o chama, leia para ela em voz alta. Muitos livros são lidos, entre uma transa e outra. E assim, o menino vai se descobrindo e amadurecendo.

Alguns anos depois, quando ele já havia se afastado de Hanna e estudante de direito, encontra a mulher que outrora amou, no banco dos réus. Ela havia sido guarda nos campos de concentração do nazismo, vitimando diversas mulheres em um incêndio. Hanna tem um grande segredo e pretende abrir mão de muita coisa para preservá-lo, inclusive da sua liberdade,

Michael narra o livro. E o quadro com que nos deparamos é ele narrando sua própria culpa e tristeza durante toda a sua vida, até o instante em que finaliza o relato. Culpa, saudade, dor, tristeza, saudade. A vida dele inteira girou em torno desse amor de adolescência. Amor por uma mulher incrivelmente misteriosa e fascinante. Leiam!



Rafaela Valverde

Eu não sei mais lidar com tudo o que sinto


Acordo todas as manhãs sentindo falta de algo, sentindo falta do que tive, do que não tive e do que ainda vou ter. E o que eu não vou ter nunca, fica pairando acima da minha cabeça. Todos os dias. Como uma nuvem, opaca e sem vida. A nuvem joga sua chuva sobre minha cabeça e explode um turbilhão de pensamentos sufocantes, aterrorizantes. Mas que eu não consigo evitar.

Como assim? Você diz que quer algo que nem sabe o que é. Mas, é mentira! Você sabe, sim! Sempre soube. Mas, parece que como tudo em sua vida, o fato de você querer muito algo, afasta decisivamente o algo da sua vida. Você é uma azarada de merda. Você afasta tudo o que quer. E você nunca quer o que tem. Você é idiota, porra!

E esse vazio? Cura como? Isso que te faz chorar escondido à noite. Como resolve? Com baladinhas, cheias de gente tombadora com maquiagem "cheguei" e beck na mão? Com sexos casuais, frios e mal feitos? Com revolta e melancolia? Como resolve?

Se eu soubesse não estava passando por isso. Eu queria simplesmente não passar por nada. Eu abriria mão de viver só para não sentir. Eu preciso de um entorpecimento constante. Por isso, o sono excessivo, por isso as leituras e as séries, por isso a escrita compulsiva, por isso as garrafas de catuaba e vinho barato pela mesa de centro. Por isso, as noites em claro chorando e fumando cigarro após cigarro.

É por isso, tudo isso. Porque eu não sei lidar com a dor de sentir, com a dor de existir e ser eu mesma. Eu não sei mais encarar uma baladinha e descontrair com ela. Ao contrário, fico tão tensa e mal humorada nas festas, que sento em um canto, falando mal de todo mundo, sozinha. Sofá de boate tem sido meu lugar preferido ultimamente. Destilo veneno e ironia. E as lágrimas de tristeza ficam caindo naquele escuro, é onde melhor posso chorar. Choro enquanto danço também! Sim, sociedade, é só isso mesmo o que eu posso te oferecer!



Rafaela Valverde

quinta-feira, 25 de maio de 2017

O mundo do menino impossível - Jorge de Lima


Fim da tarde, boquinha da noite
com as primeiras estrelas
e os derradeiros sinos.

Entre as estrelas e lá detrás da igreja
surge a lua cheia
para chorar com os poetas.

E vão dormir as duas coisas novas desse mundo:
o sol e os meninos.

Mas ainda vela
o menino impossível
aí do lado
enquanto todas as crianças mansas
dormem
acalentadas
por Mãe-negra Noite.
O menino impossível
que destruiu
os brinquedos perfeitos
que os vovós lhe deram:
o urso de Nürnberg,
o velho barbado jagoeslavo,
as poupées de Paris aux
cheveux crêpes,
o carrinho português
feito de folha-de-flandres,
a caixa de música checoeslovaca,
o polichinelo italiano
made in England,
o trem de ferro de U. S. A.
e o macaco brasileiro
de Buenos Aires
moviendo da cola y la cabeza.

O menino impossível
que destruiu até
os soldados de chumbo de Moscou
e furou os olhos de um Papai Noel,
brinca com sabugos de milho,
caixas vazias,
tacos de pau,
pedrinhas brancas do rio...

“Faz de conta que os sabugos
são bois...”
“Faz de conta...”
“Faz de conta...”
E os sabugos de milho
mugem como bois de verdade...

e os tacos que deveriam ser
soldadinhos de chumbo são
cangaceiros de chapéus de couro...

E as pedrinhas balem!
Coitadinhas das ovelhas mansas
longe das mães
presas nos currais de papelão!

É boquinha da noite
no mundo que o menino impossível
povoou sozinho!

A mamãe cochila.
O papai cabeceia.
O relógio badala.

E vem descendo
uma noite encantada
da lâmpada que expira
lentamente
na parede da sala...

O menino pousa a testa
e sonha dentro da noite quieta
da lâmpada apagada
com o mundo maravilhoso
que ele tirou do nada...

Chô! Chô! Pavão!
Sai de cima do telhado
Deixa o menino dormir
Seu soninho sossegado!





