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sábado, 15 de julho de 2017

Lua Adversa - Cecília Meireles

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Tenho fases, como a lua.
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...




Rafaela Valverde

terça-feira, 11 de julho de 2017

Tentando entender você

Resultado de imagem para amor

Eu não consigo entender certas coisas em você. Eu não consigo entender muitas coisas, pra falar a verdade. Eu não entendo como você diz que eu sou a melhor. Melhor em tudo: no beijo, no sexo, na companhia, na inteligência... E ainda assim você continua a não me querer para estar ao seu lado. Você diz que quer ter opções, que precisa disso para ser feliz. Você diz que quer ter outras não tão boas quanto eu, só por ter, só para saber que realmente tem essa opção.

Você entende isso como liberdade. Mas eu entendo  como uma confusão que você faz com sua vida e com a minha. Soa tudo tão incoerente e desconexo. Não quero criticar você, não ache isso. Eu só queria entender. Queria. Na verdade eu nem sei se quero mais. Talvez eu apenas me deixe levar pela situação e me satisfaça só com o fato de estar com você de vez em quando. Às vezes é bom viver na ignorância mesmo. Sem compreender determinadas coisas.

Mas minha cabeça não para. Ela insiste em saber o porquê de você querer outras se tem a melhor disponível para você a qualquer momento que precisar. Além de ser a melhor, eu sou também a que te ama. A que te ama incondicionalmente. Sou a mulher que te amou nesses últimos anos, independente do que você fizesse. Eu sou a mulher que te conhece melhor do que você mesmo, eu sou a mulher que te viu chorar feito criança em vários momentos, sobretudo, no momento em que seu time foi rebaixado. Eu sou uma mulher maravilhosa, como você mesmo diz. E eu não preciso que ninguém diga, eu sei que sou. 

Nem você consegue me explicar, os motivos dessa sua escolha. Já que tem a melhor, ainda opta em ficar, ou encontrar outras que serão pessoas menos importantes na sua vida. O que você quer? Colecionar afetos? Pequenos afetos, pequenos envolvimentos emocionais... Pequenos... Sempre pequenos. Porque o maior você já teve e tem. Você tem o amor da sua vida na sua frente e como mesmo já me disse, deveria se sentir privilegiado, mas não se sente.

Privilégio para você é poder estar "livre" para "ficar" com quem quiser, a hora que quiser. Questiono isso que você chama de liberdade, pois isso pode ser uma ou várias prisões. Prisões em conceitos, em pré-conceitos, prisões em ideias retrógradas e nefastas sobre você mesmo e sobre mim. E ainda há as ideias otimistas sobre as outras pessoas. Acho que você tem esperança de procurar, procurar e encontrar alguém igual ou melhor que eu. Você não aceita que possa haver apenas uma mulher para dedicar tanto amor durante tantos anos, durante a vida inteira... Você não se conforma com essa possibilidade e quer experimentar várias outras possibilidades para saber que não está perdendo nada da vida.

O problema é que enquanto você brinca de encontrar outro amor tão especial como o nosso e tenta experimentar "as alegrias da vida", você pode estar perdendo a possibilidade de ter seu amor, de ter sua companheira, sua amiga confidente, a pessoa que mais ama e cuida de você. Sabe por que? Não porque eu não esteja disposta a esperar por você e ficar com você, mas porque a vida pode acabar a qualquer hora, já pensou nisso? Além disso, nesse momento deve existir pessoas me observando. E eu não sei o que vai acontecer daqui pra frente, mas a gente tem que pensar em todas as possibilidades da vida, não é? Pois, enquanto você está aí dizendo que quando se ama quer  ver o outro feliz  e tentando buscar alguém para me substituir - mero discurso - eu estou "livre, leve e solta" e pensando que só posso mesmo obter ou reobter minha felicidade no amor com você, ao seu lado.



Rafaela Valverde

domingo, 2 de julho de 2017

Enredo para um tema - Adélia Prado


Ele me amava, mas não tinha dote,
só os cabelos pretíssimos e um beleza
de príncipe de estórias encantadas.
Não tem importância, falou a meu pai,
se é só por isto, espere.
Foi-se com uma bandeira
e ajuntou ouro pra me comprar três vezes.
Na volta me achou casada com D. Cristóvão.
Estimo que sejam felizes, disse.
O melhor do amor é sua memória, disse meu pai.
Demoraste tanto, que...disse D. Cristóvão.
Só eu não disse nada,
nem antes, nem depois.


