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quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Em 2018 dez anos do blog

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O ano está começando. Mais um ano. O ano em que o blog completa dez anos. Eu estou muito feliz por isso e por muitos outros motivos também. Eu nem acredito que já tenho todos esses anos escrevendo aqui. Agora, se eu for parar para analisar meus  textos de dez, nove anos atrás verei alguns desastres. 

Mas sei que é para isso que estamos aqui. Para melhorar, para evoluir. Para escrever é preciso ler e praticar. Não existe fórmula mágica, não é um dom sobrenatural. Qualquer pessoa pode escrever, basta praticar. Muita coisa mudou em minha vida ao longo desses anos. Estou mais velha, mais gorda, mais bonita, mais segura. Casei e descasei, já fiz milhares de coisas que queria, já realizei sonhos , viajei, li milhares de textos e livros ao longo desses anos...

Já estou no meu quarto curso superior, sem terminar nenhum, como vocês sabem. Já passei pela transição e hoje tenho cachos lindos que eu amo. Enfim, muitas, mas muitas mudanças mesmo. Já saí para morar em outro bairro e já voltei para o mesmo endereço de onde escrevi pela primeira vez no blog, em agosto de 2008. Eu tinha 19 anos, terminara o ensino médio no ano anterior e estava meio sem perspectiva do que fazer da vida, procurando trabalho e em um relacionamento com altos e baixos. Me sentia muito triste quando comecei a escrever, por motivos diversos, mas principalmente pelo fato de ficar em casa sem fazer nada. Essa foi uma das motivações da criação do blog, internet também era algo bastante novo em minha casa, eu só tinha computador e banda larga há mais ou menos um ano. O MSN ainda existia e não havia smartphone. Em um tempo relativamente curto, vivíamos em praticamente outro mundo. 

Enfim, assim seguiremos, mas esse ano. Tentarei escrever mais textos literários, poemas e contos. E também sinto falta de artigos de opinião e textos um pouco mais jornalísticos. Na medida do possível tentarei cobrir mais essas áreas, mas não garanto muito, já que tenho a faculdade e agora um emprego para  cuidar... Mas é isso, vamos que vamos 2018!




Rafaela Valverde

domingo, 31 de dezembro de 2017

Adeus 2017!



Não posso dizer que 2017 foi um bom ano.  Terminei um namoro ruim e o que seguiu a partir daí foi bem escroto, mas já passei uma borracha nessa história que nem devia ter acontecido. Enfim, passando dessa parte que foi bem no inicio do ano, pulo para o carnaval que também foi bem no início e é um tema bem melhor. Fui depois de dois anos ao carnaval e pela primeira vez à noite, no circuito da Ondina. Fui atrás da pipoca de Armandinho e foi maravilhoso. Apesar de ter ido na última noite. Foi o melhor carnaval da minha vida.

Em abril fui para Recife e foram dias maravilhosos que passei lá. Viajar é uma das experiências mais gratificantes da vida. Mas esse ano tive poucos momentos realmente bons. Não posso mentir. Minha bolsa de iniciação científica acabou, tentei três estágios diferentes para atar em sala de aula e nenhum dos três deu certo. Isso foi muito frustrante por mim, sobretudo por eu não poder fazer nada. Me senti muito impotente. Com isso fiquei sem renda, o que me impediu de continuar saindo e fazendo minhas coisas. Deixei de ir à baladas, cinema ou qualquer outra coisa. E olhe que comecei o ano indo quase que toda semana ao cinema, o que eu amo. Enfim, tive momentos ruins financeiramente e na vida como um todo, pra falar a verdade.

Quantos dias e noites pensei em me matar. Coisa oriunda de uma grande depressão que fez ter uma recaída. Em muitos momentos acordava com vontade de morrer. A cada não que tomava em entrevistas de empregos e / ou estágios eu me sentia muito frustrada. Foi bem complicado. Tive vários momentos em que me senti inútil, com baixa auto estima e me achando a pior pessoa do mundo. Não curti São João. Não fiz quase nada que eu queria, mas consegui vencer tudo isso e estou aqui viva e bem.

