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domingo, 2 de julho de 2017

Um dia ela percebeu


Um dia ela percebeu que só precisava dela mesma
Entendeu que é incrível mas também não presta
Não presta pra levar desaforo pra casa
Não presta pra ser menos do que é
Está mais para pôr-do-sol
Do que o nascer
O nascer é calmo, ela não
Ela entendeu que é sombria, mas ilumina todos ao redor.
Seu coração está leve
Suficiente para a alma que não aguenta pesos
De pesada basta a vida
Mas ela aguenta
E vive
Ela percebeu que se basta
Percebeu que só precisava de si mesma para viver
É fluída
É volúvel
É maravilhosa, costumam dizer
Mas, meu Deus, está sendo consumida pela solidão
Por que isso?
Por que é que ninguém quer pegar na sua mão?
E nem amá-la nos momentos de crise?
Será por causa da sua descoberta?
Ela sabe que só precisa dela
Tem certeza disso.
Mas está o tempo todo presente
Ela e ela mesma
Não é uma opção
O que ela gostaria de ter era a opção de ter mais alguém por perto
Para segurar sua mão
Para te abraçar no frio
E não mais ser consumida pelo tédio de ser sozinha
Estar  consigo mesma é maravilhoso
Tão maravilhoso, que ela quer dividir com alguém.
Um dia ela percebeu.



Rafaela Valverde



sexta-feira, 30 de junho de 2017

Rios sem discurso - João Cabral de Melo Neto


Quando um rio corta, corta-se de vez
o discurso-rio de água que ele fazia;
cortado, a água se quebra em pedaços,
em poços de água, em água paralítica.
Em situação de poço, a água equivale
a uma palavra em situação dicionária:
isolada, estanque no poço dela mesma,
e porque assim estanque, estancada;
e mais: porque assim estancada, muda,
e muda porque com nenhuma comunica,
porque cortou-se a sintaxe desse rio,
o fio de água por que ele discorria.

O curso de um rio, seu discurso-rio,
chega raramente a se reatar de vez;
um rio precisa de muito fio de água
para refazer o fio antigo que o fez.
Salvo a grandiloqüência de uma cheia
lhe impondo interina outra linguagem,
um rio precisa de muita água em fios
para que todos os poços se enfrasem:
se reatando, de um para outro poço,
em frases curtas, então frase e frase,
até a sentença-rio do discurso único
em que se tem voz a seca ele combate



Rafaela Valverde

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Em Código - Fernando Sabino

 Gente, quando eu era criança e adolescente eu adorava ler  o que Fernando Sabino escrevia. Especialmente os contos e as crônicas. Li esse num livro de Irandé Antunes ontem e me lembrei desse período. Quis trazer para vocês, meus leitores. Aproveitem!



Fui chamado ao telefone. Era o chefe de escritório de meu irmão:
- Recebi de Belo Horizonte um recado dele para o senhor. É uma mensagem meio esquisita, com vários itens, convém tomar nota: o senhor tem um lápis aí?
- Tenho. Pode começar.
- Então lá vai. Primeiro: minha mãe precisa de uma nora.
- Precisa de quê?
- De uma nora.
- Que história é essa?
- Eu estou dizendo ao senhor que é um recado meio esquisito. Posso continuar?
- Continue.
- Segundo: pobre vive de teimoso. Terceiro: não chora, morena, que eu volto.
- Isso é alguma brincadeira.
- Não é não, estou repetindo o que ele escreveu. Tem mais. Quarto: sou amarelo, mas não opilado. Tomou nota?
- Mas não opilado - repeti, tomando nota. - Que diabo ele pretende com isso?
- Não sei não, senhor. Mandou trasmitir o recado, estou transmitindo.
- Mas você há de concordar comigo que é um recado meio esquisito.
- Foi o que eu preveni ao senhor. E tem mais. Quinto: não sou colgate, mas ando na boca de muita gente. Sexto: poeira é minha penicilina. Sétimo: carona, só de saia. Oitavo...
- Chega! - protestei, estupefato. - Não vou ficar aqui tomando nota disso, feito idiota.
- Deve ser carta em código ou coisa parecida - e ele vacilou: - Estou dizendo ao senhor que também não entendi, mas enfim... Posso continuar?
- Continua. Falta muito?
- Não, está acabando: são doze. Oitavo: vou mas volto. Nono: chega à janela, morena. Décimo: quem fala de mim tem mágoa. Décimo primeiro: não sou pipoca, mas também dou meus pulinhos.
- Não tem dúvida, ficou maluco.
- Maluco não digo, mas como o senhor mesmo disse, a gente até fica com ar meio idiota... Está acabando, só falta um. Décimo segundo: Deus, eu e o Rocha:
- Que Rocha?
- Não sei: é capaz de ser a assinatura.
- Meu irmão não se chama Rocha, essa é boa!
- É, mas foi ele que mandou, isso foi.
Desliguei, atônito, fui até refrescar o rosto com água, para poder pensar melhor. Só então me lembrei: haviam-me encomendado uma crônica sobre essas frases que os motoristas costumam pintar, como lema, à frente dos caminhões. Meu irmão, que é engenheiro e viaja sempre pelo interior fiscalizando obras, prometera ajudar-me, recolhendo em suas andanças farto e variado material. E ele viajou, o tempo passou, acabei me esquecendo completamente o trato, na suposição de que o mesmo lhe acontecera.
Agora, o material ali estava, era só fazer a crônica. Deus, eu e o Rocha! Tudo explicado: Rocha era o motorista. Deus era Deus mesmo, e eu, o caminhão.


Rafaela Valverde

terça-feira, 20 de junho de 2017

Burocracia ou burrocracia no ILUFBA


Cá estou eu cercada de burocracia. Ou seria burrocracia? A UFBA está impregnada desse ranço do século passado. Todos nós alunos da UFBA estamos cercados desse sistema que não ajuda ninguém, em maior ou meno medida. O fato é que perguntei a algumas pessoas e especificamente o Instituto de Letras, onde eu passo maior parte do meus dias aqui dentro é um dos mais burocráticos.