Rafaela Valverde

Um dia ela percebeu


Um dia ela percebeu que só precisava dela mesma
Entendeu que é incrível mas também não presta
Não presta pra levar desaforo pra casa
Não presta pra ser menos do que é
Está mais para pôr-do-sol
Do que o nascer
O nascer é calmo, ela não
Ela entendeu que é sombria, mas ilumina todos ao redor.
Seu coração está leve
Suficiente para a alma que não aguenta pesos
De pesada basta a vida
Mas ela aguenta
E vive
Ela percebeu que se basta
Percebeu que só precisava de si mesma para viver
É fluída
É volúvel
É maravilhosa, costumam dizer
Mas, meu Deus, está sendo consumida pela solidão
Por que isso?
Por que é que ninguém quer pegar na sua mão?
E nem amá-la nos momentos de crise?
Será por causa da sua descoberta?
Ela sabe que só precisa dela
Tem certeza disso.
Mas está o tempo todo presente
Ela e ela mesma
Não é uma opção
O que ela gostaria de ter era a opção de ter mais alguém por perto
Para segurar sua mão
Para te abraçar no frio
E não mais ser consumida pelo tédio de ser sozinha
Estar  consigo mesma é maravilhoso
Tão maravilhoso, que ela quer dividir com alguém.
Um dia ela percebeu.



Rafaela Valverde



sexta-feira, 30 de junho de 2017

Rios sem discurso - João Cabral de Melo Neto


Quando um rio corta, corta-se de vez
o discurso-rio de água que ele fazia;
cortado, a água se quebra em pedaços,
em poços de água, em água paralítica.
Em situação de poço, a água equivale
a uma palavra em situação dicionária:
isolada, estanque no poço dela mesma,
e porque assim estanque, estancada;
e mais: porque assim estancada, muda,
e muda porque com nenhuma comunica,
porque cortou-se a sintaxe desse rio,
o fio de água por que ele discorria.

O curso de um rio, seu discurso-rio,
chega raramente a se reatar de vez;
um rio precisa de muito fio de água
para refazer o fio antigo que o fez.
Salvo a grandiloqüência de uma cheia
lhe impondo interina outra linguagem,
um rio precisa de muita água em fios
para que todos os poços se enfrasem:
se reatando, de um para outro poço,
em frases curtas, então frase e frase,
até a sentença-rio do discurso único
em que se tem voz a seca ele combate



Rafaela Valverde

sábado, 24 de junho de 2017

Em Chamas - Suzanne Collins ♥


Reli Em chamas de Suzanne Collins. O livro foi lançado em 2011 e eu li pela primeira vez em 2015. Eu amo a trilogia Jogos Vorazes, como vocês já sabem. Em Chamas é o segundo e traz novamente Katniss Everdeen e Peeta Mellark que mudaram os Jogos Vorazes e desafiaram a Capital. Nesse livro eles retornam à Arena.

Tudo parece diferente e ao mesmo tempo o mais do mesmo, mas o casal desafortunado do Distrito 12 não sabem nada do que os esperam pela frente. Eu gosto de Em Chamas porque ele não funciona como um intermediário, apenas para encher linguiça, preparando os leitores para o último livro. Não, esse livro traz emoções diferenciadas. 

Mais uma vez sentimental e ao mesmo tempo duro. Distópico, futurista, crítico das ações humanas, politico, feminista. As aventuras dos tributos que voltam à Arena para começar o 75º Massacre Quaternário são bem diferentes, a Arena funciona com uma nova dinâmica. Mas eles não estão lá ocm objetivo de matar uns aos outros e apenas um vencedor. É muito mais que isso. Dessa vez, o inimigo é outro... Ou sempre foi? Maravilhoso, amo!


Rafaela Valverde

História da flor - Carlos Drummond de Andrade


Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava, e eu furtei a flor.

Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber, e flor não é para ser bebida

Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem.

Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí-la no jardim. Nem apelar para o médico de flores. Eu a furtara, eu a via morrer.

Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me.

– Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim!




Rafaela Valverde

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Em Código - Fernando Sabino

 Gente, quando eu era criança e adolescente eu adorava ler  o que Fernando Sabino escrevia. Especialmente os contos e as crônicas. Li esse num livro de Irandé Antunes ontem e me lembrei desse período. Quis trazer para vocês, meus leitores. Aproveitem!



