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segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Filosofia - Ascenso Ferreira

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Hora de comer — comer!

Hora de dormir — dormir!

Hora de vadiar — vadiar!

Hora de trabalhar?

— Pernas pro ar que ninguém é de ferro!






Rafaela Valverde

Durante a aula


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Tem uma música antiga que minha mãe sempre cantarola: "não consigo prestar atenção na aula, não suporto mais o professor..." E assim estou hoje. Sala gelada, ar condicionado bem forte, mesmo com o casaco, meus dedos estão gelados. Olho para a professora lá na frente e penso que ela realmente tem propriedade sobre o que está falando. A partir desse momento começo a olhar para um ponto fixo atrás da professora, no quadro. Me desligo totalmente da aula, estou com sono. A professora começa a falar a línguas ininteligíveis. Até tento me concentrar, arregalo os olhos, bebo um gole de água, me espreguiço discretamente, mas tudo em vão...

Estou de calça jeans, daquelas que vão até o meio da canela, com a borda dobrada. Rasgada nos joelhos. Testo minha elasticidade puxando a perna esquerda, deixando- a dobrada, o joelho na altura do queixo. O braço esquerdo abraça a perna. Me sinto relaxada. A aula tá rolando, não sei o que a professora está falando... Olho para baixo e estou sem calça, você está com a cara entre minhas pernas, começando a me chupar. De leve. Como se tivesse encostando a língua em algo novo, cujo gosto ainda era desconhecido. Ainda assim, aquele gesto possuía a sua segurança. A segurança de quem já sabia onde ficava e como apertar todos os botões do meu corpo.

Volta e meia olhava para a professora, tentando entender o que realmente estava acontecendo com minha cabeça. Ao mesmo tempo você me dava aquele sorriso largo, safado. Revirei os olhos, me contorcia... Não estava mais conseguindo disfarçar. Sentia tanto tesão naqueles últimos dias e tanta falta de sentar e rebolar em você que já estou imaginando coisas... Levanto. Vou ao banheiro. Estou muito molhada, excitada. Saio da cabine e respiro fundo olhando para o espelho. Fecho os olhos em seguida e você está lá, me provocando, chupando os dedos da minha mão, um a um...

Volto para a sala, mas dessa vez sento de pernas cruzadas, para não te dar espaço, mas, mesmo assim você vem. Eu só consigo imaginar você com a língua dentro de mim, eu não sei mais como entender a matéria, como acompanhar o ritmo. Quarta feira de manhã, já isso! Longos minutos depois consegui afastar sua imagem da minha cabeça e consegui até participar da aula.

É por isso. Por isso que estou aqui de calcinha e robe vermelhos no seu portão. Vim de carro, ninguém repara nessas coisas. Abre o portão ou desce! Você escolhe. Mas decide logo porque eu tô perto de pegar fogo. E você não vai me deixar incendiando aqui em baixo no relento, não é? Prefiro me esparrar na sua cama e em todos os cômodos da casa...

Ouvi o estalido da fechadura se abrindo... É hoje!!




Rafaela Valverde

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Livro Antes Feliz do que Mal Acompanhada - Emanuela Carvalho


Terminei de ler o livro Antes Feliz do que Mal Acompanhada de Emanuela Carvalho. O livro foi lançado no ano passado aqui em Salvador. Emanuela é baiana. Encontrei- o por acaso nas estantes de sugestões de leitura da Biblioteca Central dos Barris. Me interessei pelo título e texto da contracapa e trouxe. 

O livro traz histórias anônimas de 25 mulheres sobre relacionamentos abusivos, violências física, psicológica e sexual e todo o sofrimento vindo desses relacionamentos. Dá uma dor no coração ler algumas dessas histórias. A gente que é mulher sempre se vê em situações como essas, em que nosso amor próprio vai embora, expulso por nós mesmas. 

Muitas vezes, amamos mais o outro do que a nós mesmas e quase sempre a vida mostra nosso erro. Há no livro histórias de relacionamentos abusivos entre mulheres também, há filhos envolvidos, dor, lágrimas, tristeza, falta de amor próprio, juventudes destruídas... Há coisas demais. E quando a gente para e pensa que são casos reais (a autora se inspirou em casos reais para escrever as histórias) misturados a um pouco de ficção, claro. Mas quando a gente percebe quantas mulheres estão envolvidas nesse tipo de relação, mesmo que tentem esconder e mostrar para o mundo o quanto são felizes, a gente pensa: "poderia ser eu..." ou "antigamente eu também agiria assim, hoje mais não..." 

Querendo ou não a gente se vê ali. Quantas mulheres não foram e são enganadas até hoje por homens e mulheres também, que acham que são seus donos? Que são possessivos, controladores e mau caráter... São esses alguns dos pensamentos que vêm à mente enquanto lia esse livro. É triste e dói saber que ainda somos tratadas como as culpadas por esses abusos. Muitas vezes recriminadas e julgadas... Bom, é isso. O livro é bastante interessante, por trazer casos próximos da gente, são histórias daqui de Salvador e nos faz refletir...




Rafaela Valverde












Mapa - Murilo Mendes

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Me colaram no tempo, me puseram
uma alma viva e um corpo desconjuntado. Estou
limitado ao norte pelos sentidos, ao sul pelo medo,
a leste pelo Apóstolo São Paulo, a oeste pela minha educação.