Foi um ano bastante produtivo no que se refere a estudos e escrita. Comecei a escrever um livro de contos, que não sei quando vou terminar, escrevi o relatório final de pesquisa e fui destaque da Iniciação Científica do ano. Essa parte esteve tudo muito bem obrigado.  Tomei várias lições da vida. Lições de fé, de otimismo, de amor próprio, de amizade. Vi quem é realmente meu amigo e esteve sempre ao meu lado, disposto a me ajudar. Obrigada amigos. Um ano que conheci muita coisa nova na música e na literatura. Grandes descobertas e aprendizados. Agora, já no último mês, depois de tantos nãos chegou minha melhor notícia, meu emprego apareceu e é assim que vou começar o ano. Empregada. 

E ainda teve as questões políticas, sociais, os feminícidios e todas as atrocidades que aconteceram no Brasil e no mundo e que não deixam de nos marcar profundamente. É isso. Esse é, resumidamente, meu 2017. Que venha 2018. Muito melhor, fluindo, ano par... Coisa boa! Feliz ano novo para todos.




Rafaela Valverde

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Série Stranger Things


Hoje quero falar sobre Stranger Things, a série que carinhosamente intitulei: "a série cheia de crianças" ou "a série dos meninos melequentos." Tive realmente um pequeno preconceito no início, mais porque tinha gente demais falando e  como sabia que era de terror só podia ser alguma aberração que nem as séries dos zumbis e a do trono, que é outra aberração. Vocês devem saber quais são.

Não é uma aberração propriamente dita, mas é uma séria bizarra, no sentido mais literal da palavra - algo assustador, incomum, diferente, espalhafatoso - mas não necessariamente ruim. Pois bem, é uma série de ficção científica e terror. Foi Lançada no ano passado e pode ser encontrada na Netflix. A trama se passa nos anos oitenta e está toda caracterizada como uma produção do período mesmo. É bem marcada a questão do tempo e as músicas, figurinos e cabelos não deixam mentir.

Primeiramente foi esse clima de anos oitenta que me seduziu e depois a personagem de Millie Bobby Brown, Eleven. Os meninos também são super engraçados, bons atores e funcionam muito bem juntos. Meus preferidos, fora Eleven são Dustin (Gaten Matarazzo) e Lucas (Caleb McLaughlin). Para mim eles são as estrelas da série. A série foi criada por  Matt Duffer e Ross Duffer. E vale destacar ainda o retorno de Winona Ryder ao auge, de onde ela não deveria ter saído, na minha singela opinião. 

A série começa tratando do desaparecimento de um dos meninos da pequena cidade de Hawkins, cidade onde nada acontece. Até aquele momento. Will (Noah Schnapp) desaparece e a partir desse fato, muitas coisas estranhas e inimagináveis vão acontecendo. Toda a cidade é mobilizada para procurá-lo e aí começam as aventuras desse divertida série. Eu ri, eu fiquei nervosa com o suspense, eu me indignei, fiquei surpresa e curiosa... Enfim... Que bom que posso mudar de ideia, porque hoje não vejo mais como "a série dos meninos melequentos." Gostei. Deixei de achar que é só modinha, apesar de ser. Hahahaha



Rafaela Valverde




sábado, 7 de outubro de 2017

Mulheres, escrevam!

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Mulheres, escrevam. Se vocês têm o que dizer e querem fazê-lo escrevendo, façam isso. Hoje nós podemos, graças a muita luta. Mesmo em tempos conservadores como os nossos, estamos tendo mais espaço. Podemos falar por nós mesmas, ao invés de homens falarem. Temos voz. Temos inteligência e capacidade de escrever, de nos construir enquanto mulheres que escrevem enquanto fazem todas as outras atividades da vida cotidiana.