Fui chamado ao telefone. Era o chefe de escritório de meu irmão:
- Recebi de Belo Horizonte um recado dele para o senhor. É uma mensagem meio esquisita, com vários itens, convém tomar nota: o senhor tem um lápis aí?
- Tenho. Pode começar.
- Então lá vai. Primeiro: minha mãe precisa de uma nora.
- Precisa de quê?
- De uma nora.
- Que história é essa?
- Eu estou dizendo ao senhor que é um recado meio esquisito. Posso continuar?
- Continue.
- Segundo: pobre vive de teimoso. Terceiro: não chora, morena, que eu volto.
- Isso é alguma brincadeira.
- Não é não, estou repetindo o que ele escreveu. Tem mais. Quarto: sou amarelo, mas não opilado. Tomou nota?
- Mas não opilado - repeti, tomando nota. - Que diabo ele pretende com isso?
- Não sei não, senhor. Mandou trasmitir o recado, estou transmitindo.
- Mas você há de concordar comigo que é um recado meio esquisito.
- Foi o que eu preveni ao senhor. E tem mais. Quinto: não sou colgate, mas ando na boca de muita gente. Sexto: poeira é minha penicilina. Sétimo: carona, só de saia. Oitavo...
- Chega! - protestei, estupefato. - Não vou ficar aqui tomando nota disso, feito idiota.
- Deve ser carta em código ou coisa parecida - e ele vacilou: - Estou dizendo ao senhor que também não entendi, mas enfim... Posso continuar?
- Continua. Falta muito?
- Não, está acabando: são doze. Oitavo: vou mas volto. Nono: chega à janela, morena. Décimo: quem fala de mim tem mágoa. Décimo primeiro: não sou pipoca, mas também dou meus pulinhos.
- Não tem dúvida, ficou maluco.
- Maluco não digo, mas como o senhor mesmo disse, a gente até fica com ar meio idiota... Está acabando, só falta um. Décimo segundo: Deus, eu e o Rocha:
- Que Rocha?
- Não sei: é capaz de ser a assinatura.
- Meu irmão não se chama Rocha, essa é boa!
- É, mas foi ele que mandou, isso foi.
Desliguei, atônito, fui até refrescar o rosto com água, para poder pensar melhor. Só então me lembrei: haviam-me encomendado uma crônica sobre essas frases que os motoristas costumam pintar, como lema, à frente dos caminhões. Meu irmão, que é engenheiro e viaja sempre pelo interior fiscalizando obras, prometera ajudar-me, recolhendo em suas andanças farto e variado material. E ele viajou, o tempo passou, acabei me esquecendo completamente o trato, na suposição de que o mesmo lhe acontecera.
Agora, o material ali estava, era só fazer a crônica. Deus, eu e o Rocha! Tudo explicado: Rocha era o motorista. Deus era Deus mesmo, e eu, o caminhão.


Rafaela Valverde

domingo, 18 de junho de 2017

Quando você voltar


Quando você voltar
Pense na possibilidade
De não me encontrar
Mesmo que eu esteja aqui
Eu posso tentar fugir
Seus beijos mostram
O que você quer ocultar
Os sentimentos furtivos que por mim tens
Não adianta negar!
Seus olhos vão além e complementam a mensagem
Sei que me amas
Sei que não vai embora
Seu corpo não sabe ser sutil
Você disfarça mas  sabe me esquecer
Tentou encobri, mas me chamou de seu bebê
Eu ouvi
Eu percebi
Eu senti
E eu vivi
Até agora sem você
Mas o amor permanece aqui
Se fazendo perceptível cada vez que amanhece
Você dissimula
Tudo bem, eu te entendo
É forte e complexo demais
Nem todo mundo consegue lidar
Mas aqui no meu peito esse amor só se acumula
E nunca deixarei de te amar!



Rafaela Valverde

sexta-feira, 16 de junho de 2017

A vida

Vou pensar
Vou penar
Vou chorar
Vou beijar
Vou sorrir
Vou sair
Vou cair
Vou levantar
Vou suar
Vou jogar
Vou cantar
Vou dançar
Vou trepar
Vou gemer
Vou viver
Mas nunca vou te esquecer.



Rafaela Valverde

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Livro O leitor


Terminei de ler o livro O leitor. Esse livro originou o filme que deu o Oscar de melhor atriz a Kate Winslet. Inclusive, assisti o filme antes e nem sabia que existia o livro. Descobri há bem pouco tempo. Comprei o livro por dez reais com uma menina que conheci no Facebook em grupos de vendas de livros.

Confesso que demorei de ler o livro, achei ele meio paradão. Meu ritmo de leitura de livros está bem lento, sobretudo por causa da faculdade e por casa das séries hehehe. O livro foi escrito pelo escritor alemão Bernhard Schlink e publicado em 1995. A adaptação para o cinema só foi feita em 2008.