Pois bem, para o colegiado de Letras Vernáculas receber contratos de estágio dos alunos para assinar, os alunos precisam entregar cópias do histórico e comprovante de matrícula. Até aí tudo bem, se não fosse um formulário com assinatura de três professores. Até aí tudo bem, estamos em sala de aula constantemente com os professores, mas há outro problema: eu, por exemplo, estou tendo mais dificuldade em encontrar professores do que eu imaginava. Só tenho aula às segundas, quartas e sextas. Já vou perder a sexta por causa do São João e uma das minhas professoras é estagiária de pós graduação, não pode assinar, tenho que ir atrás do titular. Desde ontem bato nas portas dos gabinetes dos professores sem sucesso. Consegui ontem uma assinatura. Hoje ficarei aqui até à noite para conseguir outra e talvez consiga uma outra a partir das 14 horas de amanhã.

Beleza, entro com o contrato amanhã à tarde. Mas aí, o colegiado exige mais 72 horas de prazo para analisar e assinar o contrato, não adianta vir antes. É no mínimo 72 horas mesmo. Sem conversa. E lhe lá. Com esses três dias úteis para assinar meu contrato eu só consigo pegá-lo na segunda à tarde, talvez terça pela manhã. Tenho prazos para cumprir e estou nessa ladainha desde sexta feira passada, hoje é terça.

Eu não compreendo que sistema é esse, sinceramente. Como assim, eu tenho que provar para a universidade que frequento as aulas? Por que um prazo tão grande para analisar as disciplinas cursadas, carga horária, etc? Não  são todos os alunos do Instituto que solicitam ao mesmo tempo, então não há demandas como essas diariamente. Eu só gostaria de entender, por isso o meu questionamento. Não explicam nada para a gente, a gente só tem que aceitar, mesmo não concordando.

Até porque não se sabe o motivo dessa rigorosa e chata burocracia. Pode ser que já tenham havido problemas no passado, porque as pessoas são corruptas, isso são. Mas será que não há uma preguiça de pensar em outra solução menos burocrática? Será que os próprios alunos não teriam alguma sugestão? Já que é nossa realidade, nosso dia a dia, nosso estágio, nossa correria. O que não pode é continuarmos calados, aceitando esse processo anacrônico, que só faz atrapalhar mais ainda a gente. A burocracia é um dos maiores atrasos desse país. Coisas que podem ser resolvidas em poucas horas levam dias! E temo recursos para isso, humanos e tecnológicos, o que falta mesmo é boa vontade, empatia e usar a cabeça, especialmente nos serviços públicos.


Rafaela Valverde

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Impressões da sala de aula


Comecei a dar aulas em uma escola estadual. Nunca pensei que fosse fácil, mas descobri que é bem difícil ser professora. Principalmente em escola pública, onde os meninos são jogados lá, sem ao menos compreender o porquê de estarem ali. Há ainda a falta de estrutura e também o grande uso de tecnologias, como o celular  e vídeos do youtube, que podem atrapalhar bastante a prática docente.

Os meninos ouvem música e ficam com o celular na sala, às vezes tocando música sem o fone de ouvido. Não há nenhuma noção de disciplina, nem do que deve ou não ser feito. Não há noção de hora certa para fazer determinadas coisas. Eu sempre ouvi na minha casa que existia hora para tudo, hora para se divertir e hora de ralar. Eu sempre ouvi que primeiro deve vir a obrigação e depois a diversão.

Percebo que não há respeito nem na presença do professor. Não posso ser hipócrita e dizer que eu fui uma criança e uma pré adolescente maravilhosa e bem comportada. Não fui! Mas os meus pais estavam presentes na escola por tudo que eu aprontasse e era quase sempre. Por mais que no fundo eles achassem que não adiantaria nada, eles iam. Já chegue a tomar uns tapas de minha mãe dentro da escola.

Mas, mesmo sendo rebelde, havia um mínimo de respeito ao professor. Mesmo que eu continuasse a conversar, porque lembro que era uma faladeira na sala, eu pelo menos entrava na sala e sentava na cadeira. Ao contrário de hoje. Os meus alunos não sentam, não param, não se interessam pelos conteúdos e nem me respeitam. Fora que saem da sala toda hora e outros alunos entram na sala a todo momento, me ignorando.

A estrutura da escola pública não ajuda muito a vida do professor não. Algumas salas nem porta têm e quando chove molham tem goteira. Não têm ventiladores e é péssimo estudar assim. Como eu, sozinha, vou fazer os alunos prestarem atenção em mim com tantas distrações e com tanta falta de estrutura? Eu até tento. Converso com eles, fiz um jogo e pretendo fazer o máximo para tornar minhas aulas interessantes mas é bem difícil.

É difícil porque esse interesse pela escola e pelo conhecimento não vem de casa. Os pais não leem. Mas também qual o pai que tem tempo ou dinheiro para comprar livro? Não estou defendendo, pois isso não justifica nada. Essa é uma sensação geral que eu tenho. As pessoas não estão nem aí para nada, não leem, não estudam, não se informam. Só querem saber de festas, alegrias da vida, novelas, youtube, whatsapp... Mas quem condenaria essas pessoas? O caminho do conhecimento é bem árduo.

Eu também gosto de todas essas coisas, mas amadureci cedo e entendi desde nova que havia momento para tudo na vida. Há hora para estudar, para brincar, para dormir. Deve haver uma adequação para tudo na vida, não é mesmo? Mas é isso, essa é uma das minhas reflexões sobre a sala de aula e sobre a prática docente. Espero que eu faça mais!


Rafaela Valverde


quinta-feira, 4 de maio de 2017

Minha trajetória acadêmica

Em 2010 passei no vestibular da Uneb - Universidade do estado da Bahia para o curso de Pedagogia, que eu não sabia exatamente do que se tratava, mas como achava que queria fazer psicologia, achei que pedagogia tinha semelhanças com psico e lá fui eu. As aulas começaram no dia 12 de abril e ainda era tão menina, ia fazer vinte e um anos e estava noiva. Nessa época eu trabalhava e estudava e só vivia cansada, dormia na aula e não sei como eu consegui lidar com oito matérias assim. Uns dois meses depois fiquei desempregada e minha mãe que me ajudava com a faculdade. Casei no mesmo ano e continuei nos semestres seguintes com as oito disciplinas.

Depois de um tempo comecei a pegar menos matérias e fui ficando atrasada, separada das minhas colegas e amigas que tinha feito naqueles meses. Acredito que  isso tenha me desmotivado bastante, além  de uma monitoria que fiz e não recebi o dinheiro ao qual tinha direito e precisava. Por essas e questões de não gostar e não me adaptar com algumas disciplinas e questões do curso acabei abandonando. Eu não via mais graça em estar ali, fazendo aquele curso. Me sentia sem perspectivas.