Me vejo numa nebulosa, rodando, sou um fluido,
depois chego à consciência da terra, ando como os outros,
me pregam numa cruz, numa única vida.
Colégio. Indignado, me chamam pelo número, detesto a hierarquia.

Me puseram o rótulo de homem, vou rindo, vou andando, aos solavancos.
Danço. Rio e choro, estou aqui, estou ali, desarticulado,
gosto de todos, não gosto de ninguém, batalho com os espíritos do ar,
alguém da terra me faz sinais, não sei mais o que é o bem
nem o mal.

Minha cabeça voou acima da baía, estou suspenso, angustiado, no éter,
tonto de vidas, de cheiros, de movimentos, de pensamentos,
não acredito em nenhuma técnica.

Estou com os meus antepassados, me balanço em arenas espanholas,
é por isso que saio às vezes pra rua combatendo personagens imaginários,
depois estou com os meus tios doidos, às gargalhadas,
na fazenda do interior, olhando os girassóis do jardim.

Estou no outro lado do mundo, daqui a cem anos, levantando populações…
Me desespero porque não posso estar presente a todos os atos da vida.

Onde esconder minha cara? O mundo samba na minha cabeça.
Triângulos, estrelas, noites, mulheres andando,
presságios brotando no ar, diversos pesos e movimentos me chamam a atenção,
o mundo vai mudar a cara,
a morte revelará o sentido verdadeiro das coisas.Andarei no ar.

Estarei em todos os nascimentos e em todas as agonias,
me aninharei nos recantos do corpo da noiva,
na cabeça dos artistas doentes, dos revolucionários.

Tudo transparecerá:
vulcões de ódio, explosões de amor, outras caras aparecerão na terra,
o vento que vem da eternidade suspenderá os passos,
dançarei na luz dos relâmpagos, beijarei sete mulheres,
vibrarei nos cangerês do mar, abraçarei as almas no ar,
me insinuarei nos quatro cantos do mundo.

Almas desesperadas eu vos amo. Almas insatisfeitas, ardentes.
Detesto os que se tapeiam,
os que brincam de cabra-cega com a vida, os homens “práticos”…
Viva São Francisco e vários suicidas e amantes suicidas,
os soldados que perderam a batalha, as mães bem mães,
as fêmeas bem fêmeas, os doidos bem doidos.
Vivam os transfigurados, ou porque eram perfeitos ou porque jejuavam muito…
viva eu, que inauguro no mundo o estado de bagunça transcendente.

Sou a presa do homem que fui há vinte anos passados,
dos amores raros que tive,
vida de planos ardentes, desertos vibrando sob os dedos do amor,
tudo é ritmo do cérebro do poeta. Não me inscrevo em nenhuma teoria,
estou no ar,
na alma dos criminosos, dos amantes desesperados,
no meu quarto modesto da praia de Botafogo,
no pensamento dos homens que movem o mundo,
nem triste nem alegre, chama com dois olhos andando,
sempre
em transformação.




Rafaela Valverde

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Novena vespertina



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Ela caminha até o fim e para na esquina
Olha para o entardecer
E sabe que essa é sua sina
Não quer se embrutecer

Precisa continuar serena
Mesmo com essa rotina
Seguiria como uma novena
Já se preparava para a solidão vespertina

Causada pelo tédio
Daquela infinita caminhada
Mas não há remédio

As mãos atadas
Caminha até a esquina
Até o fim!




Rafaela Valverde





domingo, 12 de novembro de 2017

Na Boca - Mário de Andrade

Como ensinar literatura - Zonacurva

 Sobre esse poema, preciso destacar a melhor parte: Felizmente existe o álcool na vida. Hahahahaha


Sempre tristíssimas estas cantigas de carnaval
Paixão
Ciúme
Dor daquilo que não se pode dizer

Felizmente existe o álcool na vida
e nos três dias de carnaval éter de lança-perfume
Quem me dera ser como o rapaz desvairado!
O ano passado ele parava diante das mulheres bonitas
e gritava pedindo o esguicho de cloretilo:
- Na boca! Na boca!
Umas davam-lhe as costas com repugnância
outras porém faziam-lhe a vontade.

Ainda existem mulheres bastante puras para fazer vontade aos viciados

Dorinha meu amor...
Se ela fosse bastante pura eu iria agora gritar-lhe como o outro:
                                                                             [- Na boca! Na boca!




Rafaela Valverde

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

A Cor Púrpura - Alice Walker

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Terminei de ler o livro A Cor Púrpura de Alice Walker. É com certeza um dos melhores livros que já li na vida. Nunca li uma coisa tão linda, forte, militante e tão cheia de saberes. O livro lançado inicialmente em 1982 nos EUA, teve muito sucesso desde o início e logo foi adaptado para virar filme com Whoopi Goldberg, Danny Glover e Oprah Winfrey.

Alice é militante feminista e negra. Daí é possível entender um pouco da grandiosidade dessa obra. Porém não é um livro de clichês, daqueles que dizem mais do mesmo da militância, repetindo sempre a mesma coisa. A Cor Púrpura vai além, nos faz pensar em coisas não pensadas antes e através do conhecimento e texto bem escrito da autora.

