Mostrando postagens com marcador Feminismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Feminismo. Mostrar todas as postagens

domingo, 16 de julho de 2017

E aí, você se toca?

Resultado de imagem para masturbação feminina

Como falar sobre masturbação? Acho que nunca falei sobre o assunto aqui no blog. Mas hoje vou falar. Então, todo mundo já sabe que os homens se masturbam. Já é um fato até batido e até mesmo fruto de piadas e histórias engraçadas sobre adolescências masculinas, contadas até na TV.  Mas, e as mulheres? Se masturbam? Se tocam? 

Eu acho que sim, levando em conta eu mesma. Porém ainda é muito menos que os homens, é muito menos o quanto poderiam e deveriam. As mulheres não são incentivadas a se tocarem. Até fica parecendo ideia de revista feminina, mas eu acho que é verdade. Porque lembro muito bem quando era criança e pré adolescente e ouvia coisas como: "tira a mão daí, menina...", "fechas as pernas..." e outras até mais repressoras.

Não endeusam vagina como endeusam paus. Vagina é feia, fedorenta, peluda e estranha. Vivemos escondendo nossas vaginas, com calcinhas e várias camadas de roupas. Além de inibidores de cheiros como desodorantes íntimos, protetores diários e sabonetes líquidos próprios. Até mesmo pela nossa constituição física não temos tanta facilidade em olhar nossa vagina.

Eu sempre fui muito curiosa e desafiadora dos costumes. Lembro que na adolescência olhava minha vagina no espelho e nunca a achei feia. Só achei vagina, ora! Mas na prática, as coisas não funcionam assim. Os homens por ter aquelas protuberâncias chamadas de paus, estão acostumados em olhar, pegar e se darem  prazer. Para mulheres é mais difícil, até por essas questões de criação que expliquei acima, por questões religiosas e outras.

É importante se tocar, se masturbar. Conhecer nosso próprio corpo, saber quais locais que mais dão prazer e como. Só saberemos como gostamos de ser tocadas se efetivamente nos tocarmos. Até por questões de saúde é importante, pois se houver alguma lesão na região, a partir do tato fica mais fácil identificar. Fora que é muito bom dar prazer para nós mesmas.

Em tempos de homens ruins de cama e muito tesão, se masturbar pode ser um socorro (rsrsrs). Eu não tenho vergonha de falar, de escrever sobre o assunto. Homens fazem isso diariamente e falam naturalmente, por que nós mulheres temos que nos reprimir tanto? Por que há tanto problema com a sexualidade feminina? Mulheres, se toquem, gozem e aproveitem a liberdade que vocês têm.



Rafaela Valverde

sábado, 15 de julho de 2017

Não é mulher livre que não serve para namorar, e sim homem machista!

Resultado de imagem para feministas

Alguns homens dizem que não são machistas, mas são. Vivem afirmando que não tratam mulheres como objeto mas mexem com a gente na rua; vivem dizendo que não fazem separação de mulher para namorar X mulher para comer e vivem deixando mulheres livres com a sensação que só servem para serem comidas.  Eles vivem dizendo coisas que não fazem na prática.

Conheci pouquíssimos homens que realmente não tiveram esse pensamento retrógrado de que mulher 'dada' ou 'atirada' ou sabe lá Deus o que mais eles inventam sobre mulheres que transam quando querem e que fazem o que estão afim com seu próprio corpo. É impressionante como adoram rotular mulher livre. A primeira palavra que vem à boca desses homens é puta.

Ainda existe muito machismo nas cabeças masculinas, por mais que eles não percebam, reproduzem. Alguns homens acreditam fortemente que mulheres que vão à balada e usam roupa curta, por exemplo, não servem para namorar, casar, etc. Ainda escuto isso. O que eu quero é que os homens entendam que as mulheres, contanto que queiram, servem para qualquer coisa: casar, namorar, ter filhos...

Eu já senti esse olhar sobre mim e não só o olhar. Hoje nem tanto, porque estou bastante sossegada, excluí o Tinder e não pego nem gripe. Mas na minha época de pegação, cheguei a ouvir que eu era muito "dada" e muito polêmica. Que falava alto e que alguns homens poderiam ter "receio" em me levar para conhecer os pais. Sim, mesmo nas entrelinhas, foi o que eu ouvi. A parte do 'falar alto' foi bem direto mesmo, sem entrelinhas.

Eu faço a porra que eu quiser. Eu sento de pernas abertas, falo alto, xingo, bebo e minha gargalhada é estrondosa. Não sou obrigada a ser uma mocinha delicada e submissa para agradar macho. Mas percebo que é isso que eles procuram para namorar. A submissa que eles podem manobrar. Se for para ser solteira, serei a vida toda, porque nunca, mas nunca mesmo deixarei de ser eu mesma.

Enfim, então é isso, homens. Parem de tratar mulheres livres como mulheres que não prestam para vocês. Porque eu acho que na verdade, são vocês que não prestam para esses mulherões da porra que estão por aí sozinhas. Acordem! Todo mundo serve para todo mundo. Todo mundo serve para casar, namorar, trepar... Mas, 'homis' machistas talvez não sirvam para ninguém. Tomem cuidado, porque o jogo já está virando.




Rafaela Valverde


domingo, 2 de julho de 2017

Como saber se você é machista


Se você acha que existe mulher para namorar e outra só para pegar e mulher fácil e difícil, você é machista. E dos grandes! Se você acha que mulher que "dá" (entre aspas porque não damos porra nenhuma pra você, só estamos testando se o equipamento é bom) na primeira vez que sai, não presta pra ter um relacionamento você é um filho da puta machista.

Se você acha que só mulher pode fazer serviços domésticos e não consegue aprender mais nada além disso, você é machista. Se você acha que mulher deve ter filho, porque é biologicamente programada para isso, você é machista, querido. Se você põe a culpa da sua escrotidão nas mulheres que estão ou passaram na sua vida, adivinhe? Machista.

Se você ainda acha, em pleno século XXI, que mulher não goza, não precisa gozar ou não gosta de sexo, você é um machista, escroto e ignorante, que não conhece mulher. Além de nojo, só consigo ter pena de você. Se você acha que mulher não consegue carregar peso, ou qualquer outro tipo de trabalho braçal ou ainda não pode sair sozinha, com amigas você é um 'MACHISTÃO', OTÁRIO!