Eu sempre digo que escrever é um ato político. E é. Não se pode imaginar escrever de forma isenta e nem é possível. Sempre haverá um partido a ser tomado. Um ponto de vista a ser defendido. Escrever não é e não pode ser um ato mecânico, automático. Não. Escrever com consciência do ato de escrever. Escrever sabendo as implicações do ato. Escrever bem atenta. Essas devem ser nossas ações.

Mulheres, todas nós, que temos poesia em nós e sabemos disso devemos externá-la. Quanto mais mulheres atuando no mundo da escrita melhor para todas as outras mulheres. Assim, geraremos mais questões sobre nós mesmas;  aumentaremos o número de nós falando sobre nós mesmas. Tomaremos nosso lugar de fala, nossa voz. É muito importante ter voz. Já falaram muito por nós. Já disseram por muito tempo o que tínhamos que fazer e se tínhamos que fazer.

Escrever é registrar nosso eu livre, que está livre há tão pouco tempo. Não podemos nos calar. Sinto que é nossa obrigação moral escrever para que outras mulheres nos leiam. Para que nossas próximas gerações nos leiam. A luta ainda é grande, mas ainda seremos o que nossos filhos estudarão nas escolas daqui há algumas gerações. Estaremos registradas, para sempre. Não seremos poucas, porém ilustres, não seremos Clarices, Cecílias, Hildas... Poucas e ilustres em meio a um mundo predominantemente masculino. Seremos muitas e ilustres. Seremos nós por nós mesmas. Seremos cânones. Seremos autoras de nós mesmas, de nossas próprias histórias. Mulheres, escrevam!


Rafaela Valverde

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Aquele bom e velho medo de se apegar

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O que venho observando é que as pessoas estão meio perdidas. Elas não sabem exatamente o que querem. Claro, que em "as pessoas" eu me incluo porque não gosto disso de falar pelo outro ou sobre o outro me excluindo do problema. Entenderam? Quando eu digo as pessoas, são todos nós. Ok? Pronto, agora posso continuar. Pois bem, não temos em nossa cultura atual ideias bem definidas de relacionamentos. Às vezes nem amizade hoje em dia, é apenas amizade. Claro, que tudo é relativo, mas apenas tentem entender o que estou querendo dizer.

Antes, pelo menos na época de minha mãe e minha avó, existiam namorados, noivos, casados, amantes e outros nomes que queiram dar. Mas havia definição. Quando se fazia sexo sem ter "compromisso" havia recriminação, claro que com as mulheres né? Aff Mas se sabia o que queria ou em que estava metido. Não estou dizendo que era melhor, mas também não vou dizer que é pior. Eu não sei. Não estava lá. Não vivi essas épocas. Nasci no final dos anos oitenta...

O que quero dizer é queque existia um certo conservadorismo. Hipócrita e machista, claro. Eu acho que minha vó nem sabe o que sexo casual. Hoje temos essa liberdade. Temos a possibilidade de ter sexo casual, temos a possibilidade de não ter "compromisso" de não nos relacionarmos com ninguém. Isso foi muito bom, eu acho. Para nós mulheres, foi um ganho absoluto sobre nossos corpos e sobre nossa sexualidade.

Por outro lado, no entanto, viramos um bando de perdidos. Atarantados em nós mesmos, com medo de se abrir, com medo de qualquer contato mais próximo, com medo de se importar, de se apegar, de se importar. Vivemos com medo de tudo. Da violência urbana e de se relacionar. E não falo só de relação amorosa, falo de amizade e falo de ter consideração com o outro, mesmo que estejam em algo casual, mesmo que estejam ficando. Porque com nossos egos inflados, não querendo nos envolver para não sofrer acabamos sendo muito escrotos com as outras pessoas.