O livro tem narração a partir de cartas. Primeiro as cartas de Celie, a personagem principal são voltadas para Deus, que passa a ser testemunha de todos os sofrimentos diários passados pela mulher que começa sua narrativa ainda menina, vivendo em um ambiente de extrema violência e grande ataque à sua auto estima. Fora violentada pelo pai e maltratada pelo marido, que sempre a rechaçava por ser "feia, pobre, negra e mulher..." Mulher não pode fazer determinadas coisas. Mulher é mais fraca que homem, portanto não deve falar nada, ficar calada e apanhar...

As narrativas epistolares se dão entre os anos de 1900 e 1940 nos EUA, trazendo de forma crua e real a situação que vivia as pessoas negras naquele país, naquele momento. As mulheres eram tratadas ainda pior e estas questões são mostradas no livro e o melhor, do ponto de vista de quem viveu, sendo narrado em primeira pessoa. Os erros de português de Celie, que era semi-analfabeta foram mantidos para manter a veracidade, já que eram cartas.

Celie, após ser violentada pelo pai -  spoiler: ou pelo que se diz pai - é "dada" em casamento para outro homem violento chamado de Sinhô. Sinhô queria sua irmã mais nova Nettie, por achar Celie feia e sem graça, mas acabou casando com Celie, que pensava apenas em proteger a irmã, pois o amor entre elas é muito grande. A vida com Sinhô consegue ser pior do que a vida com o pai. Cuidar de seus filhos, apanhar e passar por humilhações. Além de ficar longe da irmã Nettie - que virara missionária na África - e de seus filhos, feitos pelas violências do pai e dados a outra família por ele.

Um belo dia, chega  em sua casa Shug Avery, uma cantora, amante de Sinhô. A partir daí, aos poucos, é claro, Celie passa a enxergar a vida de outra forma e começa seu processo de libertação do marido e daquela vida. O medo e a repulsa que sente pelos homens fica mais evidente com a aproximação das duas, que vivem um romance, chegando a morar juntas.

Enfim, nada que eu disser desse livro vai conseguir traduzir meu encantamento e amor pela história. Com certeza entrou na lista de meus livros preferidos. Peguei na Biblioteca Central da Bahia, mas assim que puder, com certeza, vou comprar. Os textos das cartas das irmãs são fortes e não simplesmente narram os acontecimentos da vida, mas sim, dão aulas para a gente em vários setores. Aulas de África e de tribos africanas, aula sobre o racismo e a escravidão nos EUA, aula de língua, já que até o pidgin (quem é de letras vai saber o que é) é citado; aula de feminismo, aula de luta por direitos, aula de vida e até ensinamentos de como lidar com fins de relacionamentos. É um grande livro e eu estou maravilhada até agora. Fico por aqui recomendando esse livro incrível e ainda tão atual. Leiam! Vale muito a pena.




Rafaela Valverde

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Uns olhos inquietos procurando pretextos volúveis para viver

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Sempre fui a que está sozinha. É muito raro alguém me encontrar acompanhada. Observo as pessoas atentamente. Se as todos soubessem o que olhares e corpos dizem, com certeza falariam menos e olhariam mais. Será que alguém sabe a carga que carrega um olhar? Um único olhar? Sentada, sozinha é claro, no restaurante universitário consigo identificar vários tipos de pessoas. As que sofrem e as que fazem sofrer; calouros sorridentes sem nem imaginar o que lhes esperam. Além disso é lindo ver esses mesmos calouros perdidos sem saber onde pega o garfo e onde pega a faca. Já passei por isso e não tem muito tempo não. Início do ano passado era eu, caloura, o motivo da chacota, das observações dos veteranos. 

Dá para saber quem é o falastrão e o caladão. Dá para perceber quem está apaixonado ou não. Só observando as pessoas no RU. Quero terminar meu almoço e ir lá pra fora fumar. Eu não gosto de conversar à toa e um cigarro sempre cai bem, ninguém encosta em mim com toda aquela fumaça. Não é que eu não goste de conversar. Eu até gosto, sim. Mas conversa tem que ter propósito. A meu ver. Não quero tagarelar. Jogar conversa fora ou falar só pra não ficar calada. O que eu quero mesmo é ficar calada e observar. Um passarinho dançante na grama lá fora, um pai beijando o filho antes de ele sair do carro, flores desabrochando... Sabe...? Todas essas coisas piegas da vida, que só gente piegas observa.

E eu sou desse tipo de gente. O mais cafona possível. Pieguice é meu sobrenome. E olha que frase ridícula que evidencia exatamente isto que estou falando agora. Tinha um menino lá, no RU, com uma camisa rosa desbotada. Que tom de rosa horrível. Ele ficava olhando para a menina que estava bem a sua frente de uma forma quase idólatra. Não sei se eles se conheciam. Não vi os dois conversando. Mas vi como ele olhava para ela. Ninguém olha pra mim daquele jeito. FATO! 

Depois do menino da camisa horrível, um torcedor do Bahia (só podia ser) gritava para um gostosão rasta que estava do outro lado do restaurante  Bom, pelo menos isso despertou minha atenção e pude me deliciar com aquele colírio. Ele logo sumiu das minhas vistas, já que eu estava mais interessada na minha sobremesa. Sinto muito, gostosão! Um docinho depois do almoço  é melhor que você sim.

Lá fora, já com o cigarro na mão, pensava no ônibus que passaria dali a cinco minutos e pensava em todas aquelas pessoas que formam meus repertórios de observação diária. Se não fossem essas pessoas e suas peripécias com certeza eu seria muito mais solitária, cá com meus botões e cigarros. Maços e mais maços. Dúvidas constantes sobre tudo que todo mundo tem certeza. Olho pra aquele tubinho branco e penso: "essa porra vai me matar..."

