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terça-feira, 5 de setembro de 2017

Vida aleatória e sem sentido

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A vida é como um filme, ou talvez até uma série. Com vários episódios, uns bons, outros nem tanto. Vai alcançando ápices de conflitos, realizações e conquistas. Mas também há aqueles episódios decepcionantes, em que não acontece nada. E as temporadas sem emoção, sem nada bom. Parece que foram mal escritas. 

Séries são escritas por alguém e não são aleatórias. Seguem uma lógica, ou pelo menos deveriam. A vida já nasce sem lógica. Aleatória e sem sentido como já diria W. Somerset Maugham. Não sei porque nasci, nem quando vou morrer. Só sei que vou morrer em algum momento. E é isso que dá sentido à vida: a certeza de que um dia a morte vai chegar. Isso impulsiona a vivência. Afinal, é preciso aproveitar a vida, antes que tudo acabe e vire um vácuo escuro.

Tantas pessoas nesse mundo. Só em Salvador são quase quatro milhões de pessoas. Mais de sete bilhões no planeta e eu aqui querendo que alguma energia superior olhe por mim. Alguns preferem chamar essa energia de Deus. Eu também, às vezes, mas creio que essa força, essa fé que nos impulsiona a acreditar em alguma coisa está dentro da gente.

Se faz necessário crer em alguma coisa para sobreviver, para não surtar ou entrar em depressão. Daí a gente inventa a fé e inventa Deus. Assim, continuo com o exemplo das séries para ilustrar a vida. A gente precisa acreditar nos roteiristas, nos produtores e atores para compreender e aceitar os destinos dos nossos personagens preferidos. Tendemos a acreditar que os conflitos de cada episódio são a vontade do roteirista, assim como deixamos certas coisas a cargo de Deus, como se fossem seu desejo. E nem sempre temos a comprovação de que isso é realmente verdade. Não temos como comprovar nada. Mas precisamos acreditar. Desesperadamente. Alguma coisa precisa fazer sentido para que possamos aceitar melhor determinados fatos da vida, ou a falta deles.

Aí vem nossos questionamentos sobre a vida, sobre as coisas que a gente consegue ou não na vida, mesmo que peça, mesmo que implore, mesmo que faça promessas. Enquanto isso pessoas ordinárias vivem bradando suas vitórias. A gente começa a se perguntar o que está fazendo de errado e porque simplesmente as coisas não fluem e porque a gente não consegue felicidade, paz e calmaria. É tudo muito injusto e repito: aleatório e sem sentido. Dizem que as energias que lançamos ao universo voltam para a gente exatamente como lançamos, portanto quando ajudamos as pessoas, somos gentis, não fazemos maldade e somos positivos essas coisas deviam retornar para a gente com coisas boas. Mas não é bem isso que acontece. Bom, pelo menos não para mim, pelo menos quase sempre, porque as coisas quase sempre desandam e eu me pergunto diariamente sobre isso.

E por outro lado vejo que pessoas falsas, fofoqueiras, invejosas, mentirosas e com mau caráter se dão bem na vida, ou pelo menos aparentam estar muito bem. Aí eu me pergunto porque a vida não funciona como as séries, filmes, livros, etc., onde os mocinhos se são bem e vivem felizes e os vilões morrem ou vão presos e sempre se dão mal. Como gostaria que a vida fosse uma série.


Rafaela Valverde

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Série Lúcifer

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A série Lúcifer estreou na Fox em 25 de janeiro de 2016 e já está na segunda temporada, que ainda não chegou na Netflix. Criada por  Tom Kapinos em 2015, a série é ambientada em Los Angeles, e se encaixa nos gêneros Drama, Fantasia, Policial.

Cansado de ser julgado no inferno e com tédio, Lúcifer decide vir à Terra conviver com os humanos. Lúcifer Morningstar, (Tom Ellis) como se auto denominou, abre a boate Lux e passa a se divertir em companhia dos moradores da agitada Los Angeles. Ele passa a auxiliar policiais locais a capturar bandidos ao lado da bela policial Chloe Decker (Lauren German).Assim vão acontecendo as aventuras da nova vida de Lúcifer que muda cada vez mais a medida em que se aproxima das pessoas. Até faz terapia. E sempre é interpelado pelo seu irmão Amenadiel (D. B Woodside) para que retorne para casa e às graças do pai.

A série é bastante irônica. Piadas bem feitas e reflexões sobre esse misterioso mundo que se divide entre céu e inferno, bom e ruim (ou não). Eu pelo menos, pensei em muitas coisas sobre a bíblia por exemplo. Coisas que nós, criados com forte interferência cristã, somos levados a acreditar desde cedo, desde a mais tenra infância. Mas será que as coisas são dessa forma mesmo? Não cabe nenhum questionamento? A série traz esses questionamentos o tempo todo. É transgressora. Não está muito aí para as críticas. derruba conceitos pré estabelecidos e ainda vai dar muito pano pra manga. Contando a história do anjo mais bonito e iluminado que se rebelou contra Deus e foi expulso do céu, indo parar no inferno para fazer maldades... Será?


Rafaela Valverde


Livro Machado - Silviano Santiago - Parte II

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 Texto escrito para avaliação da disciplina O Cânone Literário Brasileiro do curso de Letras Vernáculas da UFBA, onde estudo.