Se você acha que sua namorada ou esposa não pode fazer qualquer coisa sem você, ou usar saia curta ou fazer a porra que ela quiser, você é um cuzão machista e merece ficar sozinho. Se você acha que mulher é só um pedaço de carne que merece ser assediada na rua e só uma buceta para você meter seu pauzinho incompetente, você está fazendo muita coisa errada e nem sabe o que é sexo! Se você faz muitas dessas coisas que eu sei que você faz aí, você é tudo isso que eu falei e também é um egoísta que não merece compaixão talvez nem de sua mãe, que a propósito, é uma mulher.

O mais engraçado é que alguns homens fingem que não sabem que estão sendo machistas. Se fingem de santos e ainda se ofendem quando ouvem verdades e são colocados em seus devidos lugares. Coitadinhos de vocês, tão sofridos com séculos de opressão e misandria.  E agora, em pleno 2017 ainda têm que aguentar mi mi mi de feminista peluda... Tô realmente muito indignada por vocês, 'omis'.

E por fim, devo ainda trazer nesse texto que se você é homem, não deixa uma mulher se pronunciar, falar o que ela pensa e ser ela mesma, você é muito machista. Há que se lembrar ainda da objetificação do corpo da mulher e da posse. Essas duas coisas abjetas causam muitos estupros e feminícidios brutais a cada dia. Somente no Brasil, a cada onze minutos, uma mulher é estuprada e a culpa é de vocês homens, de quem estupra, e não da mulher que está de saia curta bebendo na balada. Porque afinal de contas, 'omis' escrotos usam a porra da roupa que querem, se embriagam quase diariamente e não têm seus corpos violados por ninguém. Entendam isso de uma vez por todas: vocês não são donos das mulheres, vocês não são donos de mais nada. O patriarcado acabou, os homens não mandam em porra nenhuma. Aceitem e deixem de ser bebês chorões. Parem que tá feio!




Rafaela Valverde

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Filmes Corra e Mulher Maravilha

Ha alguns dias fui assistir no cinema dois filmes, o primeiro 'Corra' na Sala de Arte da UFBA, que fica no Vale do Canela e o outro foi Mulher Maravilha, no cinema do shopping da Bahia. Como vocês sabem, ir ao cinema é uma das coisas que mais gosto de fazer. Geralmente vou sozinha, que é outra coisa que gosto bastante.

Não vou falar muito sobre os filmes não, mas sobre os cinemas e sobre as experiências. Primeiro, o cinema da UFBA é bem tranquilo, vazio (só tem uma sala). Tem café e salgados gostosos. Eu gosto muito daquele lugar e como sou aluna da UFBA pago 7,00 ou 4,00 a depender do horário e amo mais ainda.. Fora que sentei ao lado de um boy lindo quando fui ver Corra, mas isso não vem exatamente ao caso.

 O suspense Corra foi lançado no dia 18/05 desse ano. Dirigido por Jordan Peele e com atuações de Daniel Kaluuya, Allison Williams, Catherine Keener, entre outras, traz a história do jovem negro Chris (Daniel Kaluuya) que vai conhecer a família da namorada branca e lá encontra muitas surpresas



.Já Mulher Maravilha nem é o estilo de filme que eu costumo ver. É mais um filme de Super Herói da DC, ou seria apenas mais um filme. Mas houve tanto burburinho logo nos primeiros dias de estreia, que indicava que era um filme que podia valer a pena ser visto. Daí eu fui ver e gostei. Não é um filme extraordinário, é apenas um filme de aventura, de heróis ou heroínas. Muita ação e luta, com grande protagonismo para a atriz  Gal Gadot, intérprete da mulher maravilha. Ela é linda e segurou bem o filme. O filme conta ainda com atuações de Chris Pine, Connie Nielsen e foi dirigido por Patty Jenkins. Não vou falar muito sobre o filme, porque ele é bem parecido com a maioria de filmes que existem por aí, mas para mim o grande destaque feminista dele é que a "mocinha", apesar de exageradamente ingênua, não depende do galã (galã feio, por sinal) para nada e o final feliz é bem diferente. Gostei especialmente disso. Ainda estão em cartaz. Vão ver!




Rafaela Valverde



segunda-feira, 26 de junho de 2017

Não, não é sempre que queremos compromisso!

Um tempo depois de eu ter escrito sobre  o assunto aqui e em pleno 2017, século XXI ainda existem homens que acham que as mulheres que se aproximam, que vão atrás, que demonstram interesse, mandam mensagem, etc., querem casar com eles e ter filhos. Queridos, acordem! Baixem a bolinha e o ego, bebês! A gente só quer pegar vocês mesmo. Dar uns beijos, levar pra cama, ver se o desempenho é bom e tchau.
.
Homens são criados com tamanho egocentrismo, que se acham os reis, os donos do mundo. Esse é um dos ônus do patriarcado. ônus para nós, mulheres, porque para eles é um puta bônus. Para os homens, as mulheres devem estar aos pés deles, afins deles e sempre tem que querer estar com eles, os gostosões.


Estou escrevendo isso aqui por que ouço as pessoas falarem, especialmente mulheres falando sobre isso. E já aconteceu comigo várias vezes. Perguntamos como eles estão, damos bom dia ou nos preocupamos e os caras já pensam que a gente quer compromisso. É uma coisa tão sórdida esse comportamento masculino, que dá a entender que só precisa ter educação quando quer namorar, só se importa e se preocupa se quiser casar e construir família. Quanta idiotice! Quanta falta de amor ao próximo!

Uma pessoa que está com você, ficando, tendo um sexo casual, amizade colorida ou sei lá o quê, não merece ser tratada como gente, não merece ser cuidada e ter alguém que se preocupe com ela. Ela é só alguém que se come e pronto. Até porque mulher que se come fácil não pode ser a mesma que eles namoram, não é mesmo? Eu tenho odiado alguns homens heterossexuais tanto quanto tenho odiado o machismo, pois em muitos casos estão intrinsecamente ligados.