Medo. Tudo isso vem do medo. Medo de amar e de sofrer. Medo de abrir nossas casas e convívio familiar com quem quer que seja, medo de relacionamentos abusivos, medo de sermos enganadas. Medo. Nossas vidas foram invadidas pelo medo. Mesmo que nem todas as pessoas sejam assim, medrosas, sempre há algum, em maior ou menor proporção. Algum trauma do passado, em muitos casos vai determinar esses medos e nossas atitudes diante dele e sobre ele.

Eu tenho esse medo também. Sim, fui atingida. Tantas decepções dão nisso não, é? Mas eu não quero falar de mim. Estou tentando falar sobre a tendência que temos, em geral, em nossos dias, de não se envolver, não se relacionar, não se apaixonar. Queremos mesmo o casual, o raso. Mas tenho cá minhas dúvidas se estamos realmente felizes com isso. Já estou começando a sentir uma quebra de todo esse discurso bem elaborado e construído em nossas mentes.  Porque não é possível que se viva assim o tempo todo, a vida inteira. Em algum momento esse gelo tem que ser quebrado e o medo enfrentado. Em algum momento a gente vai se apaixonar, querer dividir o edredom,o brigadeiro e o filme em uma tarde de domingo. Mesmo que já tenha feito isso em determinado momento e quebrado a cara. Coloquemos a cara pra bater. E pra quebrar também. Porque a vida é se arriscar... Bom, é o que dizem, porque por enquanto eu prefiro é não dividir nada. Ficar só comigo mesma. É o melhor que posso fazer por mim nesse momento. Sem medo de ter medo.


Rafaela Valverde

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Carnaval 2017


Já é carnaval! Bom, aqui em Salvador já é carnaval desde domingo hahaha. Êta cidade que tem festa. Parece que todos os nossos problemas estão resolvidos. Nosso transporte público é maravilhoso, nassas ruas limpas, a educação e a saúde são as melhores do mundo. Está tudo resolvido, vamos pular e nos divertir! 

Não que eu não goste do carnaval. Até gosto e já curti bastante na infância e pré- adolescência, mas eu acho que o carnaval tem muita gente, ou seja muita violência. A violência só aumentou ao longo dos anos e eu sinceramente não estou afim de ser assaltada, nem apanhar da polícia. Porque eles batem mesmo em quer que esteja passando, não estão nem aí. Prefiro me preservar. Em 2015 retornei ao carnaval depois de dez anos sei ir e achei meio sem graça, o mais do mesmo. Não sei como as pessoas vão todos anos pular nas mesmas ruas, dançar as mesmas músicas - sem coreografia - e ver os mesmos artistas que usam as mesmas roupas todos os anos.

Há outras questões, sobretudo sociais que me afastam do carnaval, mas não vou falar sobre elas agora, pois dão muito pano para manga. Definitivamente não estou afim de problematizar nada hoje não. Só estou aqui discorrendo sobre alguns aspectos do carnaval. Hoje (ou não sei se é só hoje) parece que há uma discriminação velada com quem não vai ao carnaval, ou quem não gosta. Parece ainda que existe uma obrigação de se gostar da folia. Quem não gosta ou não vai vira um ET. Mas eu não ligo, não problematizo, não falo nada. Apenas falo: gosto mas não vou. É meu direito, pronto!

E quem for espero que vá em paz. Sem intenção de brigar ou perturbar. Porque tem umas pessoas que parecem que saem de casa com o cão no corpo para brigar. Aff! É isso. Quem sabe no ano que vem eu vá? Estou buscando coisas novas no carnaval, mas não tenho muita certeza se é possível. Todo ano é a mesma coisa. Enquanto isso vou descansar e aproveitar esses dias sem UFBA. XAU!