Não há espaço para best-sellers, desses que lotam as linhas de frente das livrarias nos dias de hoje – na Academia Brasileira de Letras. Nem no cânone. Mas, o cânone pode ser bastante relativizado. Cada pessoa pode ter o seu e dessa forma, um best-seller pode estar presente. São possibilidades. Tudo é possibilidade. Nada é estanque, sobretudo no que tange ao conhecimento e a literatura.

Porém, é correto afirmar que o cânone existe, os cânones existem desse sempre. E são necessários, pois não há como ler todas as obras literárias lançadas no mundo.

O próprio Silviano Santiago se apropriou da ideia de cânone ao construir o livro. Ele utilizou as leituras do próprio Machado, como por exemplo, Flaubert – olha ele novamente – autor que estava presente com todas as suas obras na estante do escritor brasileiro. Além disso, havia a forte presença do romancista José de Alencar, amigo do morador do Chalé do Cosme Velho. Não tinha como falar de uma personalidade tão intensa, sem passar pela crítica literária. Além dos demais aspectos que envolvem a literatura hoje e na época em que viveu Machado de Assis. 

Autores desconhecidos também fazem parte do bem tecido emaranhado literário que é Machado. Mário de Alencar foi um deles. Mário era filho de José de Alencar e melhor amigo de Machado de Assis. Além disso, era seu discípulo e protegido, auxiliado pelo autor de Memórias Póstumas de Brás Cubas, na eleição para a cadeira na ABL.

Mas Machado não tinha muitos amigos, especialmente após a morte de Carolina, sua esposa portuguesa. Especialmente nos últimos anos com as crises epilépticas e as ausências, como ele chamava os desmaios, e vertigens. Essas crises afetavam a saúde de Machado e o faziam passar vergonha. Mas as enfermidades também o aproximou de Miguel Couto, ex médico de sua esposa. Doutor Miguel Couto passa a ser médico de Machado também, a partir do momento da primeira crise epiléptica e posteriormente de Mário de Alencar que passa a apresentar os mesmos sintomas do mestre, do pai espiritual que ele considerava.

A melancolia acompanhava o velho bruxo. Junto com as ausências e as convulsões. Ele não se afastava do trabalho, mesmo com os problemas de saúde. O que Silviano traz para o livro é o convívio de uma pessoa idosa com uma saúde frágil. Saúde que lhe oferecia diversas limitações. Na alimentação, na locomoção e até nos passeios que fazia, especialmente pela livraria Garnier. Silviano faz um paralelo com a sua própria vida de homem idoso, morando sozinho e convivendo com a melancolia. Como ele mesmo afirmou em uma de suas entrevistas, o romance é um romance de sobrevivência. Daqueles que trazem personagens em seus últimos momentos de vida. Assim é com Machado de Assis, assim é com o próprio Silviano. Pelo menos assim ele se colocou, do alto dos seus 81 anos, como alguém que estava em sobrevivência. Aí, mais uma vez, assim como em vários outros momentos do livro, narrador, autor e personagem principal de confundem como se fossem um só. E confundem também o leitor.

Quando lemos, às vezes, fica difícil saber quem está se pronunciando ali. Quem está desenvolvendo aquela ideia, aquela crítica ou quem está contando a vida de Machado de Assis. O Rio de Janeiro se transforma, se moderniza, fica parecida com Paris, enquanto personagens e estórias vão se desenrolando. É claro que a história não pode ficar de fora, sobretudo a história da cidade do Rio de Janeiro, que desde essa época já sofria com ação de bandidos. Com muitas notícias e imagens de jornais da época, podemos saber como funcionava a dinâmica da cidade da época. Por exemplo, na página 181 há o episódio do assalto à casa do doutor Miguel Couto na rua Senador Dantas. Objetos de valor da família são roubados e em plena a luz do dia. “Não falta policial nem sobre ladrão. Falta é policial que percorra as ruas, patrulhando a cidade.” Afirma o narrador. Atual, não?


Outros episódios dão conta ainda da falta de infraestrutura que tomava conta da cidade. Faltava água e as pessoas ansiavam por chuvas. As pessoas pobres, durante o processo de urbanização e modernização do centro foram expulsas para as partes mais altas da cidade. Olha as favelas nascendo!  Machado de Assis tinha assistia com desalento a mudança da sua cidade. Para o que ele considerava ser pior. A cidade do Rio de Janeiro e sua história não podiam ficar de fora de um livro que fala tão detalhadamente de um dos autores que mais retratou em suas obras, a cidade maravilhosa.

E por falar em suas obras, o livro de Silviano Santiago traz alguns detalhes sobre seu último livro: Memorial de Aires. A construção dos personagens e a comparação com outros personagens dele. Memórias Póstumas de Brás Cubas também é analisada da forma “silvianica”. Ele traz referências à ciência, à bíblia, à literatura mundial, à arte entre vários outros assuntos que são abordados nesse preciosíssimo livro.
O capítulo nove, penúltimo,  Manassés e Efrain começa indicando a pouca vida que ainda restaria a Machado. Últimos meses de vida que se encerra em 29 de setembro de 1908. Esse capítulo destrincha a amizade de Mário de Alencar e Machado de Assis, confirmando a ideia que o primeiro esteve com o segundo até o fim. Um era bastante leal ao outro e na página 339 há a seguinte passagem: “Mário de Alencar é o alter ego do velho Machado de Assis, em quem ele confia como não se confia em imagem no espelho.” Essa é a ideia que o narrador ou Silviano Santiago tem da amizade dos dois escritores. Claro que houve muita pesquisa e com certeza era uma amizade muito boa mesmo, com lealdade. Será que Silviano tem um Mário de Alencar em sua vida? A amizade é um dos temas mais presentes no livro do crítico literário.