Não dá para ser tolerante com machismo, com homens machistas. E eu não sou. Tenho aprendido cada vez mais a ser menos tolerante com "omi" escroto. Quando vou conversar com qualquer um que seja, deixo bem claro quem sou e com essa sinceridade que Deus me deu, falo o que realmente importa e o que eles precisam saber e ouvir. Não estou aqui para aturar homem pretensioso que acha que eu quero compromisso com ele só porque lhe dei bom dia. Eu não sou obrigada, nós mulheres não somos obrigadas a nada, nem a termos compromisso. Fica a dica!


Rafaela Valverde


sábado, 24 de junho de 2017

Lascívia


Meu corpo é pleno
Dele faço o que quero
Da língua ao dedão do pé
Não seja ingênuo
Eu não te pertenço
Eu me venero
Meu corpo de mulher
Você sempre será pequeno
Diante das minhas possibilidades de prazer
E eu espero
Que você aprenda
Que não é só meter
Meu corpo é sensual
Traz tantas possibilidades
E você aí nessa!
Acorda, homem!
Olha esse corpo que suplica um bom toque
E toca,
Pega,
Apalpa
Aproveita
Dá prazer.
Não seja ingênuo
Essa mulher não te pertence
Achando um que faça melhor
Ela se vai
Escorre pelas suas mãos
Escorrega da sua cama, seus lençóis de seda
Não a segurarão mais
Ela se vai
Mesmo pela  pior vereda
Ela precisa exprimir sua sensualidade
Precisa de prazer
Quer gozar!
E aí?
O que você vai fazer?
.

Rafaela Valverde

Ex namorado machista e escroto


Como não odiar o machismo? Como não ter raiva de homens que ainda insistem em serem machistas e proliferar o machismo? Esses dias tive uma briga séria com meu ex namorado, aquele que se mostrava um príncipe tão bom no início, tão carinhoso e companheiro e depois virou um sapo escroto e machista - sim, esse. Bloqueei, excluí e senti raiva dele, pela primeira vez desde que terminamos, voltamos e terminamos de novo.

Cortei relações. Pra mim morreu, é um erro que eu quero esquecer que cometi. Pois bem, estávamos conversando e não vou revelar o contexto da conversa, mas ele me disse que EU fiz ele perder o interesse dele por mim. Um cara que chegou em mim, desde o início, ficamos juntos uns meses. Ele  começou a ficar distante e terminou do nada. Quarenta dias depois pediu para voltar e eu trouxa que sou, voltei. Menos de dois meses depois, adivinhe? Ficou distante de novo e eu pensei: " quem vai terminar essa porra sou eu." Viajei sozinha no carnaval e se eu não ligasse ou falasse com ele, ele não ligava e não falava comigo. Desinteresse total.

Voltei da ilha e na quarta feira de cinzas liguei para ele e terminei. Não o vi desde então, graças a Deus. Nem quero ver. Só que como já éramos amigos antes, desde a época da escola, resolvemos continuar uma "amizade" ou pelo menos uma camaradagem, um relacionamento amigável. Mas nem isso ele não quis. Me deixou com raiva dele, pela primeira vez. Muita raiva. 

Disse que a culpa da escrotidão dele era minha. Que EU FIZ ELE SE DESINTERESSAR. Sim, foram essas palavras. Chamei ele de machista escroto, disse que foi um erro ter me envolvido com ele e cortei relações. Não quero mais saber. Fiz questão de compartilhar isso aqui com vocês para que fique claro que muitas vezes o machista, FDP escroto se esconde por trás da pele de um cordeirinho santo e a gente cai nisso e é preciso tomar cuidado. Eu não quero essa raça de gente perto de mim. Ele falou isso, porque me queria submissa, aceitando as idiotices que ele fazia ou o que ele deixava de fazer. E quando eu comecei a me impor, a falar, a não aceitar certas coisas, ele passou a "perder o interesse".

Já tinha percebido que ele era machista por causa de comentários como: "mulher pra somar e mulher pra tirar", "se dar ao valor" e outras... Mas até tolerava, tentava desconstruir, mas a pessoa é tão burra que eu não consegui fazer muita coisa. Não muda o pensamento, parece uma mula e dessas pessoas quero distância. Desse tipo de homem bosta só quero  muita distância. Prefiro ficar sozinha do que ser subordinada, como diria Anitta, ou do que suportar machista sacana.



Rafaela Valverde

Em Chamas - Suzanne Collins ♥


Reli Em chamas de Suzanne Collins. O livro foi lançado em 2011 e eu li pela primeira vez em 2015. Eu amo a trilogia Jogos Vorazes, como vocês já sabem. Em Chamas é o segundo e traz novamente Katniss Everdeen e Peeta Mellark que mudaram os Jogos Vorazes e desafiaram a Capital. Nesse livro eles retornam à Arena.

Tudo parece diferente e ao mesmo tempo o mais do mesmo, mas o casal desafortunado do Distrito 12 não sabem nada do que os esperam pela frente. Eu gosto de Em Chamas porque ele não funciona como um intermediário, apenas para encher linguiça, preparando os leitores para o último livro. Não, esse livro traz emoções diferenciadas. 

Mais uma vez sentimental e ao mesmo tempo duro. Distópico, futurista, crítico das ações humanas, politico, feminista. As aventuras dos tributos que voltam à Arena para começar o 75º Massacre Quaternário são bem diferentes, a Arena funciona com uma nova dinâmica. Mas eles não estão lá ocm objetivo de matar uns aos outros e apenas um vencedor. É muito mais que isso. Dessa vez, o inimigo é outro... Ou sempre foi? Maravilhoso, amo!


Rafaela Valverde

terça-feira, 6 de junho de 2017

As pessoas...

E que se dane a dieta, que se dane meu cabelo feio e a espinha cravada na minha testa. Hoje eu não estou interessada no que o espelho tem a me dizer. Não me importo mais se estou gorda, não me importo mais se meu cabelo precisa de hidratação e minha pele se comporta como se eu tivesse doze anos.

Hoje eu não quero mais me importar com o que as pessoas pensam e dizem sobre mim e sobre minha aparência. Eu gosto de ter cabelo curto, essa juba cresce demais e me transforma em escrava dele. Eu gosto de ser gorda, porque eu gosto de comer, beber e fumar. E que se danem minhas veias, meu fígado e meu pulmão. Eles não são meus, porra?

