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sábado, 22 de julho de 2017

Só posso dizer - Nando Reis




Tenho pensado muito nessa música. E escutado. E refletido  sobre minha vida, através dela. Linda música. Amo Nando Reis. Vejam o clipe e acompanhem com a letra. 

Cada um de nós tem o seu próprio jeito de ser
Mas tudo que foi feito
Só fizemos juntos
Porque você ouviu a minha, e eu, a sua voz
Tudo que dissemos sempre teve efeito mas sobra
Um ou outro aspecto
E o inverso do direito é a busca do desejo sem culpa

Protegem as flores
Seus espinhos
Preferem os cactos
Que a solidão da noite assista a flor
Quando se abre

Mas eu só posso dizer
Que eu só fico bem ao seu lado
Eu já tentei com outro alguém
Mas não consigo dormir sem seus braços

Vou dizer
Que eu só fico bem ao seu lado
Eu já tentei com outro alguém
Mas não consigo dormir sem seus braços

Cada um de nós tem um enorme respeito e após
Todo esse tempo
Que estivemos juntos
Você lutou por mim, e eu por você
Tudo que enfrentamos sempre demos um jeito tão nosso
É isso que eu adoro
O inverno é o silêncio
É quando a terra aguarda

Protegem as flores
Seus espinhos
Preferem os cactos
Que a solidão da noite assista a flor
Quando se abre

Mas eu só posso dizer
Que eu só fico bem ao seu lado
Eu já tentei com outro alguém
Mas não consigo dormir



Rafaela Valverde

Filme Um Contratempo

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Assisti recentemente o Filme Contratiempo traduzido para Um Contratempo. O filme espanhol do ano passado está disponível no Netflix.  Em alguns sites vi  informam que o filme lançou em 2016 e em outros em 2017. Enfim. Dirigido por Oriol Paulo, o filme é passado na Espanha e estrelado por  Mario Casas, Bárbara Lennie, Ana Wagener, etc. É um Policial, Suspense.

 A vida de Adrian Doria (Mario Casas) estava indo muito bem. Prosperava nos negócios e tinha uma bela família, até que  um dia acorda em um quarto de hotel  ao lado da amante morta.  Com o quarto trancado por dentro e sem nenhuma outra opção de entrar e sair, Adrian se vê automaticamente incriminado pelo crime. Sua vida agora vai se basear em se defender do crime que ele diz não ter cometido. Para ajudar ele contrata a melhor advogada de defesa do país, Virginia Goodman (Ana Wagener) que vai repassar com ele todo seu passo a passo e tentar provar sua inocência.

O filme é um excelente suspense. Sabe, daquele que prende até o final?  Eu estava deitava e de repente levantava para ficar mais perto da tela. Queria ver os detalhes com atenção. A câmera mudava o tempo e o local do filme nos momentos em que realmente era necessário. O momento do filme pedia algum esclarecimento, logo a cena mudava e uma explicação era dada. Ou não. Porque nem sempre o que se achava que era verdade, era efetivamente rea. O filme mudou de perspectiva e passou a ser narrado por outro ponto de vista. O vilão mudou. E a trama estava toda interligada. Filme instigante, recomendo.


Rafaela Valverde

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Sem contatinhos

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Não, eu não estou mais afim de ser contatinho. Eu não quero mais ser um dos contatinhos de alguém. Eu não mereço ser só isso. Eu agora estou querendo muito mais que isso. Quando terminei meu último relacionamento, depois de termos reatado há menos de dois meses, eu até fiquei feliz com a solteirice que surgia naquele momento. Mas é claro que tinha que comemorar. Eu não ia ficar por baixo e choramingar o fim de um namoro falido. Tinha mesmo que comemorar minha solteirice e fazer postagens dizendo que ia pegar todo mundo e encher o celular de contatinhos. 

É claro que isso não aconteceu. Desde que terminei meu namoro, em fevereiro, eu só fiquei com uma pessoa e é com quem eu tenho estado, de vez em quando, até então. Porque descobri que não tenho mais interesse em ser e em ter contatinhos. Essa minha fase já passou há um tempo e é algo muito pequeno para mim. 

Eu quero mais, muito mais. Eu sou mais. Eu preciso de mais. Eu quero alguém que eu possa ligar quando algo me acontecer, mesmo que seja uma coisa idiota, apenas algo engraçado, como um tropeço no meio da rua; eu quero alguém que pegue na minha mão quando eu estiver mal e beije minha nuca só pelo ato de me acarinhar. 