Por fim, o capítulo dez, Transfiguração, Silviano relaciona as leituras realizadas por Machado ao conjunto de sua obra e sua vida. “Machado de Assis tem na biblioteca tudo o que Gustave Flaubert e Stendhal publicaram no século XIX.” (p.379). Várias outras questões são abordadas nesse capítulo, é claro que para saber é preciso ler o livro, não vou aqui me adentrar em todas elas. Apenas estou pontuando e tentando “comentar” – já que analisar seria muita audácia da minha parte – as que mais me chamaram atenção.  Para finalizar devo aqui registrar que o livro é aberto com a pintura Transfiguração, de Rafael e nesse capítulo, o último e de mesmo nome, Silviano faz uma pequena análise do quadro e o relaciona com as crises convulsivas de Machado. Uma das hipóteses que Silviano cria é que há um rapaz com crises epiléticas no quadro, olhando para Jesus, que flutua no centro na imagem. 

Como já havia dito, o livro é um emaranhado –  a meu ver organizado – de informações, de saberes, de questões a serem abordadas. Seriam necessários vários anos e várias teses para analisar detalhadamente a obra de arte chamada Machado. E ainda assim não se daria conta. Para além do romance, da biografia, do rinoceronte e da sobrevivência, o livro é um compilado de cânones. O livro nasceu para ser cânone e daqui há cinquenta anos com certeza ele e seu autor serão lembrados. Como não deixar esse livro ser cânone? Como não permitir que seja? Como afirmar que uns cânones não devam existir? Provavelmente não é possível, pois, essa obra já nasceu para ser cânone. Já nasceu para consolidar seu autor, idoso e sobrevivente solitário em seu apartamento cheio de livros, como autor canônico. Autor que deve ser lido. E com certeza será.



Rafaela Valverde



Livro Machado - Silviano Santiago - Parte I

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Texto escrito para avaliação da disciplina O Cânone Literário Brasileiro do curso de Letras Vernáculas da UFBA, onde estudo.


Machado é um romance que não é romance. Uma biografia que vai além dos fatos da vida de alguém. Ensaio que já é o espetáculo. Espetáculo protagonizado pelo mímico do Cosme Velho, Machado de Assis. Retratada já em sua fase final, a vida de Machado de Assis foi bastante complexa.

Descendente de escravos, Machado sempre viveu de forma humilde. Conviveu com a escravidão durante grande parte da sua vida, até a abolição. Esta temática esteve bastante presente em sua obra. O livro retrata, porém os últimos quatro anos da sua vida. A partir de cartas escritas entre 1905 e 1908, Silviano Santiago construiu a grande obra biográfico-ensaística-romanceada-pitoresca e rica.

Além de uma grande homenagem, Machado pode ser considerado um bom almanaque de literatura. E não só brasileira. E não só de literatura. Almanaque de história, crítica literária e dos últimos momentos da vida do Bruxo do Cosme Velho.

Como o próprio Silviano Santiago declarou em uma de suas entrevistas: não era possível escrever um livro simples sobre a vida de alguém tão complexo como Machado de Assis. Por isso, o livro tão multifacetado. Não dava para ser uma simples biografia narrando fatos da sua vida e descrevendo dados e anos. Um romance simples, porém, não bastaria. Fazia-se necessário um livro grandioso, para a posteridade.

É claro que a intenção de fazer um livro como esse não é apenas homenagear um grande escritor e o fundador da Academia Brasileira de Letras. Não. Silviano quer deixar para o futuro, algo de si mesmo. O que ele próprio sabe sobre literatura. Seu mestrado na França, ilustrado pelo grande conhecimento em Flaubert não deixa mentir. Além disso, inicia- se a consagração do escritor como cânone da sua geração. Já que Machado foi e ainda é um autor legitimado no Brasil e no mundo. Há ainda de lembrar que o processo de urbanização do Rio de Janeiro, fator que incomodava muito o Bruxo do Cosme Velho, se comparava desde sua composição ao processo de urbanização de Paris. Onde quem esteve? Silviano. Eles estão ligados. Silviano Santiago se liga a Machado. Sua ligação com o escritor está também no fato de que Silviano nasceu, anos depois, na mesma data de morte do mímico: 29 de setembro. Silviano estende seu vínculo. Ele se transporta para o início do século XX e teima em conviver bem próximo ao grande escritor brasileiro.

O livro traz diversas imagens, mas nem precisava: com a confusão organizada entre narrador, autor e personagens, a trama já se estampa. Com uma bem feita metalinguagem, o livro consegue narrar, com literatura, a própria literatura. Além disso, há a descrição detalhada da urbanização do Rio de Janeiro, com seus principais meandros e consequências sociais.

Como já sabemos o cânone ou os cânones são listas de leituras escolhidas e implementadas por alguém. E que esse alguém geralmente é formado por mais de uma pessoa ou até mesmo instituições. Principalmente as universidades e seus grandes doutores críticos. Há a certeza, é claro que essas pessoas e universidades estão imbuídas de poder. A ideia de cânone foi criada e consolidada ao longo da história ocidental. Quando a igreja mandava, o cânone existia para determinar o que os fieis podiam ler ou não. E quem mais já teve poder nesse mundo que a igreja? 