O filme é bastante fiel ao livro. Há muitos detalhes, claro, que no filme não são contados. Essa parte gostei bastante. Alguns detalhes foram esclarecidos com a leitura. A história contada é a de Michael Berg, menino de 15 anos que ao ficar doente conhece a cobradora de bondes Hanna Schmitz, que tinha 36 anos. Eles vivem um caso tórrido de paixão e Hanna pede que o "menino", como ela o chama, leia para ela em voz alta. Muitos livros são lidos, entre uma transa e outra. E assim, o menino vai se descobrindo e amadurecendo.

Alguns anos depois, quando ele já havia se afastado de Hanna e estudante de direito, encontra a mulher que outrora amou, no banco dos réus. Ela havia sido guarda nos campos de concentração do nazismo, vitimando diversas mulheres em um incêndio. Hanna tem um grande segredo e pretende abrir mão de muita coisa para preservá-lo, inclusive da sua liberdade,

Michael narra o livro. E o quadro com que nos deparamos é ele narrando sua própria culpa e tristeza durante toda a sua vida, até o instante em que finaliza o relato. Culpa, saudade, dor, tristeza, saudade. A vida dele inteira girou em torno desse amor de adolescência. Amor por uma mulher incrivelmente misteriosa e fascinante. Leiam!



Rafaela Valverde

Eu não sei mais lidar com tudo o que sinto


Acordo todas as manhãs sentindo falta de algo, sentindo falta do que tive, do que não tive e do que ainda vou ter. E o que eu não vou ter nunca, fica pairando acima da minha cabeça. Todos os dias. Como uma nuvem, opaca e sem vida. A nuvem joga sua chuva sobre minha cabeça e explode um turbilhão de pensamentos sufocantes, aterrorizantes. Mas que eu não consigo evitar.

Como assim? Você diz que quer algo que nem sabe o que é. Mas, é mentira! Você sabe, sim! Sempre soube. Mas, parece que como tudo em sua vida, o fato de você querer muito algo, afasta decisivamente o algo da sua vida. Você é uma azarada de merda. Você afasta tudo o que quer. E você nunca quer o que tem. Você é idiota, porra!

E esse vazio? Cura como? Isso que te faz chorar escondido à noite. Como resolve? Com baladinhas, cheias de gente tombadora com maquiagem "cheguei" e beck na mão? Com sexos casuais, frios e mal feitos? Com revolta e melancolia? Como resolve?

Se eu soubesse não estava passando por isso. Eu queria simplesmente não passar por nada. Eu abriria mão de viver só para não sentir. Eu preciso de um entorpecimento constante. Por isso, o sono excessivo, por isso as leituras e as séries, por isso a escrita compulsiva, por isso as garrafas de catuaba e vinho barato pela mesa de centro. Por isso, as noites em claro chorando e fumando cigarro após cigarro.

É por isso, tudo isso. Porque eu não sei lidar com a dor de sentir, com a dor de existir e ser eu mesma. Eu não sei mais encarar uma baladinha e descontrair com ela. Ao contrário, fico tão tensa e mal humorada nas festas, que sento em um canto, falando mal de todo mundo, sozinha. Sofá de boate tem sido meu lugar preferido ultimamente. Destilo veneno e ironia. E as lágrimas de tristeza ficam caindo naquele escuro, é onde melhor posso chorar. Choro enquanto danço também! Sim, sociedade, é só isso mesmo o que eu posso te oferecer!



Rafaela Valverde

quinta-feira, 25 de maio de 2017

O mundo do menino impossível - Jorge de Lima


Fim da tarde, boquinha da noite
com as primeiras estrelas
e os derradeiros sinos.

Entre as estrelas e lá detrás da igreja
surge a lua cheia
para chorar com os poetas.

E vão dormir as duas coisas novas desse mundo:
o sol e os meninos.

Mas ainda vela
o menino impossível
aí do lado
enquanto todas as crianças mansas
dormem
acalentadas
por Mãe-negra Noite.
O menino impossível
que destruiu
os brinquedos perfeitos
que os vovós lhe deram:
o urso de Nürnberg,
o velho barbado jagoeslavo,
as poupées de Paris aux
cheveux crêpes,
o carrinho português
feito de folha-de-flandres,
a caixa de música checoeslovaca,
o polichinelo italiano
made in England,
o trem de ferro de U. S. A.
e o macaco brasileiro
de Buenos Aires
moviendo da cola y la cabeza.

O menino impossível
que destruiu até
os soldados de chumbo de Moscou
e furou os olhos de um Papai Noel,
brinca com sabugos de milho,
caixas vazias,
tacos de pau,
pedrinhas brancas do rio...