Rafaela Valverde

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

A sabedoria de desistir na hora certa


Eu antes não sabia, mas agora eu já sei. Eu aprendi a viver com a frustração e o conformismo para determinados momentos. Se não há jeito, se os anos vão passar, se a vida vai durar e eu tenho que conviver com isso eu conviverei. Me resigno e aceito, já que não posso mais lutar e mudar determinada situação. A gente precisa saber quando parar.

A gente precisa desistir na hora certa, por mais que tenhamos lutado tanto. Chega uma hora que não dá mais, o esforço fica grande demais, a luta ultrapassa o que podemos suportar e simplesmente a gente desiste. Respiramos fundo e analisamos as opções, mas elas não são mais viáveis.

Eu já passei algumas vezes por situações que exigiram muito de mim. Algumas eu desisti, outras lutei até o fim. Hoje porém, me deparo com uma luta que sei que não vou conseguir ganhar. Eu já consigo me enxergar vivendo daqui a vinte anos frustrada e sem ter tido o que eu realmente quis na vida.

Mas não desisti por causa de preguiça ou covardia. Desisti porque era demais, porque não adiantaria. Desisti porque não há mais sintonia entre mim e a luta, essa luta. Eu me sinto cansada para lidar com ela. Eu estou fraca e por isso vou ter que conviver com isso, com a frustração e talvez, quem sabe, o arrependimento. Mas no momento não há nada que eu possa fazer.

Não sei quantas pessoas se sentem assim diante de coisas difíceis, mas é complicado olhar para trás e prever o futuro e estar entre um e outro. Só esperando o tempo passar para ver se alguma coisa muda. Mas não vai mudar. Se eu tiver que virar uma mulher frustrada quando tiver na meia idade eu vou virar. Porque a gente tem que saber a hora de parar. A hora de desistir de lutar por algo que nunca mais vai acontecer. Isso é ter sabedoria.



Rafaela Valverde

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Não contem com mais uma desistência minha

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Não. Eu não vou enlouquecer. Por mais que às vezes um desânimo tome conta de mim eu não vou desistir. Eu não quero nem pensar em desistir mais uma vez. Mas ontem eu pensei em desistir de tudo. Apenas não posso mais desistir, eu sei disso. Mas a coisa toda está muito pesada. E tudo isso me deixa aflita, me angustia. Principalmente por que eu sei que só vai piorar. Se eu for realmente em busca da realização dos meus sonhos, vai ser penoso. E o número de obrigações vai aumentar. É um fato.

Eu sempre quero fazer tudo, cumprir meus prazos. Quero fazer tudo certinho mas confesso que não dá. Nem sempre leio todos os textos e faço tudo o que tem para fazer. Simplesmente por que não dá. Os professores devem com certeza saber que nós, os alunos, não fazemos todas as atividades que eles mandam e não lemos todos os textos por que não dá. Então eles que engulam os seus egos, seu prazos e esperem.

Já que não podem ouvir os alunos, não podem ser mais flexíveis, nem avaliar gradualmente e muito menos trabalhar de forma interdisciplinar, então que tenham um pouquinho, mas só um pouquinho mesmo de humanidade e bom coração. É simples, é só ter empatia. Mas não. Parece que há uma cultura de vingança dentro da universidade, a UFBA especificamente. Os professores, cabe ressaltar que não são todos, parecem que querem se vingar dos seus tempos de graduação e não estão muito se importando com o lado de cá, de nós, alunos. O que é uma pena pois não somos gente também, né?


Rafaela Valverde

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Pensamentos obscuros


Sabe quando a gente sai caminhando até o ponto de ônibus e de repente vem pensamentos suicidas? Como seria se eu me jogasse debaixo de um carro? Seria rápido? E essa passarela? Será que dá para morrer caindo de cima dela? E se algum bandido viesse me assaltar e eu reagisse, seria que eu morreria?

Acredito que em algum momento esses pensamentos passam pela cabeça de muitas pessoas. Se não passam vocês me avisam pois daí saberei que estou ficando muito louca e destrutiva. Mas às vezes me pego pensando em coisas do tipo mesmo. Como essas tragédias afetariam a vida da minha família e o funcionamento da cidade.