Machado de Assis está no cânone. Ouso até dizer que Machado é ele mesmo, um cânone. Além de escritor, já respeitado na sua época, funcionário Público nomeado pelo imperador, Machado foi também o fundador da Academia Brasileira de Letras, como todos nós já sabemos. Antes, os encontros literários eram realizados na livraria Garnier. Os encontros cresceram tanto que nasceu a academia. A própria ABL – um siglazinha carinhosa – já estabelece um cânone. A lista de cadeiras dos imortais que ali se encontram confirmam bem isso. A rejeição do desconhecido Mário de Alencar também.


Continua...


Rafaela Valverde

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Filme A Vida Secreta das Abelhas

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O filme A Vida Secreta das Abelhas é um filme de 2008, estrelado por  Dakota Fanning, Jennifer Hudson, Queen Latifah, entre outros. É uma comédia dramática dirigida por Gina Prince-Bythewood. A história se passa nos EUA, durante os anos sessenta e traz a adolescente Lily Owens (Dakota Fanning) que vivia triste após a morte da mãe, causada por ela quando ainda era criança.

Depois da morte da mãe, o relacionamento com seu pai fica ainda pior. Um belo dia, depois de uma briga da babá  Rosaleen (Jennifer Hudson) com um homem branco na rua, Lily decide fugir com Rosaleen. Elas vão atrás das lembranças da mãe da menina e em uma cidade do interior encontram August (Queen Latifah), a mais velha das irmãs Boatwright, que conheceram sua mãe.

Além disso, as irmãs são donas de um apiário na cidade e produzem o melhor mel da região. Rosaleen e Lily passam um tempo com as irmãs Boatwright e aprendem como funciona o trabalho com as abelhas e com a produção de mel. Fora isso, elas passam a ter mais contato com o afeto e a união das irmãs.

Há uma certa tensão relacionada à questões raciais, já que novas leis de igualdade racial estavam sendo implementadas naquele período, especialmente a possibilidade de voto para pessoas negras. Havia uma grande luta e apesar de alguns direitos já conquistados, os negros ainda eram tratados como inferiores ou até mesmo animais.

Mas o filme não se trata somente disso. É um filme emocionante e bem feito. ótimas atuações e atrizes maravilhosas. Gostei muito e recomendo. Tem na Netflix!



Rafaela Valverde

sábado, 22 de julho de 2017

Filme Um Contratempo

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Assisti recentemente o Filme Contratiempo traduzido para Um Contratempo. O filme espanhol do ano passado está disponível no Netflix.  Em alguns sites vi  informam que o filme lançou em 2016 e em outros em 2017. Enfim. Dirigido por Oriol Paulo, o filme é passado na Espanha e estrelado por  Mario Casas, Bárbara Lennie, Ana Wagener, etc. É um Policial, Suspense.

 A vida de Adrian Doria (Mario Casas) estava indo muito bem. Prosperava nos negócios e tinha uma bela família, até que  um dia acorda em um quarto de hotel  ao lado da amante morta.  Com o quarto trancado por dentro e sem nenhuma outra opção de entrar e sair, Adrian se vê automaticamente incriminado pelo crime. Sua vida agora vai se basear em se defender do crime que ele diz não ter cometido. Para ajudar ele contrata a melhor advogada de defesa do país, Virginia Goodman (Ana Wagener) que vai repassar com ele todo seu passo a passo e tentar provar sua inocência.

O filme é um excelente suspense. Sabe, daquele que prende até o final?  Eu estava deitava e de repente levantava para ficar mais perto da tela. Queria ver os detalhes com atenção. A câmera mudava o tempo e o local do filme nos momentos em que realmente era necessário. O momento do filme pedia algum esclarecimento, logo a cena mudava e uma explicação era dada. Ou não. Porque nem sempre o que se achava que era verdade, era efetivamente rea. O filme mudou de perspectiva e passou a ser narrado por outro ponto de vista. O vilão mudou. E a trama estava toda interligada. Filme instigante, recomendo.


Rafaela Valverde

sábado, 24 de junho de 2017

Em Chamas - Suzanne Collins ♥


Reli Em chamas de Suzanne Collins. O livro foi lançado em 2011 e eu li pela primeira vez em 2015. Eu amo a trilogia Jogos Vorazes, como vocês já sabem. Em Chamas é o segundo e traz novamente Katniss Everdeen e Peeta Mellark que mudaram os Jogos Vorazes e desafiaram a Capital. Nesse livro eles retornam à Arena.

Tudo parece diferente e ao mesmo tempo o mais do mesmo, mas o casal desafortunado do Distrito 12 não sabem nada do que os esperam pela frente. Eu gosto de Em Chamas porque ele não funciona como um intermediário, apenas para encher linguiça, preparando os leitores para o último livro. Não, esse livro traz emoções diferenciadas. 

Mais uma vez sentimental e ao mesmo tempo duro. Distópico, futurista, crítico das ações humanas, politico, feminista. As aventuras dos tributos que voltam à Arena para começar o 75º Massacre Quaternário são bem diferentes, a Arena funciona com uma nova dinâmica. Mas eles não estão lá ocm objetivo de matar uns aos outros e apenas um vencedor. É muito mais que isso. Dessa vez, o inimigo é outro... Ou sempre foi? Maravilhoso, amo!