“Faz de conta que os sabugos
são bois...”
“Faz de conta...”
“Faz de conta...”
E os sabugos de milho
mugem como bois de verdade...

e os tacos que deveriam ser
soldadinhos de chumbo são
cangaceiros de chapéus de couro...

E as pedrinhas balem!
Coitadinhas das ovelhas mansas
longe das mães
presas nos currais de papelão!

É boquinha da noite
no mundo que o menino impossível
povoou sozinho!

A mamãe cochila.
O papai cabeceia.
O relógio badala.

E vem descendo
uma noite encantada
da lâmpada que expira
lentamente
na parede da sala...

O menino pousa a testa
e sonha dentro da noite quieta
da lâmpada apagada
com o mundo maravilhoso
que ele tirou do nada...

Chô! Chô! Pavão!
Sai de cima do telhado
Deixa o menino dormir
Seu soninho sossegado!





Rafaela Valverde

sábado, 13 de maio de 2017

A lua no cinema - Paulo Leminski


A lua foi ao cinema,
passava um filme engraçado,
   a história de uma estrela
que não tinha namorado.

   Não tinha porque era apenas
uma estrela bem pequena,
   dessas que, quando apagam,
ninguém vai dizer, que pena!

   Era uma estrela sozinha,
ninguém olhava pra ela,
   e toda a luz que ela tinha
cabia numa janela.

   A lua ficou tão triste
com aquela história de amor,
   que até hoje a lua insiste:
- Amanheça, por favor!



Rafaela Valverde

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Minha trajetória acadêmica

Em 2010 passei no vestibular da Uneb - Universidade do estado da Bahia para o curso de Pedagogia, que eu não sabia exatamente do que se tratava, mas como achava que queria fazer psicologia, achei que pedagogia tinha semelhanças com psico e lá fui eu. As aulas começaram no dia 12 de abril e ainda era tão menina, ia fazer vinte e um anos e estava noiva. Nessa época eu trabalhava e estudava e só vivia cansada, dormia na aula e não sei como eu consegui lidar com oito matérias assim. Uns dois meses depois fiquei desempregada e minha mãe que me ajudava com a faculdade. Casei no mesmo ano e continuei nos semestres seguintes com as oito disciplinas.

Depois de um tempo comecei a pegar menos matérias e fui ficando atrasada, separada das minhas colegas e amigas que tinha feito naqueles meses. Acredito que  isso tenha me desmotivado bastante, além  de uma monitoria que fiz e não recebi o dinheiro ao qual tinha direito e precisava. Por essas e questões de não gostar e não me adaptar com algumas disciplinas e questões do curso acabei abandonando. Eu não via mais graça em estar ali, fazendo aquele curso. Me sentia sem perspectivas.

Foi nessa época que passei a dar mais atenção ao blog e quis seguir o sonho de escrever, de ganhar dinheiro escrevendo e botei na cabeça que queria ser jornalista. Por que queria escrever de qualquer jeito. Até pensei em fazer letras, mas tinha horror à licenciatura e à sala de aula. Tentei entrar na UFBA em jornalismo e não consegui. No ano de 2013 depois de uns meses fora do Departamento de Educação da Uneb, decidi voltar. Mas durou pouco tempo. Minha falta de afinidade com o curso era latente, eu não me dava bem com a maioria dos professores de lá que eram muito arrogantes. Não tinha motivação para ir até lé, nem para fazer as atividades, nem de olhar para as caras dos professores. Saí de novo e dessa vez pra valer.

Em 2014 depois de mais um Enem tentei novamente o curso de jornalismo na UFBA e não consegui. Porém fiz um vestibular na Unijorge e passei, consegui um FIES e fui fazer jornalismo nesse centro universitário privado. Não me adaptei muito bem lá. A universidade parece um shopping, com praças de alimentação bem grandes e quase nenhum apoio a alunos de baixa renda. Me sentia deslocada, um peixe fora d'água. Fora que a sala que eu estudava era super barulhenta e imatura, me sentia estudando em uma escola de ensino médio. Fora que com boletos todo mês e o salário que eu ganhava não estava dando, daí decidi usar a mesma nota do Enem e ganhar uma bolsa em uma universidade diferente e melhor. Consegui a bolsa e ia começar o semestre no mês de agosto de 2014. Enquanto isso, minhas colegas estavam se formando. 