Então, quem vai morrer cedo, de câncer de pulmão e feia? Eu. Então vão procurar lavar umas panelas ao invés de me atazanar. Peguei a tesoura no armário do banheiro e comecei a cortar o cabelo. Sempre o cortei, sozinha em casa. Sempre fui muito independente em relação a mim mesma. O que me fez ficar tão abobalhada me importando com as opiniões alheias?

Talvez tenha sido uma forma de me enturmar, de me encaixar em um determinado grupo. Sabe, as pessoas impõem qualquer ideia idiota sobre nossos corpos e a gente acredita. Que coisa, mulher não pode viver em paz! As pessoas sempre me disseram que eu ficava mais bonita de cabelo comprido, as pessoas sempre me disseram que eu seria mais saudável se fosse magra; as pessoas sempre me disseram que eu seria mais feliz se gastasse rios de dinheiro com depilação e tratamentos de beleza.

As pessoas... Que se danem o que elas acham ou dizem. Eu sou preguiçosa, não gosto de cuidar do cabelo, eu gosto é de comer e por isso sou gorda. Eu gosto de ser eu mesma e por isso eu sou feliz. Pelo fato de me permitir ser eu mesma. Com minhas comidas, meu cabelo curto, meu cigarro e meus pelos.

Então, hoje eu digo, com toda convicção: que se danem as pessoas, que se dane essa porra dessa dieta e que se dane esse cabelo ridículo e mal tratado. Vou continuar sendo eu mesma, com meus noventa quilos e meu cabelo de "machão".



Rafaela Valverde

sábado, 20 de maio de 2017

Minhas pernas peludas



Por que ainda há um choque com pernas femininas com pelos? Por que pelos em homem é atraente e em mulheres é anti-higiênico e masculino? As minhas pernas estão peludas. Tenho poucos pelos e a maior parte deles são loiros, portanto decidi deixá-los. Mas não só por isso. Porque também não vou ficar raspando, agredindo minha pele e gastando horrores com depilação com cera para satisfazer senhor ninguém. Especialmente uma sociedade que não me dá nada, eu que não rale não! 

Meus pelos da perna não me incomodam e gosto de passar a mão em minha perna e senti-los. Me sinto aliviada em não mais ser obrigada a fazer depilação. Eu ODEIO fazer depilação em qualquer parte do meu corpo. Claro que é um passo muito mais difícil deixar de depilar tudo e ainda depilo as axilas e partes íntimas, mas minhas pernas serão peludas, sim! Pelo menos enquanto eu estiver afim de ter pelos. 

Reparo que as pessoas olham minhas pernas e estranham. Por que não estranham homens com pernas depiladas? Já ouvi gente dizer: "deve ser nadador..." Nunca entendi muito bem a relação, mas já ouvi isso rsrsrs. Só porque é homem e só por que eles sim podem fazer o quiserem com seus corpos. Nós é que não podemos ter domínio sobre nosso corpo que vem logo um enxerido comentar, ou olhar, ou fazer uma lei... Para dominar o corpo feminino aparece gente de tudo quanto é inferno!

Para cima de mim, não! Ninguém vai me dizer o que fazer em meu corpo e com meu corpo. E estou pensando seriamente em deixar de tirar a sobrancelha. Fico arrancando os pelos da minha cara desnecessariamente em casa, quando quero algo mais bem feito tenho que pagar no mínimo oito/ dez reais. Homens além de tudo, gastam muito menos para cuidar da aparência. É tudo muito injusto e eu eu estou aqui para quebrar isso, mudar essas regras que só beneficiam os homens. Vai ter pelo, sim! Porque afinal sou um mamífero e meus pelinhos me protegem. Quem não gostar se joga de um pé de alface, ok?



Rafaela Valverde


Mulheres, não precisamos de homens!



Eu sofri mas eu aprendi algumas coisas com meus erros e meus sofrimentos. E quem sofre, erra e não aprende nada com isso? Não estou aqui querendo me sentir melhor que ninguém, apenas ratificar a tese de que os erros e dores servem para nos dar uma lição. Isso é verdade. Claro que a gente precisa ter consciência desses erros e realmente refletir sobre o que mudar. Não acontece por osmose, não é rápido, nem fácil. Demora e dói. 

Passei vários meses sentindo uma dor física, sem querer levantar da cama e passei muitas das horas desses dias pensando em que tinha falhado e que se eu não tivesse cometido determinada falha, talvez eu não tivesse em determinada situação. Mudei e virei uma pessoa mais leve com a vida. Não cobro mais tanto de mim, nem da vida, nem dos outros. Me tornei uma adulta mais leve e não me troco pela eu de cinco, seis anos atrás.

Mas e quando as pessoas sofrem, passam determinadas coisas e não mudam? Continuam cometendo os mesmos erros? Será que elas não refletiram sobre suas atitudes? E quando essas pessoas são mulheres? Uma mulher sofreu horrores em um relacionamento: perdeu tudo o que tinha construído com o outro, porque simplesmente ele lhe usurpou, quase morreu por um problema de saúde e ainda foi trocada por outra e agora "abre os dentes" para esse homem, anos depois. Não dá vontade de matar uma mulher dessa? Dá!

Eu não sei se é falta de maturidade, pois é uma mulher já bem grandinha. Eu não sei se muita falta de amor próprio, eu não sei se é o machismo, a misoginia e a sociedade patriarcal já impregnados em nosso inconsciente. Eu sinceramente não sei. A coisa está tão feia que quando a mulher erra é xingada, considerada vadia, vagabunda, sei lá. Mas quando o cara erra, a sociedade aconselha que se perdoe porque ele "é homem" e porque "todo mundo merece uma segunda chance." Então, só os homens merecem segunda chance? Porque mulheres são execradas e até mortas quando traem!

Então, isso está tão impregnado em nossa cabeça que a gente acha que não pode viver sem homem, mesmo que ele seja ruim. Chega a um determinado momento da vida em que a gente só sabe falar: "ruim com ele, pior sem ele" e acredita nisso tão veementemente que fica ali naquela relação, inerte, só esperando o dia de ser libertada por alguma magia. Não, isso não vai acontecer! Quem se liberta é a gente mesmo. E ponto.