Rafaela Valverde

domingo, 18 de junho de 2017

Série Blindspot


Terminei ontem a primeira temporada da série Blindspot. E gostei muito. A série é americana, estreou em 2015 e foi criada por Martin Gero. O elenco conta com  Jaimie Alexander, Sullivan Stapleton, Rob Brown, entre outros. É uma produção de drama, suspense e ação que ainda está em andamento.

A série traz a história de agentes do FBI que se veem envolvidos em vários casos criminais e de corrupção, a partir de uma mulher, Jane Doe (Jaimie Alexander). com o corpo todo tatuado deixada em uma mala, sem roupas e desmemoriada, em uma das ruas de Nova York. Em uma das tatuagens há o nome do agente Kurt Weller  (Sullivan Stapleton), que logo se sente responsável por proteger a mulher misteriosa.

Assim, diversos casos se desenrolam a partir das tatuagens de Jane. Alguns casos estão em andamento, outros ainda vão acontecer enquanto cada tatuagem é decifrada. A identidade da mulher é revelada, mas nada é o que parece. Até mesmo os flashes de sua memória que vai voltando aos poucos podem não ser exatamente o que todos pensam.

A série é cheia de mistérios e conspirações. Muita ação, drama e suspense compõem os roteiros e as cenas, que são bem construídas e montadas, com boas interpretações. Percebi que algumas peças foram deixadas soltas, o que acredito que serão resolvidas ao longo das próximas temporadas. Uma série bem feita, com boas fotografias da cidade de Nova York e das outras locações. Cenas arrebatadoras, que prendem e deixam a gente com os nervos a flor da pele. Eu gostei bastante da série e recomendo!



Rafaela Valverde

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Livro O leitor


Terminei de ler o livro O leitor. Esse livro originou o filme que deu o Oscar de melhor atriz a Kate Winslet. Inclusive, assisti o filme antes e nem sabia que existia o livro. Descobri há bem pouco tempo. Comprei o livro por dez reais com uma menina que conheci no Facebook em grupos de vendas de livros.

Confesso que demorei de ler o livro, achei ele meio paradão. Meu ritmo de leitura de livros está bem lento, sobretudo por causa da faculdade e por casa das séries hehehe. O livro foi escrito pelo escritor alemão Bernhard Schlink e publicado em 1995. A adaptação para o cinema só foi feita em 2008.

O filme é bastante fiel ao livro. Há muitos detalhes, claro, que no filme não são contados. Essa parte gostei bastante. Alguns detalhes foram esclarecidos com a leitura. A história contada é a de Michael Berg, menino de 15 anos que ao ficar doente conhece a cobradora de bondes Hanna Schmitz, que tinha 36 anos. Eles vivem um caso tórrido de paixão e Hanna pede que o "menino", como ela o chama, leia para ela em voz alta. Muitos livros são lidos, entre uma transa e outra. E assim, o menino vai se descobrindo e amadurecendo.

Alguns anos depois, quando ele já havia se afastado de Hanna e estudante de direito, encontra a mulher que outrora amou, no banco dos réus. Ela havia sido guarda nos campos de concentração do nazismo, vitimando diversas mulheres em um incêndio. Hanna tem um grande segredo e pretende abrir mão de muita coisa para preservá-lo, inclusive da sua liberdade,

Michael narra o livro. E o quadro com que nos deparamos é ele narrando sua própria culpa e tristeza durante toda a sua vida, até o instante em que finaliza o relato. Culpa, saudade, dor, tristeza, saudade. A vida dele inteira girou em torno desse amor de adolescência. Amor por uma mulher incrivelmente misteriosa e fascinante. Leiam!



Rafaela Valverde

sexta-feira, 24 de março de 2017

Série Merli


Dois professores me indicaram a série Merlí e eu decidi assistir. Está no Netflix e eu não poderia deixar de dar uma espiada. Especialmente por se tratar de uma série catalã, cuja cultura e língua eu ainda não tinha tido contato e por se tratar de educação e filosofia. Merlí estreou na Catalunha em 2015 e a Netflix comprou os direitos de exibição no Brasil e nos EUA.

Só tem a primeira temporada, mas já quero a segunda! Merlí, professor que dá nome a série é um professor de filosofia nada tradicional. Ele chega à escola causando polêmicas com os outros professores e com os alunos que estranham sua forma de ensinar e agir. Desperta o ódio de alguns e o amor de outros. Um outro detalhe da série é que cada episódio é nomeado com um filósofo ou uma vertente filosófica como os peripatéticos. E nesses episódios com nomes de filósofos, as aulas e as histórias têm influências de certas ideias deles. 

Merlí é pai de Bruno, que também é seu aluno. Bruno é gay mas ainda está no armário. E as histórias vão se desenvolvendo a partir dos dramas dos alunos, da personalidade do professor-protagonista Merlí, que não é nada fácil e a partir de ideias filosóficas também. Vários assuntos são abordados, como conflitos entre pais e filhos, divulgação de vídeos íntimos na internet, bullying, homossexualidade, etc.

É uma série muito bacana. Bem produzida, com boas atuações e aquela gostosíssima língua catalã que inclusive estou estudando na faculdade, já que é uma língua românica, advinda do latim hahaha. É isso, gente, eu gostei bastante e recomendo. Para professores e pessoas normais (rsrsrs). Já que é uma série bastante divertida e dá para aprender alguma coisa sobre filosofia. Recomendo!