E aí vem tudo à tona. "O que é que eu tô fazendo com minha vida? Eu não tagarelo, tô sempre sozinha, sou essa demente observadora, piegas e cafona e ainda por cima fumo." Todo o meu pulmão deve estar preto agora. Será que estar preto é mesmo ruim? Por que toda essa coisa com a cor preta? O preto das substâncias do cigarro é tão lindo! E quem é que me garante que aquele pulmão rosinha, fofinho é o normal? É o saudável? Ninguém me garante, porque sei que tem bebês que nascem com problemas no pulmão e nunca fumaram. Minhas maratonas de Grey's Anatomy me deixaram assim metida a entendida dos assuntos medicamentosos. Olho pro cigarro de novo, sendo desperdiçado, queimando ali sozinho... "Ah vou fumar mesmo. Porra!"

Olhei para a frente, em meio as árvores. Um homem me observava.  Também fumava. Ele era claramente homossexual, então sem essa idiotice clichê de climinha romântico nesse texto. Não. Reconheci imediatamente que seu interesse em minha briga com o cigarro era bem parecido com meu interesse por todas as pessoas... O menino da camisa horrível, os calouros, o gostosão de cabelo rasta... Eu gosto de observar pessoas, de olhar seus olhares e expressões. Essa coisa toda me deixa menos sombria e solitária. Sorri amarelamente, sem mostrar os dentes. Era o melhor sorriso que podia oferecer. Depois caminhei para o ponto de ônibus, ainda fumando.



Rafaela Valverde

domingo, 5 de novembro de 2017

No chão da cozinha

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O piso é novo. Branco, minha pele nua ressai nele. Foi colocado há poucos dias. Ainda posso sentir a umidade do rejunte nas minhas costas. Estou com as pernas abertas, seu rosto entre elas, me chupando delicadamente. Revirava os olhos aproveitando o momento e pensava como tínhamos ido parar ali no chão.

Talvez fosse o fetiche do novo piso tão desejado. Há anos que queríamos trocá-lo. Ele foi aumentando a velocidade e intensidade, aumentei os gemidos porque estava muito bom. O homem chupava gostoso demais. Gozei sentindo o piso gelado em minhas costas enquanto empurrava a cara dele para mais perto.

Quando terminei, ele parou e me beijou com selvageria. Senti meu gosto em sua boca e estava cada vez mais excitada ansiando por ele. Quando me penetrou gritei alto, me sentindo preenchida. Ele apertava minha coxas intercalando com beijos e mordidas em meu pescoço, me deixando louca.

Virei, ficando por cima, cavalgando. Agora ele quem estava deitado no piso novo. Mordisquei seus lábios enquanto rebolava e gemia. Depois de uns minutos, de lado, me contorcia enquanto ele mordia meu ombro. Gozamos ali mesmo no chão novo da cozinha, enquanto planejávamos que azulejos colocaríamos na parede.



Rafaela Valverde

Assim eu vejo a vida - Cora Coralina



A vida tem duas faces:
Positiva e negativa
O passado foi duro
mas deixou o seu legado
Saber viver é a grande sabedoria
Que eu possa dignificar
Minha condição de mulher,
Aceitar suas limitações
E me fazer pedra de segurança
dos valores que vão desmoronando.
Nasci em tempos rudes
Aceitei contradições
lutas e pedras
como lições de vida
e delas me sirvo
Aprendi a viver.



Rafaela Valverde

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

A vagina - Maria Teresa Horta

Maria Teresa Horta


É cálida flor
E trópica mansamente
De leite entreaberta às tuas
Mãos

Feltro das pétalas que por dentro
Tem o felpo das pálpebras
Da língua a lentidão

Guelra do corpo
Pulmão que não respira

Dobada em muco
Tecida em água

Flor carnívora voraz do próprio
suco
No ventre entorpecida
Nas pernas sequestrada.




Rafaela Valverde

Fim

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O cabelo solto passeia no vento
Ela olha para o horizonte
Lá no fim do mar
Procurando alento

Tentou encontrar a fonte
Cansou de procurar
Amor, paz e alimento
O coração já sucumbiu

Não quer mais se enfeitar
Esqueceu o arroubamento
E cansou de imaginar
Sua esperança ruiu

Ninguém ouve seu lamento
Em silêncio, pôs se a gritar
Continua olhando o nada
A natureza brincando com seu corpo

Em um baile de conformismo dançar
Lutar contra, suar frio
Sentir ira e calmaria

Tudo ao mesmo tempo
Enquanto olha pro final do mar




Rafaela Valverde

Como Eu era Antes de Você - Jojo Moyes

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O livro Como Eu era Antes de Você da escritora inglesa Jojo Moyes é de 2013 traz a história de Louisa Clark e Will Traynor, os protagonistas mais autênticos dos últimos tempos. Lou é uma jovem de 26 anos sem perspectiva, sem sonhos e ambição. Ainda mora - em uma pequena cidade, rodeada por um antigo castelo - com os pais e dorme em um minúsculo quartinho.