Eu não estou ficando maluca e nem estou pensando em me matar. São apenas pensamentos obscuros que às vezes rondam minha mente. Como será a sensação de morrer? Como será o momento do último suspiro? Será que realmente passa o famoso filme na cabeça? Bom, ninguém sabe até que o dia chega, mas aí não dá para contar. Já morreu. Como ouvimos por aí, "há muito mais entre o céu e aterra do que a nossa vã filosofia pode supor." 

Do momento derradeiro só saberemos na hora em que chega nossa hora. Mas enquanto isso resta imaginar e querer que esse momento fique bem longe, porque afinal ninguém quer morrer, não é mesmo? Então, deixa meus pensamentos bem guardadinhos aqui para quando eu tiver andando para ir para o ponto de ônibus.



Rafaela Valverde

domingo, 18 de setembro de 2016

Vida breve


Quando um acontecimento trágico e repentino como o que nos acometeu essa semana com a morte do ator Domingos Montagner se realiza, nos damos conta do quanto a vida é efêmera e frágil. E vem a necessidade de viver mais, de viver plenamente. Vem a confirmação do fim, vem a proximidade da morte que geralmente está distante de nós. Ou a gente acha que está.

A gente pensa: "saímos de casa e não sabemos se voltamos." Bate um desespero, um desalento em saber que sempre vamos perder para a morte, para o fim, especialmente se ela for repentina e trágica. Alguém é tomado da vida de forma não natural. Somos tomados da vida. A qualquer momentos podemos ser tomados e simplesmente deixar de existir.

Nossos familiares vão sofrer, nós vamos sofrer com um desprendimento tão repentino da matéria. Enquanto aconteceu com outrem, porém a gente fica menos consternado, mas ainda assim abalado com a falta de garantias que temos em viver. Não sabemos quando vamos desaparecer desse mundo. É incerto. Será doença? Será acidente? Não dá para saber e é esse o maior medo, antes do medo de morrer, vem o medo da  maneira que será morte.

Por ser uma tragédia de outra família, acabamos respirando um pouco mais aliviados e nos convencemos de que devemos aproveitar a vida e todos os momentos bons que ela nos proporciona. Não podemos esquecer a beleza da vida. Portanto o que eu sempre disse e ainda costumo dizer é: aproveite a vida, ela pode acabar a qualquer momento. Se arrisque, se jogue, viva, chore, sofra, sorria, só não peque pelo vácuo e pela ausência de vida. Porque ela, ela não pertence totalmente a você. Ela pode simplesmente lhe ser tirada em um pequeno momento de lazer.



Rafaela Valverde




quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Espelho de farmácia


Eu estava me sentindo mal e desci para comprar um remédio para náuseas - não sei como chama - tudo agora tem nome específico, até remédio. Que porre. A farmácia ficava na esquina, a poucos metros de casa. A luz do sol estava me incomodando por isso lembrei de pegar os óculos de sol, o que nunca faço. Aliás o dia estava lindo: céu azul praticamente sem nuvens, constatei assim que fechei o portão do edifício antigo onde me escondia há seis anos.

Um belo domingo de sol e eu de ressaca, que ótimo. Acelerei o passo e em poucos minutos cheguei à farmácia que estava vazia, já que ainda era cedo e todos os meus vizinhos deviam estar na cama, dormindo ou não, e preparando seus festivos e barulhentos almoços de domingo. Comprei o remédio "antiseiláoquê" e me olhei num espelho enorme que havia na parede da farmácia. De quem é essa ideia idiota de pendurar espelhos em farmácia? É para olharmos a nossa aparência quando estivermos em fase terminal?