Rafaela Valverde

terça-feira, 14 de março de 2017

Filmes O silêncio do céu e Suíte Francesa


Assisti no final de semana dois filmes. Ambos na Netflix. O primeiro foi O silêncio do céu com Carolina Dieckmam. Do diretor Marco Dutra, o filme, que é um drama-suspense, se apresenta com duas nacionalidades: brasileira e chilena e é de 2016. O segundo filme foi Suíte Francesa. que segundo o Adoro Cinema também é do ano passado, o diretor é Saul Dibb e conta com Michelle Williams, Kristin Scott Thomas, Matthias Schoenaerts e outros no elenco. É um drama de guerra e romance e passado na França.

Este último traz a história de Lucile Angellier (Michelle Williams) que durante a segunda guerra mundial aguarda seu marido retornar enquanto convive com a sogra Kristin Scott Thomas). Enquanto isso, os franceses são obrigados pelos alemães a hospedarem seus soldados nas próprias residências. Assim, o soldado pianista Bruno von Falk (Matthias Schoenaearts) vai viver na sua casa, começando assim uma paixão proibida.

Já O silêncio do céu, Diana (Carolina Dieckmann), esconde um segredo de seu marido: ela foi estuprada dentro de sua própria casa. Ela não conta para o marido. Mas ele também tem seus mistérios e segredos. A partir daí, a trama vai se desenrolando de uma maneira muito peculiar. Eu gostei dos dois. Recomendo!



Rafaela Valverde


sexta-feira, 10 de março de 2017

Resenha acadêmica de Nove Noites - Bernardo de Carvalho - Parte III


Alguns dados foram encontrados, mas o jornalista optou em não atribuir juízos de valor às informações encontradas. Mas o fato era que ele, o americano, não gostava de estar no Brasil. Ele queria ir embora e escrevia isso em cartas sempre que tinhao portunidade.   Não   se   sabia   o   motivo   exato,   por   exemplo,   ele   poderia   ter   alguma inimizade com alguém, o que poderia ter resultado um homicídio e não um suicídio. Sim, houve essa especulação na grande colcha de retalhos que se tornou Nove Noites 

.Já quase no finalzinho do livro em um dos momentos narrados por Manoel Perna, ele conta que durante essas nove noites que esteve conversando com Buell Quainteve certeza que todas as histórias que ele contou pareciam confissões, mas de alguma coisa além do que parecia realmente estar contando. “Foi a preparação da sua morte.”Manoel afirmou ainda que não acreditava que ele, Buell, pudesse ter feito algo errado,mas que pudesse estar tentando dizer que se mataria em breve.

Nove Noites é um livro rico e em alguns casos se torna até meio repetitivo no que diz respeito à ausência de informações precisas sobre a morte de Buell Quain. Dessa forma, o livro traz narrativas dentro de uma narrativa. Já no final há uma nova história: o pai do jornalista-narrador está em um hospital internado ao lado de um velhinho bem doente que pode ter conhecido o antropólogo americano. Isso ele conclui depois de investigar o idoso já moribundo. Essa parte encerra o livro com chave de ouro, já que não se espera o que pode vir dessa nova narrativa apresentada dentro de um hospital. É surpreendente essa nova possível nova perspectiva da história. O que deixa ela ainda mais genial. O idoso internado é um fotógrafo que pode ter convivido com Buell um tempo e pode ser autor de uma icônica foto do americano. Ele envia cartas para diversas pessoas   nos  EUA  e   vai   até lá tentar   descobrir  mais algo   sobre   essa possível ligação. Na volta encontra se com um jovem “orgulhoso e entusiasmado” que vinha estudar os índios brasileiros. Perplexo, o jornalista brasileiro pensa em como aquela situação é irônica e como os mortos podem atormentar os vivos.




Essa resenha foi solicitada como forma de avaliação junto com um debate sobre o livro para a disciplina de Literatura Brasileira e a Construção da Nacionalidade do curso de Letras da UFBA- Universidade Federal da Bahia. E foi escrita por mim.



Rafaela Valverde

Resenha acadêmica de Nove Noites - Bernardo de Carvalho - Parte II


Ora, era justamente a ideia que Bernardo de Carvalho rechaça. Os índios devem ser tratados como gente, como os seres humanos que são. Com seus defeitos e suas virtudes. A ideia que ainda se tem sobre o índio é que além de ele ser passivo, é  oco e superficial.   Índio   não pensa,  índio   só   quer   umas   lembrancinhas  e alguém   que   os defenda. Essa é a ideia paternalista que o livro pretende desbancar. E consegue. O livro passeia por histórias e emoções, o livro vai e vem. E assim será esse texto, ele vagueará pelas histórias  contadas  em   Nove  Noites   e  pelo   mistério que   ronda  o  suicídio   do etnólogo americano.

Dessa forma, há de se falar da morte, da vida, das cartas e de tudo mais que possa ser interessante sobre a vida de Buell Quain. Essa busca pela vida do antropólogo está   diretamente   ligada   à   vida  do   narrador.  A  análise   desse   texto   buscará   ser   tão obsessiva quanto a busca dele. Portanto trechos e parágrafos se vão se misturar e se intercalar para contar essa (s) história (s).