Um dia, o café em que ela trabalhava há anos fecha, o que faz Lou perder o emprego e se ver ainda mais perspectivas. Até que, decidida a não ficar desempregada, Lou resolve ir, a contragosto, à uma entrevista para a vaga de cuidadora. Lou finalmente conheceu a bela mansão dos Traynor. E após uma entrevista, mesmo sem acreditar, conseguiu o emprego.

Will não recebe muito bem a nova cuidadora, mas aos poucos uma amizade vai sendo construída, com muito esforço por parte de Lou. Ao mesmo tempo, senti um pouco de egoísmo por parte dela em achar que ele teria que estar feliz e satisfeito, mesmo de ser paraplégico. Mas entendo que fazia parte do trabalho dela colocá-lo para cima, deixá-lo feliz e ela tentou muito até conseguir. Além disso tem a questão da composição de personagens. Nenhum personagem é uma coisa só. Aliás nenhuma pessoa é uma coisa só. Louisa se mostrou muito dedicada, sobretudo com a amizade  e afeto que surge entre eles.

Com o tempo os personagens vão se construindo e a gente percebe o quanto eles são complexos, especialmente os principais. Eu me apaixonei por Will e Lou. Eram engraçados e possuíam química, sintonia... Enfim, foram escritos para isso. Aliás, é um livro muito bem escrito, com boas tiradas, conflitos de gente como a gente, como desemprego, problemas familiares, financeiros, etc... Em muitas coisas me senti muito parecida com Louisa: a irmã mais velha que não sabia muito bem o que queria, sem emprego e preocupada com o bem estar da família.

Em vários momentos do livro eu ri alto. Há muitas coisas engraçadas. Mas também há muitas questões importantes a serem tratadas, além de emocionantes, como os momentos em que Will ficava doente. Chorei muito no final do livro, mas durante a leitura eu me diverti muito. Em alguns momentos a narrativa mudava um pouco e a história passa a ser contada a partir do ponto de vista da mãe, do pai e do enfermeiro de Will, além da irmã de Louisa. Dá nos visões diferentes da mesma história. Pontos de vista diversos sobre um mesmo ponto da história. Isso deu ainda mais dinamismo à estória.

Confesso que tive um pouco de preconceito com o livro no início. Por ser um livro bem popular, bastante falado e que virou até filme, fiquei meio receosa de ter um novo Cinquenta Tons de Cinza nas mãos. Mas o livro me surpreendeu muito. Gostei bastante e com certeza é um dos melhores livros que li ultimamente. Com certeza vou comprá-lo um dia, já que o exemplar que eu li é da minha irmã.

Para finalizar esse pequeno texto de impressões, gostaria de ressaltar que é um livro triste e diferente dos clichês que vemos por aí. Não há "final feliz." O feliz é todo o decorrer do livro, a alegria e os desafios de viver, apesar de tudo. É essa a principal mensagem que o livro passa: "viva a vida, porque ela vai acabar." Outro ponto que quero ressaltar é que ficaria ainda menos clichê se não houvesse o romance, o amor romântico entre os dois.  Achei desnecessário. A grande amizade que se desenvolveu entre eles já seria suficiente, mas acredito que o romance surja mais por uma questão comercial mesmo. Atrair mais leitores com paixão. Mas, ainda assim, não são dois jovens desmiolados, são duas pessoas maduras, que já passaram muitas coisas e se encontraram no momento certo de suas vidas. Aprenderam um com o outro e nos deram uma linda e triste estória.




Rafaela Valverde

sábado, 14 de outubro de 2017

Rapidinha sob o luar

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Estávamos no carro. É um grande clichê, mas foi ali onde tudo começou. Ele enfiou a mão debaixo da minha saia e puxou minha calcinha para o meio das pernas, deixando a área totalmente livre para sua mão. Fiz aquele biquinho sexy de quem está gostando. Olhei para ele de esguelha e suspirei. Ele continuou me massageando lá em baixo, enquanto dirigia com a outra mão. O nome era massagem mesmo, pois os dedos passeavam suave e despretensiosamente pelo meu clitóris. Estava muito gostoso e apenas aproveitei o momento.

Quando faltava cerca de dez minutos para chegarmos em casa, ele tirou o dedo e chupou da base até a ponta, sentindo meu gosto. O dedo estava bem melado. Eu estava bem melada. Passei dez dias longe de casa, viajando a trabalho. Longe dele. Sem seu corpo. Estava cheia de tesão. Me inclinei e mordisquei de leve sua orelha, indicando que o queria.

Encostou o carro na porta de casa. Não estávamos guardando na garagem, pois ela estava ocupada com o carro da empresa. Portanto, ficava ali mesmo, na rua. Saí daquele jeito, com a calcinha nas pernas. Já era bem tarde, a lua brilhava intensamente no alto do céu, iluminando a vizinhança. Era um dia de semana normal e a rua estava tranquila, como sempre. Pensando nisso, encostei a barriga no carro, ele já estava saindo pelo outro lado. Abri as pernas e empinei a bunda. Foi a deixa. Em menos de um minuto já estava atrás de mim, me penetrando delicadamente.  Gemia e me contorcia. Aos poucos o ritmo foi aumentando e passei a rebolar com força, enquanto ele socava com vontade.

Ele levantou minha blusa e beijou minhas costas várias vezes. Sempre fazia isso. Eu amava. Tão carinhoso e tão sexy... Depois lambeu minhas costas subindo até a nuca. Já estava gozando quando ele enfiou a mão debaixo do meu sutiã e acariciou meus seios com intensidade. Gozamos. Me virei e nos beijamos calorosamente. Arfantes, nos desvencilhamos, ajeitamos as roupas e entramos em casa como se nada tivesse acontecido.