A gente é criada e incentivada desde muito nova a procurar homem, a viver dependente de homem.  aí acreditamos que não dá para viver feliz sem ter um homem do lado, sem ter um relacionamento, sem casar. Porque somos indefesas e precisamos da defesa de um homem, A gente não sabe que dá para viajar sozinha, ir ao cinema sozinha, beber sozinha, ir à festas e shows sozinha... A gente acha que só vai ser feliz se tiver um homem para nos fazer companhia. Assim, aproveitamos a deixa e ficamos burras, esquecemos como instala computador, não aprendemos furar ou pintar uma parede e não aprendemos a ser independentes "por que temos um homem".

Mas um dia, assim como eu aprendi, a gente aprende que somos suficientes e nos bastamos. Estudamos, trabalhamos, pegamos pesado para ter nossa independência e nenhum homem vai nos dizer o que fazer, nem hoje, nem nunca. Pelo menos não a mim! Sobre os fatos relatados acima: eu, por muito menos já botei homem para correr. Mas tem mulher que sabe que está infeliz, sabe que aquele homem não presta e nunca vai mudar e continua ali. Até quando Deus quiser. Mulheres tomem posse das suas vidas! Amem, mas amem a si mesmas muito mais em primeiro lugar. É tão maravilhoso se amar, se achar linda, independente e auto-suficiente. Não há nada melhor! Aprender com nossos erros e sofrimentos, é para mim, o principal motivo deles acontecerem, então vamos levantar da cadeira e lutar por nós mesmas, pois os homens só enxergam seus próprios umbigos.




Rafaela Valverde

sábado, 13 de maio de 2017

Eu ouvindo Marília Mendonça


Eu já devo ter contado aqui que gosto de vários tipos de música. Ouço de Marisa Monte até funk mas torcia o nariz para sertanejo. Bem, ainda torço um pouco, mas estou ouvindo muito Marília Mendonça, uma das representantes do chamado feminejo.  Desde a minha viagem para Recife voltei com essa mania de ouvir Marília. E gosto bastante. Ela fala algumas coisas que os homens precisam ouvir e sofre bastante também.

Quem não tem essas sofrências? Quem nunca sofreu dor de corno mesmo? Eu nem vou falar sobre isso na minha vida hahaha. Mas o fato é que eu gosto de música, independente de qual rótulo. Um amigo me disse justamente isso: para eu ouvir música independente de rótulos, se eu gostar ótimo, se não, bola pra frente.

E fiz isso. Cá estou eu, nesse exato momento ouvindo a maravilhosa da Marília. A mulher canta muito mesmo. E graças a todos os deuses que tenho a capacidade de mudar de ideia, de gostos, de conceitos. Prefiro sim ser uma metamorfose ambulante e é isso que eu sou.



Rafaela Valverde

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Jogos Vorazes e o protagonismo feminino


Reli Jogos Vorazes. Dessa vez li meu próprio livro, sem muita pressa, mas ao mesmo tempo devorando. Porque não tem como ler aquela história sem devorar. Já tinha lido há uns dois anos, mas era emprestado. Se eu já amei a história na época, agora amei mais ainda pois li com mais calma, mais atenta aos detalhes e conceitos, implícitos ou não.

Vejo o livro como um embate do feminismo com o machismo, além de outras questões, já que se trata de uma distopia, com jogos intrinsecamente políticos. Os próprios jogos vorazes que dá nome ao livro vêm de uma situação de opressão que vive um povo em relação aqueles que o governam. Mas, voltando ao embate machismo x feminismo, eu consegui ter algumas percepções que não tinha tido antes.

Katniss Everdeen, a mocinha  rebelde do livro, está sozinha lutando contra um mundo masculino, onde os homens dizem o que ela deve vestir, como se comportar para agradar as pessoas e outro homem, além de o próprio presidente de Panem, o pais distópico em que ela vive, é um homem, que organizou durante anos os jogos. Há ainda os organizadores dos jogos e Haymitch, seu mentor. 

Em alguns momentos percebo que ela se sente mal em estar cercada de tantos homens, já que suas maiores referências na vida atual são mulheres: sua irmã e sua mãe e estão longe, lá no Diistrito Doze. A  única referência masculina era o pai que morreu quando ela ainda era criança. Foi o pai que fez com que Katniss se tornasse a pessoa forte que é. Ele a levava para caçar, ele ensinou como se virar e como usar arco e flecha. A mãe dela é uma mulher totalmente silenciada na narrativa. Talvez propositalmente para que a protagonista tivesse mais luz.

E ela consegue. Mesmo com apelidos como "a garota quente" e a insinuação de que ela deveria agradar e ter um romance com Peeta, já que ele a amava desde sempre, como ele mesmo afirma durante uma entrevista. Todos ou quase todos os momentos do livro vêm com uma carga emocional forte para derrubar Kastniss, para dizer que talvez ela não seja tão forte assim. Mas ela é. E prova isso.

É claro que talvez devêssemos levar em consideração que todo esse jogo de poder dado a uma mulher em um livro, ou três livros, seja uma jogada de marketing intencional. É claro que eu amo essa trilogia e nunca vou deixar de amar, mas também já perdi a inocência há alguns anos.  A gente não aceita mais uma mocinha ingênua e idiota. O mundo mudou e nós mulheres mudamos, queremos e precisamos de protagonistas mulheres fortes e destemidas. E foi o que Jogos Vorazes nos deu em sua trilogia. Uma mocinha que conta sua própria história, que não se cala, que se sustenta a si mesma e a sua família, uma mocinha guerreira que sabe lidar com arco e flecha. Uma mocinha não, uma mulher forte e decidida que apenas fazem os homens acreditarem que ela está fazendo o que eles querem. Viva Jogos Vorazes!



Rafaela Valverde

quarta-feira, 5 de abril de 2017

A máquina de moer mulheres - Aline Valek


Tec, tec, tec. Ouve o som? É o barulho das engrenagens funcionando perfeitamente, fazendo tudo correr como deveria. Com a precisão de um relógio, movem-se os mecanismos dessa máquina gigante, antiga, mas que ainda funciona que é uma beleza para cumprir seu principal objetivo: triturar mulheres.

São muitas as engrenagens e complexos seus movimentos, mas se você der um ou dois passinhos para trás, pegando alguma distância para vê-la como um todo, é possível observar que seu funcionamento, na verdade, é tão simples que dispensa a existência daqueles volumosos manuais de instruções.