Eu quero alguém que cozinhe pra mim, compre vinho e me faça sentir importante. Eu quero acordar com alguém me olhando. Eu quero edredom e brigadeiro em dias frios. Eu quero preparar jantares desastradamente românticos como só eu sei fazer. E quando a comida queimar ou passar do ponto eu quero simplesmente pedir uma pizza e que a pessoa me olhe compreensivamente e diga que essas coisas acontecem e não ajude a me sentir ainda mais culpada.

Eu quero sair para comprar roupas e trazer roupas masculinas junto com as minhas, eu quero escrever poemas e cartas, eu quero me sentir tão especial, mas tão especial, que ninguém  vai ter a capacidade de me colocar para baixo. Eu quero que o assunto flua entre mim e essa pessoa e não apenas ter que ficar inventando assunto e falar do tempo chuvoso.

Eu preciso de algo que meros contatinhos nunca vão me proporcionar. Eu quero uma coisa que saídas casuais, amizades coloridas ou sei lá mais o quê, não vão conseguir dar conta. Eu quero ter com quem compartilhar minha vida, alguém que realmente se interesse por ela. Alguém que me escute, mas também que eu possa escutar. Porque eu amo escutar. Eu quero alguém que só de me olhar já me dispa e me deixe afim de qualquer coisa.

Contatinhos, por melhores que sejam, por darem a ilusão de liberdade, por mais fofas que sejam as pessoas envolvidas ou ainda por mais tempo que dure a amizade colorida, não dá tempo para desenvolver todas essas coisas que eu quero, todas essas coisas que minha alma quer e todas essas coisas que fazem os olhos brilhar as mãos tremer e surgir um envolvimento emocional, real, daqueles que todo mundo pretende ter um dia.




Rafaela Valverde

domingo, 16 de julho de 2017

Casas de sentimentos

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Nós somos casas de sentimentos. Todos nós. Não existe uma pessoa que não tenha sentido um dia, não existe alguém que não tenha amado um dia. Por mais que hoje não queira amar, já amou, já sentiu. Somos poços transbordantes de sentimentos.

Um texto de um amigo do Facebook me inspirou para escrever sobre isso. Sobre o sentimento. Sobre a expectativa dos sentimento que às vezes depositamos no outro ou em nós mesmos. Em nós mesmos, porque não queremos mais sentir e sentimos ou no outro, porque gostaríamos que ele sentisse e ele não quer ou não consegue mais.

Ainda que digamos que não criaremos mais expectativas porque elas não são animais de estimação e muitas outras piadas que contamos sobre o assunto, sempre há uma pontinha de expectativa. Por mais recôndita que esteja, por menor que seja, ela vai estar lá. A danada da expectativa. Por mais que tentemos evitar, sempre queremos que o outro faça ou sinta por nós minimamente o que fazemos ou sentimos por ele.

Sim, esperamos reciprocidade. Sempre. Não existe essa pessoa que diga que é capaz de sentir sozinha, sem esperar esperançosamente (perdoem - me a redundância!) que o outro sinta, se não a mesma coisa, pelo menos um pouco parecido. Queremos atenção, cuidado, afeto, alguém que se interesse por nossas vidas, para que nos sintamos menos medíocres.

Mas como meu amigo do Facebook escreveu, ninguém merece depositar cargas emocionais, expectativas, sentimento, atenção, cuidado em alguém, sem receber nada em troca. Nem ao menos um: "como foi seu dia?" Ninguém merece e ninguém precisa disso. É por isso que cada vez mais escondemos e evitamos nossos sentimentos. O ato de sentir é tão forte que precisamos evitar o máximo que for possível. Limpamos a casa, tiramos os móveis, desinfetamos -na. E ela deixa de ser a casa dos sentimentos bons para ser a cada do medo, da desconfiança, do olhar triste e até mesmo da frieza. Ninguém merece uma casa assim. Ninguém merece uma casa vazia. 





Rafaela Valverde

sábado, 15 de julho de 2017

Lua Adversa - Cecília Meireles

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Tenho fases, como a lua.
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha.

Fases que vão e vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!

Não me encontro com ninguém
(tenho fases como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...




Rafaela Valverde

Não é mulher livre que não serve para namorar, e sim homem machista!