Foi nessa época que passei a dar mais atenção ao blog e quis seguir o sonho de escrever, de ganhar dinheiro escrevendo e botei na cabeça que queria ser jornalista. Por que queria escrever de qualquer jeito. Até pensei em fazer letras, mas tinha horror à licenciatura e à sala de aula. Tentei entrar na UFBA em jornalismo e não consegui. No ano de 2013 depois de uns meses fora do Departamento de Educação da Uneb, decidi voltar. Mas durou pouco tempo. Minha falta de afinidade com o curso era latente, eu não me dava bem com a maioria dos professores de lá que eram muito arrogantes. Não tinha motivação para ir até lé, nem para fazer as atividades, nem de olhar para as caras dos professores. Saí de novo e dessa vez pra valer.

Em 2014 depois de mais um Enem tentei novamente o curso de jornalismo na UFBA e não consegui. Porém fiz um vestibular na Unijorge e passei, consegui um FIES e fui fazer jornalismo nesse centro universitário privado. Não me adaptei muito bem lá. A universidade parece um shopping, com praças de alimentação bem grandes e quase nenhum apoio a alunos de baixa renda. Me sentia deslocada, um peixe fora d'água. Fora que a sala que eu estudava era super barulhenta e imatura, me sentia estudando em uma escola de ensino médio. Fora que com boletos todo mês e o salário que eu ganhava não estava dando, daí decidi usar a mesma nota do Enem e ganhar uma bolsa em uma universidade diferente e melhor. Consegui a bolsa e ia começar o semestre no mês de agosto de 2014. Enquanto isso, minhas colegas estavam se formando. 

Faltando poucos dias para começar o semestre na FSBA - Faculdade Social da Bahia eu recebi uma ligação  avisando que não havia formado turma para jornalismo e que o curso estava praticamente extinto na universidade. Eu teria que escolher outro curso ou desistir da bolsa. Dentre os cursos que me ofereceram fiz a merda de escolher um. Eu não acreditava mais que pudesse entrar na UFBA  e seguir a carreira acadêmica que eu tanto sonhava. Então eu escolhi psicologia. Entrei sem semestre definido e pegava disciplinas introdutórias misturadas com as mais avançadas e não entendia os conceitos básicos tendo certa dificuldade em acompanhar. Sentia o tempo todo que me formaria sem nenhuma perspetiva, não me sentia feliz ali, nem no curso e nem na faculdade. Fora que é perto do campus da UFBA em que estudo hoje e pegava os mesmos ônibus que vários alunos da Federal que ali desciam e ficava pensando que meu lugar era ali, que um dia eu gostaria de descer antes, naqueles ponto.

O que começou a me tirar daquele curso e daquela faculdade foi a dificuldade em estudar. Os textos eram longos e meu tablet havia quebrado, me impossibilitando de ler a maioria dos textos. Eu teria que tirar xerox ou imprimir todos e não tinha grana para isso, apesar de estar trabalhando na época. Comecei a tirar notas ruins e a faltar nas aulas de sábado, já que trabalhava aos finais de semana. Eu sabia que tinha que sair dali e exatamente no meio do ano de 2015, no SISU do meio do ano eu decidi que eu iria para a UFBA em qualquer curso. E eu entrei em Letras. De primeira. Sabe se que as notas de corte desses cursos são bem baixas e não foi tão difícil. Fiquei muito feliz. Acho que foi um dos poucos dias mais felizes que tive naquele ano. Dia 15 de junho de 2015. A universidade estava em greve, fiz matrícula, mas só comecei a ter aulas em janeiro de 20016, ano passado e hoje estou no quarto semestre e realmente estou onde eu merecia, precisava e queria estar. Eu dou aulas particulares de Português e agora vou assumir salas de aula em uma escola estadual. Eu estou muito feliz e realizada na minha vida acadêmica. Eu amo ensinar. Eu já faço pesquisa e sou bolsista de Iniciação Científica. Eu vejo  a realização do meu sonho chegando, chegando aos poucos. Eu tenho contato mais direto com literatura, algumas disciplinas de literatura do curso são fascinantes e eu adoro entrar naquele portão todos os dias. Por mais que a coisa não seja fácil. É muito estudo. É tudo bem diferente de todas as universidades em que já estive. Mas eu adoro, finalmente me encontrei.

Não desista do seu sonho, não hesite em sair de algo que não te faz bem, onde você não quer estar. Saia e vá atrás do que realmente você quer. Porque uma hora dá certo. Essa é a loucura da minha vida acadêmica até agora, minhas desistências e conquistas. 



Rafaela Valverde

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Recife - Erel 2017


Estive esse mês pela primeira vez em Recife Pernambuco. Fui ao Erel - Encontro Regional dos Estudantes de Letras. Fui apresentar pela primeira vez meu trabalho de pesquisa. Tivemos alguns perrengues, eu e meus amigos, em relação ao acampamento e à organização do evento realizado pela UFPE, mas fora isso amamos Recife.

Eu pelo menos gostei bastante. Visitamos Olinda e Porto de Galinhas que são municípios próximos da capital. Essa foto acima é de Recife antiga, Marco Zero. Primeiro lugar que fui. Além de atividades acadêmicas na universidade, turistamos bastante na cidade e região. Tenho que dizer que sempre rola alguma comparação e eu senti inveja de Recife por dois motivos principais, claro que foram só cinco dias que estive lá, então minha análise é superficial. Então, os pontos que tive inveja da cidade foi que Recife conserva seus prédios históricos e consequentemente sua história. Pode ter problemas do tipo mas meus olhos encantados de turista viu poucos prédios mal conservados e nenhum em ruínas e perto de cair.

Como eu disse, pode ser que meus olhos tenham se enganado, mas foi essa a impressão que tive. A segunda inveja de Recife é relacionada à limpeza urbana. Sinceramente, alguém dizer que Salvador é uma cidade limpa deve ser cego. Soteropolitanos são muito mal educados e em a cada canteiro, bueiro e canto da nossa cidade é possível encontrar alguma embalagem de picolé ou garrafa de água. É só sair olhando atentamente os cantos da cidade, que vê fácil, fácil a sujeira de Salvador.