Faltando poucos dias para começar o semestre na FSBA - Faculdade Social da Bahia eu recebi uma ligação  avisando que não havia formado turma para jornalismo e que o curso estava praticamente extinto na universidade. Eu teria que escolher outro curso ou desistir da bolsa. Dentre os cursos que me ofereceram fiz a merda de escolher um. Eu não acreditava mais que pudesse entrar na UFBA  e seguir a carreira acadêmica que eu tanto sonhava. Então eu escolhi psicologia. Entrei sem semestre definido e pegava disciplinas introdutórias misturadas com as mais avançadas e não entendia os conceitos básicos tendo certa dificuldade em acompanhar. Sentia o tempo todo que me formaria sem nenhuma perspetiva, não me sentia feliz ali, nem no curso e nem na faculdade. Fora que é perto do campus da UFBA em que estudo hoje e pegava os mesmos ônibus que vários alunos da Federal que ali desciam e ficava pensando que meu lugar era ali, que um dia eu gostaria de descer antes, naqueles ponto.

O que começou a me tirar daquele curso e daquela faculdade foi a dificuldade em estudar. Os textos eram longos e meu tablet havia quebrado, me impossibilitando de ler a maioria dos textos. Eu teria que tirar xerox ou imprimir todos e não tinha grana para isso, apesar de estar trabalhando na época. Comecei a tirar notas ruins e a faltar nas aulas de sábado, já que trabalhava aos finais de semana. Eu sabia que tinha que sair dali e exatamente no meio do ano de 2015, no SISU do meio do ano eu decidi que eu iria para a UFBA em qualquer curso. E eu entrei em Letras. De primeira. Sabe se que as notas de corte desses cursos são bem baixas e não foi tão difícil. Fiquei muito feliz. Acho que foi um dos poucos dias mais felizes que tive naquele ano. Dia 15 de junho de 2015. A universidade estava em greve, fiz matrícula, mas só comecei a ter aulas em janeiro de 20016, ano passado e hoje estou no quarto semestre e realmente estou onde eu merecia, precisava e queria estar. Eu dou aulas particulares de Português e agora vou assumir salas de aula em uma escola estadual. Eu estou muito feliz e realizada na minha vida acadêmica. Eu amo ensinar. Eu já faço pesquisa e sou bolsista de Iniciação Científica. Eu vejo  a realização do meu sonho chegando, chegando aos poucos. Eu tenho contato mais direto com literatura, algumas disciplinas de literatura do curso são fascinantes e eu adoro entrar naquele portão todos os dias. Por mais que a coisa não seja fácil. É muito estudo. É tudo bem diferente de todas as universidades em que já estive. Mas eu adoro, finalmente me encontrei.

Não desista do seu sonho, não hesite em sair de algo que não te faz bem, onde você não quer estar. Saia e vá atrás do que realmente você quer. Porque uma hora dá certo. Essa é a loucura da minha vida acadêmica até agora, minhas desistências e conquistas. 



Rafaela Valverde

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Retrato - Cecília Meireles


Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
— Em que espelho ficou perdida
a minha face?




Rafaela Valverde

terça-feira, 25 de abril de 2017

Texto que minha amiga Fernanda fez para mim ♥

Recebi esse maravilhoso texto da minha amiga Fernanda no domingo, meu aniversário. Eu amei! Me emocionei demais com essa genial definição de mim. Só quem é muito boa com as palavras e me conhece bem demais é capaz de me descrever tão bem. Obrigada, miga. Te amo, também, amei a homenagem.
A referida foto é essa abaixo:





Você pra mim é como uma rosa. Flor que sabe ser aroma e espinho. Amor e dor. Pode perfumar e também perfurar. Pode estar tanto no início quanto no fim. Pode vir em variações dependendo de quem observar. As vezes num vermelho intenso e esplêndido, outras num branco poético e de paz. Pode refletir o romantismo dos que te querem como presente ou a brutalidade de quem tenta do seu jardim te arrancar. 
Escrevo isso na tentativa de eternizar-te em mim como és na sua mais pura essência: Flor! 
Gosto muito dessa foto e mais ainda de você. E enquanto pudermos e quisermos, serei apreciadora da tua beleza e felicidade. Feliz vida, flor da minha!♥♥





Rafaela Valverde

quarta-feira, 5 de abril de 2017

A máquina de moer mulheres - Aline Valek


Tec, tec, tec. Ouve o som? É o barulho das engrenagens funcionando perfeitamente, fazendo tudo correr como deveria. Com a precisão de um relógio, movem-se os mecanismos dessa máquina gigante, antiga, mas que ainda funciona que é uma beleza para cumprir seu principal objetivo: triturar mulheres.

São muitas as engrenagens e complexos seus movimentos, mas se você der um ou dois passinhos para trás, pegando alguma distância para vê-la como um todo, é possível observar que seu funcionamento, na verdade, é tão simples que dispensa a existência daqueles volumosos manuais de instruções.