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Alguns homens dizem que não são machistas, mas são. Vivem afirmando que não tratam mulheres como objeto mas mexem com a gente na rua; vivem dizendo que não fazem separação de mulher para namorar X mulher para comer e vivem deixando mulheres livres com a sensação que só servem para serem comidas.  Eles vivem dizendo coisas que não fazem na prática.

Conheci pouquíssimos homens que realmente não tiveram esse pensamento retrógrado de que mulher 'dada' ou 'atirada' ou sabe lá Deus o que mais eles inventam sobre mulheres que transam quando querem e que fazem o que estão afim com seu próprio corpo. É impressionante como adoram rotular mulher livre. A primeira palavra que vem à boca desses homens é puta.

Ainda existe muito machismo nas cabeças masculinas, por mais que eles não percebam, reproduzem. Alguns homens acreditam fortemente que mulheres que vão à balada e usam roupa curta, por exemplo, não servem para namorar, casar, etc. Ainda escuto isso. O que eu quero é que os homens entendam que as mulheres, contanto que queiram, servem para qualquer coisa: casar, namorar, ter filhos...

Eu já senti esse olhar sobre mim e não só o olhar. Hoje nem tanto, porque estou bastante sossegada, excluí o Tinder e não pego nem gripe. Mas na minha época de pegação, cheguei a ouvir que eu era muito "dada" e muito polêmica. Que falava alto e que alguns homens poderiam ter "receio" em me levar para conhecer os pais. Sim, mesmo nas entrelinhas, foi o que eu ouvi. A parte do 'falar alto' foi bem direto mesmo, sem entrelinhas.

Eu faço a porra que eu quiser. Eu sento de pernas abertas, falo alto, xingo, bebo e minha gargalhada é estrondosa. Não sou obrigada a ser uma mocinha delicada e submissa para agradar macho. Mas percebo que é isso que eles procuram para namorar. A submissa que eles podem manobrar. Se for para ser solteira, serei a vida toda, porque nunca, mas nunca mesmo deixarei de ser eu mesma.

Enfim, então é isso, homens. Parem de tratar mulheres livres como mulheres que não prestam para vocês. Porque eu acho que na verdade, são vocês que não prestam para esses mulherões da porra que estão por aí sozinhas. Acordem! Todo mundo serve para todo mundo. Todo mundo serve para casar, namorar, trepar... Mas, 'homis' machistas talvez não sirvam para ninguém. Tomem cuidado, porque o jogo já está virando.




Rafaela Valverde


domingo, 2 de julho de 2017

Enredo para um tema - Adélia Prado


Ele me amava, mas não tinha dote,
só os cabelos pretíssimos e um beleza
de príncipe de estórias encantadas.
Não tem importância, falou a meu pai,
se é só por isto, espere.
Foi-se com uma bandeira
e ajuntou ouro pra me comprar três vezes.
Na volta me achou casada com D. Cristóvão.
Estimo que sejam felizes, disse.
O melhor do amor é sua memória, disse meu pai.
Demoraste tanto, que...disse D. Cristóvão.
Só eu não disse nada,
nem antes, nem depois.


Rafaela Valverde

Um dia ela percebeu


Um dia ela percebeu que só precisava dela mesma
Entendeu que é incrível mas também não presta
Não presta pra levar desaforo pra casa
Não presta pra ser menos do que é
Está mais para pôr-do-sol
Do que o nascer
O nascer é calmo, ela não
Ela entendeu que é sombria, mas ilumina todos ao redor.
Seu coração está leve
Suficiente para a alma que não aguenta pesos
De pesada basta a vida
Mas ela aguenta
E vive
Ela percebeu que se basta
Percebeu que só precisava de si mesma para viver
É fluída
É volúvel
É maravilhosa, costumam dizer
Mas, meu Deus, está sendo consumida pela solidão
Por que isso?
Por que é que ninguém quer pegar na sua mão?
E nem amá-la nos momentos de crise?
Será por causa da sua descoberta?
Ela sabe que só precisa dela
Tem certeza disso.
Mas está o tempo todo presente
Ela e ela mesma
Não é uma opção
O que ela gostaria de ter era a opção de ter mais alguém por perto
Para segurar sua mão
Para te abraçar no frio
E não mais ser consumida pelo tédio de ser sozinha
Estar  consigo mesma é maravilhoso
Tão maravilhoso, que ela quer dividir com alguém.
Um dia ela percebeu.