Para que funcione, é preciso abastecê-la com a ideia de que mulheres não são pessoas. São santas ou deusas; carne barata ou lixo; mas nunca pessoas. Então basta colocar uma mulher de um lado – e tec, tec, tec, soará a máquina, ruidosa – para vê-la sair do outro lado devidamente transformada em vítima.

Uma mulher agredida por seu marido. Ou assassinada pelo seu ex. Ou uma moça agredida por um desconhecido a quem ousou dizer “não”. Ou ainda uma jovem violentada por mais de trinta homens. São inúmeras as possibilidades. Todas demonstram como estão funcionando direitinho as engrenagens.

Funciona assim: primeiro, cria-se a ideia de que os corpos das mulheres estão à disposição. Que é ok violentar e agredir mulheres. Até engraçado, ou mesmo esperado. Então uma mulher sofre a violência. Se denuncia, os mecanismos de fazer com que seja desacreditada logo são postos para funcionar:

– Estava usando a roupa certa? Era recatada e do lar? Usava drogas? O que estava fazendo sozinha? Será que não queria prejudicar o homem e inventou tudo?

Na era medieval ou nos tempos de internet, o modus operandi é o mesmo: trazem a vítima em praça pública. Devassam sua vida, questionam suas escolhas, tacam pedras. Julgam se é culpada – e só pode ser – caso não se encaixe no padrão de “vítima perfeita”– e nunca se encaixa. Sempre tem um “porém”, um detalhe qualquer que faça com que os julgadores se sintam tranquilizados com a violência que ela sofreu e com o veredicto de “culpada” que ajudaram a carimbar.

– Vai ver ela mereceu – dizem, mas é o tec, tec, tec da máquina que está falando.

Não é, no entanto, máquina totalmente automática: precisa de braços para funcionar. Em primeiro lugar, precisa dos braços (e corpos inteiros) daqueles que puxam o gatilho, dão o soco, abusam psicologicamente ou estupram. Mas esses operadores da máquina quase não são visíveis daqui. Somem. Há outras engrenagens na frente tapando a visão, fazendo com que sejam esquecidos. 

São engrenagens operadas pelos braços de delegados, juizes ou policiais que constrangem as vítimas que denunciam. Pelas pessoas que questionam a vítima com um ímpeto que não direcionam aos agressores. Por quem acha que ela pediu. Por quem acredita que ela mereceu. Por quem compartilha vídeos e fotos que expõem a violência que ela sofreu. Por quem faz piadas com o assunto. Por quem faz malabarismos para provar que não foi tão grave assim. Por quem passa adiante a ideia de que mulheres é que precisam aprender a temer e a entrar na linha. Por quem aprova e incentiva o comportamento dos homens que agridem.

São tantos braços operando tantos mecanismos que fica fácil encobrir e esquecer dos verdadeiros culpados e dos mecanismos que os criaram; à esta altura, a mulher que sofreu a violência é a única responsável, ainda que dê para ouvir o som de seus ossos sendo triturados nas engrenagens na máquina de moer mulheres: tec, tec, tec.

Vê como os mecanismos funcionam em perfeita sincronia? As engrenagens da frente e de trás, as que possibilitam e as que justificam, são as que movem as engrenagens sujas de sangue, que violentam e matam, que mastigam a mulher, por dentro e por fora, para depois cuspir. Se uma mulher é triturada, não foi por uma peça ou outra; mas pela máquina inteira.

É preciso mais que um, dois ou trinta homens para violentar uma mulher: é preciso uma multidão validando toda a violência, colocando a máquina da opressão para funcionar. Enquanto as mulheres são isoladas, os agressores nunca estão sozinhos.

Da mesma forma, para fazer essa máquina parar de funcionar, não basta tirar uma peça ou outra. É preciso arrancar todas. Tirar todo o combustível. Arrebentar fios e engrenagens. Talvez por isso os mecanismos tenham funcionado há centenas de anos, sem parar: porque há mais braços ocupados em fazer a máquina de moer mulheres funcionar do que ocupados em destruí-la. Onde estão os seus?

Não há nada que indique que as engrenagens deixarão de funcionar. Mas, enquanto funcionar uma máquina tão antiga quanto a crueldade, não podemos dizer que vivemos em uma sociedade avançada. A existência dessa máquina nos mantém eternamente presos ao passado.

E assim ela segue, com seu tec, tec, tec ininterrupto. Dessa vez, foram trinta homens ao mesmo tempo violentando uma garota. Da próxima, serão cinquenta? Cem? Quantos agressores são necessários para confirmar a existência da violência? A capacidade da máquina de moer mulheres cresce em progressão geométrica, enquanto seus mecanismos permanecem invisíveis para muita gente.

Tec, tec, tec. A máquina produz mais vítimas hoje. Tec, tec, tec. Mais mulheres serão vítimas amanhã. Não é possível saber quando isso irá parar. Mas o primeiro passo para chegar a essa resposta está na atitude de enxergar a máquina – e então perceber que é possível se recusar a ser uma das engrenagens.



Rafaela Valverde

sexta-feira, 10 de março de 2017

Bem sucedida e solitária


Parece que serei a mulher bem sucedida na carreira, escritora, acadêmica, com teses e muitas leituras. E por aí mesmo vou ficar. Não que isso não me satisfaça, é maravilhoso! Mas o que vai ficando claro a medida em que os anos vão passando é que não serei a mulher amada e que ama; não serei a mulher com um casamento bem sucedido e com amor.

Esses sonhos românticos não são para mim, deixo para os afortunados na vida, cujo sorriso demonstra a felicidade de estar ao lado de alguém. Parece que não nasci afeita aos lados românticos da vida. Ou eu tento me afastar deles ou eles se afastam de mim. Já vi que amor não é para mim. Até sinto, mas não vivo. E não tenho nenhuma esperança de viver novamente.

Eu tenho andado muito desiludida com todas essas questões românticas. Eu não quero mais saber de romantismo. Eu serei a representante oficial da mulher moderna, livre e bem sucedida. Mas sozinha, Sabe, não exatamente aquele sozinha de não ter ninguém por perto. É  a solidão que vem no final do dia - que é a hora de compartilhar coisas; é a solidão de não ter ninguém para abraçar a gente, para acariciar a gente, é a sensação de estar sempre calada ou de conversar com espelhos.