Rafaela Valverde

A Hora da Estrela - Clarice Lispector

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Já li A Hora da Estrela pela segunda vez esse ano. Eu já havia lido em algum momento da minha pré adolescência, mas não tinha nenhuma memória dele. Macabéa é uma personagem bastante conhecida na literatura brasileira. Clarice Lispector em seu último livro marcou a literatura brasileira com a estória da nordestina datilógrafa que mal sabia escrever. Em 1977, ano de sua morte, a escritora nos trouxe a rica estória da pobre mulher nordestina que "só sabia chover."

Além da história de Macabéa, narrada pela figura masculina de Rodrigo S.M já que mulheres narrando estórias é de uma pieguice sem tamanho, então tomem um homem! E assim o livro que tem treze títulos inicia a partir da voz deste homem, que além de contar a história de Macabéa, algo que pouco conhecia, ainda reflete sobre a função do escritor, sobre a ação de escrever e funciona (se coloca ou é colocado) como alter ego de Clarice.

Eu não estou aqui para escrever uma simples resenha do livro. Contar como se dá a história, descrever e analisar personagens, essas coisas... Não! Há muito disso por aí. Estou aqui para contar para vocês o que esse livro, essa história, esse personagem e esse narrador significam para mim. E talvez eu ainda não consiga deixar isso muito claro, mas pelo menos posso tentar.

Pois bem, no início, a presença de Rodrigo me causou certa estranheza. Mas o que esse homem pensa que está fazendo? Ele nem sabe o que quer contar e como contar. Mas confesso que fui me acostumando e reconheço que ele conseguiu cumprir bem a missão de nos trazer Macabéa, a alagoana insignificante que fora para São Paulo para 'melhorar" de vida. E "é claro que a história é verdadeira embora inventada..."

Macabéa aprendera com a tia a bater à máquina. Muito mal, poque era quase analfabeta. Macabéa era tola. "Ela como uma cadela vadia era teleguiada exclusivamente por si mesma. Pois reduzira-se a si." Ela nunca se viu, nunca se olhou no espelho por ter vergonha. Macabéa era sem atrativos. Macabéa era virgem. Sim, virgem! Ela mal vive, somente inspira, expira, inspira e expira... Macabéa é incompetente, ouve rádio-relógio com anúncios e cultura. E adora. Marias dividem o quarto com ela. Assim que vive essa nordestina: amontoada em um quartinho amorfo que pode muito bem ser igual a sua vida. Mas ela nunca perdera a fé, apesar de não saber em que deus acreditar. Era desencantadora aos olhos do mundo. Esta era Macabéa. Ou é. Porque ela ainda vive, apesar de morta. Mas ela não é só isso. Dentro de sua pequenez há algo muito maior. Quer saber? Leia as retorcidas palavras narradas por Rodrigo S.M porque eu agora hei de me calar.

Rodrigo afirma que escrever não é fácil. E não é mesmo. Ele, assim como todos os escritores, vê a escrita como uma fuga, como única alternativa para o cansaço da mente e da alma. O narrador fala de se preparar para falar sobre a nordestina. É preciso se igualar ao nível dela para que se consiga  escrever sobre a vida medíocre que ela levava. E isso não é fácil. Se abster de sua própria vida para compor ou descrever uma personagem como essa... Pobre, pobre de espírito, sem atrativos, moça infeliz...

O livro traz poucos personagens. O livro em si é pouco, mas um pouco que preenche a grandiosidade literária que se propõe. Glória, a colega de trabalho de Macabéa; o chefe, cujo nome agora eu esqueci; Olímpico, o namorado; as Marias, já citadas acima e a cartomante. Ainda há a tia de Macabéa que aparece in memorian e não deixa de ser marcante devido a seu relacionamento abusivo com a sobrinha. Havia o relacionamento abusivo também com Olímpico, o namorado. Que bom que hoje temos esse termo para nomear esse tipo de relacionamento. Até Glória maltratava a nordestina. Todo mundo a maltratava. Parece que ela atraía...

A morte, a aflição, a culpa, a crítica, a angústia e a briga com si mesmo - o auto-embate - como eu carinhosamente chamei, são temas que permeiam todo o livro. Por mais que não estejam explícitos, estão ali. O tempo todo. É só prestar atenção. A crítica literária e o preconceito sofrido por Clarice, por ser mulher também estão presentes. Há ainda de se ressaltar referências ao Nordeste e a Recife, terra onde viveu nossa autora. Eu vejo esse livro de muitas formas diferentes. A Hora da estrela é somente uma: a derradeira. Só se é estrela uma vez. Só se tem hora uma vez. Nada mais que isso... Eu vejo, entre outras coisas, a grande despedida de Clarice através deste livro, através de Macabéa, sua insignificante e grandiosa personagem. A personagem com nome esquisito que foi apresentada e narrada por um homem, fato que simbolizou, talvez, a voz feminina que tentaram calar.



Rafaela Valverde

sábado, 7 de outubro de 2017

Escuta - Maria da Conceição Paranhos


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Ocorre que há uns lapsos na história,
há uns lapsos. Então vêm, videntes,
relatar histórias conhecidas
em noites longas de calor, insônia.
Ouvimos. Pacientemente.
Sob discursos jazem outras vozes.