O narrador, depois de adulto, retornou à comunidade dos  Krahô, acompanhado de   um   antropólogo  conhecido.   Ele   conheceu   o   velho   Diniz,   único   membro   da comunidade vivo que conheceu Quain quando ainda era menino. Havia a esperança de que ele falasse sobre local em que o americano havia sido enterrado e outras questões. O velho Diniz mal havia sido apresentado ao jornalista e foi logo pedindo seu gravador. Negando educadamente, ele informa que precisa dele para trabalhar, o índio rebate: “Lá em   São   Paulo   você   compra   um   igualzinho   e   manda   pelo   correio.”   É   um   trecho marcante, pois evidencia o quão os índios são humanos, o quão os índios que moram no Brasil são realmente brasileiros. Enfim comprovam que índio é gente e gosta de todas ascoisas que todas as outras pessoas gostam. O velho Diniz conta que os índios chamavam Buell   de   “Cãmtwýon”,   sendo   logo   questionado   sobre   o   significado.   Mas   não   há significado específico, ao contrário do que se pensa que sejam os nomes indígenas. Mais um estereótipo quebrado. 

Diniz   ainda  conta   que   o   antropólogo   americano  raspou  a   cabeça,   enquanto tomava banho no rio, no dia seguinte à sua chegada: ajudou em um parto, deu nome ao recém-nascido, mas não queria participar de nada. Não se envolvia em nada e passava dias escrevendo, não bebia muito e costumava ouvir música às vezes. Era um homem bastante   reservado.   Diniz   achava   que   ele   havia   enlouquecido   depois   que   recebera algumas cartas. Nessas cartas, que foram queimadas por ele antes de morrer, haveria anotícia de que a mulher o havia traído com o irmão.

Mas   essa   história   não   é   verdadeira.   Há   muitas   contradições   e   versões desencontradas sobre as possíveis causas do seu suicídio. A mãe e a irmã dele afirmam que ele nunca havia sido casado e não tinha irmão. Só irmã, mãe e um pai que eranmédico, mas não muito próximo dele. Há ainda várias hipóteses sobre o momento da sua morte: “foi se cortando todo, ainda de dia, descendo sangue”, depois “queimou dinheiro.” Havia ainda informações sobre ele ter queimado as cartas que recebera, pois elas nunca foram encontradas. Ele teria se cortado no pescoço e nos braços e depois se
enforcado. Enfim, como se vê, não há uma informação só sobre o inesperado caso.

Há relatos que o etnólogo sofria e que estava se cortando (foi questionado nomomento) e ele afirmara que “precisava amenizar o sofrimento, extinguir a sua dorcruciante.” Em geral, as pessoas atribuem o suicídio a sofrimento à depressão e é fácil perceber que o homem tinha picos  de tristeza  e crises existenciais. Ele em  alguns momentos interagia e estava bem. No momento seguinte, porém mudava o seu humor e se trancava.

“Ele se enforcou com a corda da rede num pau grosso, inclinado, quando os índios fugiram,” afirmou o velho Diniz. Pediu que fosse enterrado ali mesmo e seu pedido foi atendido. A sepultura foi marcada com talos de buriti e nenhuma polícia ou outra autoridade foi ao local. Não houve exumação nem abertura de inquérito e nem há registro em nenhum cartório ou fórum.

 A morte de Buell Quain foi esquecida, teve certa repercussão na época, mais entre o meio antropológico, além de ter sido um americano morto em terras Brasileiras. Nem a mãe e a irmã vieram ao Brasil ou solicitaram o envio do corpo. Não. Ele ficou esquecido lá nos confins do norte do Brasil. A colcha de retalhos de informações e especulações sobre esse suicídio nunca foi concluída. As costuras não combinam entres i e sempre há alguma discrepância entre elas. Nunca se chegará a nenhuma conclusão sobre o que teria levado o jovem americano a se matar.

Foi   observado   que   há   algumas   insinuações   sobre   uma   possível homossexualidade   do   etnólogo.   Em   alguns   trechos   das   narrativas   apontam   como estranha a ausência de mulheres na vida dele. Ele não tinha amantes, não olhava para as índias, não era dado a aventuras sexuais, era bastante recluso. Outro ponto que pode ser interpretado como insinuação sobre a sexualidade de Buell seria uma das últimas cartas que ele escreveu ao cunhado, e somente a ele, antes de morrer. Para muitas pessoas poderia passar despercebido, mas não é esse o caso. Há também o fato de ele não se dar bem com o pai, seria um indício?

Em determinados momentos do texto é narrada  a viagem do jornalista, sessenta e  dois anos  depois. Ele mantém  um relacionamento mais  próximo com  os   índios, participa de rituais e reconstrói algumas imagens sobre os indígenas. Pôde ainda sentir um pouco a  sensação de estar próximo aos índios  e pesquisou bastante a vida do antropólogo. Cartas e fotos por exemplo. Em uma carta escrita em 4 de julho, menos de um mês antes de morrer ele escrevia: “Duvido de que em algum outro lugar no mundo existam culturas indígenas tão puras. Mas, a despeito de todas as virtudes do Xingu, gostaria   de deixar   o   Brasil   definitivamente   e   limitar   meu   trabalho   a   regiões.” Ele reclamava das dificuldades de trabalhar com índios brasileiros. “Acredito que isso possa ser atribuído à natureza indisciplinada e invertebrada da própria cultura brasileira.” Ou seja, os indígenas brasileiros, já naquela época não eram passivos como se imagina. E quase nada se alterou na cultura do povo brasileiro.