Rafaela Valverde

sexta-feira, 19 de maio de 2017

Transbordante


O que buscar lá fora se tudo que me faz bem está aqui dentro?
Por que buscar coisas lá fora se tudo está aqui?
Pra que procurar qualidades em outras pessoas se você já as tem?
Tudo que me satisfaz está aqui, em você
Tudo que eu gosto você faz
O que eu preciso você tem
Eu não preciso de mais ninguém
Quando eu te falo você não acredita
Mas não há ninguém como você
Estar com você me faz tão bem
Há anos que sua presença me faz ótima, que é melhor que bem
Eu realmente não preciso de ninguém
Mas você não é ninguém
E eu preciso de você
Não para viver
Não para ser feliz, afinal eu já sou feliz!
Mas preciso de você para tornar minha vida melhor
Também para me transformar nesse poço de sorrisos
Sim, quando estou perto de você, eu transbordo de alegria
A felicidade me toma por completo
Eu me fecho nesse mundinho em que você está
E esqueço do que se passa no mundo lá fora
Nada lá fora importa!
Aí no outro dia tenho que voltar ao tempo presente, à vida real
É duro demais não ter você
É injusto ter que procurar lá fora o que eu tenho aqui dentro
É injusto, principalmente, porque eu nunca vou achar
O poço da felicidade de estar com você esvazia um pouco quando vou embora
Mas o meu amor é um poço muito maior
Não enche, não transborda e nunca vai acabar
Agora, me diga, você que tem resposta para tudo:
O que eu faço com esse amor?



Rafaela Valverde

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Passional


Você diz que sabe quem é
Você diz que se conhece
Você diz que me conhece
Mas, ora bolas, quem é que sabe mesmo de si?
Eu não sei, você não sabe, o mundo não sabe
O mundo nem sabe que fim terá!
O mundo não sabe nada
Agora, imagine você!
Você não sabe de nada
Eu vejo que estou em seu olhar
Mas você nega
Você é engraçado
Não se entrega
Não se apoia
É orgulhoso
Tem medo
Você diz que sabe de si
Você diz que se conhece
Você diz que me conhece
E que eu sou a mesma
Você se auto - engradece
Não que esteja errado
Se engrandeça mesmo
Brilhe mesmo
Pense em você mesmo
Mas não minimize nosso amor
Seja quem e o que você quiser
Só não ache que tudo isso é menor
Você pode não amar
Mas não desame quem ama
Você pode não se dedicar ao amor
Mas deixa minha dedicação
Você pode se conhecer
Pode me conhecer
Só não mate minha presença em seus olhos
Não esnobe meu amor
Ele, meu bem, ainda vai te salvar de você mesmo.



Rafaela Valverde


sábado, 13 de maio de 2017

A lua no cinema - Paulo Leminski


A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
   a história de uma estrela
que não tinha namorado.

   Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
   dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!

   Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava pra ela,
   e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.

   A lua ficou tão triste
com aquela história de amor,
   que até hoje a lua insiste:
- Amanheça, por favor!



Rafaela Valverde

quinta-feira, 4 de maio de 2017

O que eu sei


Eu sei que trocamos juras de amor. Estávamos deitados de conchinha. Eram 4:26 de uma madrugada qualquer. Fazia frio. Quem raciocina no frio? E de madrugada? Ninguém. Eu sei também que aquelas juras podem não ter sido verdadeiras, a promessa de que estaríamos sempre juntos não vingou. Seguimos separados e eu sei que é assim que vamos ficar.

Eu sei que você não levou nada daquilo a sério. Depois daquelas madrugadas vieram outras, outras que ficávamos acordados fazendo planos para um futuro. Esse futuro hoje é tão distante e inexistente que eu nem sei porque perdemos tanto tempo assim falando nele. Talvez porque nos amássemos. Naquela época era tudo mais fácil, éramos muito jovens e ainda não tínhamos descoberto as maldades da vida adulta. Sabe, gente adulta estraga tudo. Complica tudo. Não gosto muito da adulta sem sonhos que me tornei hoje.

Não tenho sonhos, nem expectativas. Não imagino nós dois juntos. Eu apenas me aproveito de você para ter inspiração para escrever, porque meus leitores gostam. Por incrível que pareça, há pessoas que gostam das minha ladainhas. Mas eu não penso em nós dois tendo futuro. Eu só vejo nós dois separados mesmo, mas eu finjo que acredito pois isso rende textos, afinal de contas isso que eu sinto por você tem que servir para alguma coisa, não é?

Eu sei. Eu sei muitas coisas. Mas o que eu sei mesmo é que foi tudo da boca para fora. O que eu disse e o que você disse. Pois, afinal de contas, quando jurei te esperar até oitenta anos eu não imaginava que ia demorar tanto. E quando você disse que eu nunca mais iria chorar e que você estaria cuidando de mim para sempre era mentira. Não sei muito bem se uma mentira deliberada ou se você se enganou e se atrapalhou todo no meio do caminho.

Vai demorar. Está demorando. Isso eu já constatei há tempos. O que você acha? Que eu vou te esperar aqui mais dez, vinte, trinta anos?  Você acha mesmo que eu vou te esperar até quando não tiver mais nenhuma melanina em meu cabelo e quando meus ossos forem tomados pela osteoporose? Se você acha isso mesmo saiba que você está certo. Estou aqui esperando, o tempo que for necessário, no meu canto, sem expectativas e calada, só esperando minha hora, se ela chegar. Se não, paciência, mas eu estarei com meu dever cumprido. Estarei aqui, sempre aqui, incondicionalmente. Indo a festas, viajando, estudando, conhecendo outras pessoas de vez em quando; bebendo e fumando um cigarro, esperando o tempo passar lentamente.  Eu posso não saber tudo, mas sei que é o que eu quero e devo fazer, é esperar por você e cumprir aquelas promessas das 4:26 de uma madrugada qualquer.



Rafaela Valverde


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