Rafaela Valverde



sexta-feira, 30 de junho de 2017

Desmergulha!


Mergulho na complexidade de quem você é
E assim me vejo afogada
Desfibrilada
Me socorrem
Me aplaudem
Como isso é possível?
Eu finjo que morri
Ou eu também me aplaudi?
Acho que não, né?
Deixa de bestagem!
Desmergulha!
Sai daí!




Rafaela Valverde

Você vicia


Sabe, você vicia!
Quando de manhã
Me levanto
Penso no dia
Que estarei em seus braços
Mas isso não vai acontecer
Desesperança
Desespero
Lágrimas
Me sinto adoecer
Porque preciso de você
E você não está aqui
Sou uma noite fria
Sem você
E um dia florido
Quando escuto a sua voz
em minha cabeça
Sabe, espero que um dia
eu te esqueça!
Mas não sei, viu?
Alguém me disse que não
Porque você vicia!




Rafaela Valverde

Rios sem discurso - João Cabral de Melo Neto


Quando um rio corta, corta-se de vez
o discurso-rio de água que ele fazia;
cortado, a água se quebra em pedaços,
em poços de água, em água paralítica.
Em situação de poço, a água equivale
a uma palavra em situação dicionária:
isolada, estanque no poço dela mesma,
e porque assim estanque, estancada;
e mais: porque assim estancada, muda,
e muda porque com nenhuma comunica,
porque cortou-se a sintaxe desse rio,
o fio de água por que ele discorria.

O curso de um rio, seu discurso-rio,
chega raramente a se reatar de vez;
um rio precisa de muito fio de água
para refazer o fio antigo que o fez.
Salvo a grandiloqüência de uma cheia
lhe impondo interina outra linguagem,
um rio precisa de muita água em fios
para que todos os poços se enfrasem:
se reatando, de um para outro poço,
em frases curtas, então frase e frase,
até a sentença-rio do discurso único
em que se tem voz a seca ele combate



Rafaela Valverde

sábado, 24 de junho de 2017

Transa no chuveiro


Estamos no banheiro. Ele tomava banho, e eu entrei. Queria provocá-lo. E queria fazer as pazes. Havíamos brigado na noite anterior. Encostei meu corpo nu em suas costas, enquanto o masturbava. Ele se animou, virou e me empurrou até a parede, me beijando. Assim, rápido, sem uma palavra sequer.

Seu beijo mostrava que estava bem excitado. Não havia mais briga. Chupou meu pescoço. Desceu para os seios com uma ânsia impressionante. Lambeu meus mamilos, mordicando de vez em quando. Sem aviso, ajoelhou, apoiou minha perna em seu ombro e começou a me chupar. Deliciosamente, do jeito que só ele sabe fazer. Eu me contorcia e gemia baixinho. Depois de um tempinho, parou e me olhou nos olhos, enfiou a língua em meu umbigo, depois foi subindo lambendo minha barriga até chegar em minha boca de novo.

Meu gosto estava em sua boca e eu adorava isso. O vapor esquentava as coisas, mas tive a impressão que não era só ele. Nós estávamos quentes também. Transar depois de uma briga é sempre muito gostoso. Estávamos nos beijando, quase engolindo a boca um do outro. Com uma mão só ele me virou de costas e me penetrou. Gemi alto.

Estava com a cara colada no azulejo quente do banheiro, gritando de prazer, salivando por mais e mais. Com minha mão apertava seu corpo contra o meu, para que ele continuasse e aumentasse a intensidade. Apertava sua bunda firme e macia e assim, gritando, gozamos juntos, caindo arfantes no chão do banheiro, a água quente caindo em nossos corpos cansados de prazer.



Rafaela Valverde

Lascívia


Meu corpo é pleno
Dele faço o que quero
Da língua ao dedão do pé
Não seja ingênuo
Eu não te pertenço
Eu me venero
Meu corpo de mulher
Você sempre será pequeno
Diante das minhas possibilidades de prazer
E eu espero
Que você aprenda
Que não é só meter
Meu corpo é sensual
Traz tantas possibilidades
E você aí nessa!
Acorda, homem!
Olha esse corpo que suplica um bom toque
E toca,
Pega,
Apalpa
Aproveita
Dá prazer.
Não seja ingênuo
Essa mulher não te pertence
Achando um que faça melhor
Ela se vai
Escorre pelas suas mãos
Escorrega da sua cama, seus lençóis de seda
Não a segurarão mais
Ela se vai
Mesmo pela  pior vereda
Ela precisa exprimir sua sensualidade
Precisa de prazer
Quer gozar!
E aí?
O que você vai fazer?
.