Continuei ali me refletindo no espelho, olhando minha cara de bêbada quando vi de repente o rosto de uma velhinha pelo espelho. Ela me olhava e sorria mas não mostrava os dentes. Ela era bem velhinha e tinha o cabelo todo branquinho. Ela vestia um casaco vinho grosso de lã e uma calça preta, além de sapatos. Estranhei os trajes em um calor terrível daquele, mas logo encontrei o que poderia ser motivo: havia um tubo em seu nariz descendo pelo pescoço e enfiado por dentro do casaco. Fiquei sem graça e me virei para ela.

Ela estava com uma pequena sacola na mão com o que parecia ser um único remédio. E ficou parada ali até dizer que não era para e continuar sendo sozinha para não ficar como ela, tendo que ir à farmácia no domingo de manhã para comprar um remédio contra prisão de ventre. (Sim, ela disse isso!) Olhei para ela interrogativamente e ela apontou para meu rosto, me virei rapidamente e olhei minhas olheiras. Eu estava desde a quinta feira na farra. A minha cara estava uma desgraça.

"Cara de quem é sozinha, minha filha. E de quem se sente sozinha." Ela deu um sorriso e foi caminhando devagar, quase se arrastando para a saída da farmácia. E eu fiquei lá, estatelada, pensando na vida. Sim, literalmente pensando na vida. Não tinha vó sozinha e doente para me dar esse tipo de conselho, uma delas eu nem conheci e a outra é casada há cinquenta e cinco anos com meu avô. Suspirei e saí ainda avistando a velhinha andando devagar. Queria ajudá-la mas eu estava enjoada e ia para o lado oposto. Simplesmente continuei andando. Cheguei ao meu prédio, abri o portão e subi pensando em tudo que tinha que preparar para o dia seguinte, para uma amarga e solitária segunda feira de verão.




Rafaela Valverde

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Trânsitos cotidianos de vida

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Estou no ônibus mergulhada em pensamentos, são seis e trinta da manhã e o trânsito já está caótico em Salvador. Estou passando pelo Dique do Tororó. Observo aquele mundaréu de água verde e tento imaginar se é muito fundo e o que pode ter naquele fundo. Tento entender o que há no fundo da minha alma também. Daí desisto já que não terei êxito e decido acompanhar o fluxo pesado do trânsito.

Um homem atravessa a via correndo e eu fico pensando em como ele é maluco, "será que não tem medo de ser atropelado?" Com isso entro em mais devaneios, divago sobre o ambiente, sobre como deveria ser aquela área no século passado e fico tentando imaginar a vida das pessoas que ali estão se exercitando.

Eu viajo dentro de mim mesma, eu viajo dentro de um ônibus, eu viajo nas paisagens de Salvador. Eu viajo, Eu vejo ainda o que não há mais para ver. Eu tenho dejavu ou então uma visão pressentida do futuro. Eu penso muito no futuro, fico divagando se vou conseguir tudo o que desejo. Minha cabeça vai até um mundo cósmico-místico inexistente e volta para o trânsito travado de Salvador. Em menos de uma hora!

Estou passando pela Av. Garibaldi, uma avenida mais perto da UFBA e com isso tento calar meus pensamentos, tento pensar em outra coisa, como por exemplo no absurdo de ter uma aula de Latim às 7h da manhã de uma segunda feira. Tenho que sair desse torpor de ônibus. Tenho que andar ligeiro, até chegar à universidade, tenho que fugir de ladrão. Ou dos meus pensamentos?

Desço e adentro esse ambiente onde sempre quis estar. Tem árvores, a brisa é agradável e o céu está azul. Vamos lá para mais um dia! Sem pensar muito nessas coisas paralisantes que compõem a vida, a incerteza e o futuro. Deixa essas coisas chatas para o "buzu", para o engarrafamento. Ainda bem que não sou eu a motorista, pois poderia até causar um acidente com meus pensamentos que me fazem fazer voltas continentais e transcendentais. 



Rafaela Valverde
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