Eu observei os cantos de Recife também. Pouco, pelos poucos dias que passei lá, não é suficiente, mas ainda assim, notei que os cantos entre a rua e meio fio não têm garrafas de água, nem palitos de picolé como aqui na minha amada cidade. Perto da UFPE tem várias barracas de lanches e ponto de ônibus, por ali dá até para ver talvez um papel de bala ou outro que o vento leva, mas é diferente da sujeira que parece que brota do solo de Salvador. Enfim, eu acho que é mais uma questão de educação mesmo, já que o cidadão soteropolitano atira quantidades enormes de lixo pelas janelas dos ônibus e carros. É isso, é só minha impressão sobre alguns fatos que observei na cidade. E fora que Recife já tem BRT que é um tipo de ônibus mais rápido, com pontos específicos e que dizem que há anos que terá em Salvador também. Enfim, amei Recife, Ipojuca que é onde Porto de Galinhas e Olinda.




Rafaela Valverde

sábado, 25 de março de 2017

Alguém sabe o que é Brasil?


Esse texto é um pequeno ensaio produzido por mim para avaliação da disciplina Literatura Brasileira e a Construção da Nacionalidade do curso de Letras da UFBA.

Para o novo país, havia a necessidade de definição. Nações europeias já estavam aí há muito mais tempo. O Brasil era novo nessa coisa de ser pátria. As pessoas que habitavam o território brasileiro eram diversas já no período radical.
Um país com jeito de continente: como formar uma unidade? Com engendrar traços em comum que tornassem o povo, ou os povos que aqui viviam minimamente homogêneos? Era realmente possível? O fato é que hoje ainda não somos homogêneos, apesar das inúmeras tentativas. Graças a Deus, graças a todos os deuses, já que somos  um estado laico.
O querer ser nação foi inventado pela Europa, é claro. Ainda no século III no período do Império Romano, onde já existia esse tipo de política para impressionar e para dominar. Em Roma havia exército, guerras, corrupção, brigas políticas e dominação de povos. Segundo Ernest Renan, no texto O que é uma nação? foi a invasão germânica ao território românico que introduz no mundo o princípio da nacionalidade. É claro que esse conceito só seria desenvolvido mais tarde; a invasão foi uma base para o que conhecemos hoje. Portugal trouxe-nos de forma bastante contundente, ideias de nacionalidade como bom representante do continente europeu.
Renan escreve ainda que “[...] a essência de uma nação é que todos os indivíduos tenham muitas coisas em comum, e também que todos tenham esquecido coisas”. Dessa forma, para que uma nação seja nação, a maioria das pessoas deve compartilhar nuances de uma mesma cultura e ao mesmo tempo ocultar o que não interessa dessa mesma cultura. Em geral que é esquecido é algo ruim, ou considerado ruim ou ainda algumas culturas produzidas pelas minorias.  Existe uma crença que para o Brasil ser Brasil, se faz necessário que todos falem o mesmo português, gostem de futebol e carnaval, por exemplo. Ao mesmo tempo ser Brasil é estereotipar povos indígenas e pessoas pretas; é esquecer e ocultar escravidão e massacres desses povos; ser Brasil é acreditar piamente no mito da democracia racial, ser Brasil é  ”esquecer” de muitas outras perebas históricas e sociais de um jeitinho escroto regulamentado por nós mesmos.
Não dá para ser homogêneo. Não é possível que exista homogeneidade quando se trata de seres humanos com culturas, subjetividades e individualidades. Somos iguais perante a constituição brasileira e somos tão diferentes. Somos essencialmente distintos, isso não dá para mudar. Essas diferenças vêm de todos os fatores que já sabemos: miscigenação, intercâmbios culturais, etc. Se não há homogeneidade, tampouco é possível definir o “ser brasileiro” apenas por esse jeito de se pensar que é ser brasileiro. Não dá para definir através de futebol, carnaval, língua e novela. Aliás toda essa trama bem conduzida e interligada de que todo brasileiro gosta dessas coisas foi criada politicamente. Isso é óbvio. Como eu disse no início, era necessário vender o novo país ao mundo. E quanto a isso, meu texto é até repetitivo.
Vejamos: somos tão criativos em alguns casos que até o jeitinho brasileiro varia de região para região; duvido que o cara que burla qualquer coisa lá no Sul, burle da mesma forma que burlamos aqui no Nordeste. Nem todos gostamos de futebol, ou entendemos suas regras, como é o meu caso. O carnaval também não é unânime por aqui. Há também heterogeneidades na língua. Com dialetos e sotaques, ela não é igual em nenhum estado brasileiro.
Assim, não dá para definir nacionalidade através desses aspectos. Mas o que é ser brasileiro, afinal? “Uma nação é uma alma, um princípio espiritual.” (RENAM, P. 18) Para ele é invisível, para mim uma mentira. A nação brasileira inventada para satisfazer o resto do mundo é uma falácia.

 O próprio Renam afirmou em seu texto, que é preciso uma boa dose de  esquecimento para formação de nações.  Dessa forma exterminamos a maioria dos nossos índios, matamos pessoas pretas todos os dias. Essas ações, conscientes ou não, ajudam a ocultar o que não queremos em nossa pátria. O lado da história que queremos é o lado narrado pelo homem branco.
Nossa história começou a ser contada, como até hoje é, por homens brancos, europeus, heterossexuais. Histórias ou estórias que narram a grandeza do homem europeu que fez o favor de achar o Brasil e nos salvar dos povos indígenas selvagens que aqui viviam. Obrigada, gente!
A carta de Pero Vaz de Caminha é um dos exemplos da contação dessa estória, sim, para histórias fantasiosas é estória! A lenda do surgimento do Brasil e da nacionalidade brasileira estava esquecida e foi resgatada para ser um símbolo de brasilidade e orgulho da terra maravilhosa em que nascemos, olha que sorte!
O texto Quem foi Pero Vaz de Caminha? De Hans Ulrich Gumbrecht traz informações e reflexões importantes para refutar a carta. Caminha não só esteve aqui por apenas dez dias como também  não se sabe quase nada sobre o homem que primeiro descreveu o Brasil. Há várias outras questões no texto, listo aqui algumas delas: Pero Vaz de Caminha só esteve presente na expedição do “descobrimento” por causa de suas habilidades  para escrever. Portanto, ele já veio com essa função pré- determinada. Ou seja, a carta não foi fruto do fascínio de Caminha pelo país. Não era literatura, era um documento oficial para ser entregue ao rei de Portugal. Um relatório sobre o recém-achado país que serviria para enriquecer ainda mais a corte portuguesa. A carta descreve vários momentos  desses dez dias de convivência com  os índios: as comidas, os rituais. As danças, as relações sociais e os costumes. Tudo meio piegas  e estereotipado. O Brasil é um país rico e perfeito e é aqui que vamos nos estabelecer trazer nossos presos e extrair toda riqueza que for possível.
O texto, tratado até como literário, pode ser considerado o marco inicial dos textos nacionalistas, que montam o Brasil e o brasileiro baseado em conceitos que pretendem vender o país como paraíso tropical, com  um jeitinho malandro e lindas mulheres.
O termo nacionalismo traz uma ideia patriótica intrínseca, mas não é tão fácil definir. Não há um significado só. Nação e nacionalismo são o que querem que a gente pense que é. Para Benedict Anderson: “Nação, nacionalidade, nacionalismo, todos provaram ser de dificílima definição que dirá de análise.” (p.28)
Se Anderson está afirmando isso, quem sou eu para tentar aqui definir qualquer um desses termos. Mais a frente, o autor discute nação como algo inventado, como “uma comunidade política imaginada, [...] limitada e ao mesmo tempo soberana.” (p.22)
Dessa forma, há de se concluir que o Brasil enquanto essa nação alegre, festiva e receptiva, não existe. Não existe porque não existe um só Brasil, mas Brasis. Diversos, multiculturais, que vai além do Brasil que querem mostrar ao mundo. Parece que sempre existiu essa mania de querer difundir um Brasil especial, desde Caminha até hoje.
Especialmente a partir de 1930, quando houve uma mudança política no país, essa imagem articulada de um Brasil malandro e festeiro foi distribuída pelo mundo. Filmes, propagandas políticas, jornais, livros e gêneros literários espalhavam nosso jeito maroto de viver. Todos esses meios convergiam para confirmar a versão de Brasil  que pretendiam espalhar. Nós tínhamos e ainda temos um Brasil encomendado. Drummond, ciente disso, perguntou em seu poema Hino Nacional, se o Brasil existe mesmo e se existem mesmo os brasileiros? Esse Brasil e esses brasileiros encomendados e inventados? É a mesma pergunta que eu me faço.  
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Rafaela Valverde