Rafaela Valverde

Em Chamas - Suzanne Collins ♥


Reli Em chamas de Suzanne Collins. O livro foi lançado em 2011 e eu li pela primeira vez em 2015. Eu amo a trilogia Jogos Vorazes, como vocês já sabem. Em Chamas é o segundo e traz novamente Katniss Everdeen e Peeta Mellark que mudaram os Jogos Vorazes e desafiaram a Capital. Nesse livro eles retornam à Arena.

Tudo parece diferente e ao mesmo tempo o mais do mesmo, mas o casal desafortunado do Distrito 12 não sabem nada do que os esperam pela frente. Eu gosto de Em Chamas porque ele não funciona como um intermediário, apenas para encher linguiça, preparando os leitores para o último livro. Não, esse livro traz emoções diferenciadas. 

Mais uma vez sentimental e ao mesmo tempo duro. Distópico, futurista, crítico das ações humanas, politico, feminista. As aventuras dos tributos que voltam à Arena para começar o 75º Massacre Quaternário são bem diferentes, a Arena funciona com uma nova dinâmica. Mas eles não estão lá ocm objetivo de matar uns aos outros e apenas um vencedor. É muito mais que isso. Dessa vez, o inimigo é outro... Ou sempre foi? Maravilhoso, amo!


Rafaela Valverde

História da flor - Carlos Drummond de Andrade


Furtei uma flor daquele jardim. O porteiro do edifício cochilava, e eu furtei a flor.

Trouxe-a para casa e coloquei-a no copo com água. Logo senti que ela não estava feliz. O copo destina-se a beber, e flor não é para ser bebida

Passei-a para o vaso, e notei que ela me agradecia, revelando melhor sua delicada composição. Quantas novidades há numa flor, se a contemplarmos bem.

Sendo autor do furto, eu assumira a obrigação de conservá-la. Renovei a água do vaso, mas a flor empalidecia. Temi por sua vida. Não adiantava restituí-la no jardim. Nem apelar para o médico de flores. Eu a furtara, eu a via morrer.

Já murcha, e com a cor particular da morte, peguei-a docemente e fui depositá-la no jardim onde desabrochara. O porteiro estava atento e repreendeu-me.

– Que ideia a sua, vir jogar lixo de sua casa neste jardim!




Rafaela Valverde

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Em Código - Fernando Sabino

 Gente, quando eu era criança e adolescente eu adorava ler  o que Fernando Sabino escrevia. Especialmente os contos e as crônicas. Li esse num livro de Irandé Antunes ontem e me lembrei desse período. Quis trazer para vocês, meus leitores. Aproveitem!



Fui chamado ao telefone. Era o chefe de escritório de meu irmão:
- Recebi de Belo Horizonte um recado dele para o senhor. É uma mensagem meio esquisita, com vários itens, convém tomar nota: o senhor tem um lápis aí?
- Tenho. Pode começar.
- Então lá vai. Primeiro: minha mãe precisa de uma nora.
- Precisa de quê?
- De uma nora.
- Que história é essa?
- Eu estou dizendo ao senhor que é um recado meio esquisito. Posso continuar?
- Continue.
- Segundo: pobre vive de teimoso. Terceiro: não chora, morena, que eu volto.
- Isso é alguma brincadeira.
- Não é não, estou repetindo o que ele escreveu. Tem mais. Quarto: sou amarelo, mas não opilado. Tomou nota?
- Mas não opilado - repeti, tomando nota. - Que diabo ele pretende com isso?
- Não sei não, senhor. Mandou trasmitir o recado, estou transmitindo.
- Mas você há de concordar comigo que é um recado meio esquisito.
- Foi o que eu preveni ao senhor. E tem mais. Quinto: não sou colgate, mas ando na boca de muita gente. Sexto: poeira é minha penicilina. Sétimo: carona, só de saia. Oitavo...
- Chega! - protestei, estupefato. - Não vou ficar aqui tomando nota disso, feito idiota.
- Deve ser carta em código ou coisa parecida - e ele vacilou: - Estou dizendo ao senhor que também não entendi, mas enfim... Posso continuar?
- Continua. Falta muito?
- Não, está acabando: são doze. Oitavo: vou mas volto. Nono: chega à janela, morena. Décimo: quem fala de mim tem mágoa. Décimo primeiro: não sou pipoca, mas também dou meus pulinhos.
- Não tem dúvida, ficou maluco.
- Maluco não digo, mas como o senhor mesmo disse, a gente até fica com ar meio idiota... Está acabando, só falta um. Décimo segundo: Deus, eu e o Rocha:
- Que Rocha?
- Não sei: é capaz de ser a assinatura.
- Meu irmão não se chama Rocha, essa é boa!
- É, mas foi ele que mandou, isso foi.
Desliguei, atônito, fui até refrescar o rosto com água, para poder pensar melhor. Só então me lembrei: haviam-me encomendado uma crônica sobre essas frases que os motoristas costumam pintar, como lema, à frente dos caminhões. Meu irmão, que é engenheiro e viaja sempre pelo interior fiscalizando obras, prometera ajudar-me, recolhendo em suas andanças farto e variado material. E ele viajou, o tempo passou, acabei me esquecendo completamente o trato, na suposição de que o mesmo lhe acontecera.
Agora, o material ali estava, era só fazer a crônica. Deus, eu e o Rocha! Tudo explicado: Rocha era o motorista. Deus era Deus mesmo, e eu, o caminhão.