Para que funcione, é preciso abastecê-la com a ideia de que mulheres não são pessoas. São santas ou deusas; carne barata ou lixo; mas nunca pessoas. Então basta colocar uma mulher de um lado – e tec, tec, tec, soará a máquina, ruidosa – para vê-la sair do outro lado devidamente transformada em vítima.

Uma mulher agredida por seu marido. Ou assassinada pelo seu ex. Ou uma moça agredida por um desconhecido a quem ousou dizer “não”. Ou ainda uma jovem violentada por mais de trinta homens. São inúmeras as possibilidades. Todas demonstram como estão funcionando direitinho as engrenagens.

Funciona assim: primeiro, cria-se a ideia de que os corpos das mulheres estão à disposição. Que é ok violentar e agredir mulheres. Até engraçado, ou mesmo esperado. Então uma mulher sofre a violência. Se denuncia, os mecanismos de fazer com que seja desacreditada logo são postos para funcionar:

– Estava usando a roupa certa? Era recatada e do lar? Usava drogas? O que estava fazendo sozinha? Será que não queria prejudicar o homem e inventou tudo?

Na era medieval ou nos tempos de internet, o modus operandi é o mesmo: trazem a vítima em praça pública. Devassam sua vida, questionam suas escolhas, tacam pedras. Julgam se é culpada – e só pode ser – caso não se encaixe no padrão de “vítima perfeita”– e nunca se encaixa. Sempre tem um “porém”, um detalhe qualquer que faça com que os julgadores se sintam tranquilizados com a violência que ela sofreu e com o veredicto de “culpada” que ajudaram a carimbar.

– Vai ver ela mereceu – dizem, mas é o tec, tec, tec da máquina que está falando.

Não é, no entanto, máquina totalmente automática: precisa de braços para funcionar. Em primeiro lugar, precisa dos braços (e corpos inteiros) daqueles que puxam o gatilho, dão o soco, abusam psicologicamente ou estupram. Mas esses operadores da máquina quase não são visíveis daqui. Somem. Há outras engrenagens na frente tapando a visão, fazendo com que sejam esquecidos. 

São engrenagens operadas pelos braços de delegados, juizes ou policiais que constrangem as vítimas que denunciam. Pelas pessoas que questionam a vítima com um ímpeto que não direcionam aos agressores. Por quem acha que ela pediu. Por quem acredita que ela mereceu. Por quem compartilha vídeos e fotos que expõem a violência que ela sofreu. Por quem faz piadas com o assunto. Por quem faz malabarismos para provar que não foi tão grave assim. Por quem passa adiante a ideia de que mulheres é que precisam aprender a temer e a entrar na linha. Por quem aprova e incentiva o comportamento dos homens que agridem.

São tantos braços operando tantos mecanismos que fica fácil encobrir e esquecer dos verdadeiros culpados e dos mecanismos que os criaram; à esta altura, a mulher que sofreu a violência é a única responsável, ainda que dê para ouvir o som de seus ossos sendo triturados nas engrenagens na máquina de moer mulheres: tec, tec, tec.

Vê como os mecanismos funcionam em perfeita sincronia? As engrenagens da frente e de trás, as que possibilitam e as que justificam, são as que movem as engrenagens sujas de sangue, que violentam e matam, que mastigam a mulher, por dentro e por fora, para depois cuspir. Se uma mulher é triturada, não foi por uma peça ou outra; mas pela máquina inteira.

É preciso mais que um, dois ou trinta homens para violentar uma mulher: é preciso uma multidão validando toda a violência, colocando a máquina da opressão para funcionar. Enquanto as mulheres são isoladas, os agressores nunca estão sozinhos.

Da mesma forma, para fazer essa máquina parar de funcionar, não basta tirar uma peça ou outra. É preciso arrancar todas. Tirar todo o combustível. Arrebentar fios e engrenagens. Talvez por isso os mecanismos tenham funcionado há centenas de anos, sem parar: porque há mais braços ocupados em fazer a máquina de moer mulheres funcionar do que ocupados em destruí-la. Onde estão os seus?

Não há nada que indique que as engrenagens deixarão de funcionar. Mas, enquanto funcionar uma máquina tão antiga quanto a crueldade, não podemos dizer que vivemos em uma sociedade avançada. A existência dessa máquina nos mantém eternamente presos ao passado.

E assim ela segue, com seu tec, tec, tec ininterrupto. Dessa vez, foram trinta homens ao mesmo tempo violentando uma garota. Da próxima, serão cinquenta? Cem? Quantos agressores são necessários para confirmar a existência da violência? A capacidade da máquina de moer mulheres cresce em progressão geométrica, enquanto seus mecanismos permanecem invisíveis para muita gente.