terça-feira, 14 de março de 2017

O parque no domingo



Esse texto é um dos produtos da disciplina Criação Literária  do curso de Letras da UFBA, o tema é As moscas.


Era domingo e o parque estava cheio. A  tarde estava agradável e havia crianças por toda parte. Para a gente era dia de trabalho. Em um banco de cimento estava uma família: três crianças sentadas e um casal arrumando a toalha do piquenique. Brincavam, comiam doces e riam. Eram enormes como todos os humanos. Quase sempre matavam alguma de nós, sem querer. Nossos tamanhos eram desproporcionais, mas precisávamos arriscar.

Nos aproximamos timidamente. É injusto. As moscas voam e são bem mais rápidas. Há poucas notícias sobre mortes de moscas, enquanto há um bombardeamento delas em nossa colônia. Nossas amigas são esmagadas diariamente. Lá  estão as moscas, em cima da família, rondando, experimentando. Estão sempre presentes  e incomodam. Saem impunes. São livres. Voam rápido, saltitam, mesmo que sobre o lixo.

Iniciava o massacre. Algumas foram achatadas por pés ou mão desavisados. Nem toda formiga morria, mas em certos momentos quebravam nossas patinhas, impossibilitando nós de transportar a comida. Vivíamos presas ao chão, enquanto as mocas gozavam de inteira liberdade. Raramente alguém consegue atingir uma mosca. Parecendo, para nós, que as moscas são seres cósmicos super poderosos. Além de tudo, livres! Nossa, que inveja das moscas!

Do outro lado do parque, próximo de um carvalho de duzentos anos, vários pombos comiam farelos. Moscas disputavam espaço com as aves. Iam e voltavam da lixeira para comer restos de frutas, hambúrgueres e outros resíduos pútridos.

Duas moscas conversavam:

- As formigas estão de boa! Comem toda a comida fresca, quanto ficamos com naquinhos mal roubados ou lixo. Ainda temos que  fazer esforço para voar tão rápido.

- É, irmã, elas que têm sorte. Olha para lá, caminhando calmamente até a colônia, quanto eu tô aqui com a a asa machucada, voando para comer.

- Ainda temos que ficar aqui perto desses pombos nojentos, eca!

- Vamos, vamos lá para aquele banco. Aquela família tem bastante doce.





Rafaela Valverde

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Pequeno texto de frustração e convocação idiota


Nesse momento me vejo aqui frustrada apagando mais um e-mail de convocação do CIEE para quem tem inglês avançado e fluente. O dinheiro é bacana e eu não tenho inglês avançado. Mas qual é a porra do problema desse sistema? Manda vaga idiota para mim todo dia. Vagas para atuar pela manhã e/ou para dar aula de inglês. Eu faço Letras Vernáculas, será que sabem o que é isso? E estou pegando disciplinas pela manhã.

Próximo semestre não pegarei disciplina pela manhã, dizem que os estágios melhores são justamente esse horário. Eu mesma perdi uma vaga por isso. Eu não consigo entender por que coisas imbecis como essas acontecem comigo. E estou aqui mais uma vez apagando tristemente a porra do e-mail e me perguntando quando que minha situação financeira vai definitivamente melhorar.

Eu acordo cinco horas da manhã. Muita gente faz isso e ninguém nunca morreu, mas meu corpo parece ter algum tipo de problema com 05:00. Hoje, por exemplo acordei às cinco e meia e não fiquei tão cansada como fico quando acordo meia hora antes. Tipo, eu fico dormindo pelos cantos, durmo no ônibus, tenho dores de cabeça e sonolência. O problema é acordar cinco da manhã!

Minha aula é as 7h, tipo 7h15 no máximo já tem professor dando aula. portanto preciso chegar cedo. Essa cagada de pegar aula esse horário eu não faço mais. Ainda tenho que ficar nessa frustração de apagar e-mail com vaga de estágio que não serve para mim e não tem nada a ver comigo. É foda, tá foda. E por quanto tempo vai ficar foda. Eu odeio esses sistemas que mandam vagas erradas! Bom, era só isso, meu pequeno texto de frustração de hoje.





Rafaela Valverde

Amar - Florbela Espanca

Estou estudando, nesse momento, na faculdade de Letras a disciplina Literatura Portuguesa. Na prova que fiz na disciplina, semana passada, havia um poema da portuguesa Florbela Espanca.  Daí fui pesquisar essa autora. Eu já tinha ouvido falar dela há alguns anos, mas nunca tive um real contato com nenhuma de suas obras. Trago um poema dela, para que essa poeta se torne mais conhecida. Esse, porém, não é o poema que estava em minha prova.