Rafaela Valverde

domingo, 18 de junho de 2017

Malemolência - Céu

Veio até mim
Quem deixou me olhar assim?
Não pediu minha permissão
Não pude evitar, tirou meu ar
Fiquei sem chão

Menino bonito, menino bonito, ai!
Ai, menino bonito menino bonito, ai!
Menino bonito, menino bonito, ai!
Ai, menino bonito menino bonito, ai!

É tudo o que eu posso lhe adiantar
O que é um beijo se eu posso ter o teu olhar?
Cai na dança, cai!
Vem pra roda da malemolência

Menino bonito, menino bonito, ai!
Ai, menino bonito menino bonito, ai!
Menino bonito, menino bonito, ai!
Ai, menino bonito menino bonito, ai!

É tudo o que eu posso lhe adiantar
O que é um beijo se eu posso ter o teu olhar?
Cai na dança, cai!
Vem pra roda da malemolência

Menino bonito, menino bonito, ai!
Ai, menino bonito menino bonito, ai!



Rafaela Valverde

Quando você voltar


Quando você voltar
Pense na possibilidade
De não me encontrar
Mesmo que eu esteja aqui
Eu posso tentar fugir
Seus beijos mostram
O que você quer ocultar
Os sentimentos furtivos que por mim tens
Não adianta negar!
Seus olhos vão além e complementam a mensagem
Sei que me amas
Sei que não vai embora
Seu corpo não sabe ser sutil
Você disfarça mas  sabe me esquecer
Tentou encobri, mas me chamou de seu bebê
Eu ouvi
Eu percebi
Eu senti
E eu vivi
Até agora sem você
Mas o amor permanece aqui
Se fazendo perceptível cada vez que amanhece
Você dissimula
Tudo bem, eu te entendo
É forte e complexo demais
Nem todo mundo consegue lidar
Mas aqui no meu peito esse amor só se acumula
E nunca deixarei de te amar!



Rafaela Valverde

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Diva


Quero sentir sua boca roçando em minha pele
Quero sentir seu hálito cálido
E seu cheiro de frescor
Que me deixa louca

Quando o vento brincar com meu cabelo quero que você esteja lá
Quero que você esteja em todos os momentos
Eu não sei mais disfarçar

Quero acordar ao seu lado todo dia
Olhar seu rosto relaxado
Te observar enquanto dorme
Escutar seus barulhos noturnos
Era só isso que eu queria

Mas não tenho mais expectativa
Sei que não mais me amarás
Sei que não estarei mais ao seu lado
E você não vai estar lá
Roçando sua boca em mim
E me tratando como diva



Rafaela Valverde

A vida

Vou pensar
Vou penar
Vou chorar
Vou beijar
Vou sorrir
Vou sair
Vou cair
Vou levantar
Vou suar
Vou jogar
Vou cantar
Vou dançar
Vou trepar
Vou gemer
Vou viver
Mas nunca vou te esquecer.



Rafaela Valverde
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