Outra sensação que tem se apoderado de mim nos últimos dias é a se eu realmente sirvo para ser amada, ou se sou mulher para encontros casuais e relações rápidas. Talvez sim, é provável que sim. Já tive meu pequeno conto de fadas, já tive meu momento. Agora ele já passou e é à minha carreira que irei me dedicar agora. Pelo menos ela não me faz sofrer.



Rafaela Valverde

quarta-feira, 8 de março de 2017

Ser mulher - Silvana Duboc


Ser mulher...
É viver mil vezes em apenas uma vida.
É lutar por causas perdidas e sempre sair vencedora.
É estar antes do ontem e depois do amanhã.
É desconhecer a palavra recompensa apesar dos seus atos.

Ser mulher...
É caminhar na dúvida cheia de certezas.
É correr atrás das nuvens num dia de sol.
É alcançar o sol num dia de chuva.

Ser mulher...
É chorar de alegria e muitas vezes sorrir com tristeza.
É acreditar quando ninguém mais acredita.
É cancelar sonhos em prol de terceiros.
É esperar quando ninguém mais espera.

Ser mulher...
É identificar um sorriso triste e uma lágrima falsa.
É ser enganada, e sempre dar mais uma chance.
É cair no fundo do poço, e emergir sem ajuda.

Ser mulher...
É estar em mil lugares de uma só vez.
É fazer mil papeis ao mesmo tempo.
É ser forte e fingir que é frágil...
Pra ter um carinho.

Ser mulher...
É se perder em palavras e depois perceber que se encontrou nelas.
É distribuir emoções que nem sempre são captadas.

Ser mulher...
É comprar, emprestar, alugar, vender sentimentos, mas jamais dever.
É construir castelos na areia, ve-los desmoronados pelas águas.
E ainda assim amá-los.

Ser mulher...
É saber dar o perdão... É tentar recuperar o irrecuperável.
É entender o que ninguém mais conseguiu desvendar.

Ser mulher...
É estender a mão a quem ainda não pediu.
É doar o que ainda não foi solicitado.

Ser mulher...
É não ter vergonha de chorar por amor.
É saber a hora certa do fim.
É esperar sempre por um recomeço.

Ser mulher...
É ter a arrogância de viver apesar dos dissabores,
das desilusões, das traições e das decepções.

Ser mulher...
É ser mãe dos seus filhos... Dos filhos de outros.
É amá-los igualmente.

Ser mulher...
É ter confiança no amanhã e aceitação pelo ontem.
É desbravar caminhos difíceis em instantes inoportunos.
E fincar a bandeira da conquista.

Ser mulher...
É entender as fases da lua por ter suas próprias fases.
É ser "nova" quando o coração está à espera do amor.
Ser "crescente" quando o coração está se enchendo de amor.
Ser "cheia" quando ele já está transbordando de tanto amor.
E ser "minguante" quando esse amor vai embora.

Ser mulher...
É hospedar dentro de si o sentimento do perdão.
É voltar no tempo todos os dias e viver por poucos instantes.
Coisas que nunca ficarão esquecidas.

Ser mulher...
É cicatrizar feridas de outros e inúmeras vezes deixar.
As suas próprias feridas sangrando.

Ser mulher...
É ser princesa aos 20... Rainha aos 30...
Imperatriz aos 40 e... "Especial" a vida toda.

Ser mulher...
É conseguir encontrar uma flor no deserto.
Água na seca... Labaredas no mar.

Ser mulher...
É chorar calada as dores do mundo e
Em apenas um segundo, já estar sorrindo.
Ser mulher...
É subir degraus e se os tiver que descer não precisar de ajuda.
É tropeçar, cair e voltar a andar.

Ser mulher...
É saber ser super-homem quando o sol nasce.
E virar cinderela quando a noite chega.

Ser mulher...
É ter sido escolhida por Deus para colocar no mundo os homens.

Ser mulher...
É acima de tudo um estado de espírito.
É uma dádiva... É ter dentro de si um tesouro escondido
E ainda assim dividí-lo com o mundo!


Silvana Duboc

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=80968 © Luso-Poemas





Rafaela Valverde

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Às mulheres que se cuidam II


Há alguns dias escrevi um texto falando sobre as mulheres que se cuidam, sobre nós mulheres que nos cuidamos tanto e algumas consequências disso, especialmente para os lucros de grandes empresas e para a péssima saúde do planeta. Pois bem, o texto foi escrito para ter essa continuação que vos fala agora.

Eu me cuido, eu uso maquiagem, apesar de ser muito raro, eu uso hidratante na pele, protetor solar, sabonete, shampoo, condicionador, cremes de cabelo, óleo, esmalte, acetona, etc. O que queria discutir era sobre o excesso de produtos que existem para mulheres, enquanto para os homens quase nada. Parece que só vagina precisa de cuidados!

É isso que nós mulheres precisamos ter em mente. A nossa vagina não fede. Ela tem seu próprio cheiro, além disso, os homens também precisam se cuidar e estar limpinhos e cheirosinhos. Não somente as mulheres. Há também a questão do tanto de lixo que a gente gera com todos esses produtos. É muito lixo, é muito plástico. 

Eu tenho ouvido falar do coletor menstrual, por exemplo. Ele é uma das formas de ter nosso momento feminino sem poluir muito o meio ambiente, sem deixar tanto lixo para nossos netos. Mas eu ainda estou muito pensativa em relação a eles, já que eu não sei se me adaptaria. Não uso nem absorvente interno, não consigo, incomoda demais. Então como usaria um copinho de silicone dentro da minha cavidade vaginal? É meio estranho falar sobre isso aqui no blog, mas é importante que mulheres discutam sobre produtos fabricados para elas. Refletir sobre o porquê de tantos produtos para higiene e beleza feminina. Será mesmo que precisamos tanto assim deles? Ou será que eles precisam de nós?



Rafaela Valverde

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Às mulheres que se cuidam


Não sou das mulheres que fica no espelho procurando rugas e defeitos. Tenho quase 28 anos e fora minha "sedentarice" que me incomoda um pouco,  mais devido a minha falta de ânimo e falta de fôlego ao subir uma escada, não ligo para muita coisa relacionada a aparência e envelhecer. Eu só uso protetor solar na praia e no dia a dia apenas em minhas tatuagens que são expostas. Eu não faço esfoliação, nem uso cremes no rosto, etc.