Eu quero amar, amar perdidamente! 
Amar só por amar: Aqui... além... 
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente... 
Amar! Amar! E não amar ninguém! 

Recordar? Esquecer? Indiferente!... 
Prender ou desprender? É mal? É bem? 
Quem disser que se pode amar alguém 
Durante a vida inteira é porque mente! 

Há uma Primavera em cada vida: 
É preciso cantá-la assim florida, 
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar! 

E se um dia hei de ser pó, cinza e nada 
Que seja a minha noite uma alvorada, 
Que me saiba perder... pra me encontrar... 




Rafaela Valverde

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Que burra, dá zero pra ela!


Eu hoje estou ouvindo Los Hermanos, minha banda preferida. Eu cheguei e decidi que ouviria a sofrência deles, a poesia deles. Eu cheguei da faculdade depois de uma prova desastrosa, da matéria que está me acabando esse semestre: morfologia. Eu pela primeira vez na minha vida universitária chorei fazendo uma prova, no meio de uma prova.

Chorei e não tenho vergonha de falar. Essa situação toda, a universidade e alguns professores é que deviam se envergonhar de fazerem isso com a gente. Porque sei que não sou só eu sofrendo. Não dá para dizer que não me interessei, que faltei aulas, que não fiz os exercícios, que não li os textos, que não estudei. Não. É impossível dizer isso.

Eu fiz tudo isso. Desde que o semestre começou eu só faltei dois dias de aula e mesmo assim um foi no dia 21/12! Eu estudei esses dias como uma louca. Mas não caiu o que eu estudei, da forma que eu estudei. Os exercícios feitos em sala de aula tinham um nível e a prova teve outro nível completamente diferente. Eu fiquei muito frustrada, me achando incapaz, burra. Fiz até um desabafo no Facebook lamentando essa sensação de fracasso que a gente suporta dia após dia na universidade. O problema  está cada vez maior e mais sério e ninguém se importa.

Eu risquei a prova com força, eu não consegui me controlar, eu chorei e eu saí com os olhos inchados. Eu nunca me senti tão burra como me sinto nesse um ano que estou na UFBA. Um ano que se completa hoje inclusive. E assim que eu estou comemorando. Com um gosto amargo na boca, com essa sensação terrível de ser burra, cada vez mais burra. É uma disciplina pesada, com muitos conteúdos, muitos nomezinhos e conceitos confusos, muitas vezes até bem parecidos. É mais um desafio que perco, mas no entanto sei que justamente pela matéria ser assim, um exercício poderia ter sido feito antes para ajudar, mas enfim, não vou ficar culpando ninguém, nem mesmo a mim.



Rafaela Valverde

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Livros Sete Erros aos Quatro Ventos - Marcos Bagno


O livro Sete Erros aos Quatro Ventos de Marcos Bagno traz uma análise sobre alguns livros didáticos adotados pelo PNLD. Esses livros trazem estudos linguísticos pautados ou não - a às vezes mau pautados, na variação linguística e sociolinguística. Bagno critica de forma contundente certas formas de abordagens da língua portuguesa.

Há muitos exemplos dos LDs (Livros Didáticos) que são utilizados em sala de aula, exemplos de exercícios, abordagens, tirinhas, etc. O trabalho do professor de língua portuguesa também é destacado no livro, no sentido de ser bem formado e usar a sua formação para distinguir os bons LDs e as melhores formas de utilizá-los. Ou não utilizá-los quando não for necessário para a sua prática pedagógica.

Bagno também trata um pouco da formação de alguns dos escritores desses livros utilizados nas escolas brasileiras e aprovados pelo programa do governo federal e do MEC. Ele questiona como pode professores, mestres, doutores na área de letras tão bem formados - a maioria em boas universidades do Sudeste se propõem a escrever ideias tão arcaicas e ultrapassadas sobre a língua. Há muitos questionamentos ao longo de todo o livro.

Da formação dos professores ao uso da língua como mecanismo de poder diante de uma estrutura social, onde quem fala "bem" e "certo" é mais prestigiado socialmente e tem mais dinheiro e poder na sociedade. Essas pessoas ajudam a perpetuar a ideia de erro, a ideia de língua errada, desvios, língua selvagem e vários outros apelidos que dão às normas populares.

Bagno, a quem eu tive o prazer de conhecer em Brasília e que autografou esse livro para mim, traz de forma muito clara e direta informações e saberes sobre a nossa língua, sobre as variedades e sobre os principais erros cometidos pelos livros didáticos. Norma padrão não é o mesmo de norma culta! Norma padrão é um ideal de língua, ninguém fala a norma padrão. Ela é um padrão. Ela é tratada por Faraco - como bem citado por Bagno - como norma curta. Algo que querem que a gente fale e nos empurram guela baixo.


Rafaela Valverde

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Terapia


Comecei a fazer terapia. Finalmente. Sabia que precisava há muito tempo. Após uma série de desabafos de alunos da UFBA veiculados na mídia, falando sobre o mal estar que vivemos hoje na universidade, onde vivemos atolados e infelizes; surgiram várias iniciativas para terapias para nós alunos. Uma delas foi lá mesmo, na UFBA.

É uma terapia em grupo, com um psicólogo formado pela UFBA. O grupo inicialmente seria de dez pessoas mas estamos em seis. Já no primeiro dia, me fez muito bem ver aquelas pessoas passando por quase as mesmas coisas que eu venho passando. Sabe, de repente a gente deixa de achar que a culpa é nossa por não estar suportando e percebe que há uma instância maior, que atinge muitos alunos.

A gente não tem tempo para fazer quase nada do que a gente gosta no decorrer do semestre. A gente não conta com compreensão e flexibilização por parte de alguns professores. A gente tem que lidar com prepotência e desorganização. A gente praticamente não têm férias. A gente acaba odiando tudo isso. A gente odeia a área que a gente ama, a gente odeia ir às aulas, a gente odeia as pessoas. Tudo.

A gente só quer se formar logo. E assim tem gente lá do grupo que pega nove, sim eu disse nove disciplinas para poder terminar e se livrar logo. Isso é um sofrimento, é opressor. A gente passa até 12 horas dentro da universidade, a gente perde o prazer de fazer outras coisas, de fazer coisas que a gente gosta. A gente não têm mais tempo, na verdade. A gente pensa: "com tantas coisas para fazer, eu tô aqui vendo série, ou aqui vendo o pôr do sol."