Necessário cantar.
Animais se aninham ao nosso ânimo,
baixam seu brado à espera da canção.
E os leões de pedra dos portões
deixam rolar os globos que os sustentam.

Falamos línguas obscenas.
Não. Endureceu-se o ouvir.
Indefinidamente?
Afrontar a rija espada dos confrontos,
permitir soluções, se o peito arfa
curvado de rajadas imprudentes.
Se não se deixa a alma nesses lances
em que transidos vagamos dementes,
como afrontar as rugas, decifrar mensagens
(não correm ventos nas paisagens mortas,
largadas ao relento)?

Necessário é amar.
Primeiro e último tormento.

domingo, 1 de outubro de 2017

Redes "solitariais"

Resultado de imagem para redes sociais

Cercados por todos os lados de redes sociais, parece que estamos sempre muito bem. Constantemente cercados de "amigos." Felizes, com saúde e dinheiro. Tudo aparência. Criamos uma névoa imaginária que nos protege da vida real e  de nós mesmos. Muitos amigos, seguidores, curtidas, visualizações, respostas... Ufa! Somos escravos de quantidades. Quantidade de amigos, curtidas e todas essas coisas trazidas pelas redes sociais. Até parceiros sexuais e em alguns casos, relacionamentos podem ser encontrados e começar nas chamadas redes sociais. E quando dá match aumenta mais nossa vaidade.

Tudo é feito virtualmente. Não há presença, olho no olho, calor humano, voz, cheiro, aperto de mão, abraço, parabéns de aniversário ou alguma outra realização. Para isso existem o Facebook, Instagram, Whatsapp, Tinder e outros... Mas na vida real vem a solidão. Ela não é virtual, nem fictícia. Ela é constante e bem presente. E não diga que estar consigo mesmo é solitário porque não é. Falo da solidão profunda, de não ter ninguém para contar, conversar ou sair. Solidão de verdade é a compulsória. Não se escolhe estar só, mas sempre se está.

Essa solidão não é fácil e em muitos casos está paralela à redes sociais lotadas, muitas curtidas, comentários e matchs. Redes sociais agitadas. Redes pessoais vazias. Ninguém para conversar, nenhuma notificação que não seja as do celular. Nada.

A sensação que dá é que quanto mais agitada a vida virtual, mais solitária e vazia a vida real. Ou seja, redes sociais vêm para consolidar o processo de solidão, porque quanto mais interação com o celular e com o computador, menos interação com pessoas - e também  vêm para demonstrar para todas as outras  que "não estou tão solitária assim..." "Vejam como minha vida é maravilhosa, como eu tenho amigos..."

Mentiras virtuais, mentiras online. Felicidade forçada, fingida mesmo. Ninguém nunca vai saber onde se esconde a solidão. Por trás de belos sorrisos, mesas de bar lotadas de amigos e fotos "photoshopadas", pode haver pessoas mais solitárias emocionalmente, perdidas tentando se encontrar ou caminhando cada vez mais para a perdição nas teias da solidão e as garras das redes "solitariais."


Rafaela Valverde

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Uma manhã...

Resultado de imagem para tomando banho

Ela tinha acabado de correr, por isso estava ofegante e suada. A esteira ainda ligada na tomada. O cômodo tomado por seu cheiro. Hidratante e seu suor quente. Mistura química que me enlouquece. Andava de um lado para o outro, impaciente. Devia estar atrasada. Sempre se atrasava quando corria de manhã. Observei- a pelo que pareceu ser uma eternidade, antes de entrar no quarto. Coque no alto da cabeça, camiseta rosa bebê, calça legging estampada. O tênis já estava no canto. Seus pés à mostra. Unhas pintadas de vermelho. Os pés mais lindos e sensuais que já vi na vida.

Entrei enquanto ela estava de costas e a abracei beijando-a no pescoço. "Cheguei"- disse em seu ouvido. Mais um plantão, mais uma noite que ficara fora de casa, longe dela. Ouvi o som do seu sorriso por saber que eu estava ali. Virou e me beijou suavemente. Beijo de saudade. "Tô atrasada." Respondi que sabia e que não iria incomodá-la. Revirou os olhos dizendo muda que eu não incomodava. Sabia que era isso que queria dizer. Tirei a roupa do trabalho e entrei no banho, enquanto ela continuava sua saga matinal.

Nossa rotina estava pesada. Quase não nos encontrávamos mais. Eu chegava e ela saía. Respirei fundo sentindo a água passeando pelo meu corpo. Cheguei cansada, mas cheia de tesão. Queria-a. Mas hoje não parece ser um bom dia. De costas para a entrada, me ensaboando, ouvi o barulho do box se abrindo e me virei. Lá estava ela, nua. Me olhando daquele jeito gostoso. Me beijou com veracidade, reavivando meu corpo.  "Liguei pra lá e disse que vou me atrasar..." - disse. Agarrou meu cabelo e me empurrou até a parede, me beijando cada vez com mais força. Meu corpo ainda estava cheio de sabão e sua mão escorregava sobre ele. Me apalpava com intensidade, parecia que eu iria escapar caso não me segurasse.