Não que eu não seja vaidosa ou não me cuide ou que ache perda de tempo. Acho bacana as meninas que se preocupam com essas coisas, mas eu simplesmente não consigo, não quero, não tenho saco. E não tenho tempo. Acordo cinco da manhã para sair antes de seis para estar na aula às sete. Imagina se eu ainda fosse passar protetor solar.

Achei que com o passar dos anos essa minha displicência com essas coisas fosse passar, mas cada ano que fico  mais velha, fico mais preguiçosa. Na verdade há algumas coisas que acho besteira e realmente não sinto necessidade de fazer. Protetor solar eu até acho importante, mas ainda sim sinto preguiça. E é claro que a questão financeira pesa bastante. Protetor solar ainda é caro, ainda não é acessível para todos e eu tenho outras prioridades.

Já repararam como hoje em dia as pessoas andam tão dependentes de coisas assim? Protetor de calcinha, sabonete íntimo, creme para rosto e para as mãos, além do hidratante corporal e esfoliante para os pés... Afff. E ainda tem os hidratantes e redutores de cutículas, óleos fortalecedores para as unhas, adstringente,  desodorante íntimo, primer, cílios postiços e mais trezentas quinquilharias desnecessárias que usamos. 

Já repararam também que a maioria desses produtos são para nós mulheres? Nós movimentamos muito a economia mundial. E ao ver dos empresários  e fabricantes desses produtos nós somos podres e fedorentas também. Precisamos de coisas que os homens não precisam e ainda pagamos mais caro! Esse é o capitalismo que inventa necessidades e a gente adere de forma que parece tão natural que parece que a gente realmente precisa dessa imundície inútil que enche o planeta de lixo, já que a maioria de todos esses produtos são embalados por plástico, que leva 100 anos para se decompor na natureza.

Não estou aqui querendo julgar ninguém, nem mesmo a mim. Estou apenas fazendo uma reflexão acerca de assunto que é tão próximo e ao mesmo tempo tão distante de nossas vidas, já que não nos interessamos muito em discuti-lo. E não interessa aos empresários, publicitários e todos que ganham muito dinheiro com todo esse "cuidado" que temos com nosso corpo.



Rafaela Valverde

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Homem que é homem



Homem que é homem, heterossexual claro, gosta de mulher como ela é. Sem querer magreza artificial, ficar pedindo que a mulher malhe, isso é ridículo. Homem que é homem gosta de olheiras, de pelinhos em baixo do braço e unha descascando. São essas coisas que nos fazem humanas e imperfeitas.

Homem que é homem gosta de mulher suando, dançando de short curto. Homem que é homem gosta de mulher livre, que não abaixa a cabeça pra ele e para ninguém. Homem que homem sabe o quanto mulher tatuada é sexy, que batom vermelho é poder e cachos significam aceitação e não modinha.

Homem que é homem acha mulher sexy até com aquela roupa velha de ficar em casa, com a camiseta dele, é irresistível. Ele tem certeza que a saia curta valoriza suas pernas mas não diz quem ela é. Homem de verdade, cabra macho, sabe que mulher é gente e deve ser respeitada, mesmo que esteja nua, principalmente se estiver nua.

Homem  que é homem sabe que mulher não é Feminazi, que não existe essa expressão e que o movimento Feminista não pode jamais ser comparado ao Nazismo e que fazer isso é idiotice. Homem de verdade não acha que mulher tem que se dar ao respeito, ele simplesmente a repeita, por que ela é uma pessoa.

Homem de verdade gosta mais de uma mulher feliz se empaturrando de pizza, do que uma magrela chorosa comendo alface. Homem que é homem é carinhoso, mesmo no sexo casual. Ele não vive achando que toda mulher vai grudar e se apaixonar se ele for atencioso e der carinho. Um homem de verdade beija testa, a mão, o pescoço, o corpo todo...

Homem que é homem gosta de pepeka, ele chupa e não só quer ser chupado. Ele sabe que sexo não é  só penetração e não é uma britadeira. Ele não se ilude achando que mulher não solta pum, nem arrota. Se liga, cara! Mulher é gente e mulher é igual a você. Um homem que se preze  sabe e tem certeza que a mulher é livre, mas livre mesmo, assim como ele é. Esse homem sabe que a mulher é dona do próprio corpo e não acha que ela é seu objeto ou pedaços de carne ambulantes.  Homem que é homem, é homem que respeita o outro ser humano que por caso é uma mulher. Ah, homem que é homem, não bate. Nunca!




Rafaela Valverde


sábado, 3 de dezembro de 2016

Eu tô dando risada - Tati Zaqui

Acha que pode brincar do jeito que já brincou
Fez as minas de boneca
Sai dessa, não sou assim, por favor, me escuta
Tu teve a chance
E transformou meu romance num lance
Chega de se rebaixar, levanta a cabeça
E aceita a revanche


Porque acha que pode brincar do jeito que já brincou
Fez as minas de boneca
Sai dessa, não sou assim, por favor, me escuta
Tu teve a chance e transformou meu romance num lance
Chega de se rebaixar, levanta a cabeça
E aceita a revanche

Porque
Ahhhhhh, eu tô dando risada
Palhaço igual você tá cheio na quebrada
Foi bom, vacilou me perdeu
Ta querendo voltar, desculpa, mas se fu

Ahhhhhh, eu tô dando risada
Palhaço igual você tá cheio na quebrada
Tu ficou parado na introdução
No final da história eu quero homem, lek não

Acha que pode brincar do jeito que já brincou
Fez as minas de boneca
Sai dessa, não sou assim
Por favor me escuta, tu teve a chance
E transformou meu romance num lance
Chega de se rebaixar, levanta a cabeça
E aceita a revanche

Porque
Acha que pode brincar do jeito que já brincou
Fez as minas de boneca
Sai dessa, não sou assim
Por favor me escuta, tu teve a chance
E transformou meu romance num lance
Chega de se rebaixar, levanta a cabeça
E aceita a revanche

Porque
Ahhhhhh, eu tô dando risada
Palhaço igual você tá cheio na quebrada
Foi bom, vacilou me perdeu
Ta querendo voltar desculpa mas se fu...




Rafaela Valverde

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...