É triste, é tenso. Mas estou conseguindo me libertar um pouco disso. Decidi que enquanto eu estiver sem trabalhar eu não vou estudar aos finais de semana e feriados, eu vou me organizando durante a semana e por enquanto está dando certo. Fico a semana toda atolada, mas consigo. Uma outra atitude que estou tomando para descansar a minha mente de toda essa agonia é ver um episódio da série que estou assistindo por dia. Ler outros assuntos, escrever, ouvir música, mesmo que seja no ônibus ajuda bastante. A nossa mente merece, o nosso corpo merece. Não dá para trabalhar o tempo todo, cumprir prazos o tempo todo e viver no standy by, no automático, sempre cansada, só sobrevivendo ao invés de viver plenamente.



Rafaela Valverde

quarta-feira, 5 de outubro de 2016

O "amarelo"


No último domingo estive na escola que estudei a minha infância inteira até os 14 anos. Há cada dois anos eu vou a essa escola que fez parte da minha vida. Vou lá votar. No último domingo após o fim das eleições eu esperava numa cadeira  e comecei a observar o pátio da entrada do colégio. Ainda há um telefone público na entrada. Lembro das ligações que já fiz naquele telefone público.

Olho para o chão, ainda é o mesmo. A estrutura é basicamente a mesma, mas há mais um portão e câmeras. Ao mesmo tempo em que a escola é a mesma, ela mudou muito. Saí de lá há treze anos e ainda nem tinha ensino médio quando saí. Era só até o ensino fundamental II. Lá fiz muitas travessuras, lá fiz amigos e inimigos que duram até hoje. Lá eu vivi coisas boas e ruins. Mais ruins, para falar a verdade.

Sofri bulliyng, sensação de fracasso escolar, "amores" não correspondidos e sofri a precariedade da escola pública. Eu vi aquela escola nascer e antes ela ainda era mais precária. Há vinte anos, eu tinha sete anos e estava na segunda série do ensino fundamental I. Havia saído da escola particular, onde estudei na pré escola e fui estudar nessa escola que era pequena, com apenas sete salas de aulas, quatro de madeira. Sim, a escola era um amontoado de compensado.

No ano seguinte começou uma reforma que durou mais de um ano, ficamos sem escola nesse ano. Minha mão não podia pagar particular e a outra pública era ainda pior, mas ainda assim era melhor que nada, até hoje não entendo isso, mas enfim... Quando finalmente a reforma foi concluída e a escola foi entregue com a estrutura que ela tem hoje todos nós ficamos maravilhados e achamos aquilo tudo a última e mais moderna revolução educacional. Até passamos a chamar carinhosamente o colégio de "amarelo" devido a cor do seu prédio. E é assim até hoje. Simplesmente amarelo e pronto.

Sim, então enquanto estava sentada lá esperando meu trabalho como presidente de mesa terminar eu vi num grande mural que tem logo na entrada um aviso informando que devido à morte da professora Graça as provas seriam canceladas e adiadas para a semana seguinte. Ela morreu no dia 27/09 e era uma professora que eu gostava muito, fiquei arrasada quando soube da notícia. Aquilo me encheu de tristeza e ao mesmo tempo saudade dos anos em que estive ali. Só queria prestar mais essa pequena homenagem a minha professora de português/ inglês de quase toda minha vida escolar e a escola que eu estudei que apesar de sofrer com a precariedade foi onde eu estudei.




Rafaela Valverde

domingo, 18 de setembro de 2016

No meio do caminho - Carlos Drummond de Andrade


No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.



Rafaela Valverde

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Sociolinguística

Imagem da internet
A partir dos anos 1960 os estudos linguísticos passaram a se interessar também por questões relacionadas à sociologia. A sociolinguística nasceu da preocupação com áreas como a antropologia, sociologia, psicologia relacionadas à linguagem e à sociedade. O termo sociolinguística surgiu em 1964 em um congresso organizado poe William Bright em Los Angeles. Porém, antes no início do século XX, já haviam iniciado os estudos e a preocupação com os temas e suas relações.

William Labov reage às ideias de Chomsky sobre a ausência de componentes sociais em seu modelo gerativo. Labov insiste na relação entre língua e sociedade e na possibilidade de sistematização da língua falada. Em 1963 ele publicou um trabalho que destacava fatores  sociais para entender as variações linguísticas. Esses fatores poderiam ser  idade, sexo, ocupação, origem étnica entre outros.

A língua falada é heterogênea e diversa. E é a língua falada, sua observação, discussão e descrição e  análise das situações reais, se torna o objeto de estudo da sociolinguística. Assim é estudado que cada comunidade linguística utiliza maneiras diferenciadas para falar. Essas diferenças são chamadas de variedades linguísticas. O conjunto de variedades utilizadas  em uma comunidade é o repertório e as variações podem estar inseridas nos planos diacrônico (histórico) e sincrônico (época determinada ou atual).

Há diferenças no português falado nas regiões brasileiras. Essas diferenças podem ser lexicais, fonéticas, fonológicas, sintáticas e morfossintáticas. As variações podem se relacionar ao lugar ou região (variação diatópica), à formalidade da situação de fala (variação diafásica) e a aspectos socioeconômicos, escolaridade e contexto social (variação diastrática).

Cada variação pode ocorrer em uma região do país por exemplo. Ou mais de uma. Vai depender da comunidade em que os falantes estejam inseridos. A variação é inerente às línguas naturais segundo a sociolinguística, por isso é inevitável que uma língua natural falada não tenha variação. A gramática normativa nega essas variações e  prescreve que falamos exatamente como escrevemos.

Daí pode se abordar o preconceito linguístico, já que as gramáticas normativas são feitas pela elite que exige que falemos como eles acham que é o português certo e bonito. Com isso as variação diastrática e diatópica, que são relacionadas à questão das classe sociais e de lugares menos abastados são a mais tolhida pela "elite" . Ou seja, para a classe dominante quem fala "errado" são as pessoas pobres, sem educação, desempregadas e que moram na periferia ou na região Nordeste. Porém a SL não considera variações como agramaticais, ao contrário, nossas variações de cada dia são inteligíveis e nós como professores temos obrigação de mostrar aos nossos alunos que existem diferenças linguísticas e que não há quem fale certo ou errado, melhor ou pior. Os alunos não podem ser menosprezados por suas variantes e sim devem ser conscientizados sobre a adequação a depender de onde eles estejam.