De repente parou. Me enxaguou, retirando o sabão do meu corpo. Se ensaboou rapidamente, me provocando e fazendo aquela dancinha boba que eu gostava. Terminou seu banho enquanto eu fica ali parada, olhando-a. Abriu o box, saindo do banheiro sem se secar. Sorri. Vesti o roupão e fui atrás. Ela havia deitado na cama, nua, molhada e de bruços. As pernas jogadas pra cima. Pouco se importando comigo...

Tirei o roupão e me joguei de leve por cima dela. Beijando suas costas molhadas até quase o bumbum. Massageei suas pernas e pés. Ah, aquelas unhas vermelhas... Virei-a beijando sua boca suavemente, acariciando seu cabelo. Passeei a língua pelos seus seios e ela gemia baixinho. Aréolas, bicos... Mordicadas de leve e ela ficava cada vez mais enlouquecida. Seu olhar pegava fogo. Intercalava beijos, mordidas e lambidas em sua barriga, me concentrando no umbigo. Nessa hora, ela já puxava meu cabelo e gritava.

Sentir seu gosto era o momento mais esperado. Foi o que eu fiz. Mergulhei em seu universo enquanto a chupava. Ela estava deliciosamente excitada, molhada. Fazia movimentos diversos com a língua. Sentia prazer com seu prazer. Ela gemia e apertava minha cabeça e ali eu permanecia obedientemente. Passeando minha língua, matando meu tesão. Satisfazendo-a. Língua, dedos, saliva, suor, água... Nós duas ali, esquecendo horários, obrigações e tudo que não fosse nós mesmas e nossos corpos...

Gozamos. Arfantes, deitadas lado a lado olhávamos para o teto. Mãos dadas. Não falamos nada. Não precisava. Eu sabia o que ela pensava e vice-versa. Depois de vários dias, tivemos uma transa deliciosa. Nossa sintonia aumentava, nossos corpos se entrelaçavam e crescia o tesão. Ela virou de lado, olhando diretamente para mim. O sorriso safado ainda estava ali. Se jogou em cima de mim, me beijando. Recomeçamos...


Rafaela Valverde





quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Série Grace e Frankie

Resultado de imagem para Gracie e Frankie

Conheci recentemente a série Grace e Frankie. Não lembro exatamente o porquê de ter adicionado a série à minha lista da Netflix, mas já estava há alguns meses. Daí comecei a assistir e gostei logo de cara. No início pensei que seria uma série chata e dramática sobre velhinhos, mas fui muito pega de surpresa, pois é uma série muito engraçada, bem feita e alto astral.

Criada por Marta Kauffman, Howard J. Morris, a série estreou em 2015 e tem três temporadas na Netflix. Já vi as três e estou apaixonada pelas velhinhas fofinhas cujo os nomes dão título a série. No elenco estão  Jane Fonda (Grace), Lily Tomlin (Frankie), Sam Waterston, entre outros. A série americana de comédia traz a história de Gracie e Frankie que depois de quarenta anos de casadas descobrem repentinamente que seus maridos são gays e estão tendo um caso há vinte.

A partir daí começa a série de conflitos mais engraçados que eu já vi na minha vida. Mas não são simplesmente engraçados, são diálogos bem feitos, situações tão inusitadas que a gente esquece até o drama do caso (traição) dos maridos. Até porque a série não se baseia nisso, a série funciona ao redor das duas setentonas "prafrentex."

Elas  namoram, fazem sexo, fumam maconha, tomam porres as onze da manhã e até criam um vibrador e uma empresa Sex Shop. Essa série mudou minha visão sobre a terceira idade. Mesmo que seja ficcional e Grace seja ninguém menos que Jane Fonda toda conservada e até um pouco plastificada, é impossível não mudar alguma coisa da imagem que temos da terceira idade. Até porque as imagens que tenho vêm das minhas duas avós e nem de longe se compara com as cenas que são protagonizadas por essas duas. Elas ficam muito amigas e essa amizade cheia de implicância, pois elas são tão diferentes, é que segura o enredo da série.

É claro que sempre tem alguma coisa que incomoda a gente um pouco em qualquer coisa. No caso da série o que me incomodou foi o silenciamento sobre a existência da bissexualidade. Os maridos são nomeados ou "taxados" o tempo inteiro como gays. Se assumem gays, se auto intitulam gays. Mas óbvio que eles são bissexuais não, é? E não só pelo fato de terem passado quarenta anos casados com mulheres, mas, também pelo de terem laços afetivos, filhos e vida sexual. É notório que houve paixão pelo menos em um dos casais. E esse casal  até tem uma pequena recaída sexual... e eu não vou contar mais nada. Apenas precisava problematizar isso, porque passei as três temporadas engasgada com isso. 



Rafaela Valverde

sábado, 26 de agosto de 2017

O Sol

Resultado de imagem para sol

Tomei um susto
Quando você se foi
Achei que era pra sempre
Afinal eu já tinha ido também
Voltei há pouco tempo
E já te perdi?
Como assim?
Mas você não vai
É persistente como eu
Insiste que nem o sol nascendo todas as manhãs
E mesmo em dias nublados o sol está lá em algum lugar
Assim é você
Está em algum lugar
Circundando minhas áreas
Observando minha vida
Ameaçou que ia
Mas voltou
Que pirraça!
Sei que você sempre volta
Exatamente como o sol
Ei, você tem sido um tipo de sol
Nesses meus dias escuros
Em que nem a chuva aparece



Rafaela Valverde
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