Tec, tec, tec. A máquina produz mais vítimas hoje. Tec, tec, tec. Mais mulheres serão vítimas amanhã. Não é possível saber quando isso irá parar. Mas o primeiro passo para chegar a essa resposta está na atitude de enxergar a máquina – e então perceber que é possível se recusar a ser uma das engrenagens.



Rafaela Valverde

O beijo na boca - Fabrício Carpinejar




Casais que não se beijam na boca estão se separando. Vão se tornando amigos, parentes, irmãos, até se esquecerem de caminhar de mãos dadas. Vão se apartando do cheiro da pele, do gosto do abraço, das provocações infantis de corredor, das pernas alisadas no fundo da coberta.

O beijo na boca é a autêntica aliança, o ouro que vinga, a certidão que não desbota. Só que me refiro ao beijo mesmo, de girar o corpo, o pescoço, o rosto. Selinho não conta, onde os lábios são uma carta para quem já está distante. Beijo seco também não vale, onde não há a ameaça de morder os lábios.

O beijo molhado é que une. Um beijo úmido por dia renova o amor. O beijo de quem tem saudade dos tempos apaixonados, um beijo que ainda sopre de volta os elogios ditos um para o outro. O beijo sussurrado, em que os sons tremem com as respirações próximas.

O beijo que não tenha a necessidade de ser pensado demais senão surge sem jeito, forçado, cinematográfico. O beijo que seja um segredo a dois, que você extravie o horário e suspenda a noção do lugar. O beijo que toque uma canção dentro, que desperte a vontade de dançar.

O beijo de língua não permite o vazio crescer, a lacuna, o lapso. Pois uma ausência dentro de casa ainda tem conserto, duas ausências não têm como recuperar – o par esqueceu o amor em algum lugar das lembranças e não correu para reaver.

O beijo de língua desfaz as formalidades, os medos e a educação que esfriam a relação. Beijo de língua é beijo para combater o tédio, a mecânica repetida dos gestos. Beijo de língua salva os desaforos, perdoa as críticas e as cobranças. É como uma janela batendo com a chegada da chuva, uma porta batendo com o vento. É um susto que põe o coração a bater de novo.

Nem o sexo resolve o que o beijo faz. A transa sem beijo é apenas desafogo, catarse, apego de bichos. O beijo com língua é o que nos singulariza entre os animais. Casais felizes sempre se buscam pela boca. É uma receita simples de longevidade. Sem o beijo, a pessoa tem a vontade de largar tudo e ficar sozinha. Com o beijo, ela não perde a vontade de largar tudo, mas com a diferença de querer levar junto aquele que ama.



Rafaela Valverde

sexta-feira, 24 de março de 2017

Livro O lado bom da vida - Matthew Quick


Tenho O lado Bom da Vida desde 2014. O que motivou a compra foi o filme, que assisti antes e o Oscar de Jennifer Lawrence por interpretar Tiffany. Comprei e li uma vez de forma rasteira, sem prestar muita atenção. Li só por ler e não gostei. Até tentei vender esse livro no ano passado, mas ainda bem que não vendi porque eu o reli e amei. Achei um bom livro, leitura agradável, apesar  de muito futebol americano, personagens bastante humanos, reais. Pelo menos em relação a certas mudanças de comportamento e problemas  que todo mundo tem, sabe? Bem, vou parar de divagar sobre o livro e vou ao que realmente interessa.

Esse livro foi escrito por Matthew Quick e lançado em 2008 virando logo um best seller nos EUA e em seguida sendo traduzido para outros países e obtendo o mesmo sucesso. Enfim, o livro traz a história de Pat Peoples, um professor de história que se vê numa clínica psiquiátrica, tendo que lidar com uma nova vida e com o "tempo separados" que é o que ele chama  a separação da esposa Nikki. Alguns anos passam enquanto ele está internado na clínica e quando ele sai algumas coisas estão bastante mudadas.

Ele conhece Tiffany e iniciam uma amizade. Pat aguarda obedientemente o que ele pensa que é apenas um período separado, mas sua esposa Nikki já se divorciou dele, não existe mais possibilidade de volta. Mas Pat acredita tão ingenuamente no restabelecimento do seu casamento que chega emociona, sabe? Ele luta para mudar e se transforma numa pessoa melhor, já que não havia sido um bom marido, ele passa a malhar e ler os livros que sua esposa tanto queria que ele lesse. Enfim, Pat passa por um longo processo de sofrimento e mudança. É quase catártico observar essa mudança. É uma história de superação muito gostosa de ler. Eu recomendo!



Rafaela Valverde
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