Rafaela Valverde


sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Sinais de pontuação

Imagem da internet
Hoje vou falar um pouco sobre pontuação. Muitas pessoas se atrapalham com pontuação, principalmente com vírgulas, ponto e vírgula, etc. Pois bem, os sinais gráficos de pontuação expressam, os ritmos e melodias característicos da língua oral na língua escrita. Os sinais estabelecem pausas e entonações do que seria falado, só que na escrita. Servem para separar palavras, expressões e orações que devem ser destacadas e ainda ajudam no esclarecimento de sentido de frases, afastando quaisquer ambiguidades. 

Vírgula
Indica uma pausa pequena que exige continuação. A vírgula pode ser usada em datas, para separar o nome da localidade; após os advérbios "sim" ou "não", usados como resposta no início da frase; após saudação de correspondência; para separar termos de uma mesma função sintática; A vírgula serve ainda  para destacar elementos como conjunção, adjunto adverbial, vocativo, aposto, etc. Pode substituir um travessão em expressões explicativas e muitas outras funções.

Ponto
 Indica o término do discurso ou de parte dele e geralmente indica uma pausa um pouco maior do que a vírgula. Usa- se ponto também em abreviações.

Ponto e vírgula
Separa partes de um discurso com uma mesma importância. O ponto e vírgula é um sinal intermediário entre o ponto e a vírgula. Ele separa partes de frases que já estão separadas por vírgulas e pode ser usado para separar itens em uma lista ou enumeração.

Dois pontos
Os dois pontos, um em cima do outro podem ser usados antes de uma citação, antes de um aposto, antes de uma explicação ou esclarecimento, em frases de estilo direto. Dois pontos, eu costumo dizer, deixam o leitor em alerta, esperando alguma coisa.

Ponto de exclamação
É usado para indicar entonação de surpresa, cólera, susto, súplica, etc. Os pontos de exclamação também podem ser usados depois de interjeições ou vocativos.

Ponto de interrogação
Como o próprio nome já diz, esse sinal indica interrogação, questionamento ou simplesmente pergunta. É usado em interrogações diretas ou indiretas.

Reticências
As reticências indicam que palavras foram suprimidas, indica também interrupção violenta da frase, hesitação ou dúvida. As reticências podem ainda demonstrar que o sentido vai além do que está sendo dito na frase, pode indicar as entrelinhas.

Aspas
São usadas para indicar citação de alguém ou de alguma obra e expressões estrangeiras, neologismos, gírias, etc.

Parênteses
São usados quando se quer explicar melhor algo que foi dito ou para fazer simples indicações.

Travessões
Indica mudança de interlocutor em um diálogo. Separa orações intercaladas, desempenhando funções  das vírgulas e dos parênteses. Travessão evidencia uma frase, expressão ou palavras.


Rafaela Valverde

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Enel 2016 em Brasília, eu fui!

Pessoas lindas que conheci em Brasília
Brasília foi incrível. Conheci pessoas maravilhosas que com certeza ficarão para sempre em minha vida. Sim, eu fiz amigos! E de pensar que levei dois livros achando que seria a louca solitária sem amigos durante uma semana em uma cidade desconhecida! Quem diria que eu ia me enturmar, que eu seria tão bem acolhida por uma galera incrível? Nem tenho como agradecer a Deus pelas pessoas que Ele às vezes coloca em minha vida.

Pois bem, fiz amigos, me diverti, assisti palestras e comunicações acadêmicas, especialmente voltadas para a literatura; dei muita risada, dancei nas festas, comi bem, conheci Brasília. Foi muito bom! O clima da cidade é meio louco. É seco, faz muito frio à noite e dormimos em barracas, mas ainda assim eu gostei bastante dessa semana que passei lá.

Encontros de estudantes são sempre bons, apesar de ser mal vistos por professores rola bastante discussão sobre os cursos que fazemos, sobre a carreira e sobre assuntos concernentes à universidade. Só que são discussões leves, de forma descontraída, fora do ambiente sisudo acadêmico e ainda com muita festa e farra. É isso. Planejei essa viagem desde março e ela aconteceu, sendo melhor que o esperado. Já quero o EBEL, Encontro Baiano de Estudantes de Letras que será em Santo Antônio de Jesus aqui mesmo na Bahia.




Rafaela Valverde

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Como fazer um resumo

Imagem da internet
Muitas pessoas não sabem como fazer um resumo. Acho que até hoje eu não sei direito (hehehe), mas já melhorei muito ao longo dos anos. Primeiramente antes de começar a resumir é preciso ler e reler várias vezes o texto. Em seguida é importante sublinhar os pontos considerados mais importantes do texto. Pode fazer um fichamento rápido.

É necessário ter uma noa noção de interpretação de texto para entender o que está sendo dito e quais são as ideias principais e secundárias. Em seguida, é bom organizar essas ideias principais em uma certa ordem com as suas próprias palavras. É interessante ter em mente o que está sendo dito no texto e como você explicaria esse assunto para alguém. Isso ajuda na hora de escrever.

Resumir basicamente é ler, analisar e escrever em poucas linhas o que é importante para o leitor saber. Não se deve copiar trechos do texto original, toda a escrita - apesar de se basear no texto original - deve ser de sua autoria, com as suas palavras e o seu estilo. O resumo deve apresentar de forma breve, concisa e coletiva um determinado conteúdo.

Apesar de não poder repetir as palavras do autor pode estar no resumo os exemplos e dados secundários dados pelo autor. O resumo deve ser coeso, um texto lógico, não um monte de frases soltas. Alguns autores indicam que há três tipos de resumo:

Resumo indicativo: Indica apenas os pontos principais do texto, não apresentando dados qualitativos, quantitativos, etc.
Resumo informativo: Informa ao leitor sobre o texto, sobre a conveniência da leitura do texto inteiro. Conta ainda com finalidades, metodologia, resultados e conclusões.
Resumo crítico ou resenha: resumo escrito por especialista com análise interpretativa de um documento ou texto.

Um resumo, como o nome já diz deve ser resumido. Se trata de um texto conciso. Partes desnecessárias como adjetivos, advérbios ou equivalentes. Diminuição de expressões por uma palavra, construções novas com substituições de termos que tornem o texto mais enxuto são essenciais para a elaboração de um bom resumo.

Informações como os dados do texto, autor, título ano de publicação e gênero da obra devem constar no resumo. Deve se usar conectivos para relacionar as ideias principais com as secundárias e assim escrever um novo texto. O autor do texto original deve ser mencionado diversas vezes ao longo do texto com expressões como: "segundo o autor", etc.


Rafaela Valverde



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