Continua...


Rafaela Valverde

sexta-feira, 3 de março de 2017

Livro Nos Bastidores da Censura - Deonísio Silva


Terminei ontem de ler o livro Nos bastidores da censura: sexualidade, literatura e repressão pós-64 de Deonísio da Silva. É um livro de não ficção publicado pela primeira vez em 1989, ano que eu nasci e cinco anos após o fim da ditadura militar no Brasil. Comprei esse livro por acaso em uma feirinha de livros baratos num shopping. Custou 10 golpínhos e me interessei por ele devido à minha pesquisa na Iniciação Científica que é sobre a escrita feminina nos anos 1970, justamente período da ditadura militar.

Inclusive utilizei duas citações do livro no meu relatório parcial de pesquisa, entregue ao CNPq. Gostei bastante do livro, principalmente no que diz respeito à análise literária  feita de forma crítica e contundente. Não gostei muito das partes que eram descritos os documentos de processos, etc.

Pois bem, o livro trata basicamente da censura do livro Feliz Ano Novo de Rubem Fonseca que havia sido lançado em meados dos anos setenta, no momento em que se autorizava uma abertura, ou distensão durante o regime militar. Há também informações e análises sobre outros livros, mas esse é o principal livro analisado, até porque Rubem processo a união e o ministro que havia autorizado a proibição do livro. Segundo o regime o livre feria "a moral e os bons costumes" e precisava ser retirado dos pontos de vendas.

Ao contrário do que se pensou, a procura pelo livro aumentou e o processo se espalho por anos. Vários argumentos que forma utilizados pelos advogados do autor, são justificados no livro através da crítica literária. Todos os contos do livro são analisados e conforme informações dos censores, eles incitam violência, impunidade e homossexualidade. Alguns fatos são bem curiosos e gostei muito de descobrir. Um dos livros mais baratos e mais úteis que já comprei. 




Rafaela Valverde

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Filme O Nome da Rosa


O Nome da Rosa é um suspense dramático de 1986, dirigido por Jean-Jacques Annaud e com atuações de Sean Connery, Christian Slater, Elya Baskin, entre outros. A história se passa no século XIV, no ano de 1327, período da Idade Média. Wiliam de Baskerville (Sean Connery), um monge franciscano e Adso von Melk (Christian Slater) seu pupilo, são secretamente convocados para uma missão em um rígido Mosteiro Beneditino na Itália. A missão era investigar a morte de um dos monges. O tradutor grego Adelmo teria sido jogado de um penhasco por alguma força maligna. Wiliam constata, após algumas investigações, que foi suicídio.

Há algo sombrio naquele lugar, Baskerville e seu pupilo têm certeza. Alguém fala logo no início: “o demônio ronda essa abadia”. Dessa forma o filme começa já com esse clima assustador, que claro, é ligado à figura feminina. Ao jovem Adso é atribuída uma imagem feminina e diabólica. Um jovem com olhos femininos.

Porém, um segundo monge morre e seu corpo encontrado de cabeça para baixo dentro de tanque, descartando assim a hipótese inicial de suicídio na morte anterior. Alguns monges associam essa morte como uma profecia do apocalipse, já que as arrumações do corpo supostamente faria referência a uma passagem bíblica do livro de mesmo nome. Aristóteles é citado, já que a vítima estudava as obras dele e as traduzia. A partir desse momento, a credibilidade de Wiliam fica um pouco estremecida e os monges líderes passam a ter dúvidas sobre sua capacidade de investigar o caso.
Coisas vão acontecendo durante as investigações. Wiliam percebe que pode realmente haver ali um assassino. A Comédia de Aristóteles, aquela que fazia parte da Poética e que se perdeu ao longo dos anos, passa a ser discutida por causa do gênero que faz rir. Ele é desvalorizado pela igreja. Um dos monges mais velhos afirma que o riso é demoníaco, deforma o rosto e faz as pessoas parecerem macacos, daí já é possível constatar a sisudez do período e daqueles monges. O riso afastava as pessoas de Deus, por isso a rejeição às Comédias. Esse monge grita de forma categórica que a Comédia de Aristóteles nunca existiu. A Comédia é vista como estimuladora do ridículo, o riso mata o temor Sem o temor não pode haver fé, pois sem temer o demônio não há necessidade de crer na existência de Deus.

O pupilo de Wiliam, Adso, se entrega aos prazeres da carne com uma mulher que rodeia a abadia em troca de comida. A mulher vista como feiticeira, aquela desvia o homem do caminho de Deus. O menino conta a aventura ao seu mestre, como amigo que lhe responde que a vida teria mais paz sem o amor.

Acontece a terceira morte: o corpo de mais um monge é encontrado em uma banheira com folhas de lima. Folhas de lima eram utilizadas em banhos para aliviar dores. Ele havia morrido afogado, após tentar aliviar as dores que sentia. Verifica-se, assim como nos outros monges, que as pontas dos dedos e a língua estavam manchadas de tinta escura. E assim segue o mistério e as investigações.
Wiliam e Adso desconfiam cada vez mais dos segredos que rondam o mosteiro. Eles passam a ir mais a fundo na caça ao assassino. Os segredos estão relacionados a livros: proibidos e espiritualmente perigosos. Há uma torre cheia deles e poucas pessoas podem acessa-los. Chega a constatação de que os três homens morreram por causa de um livro que mata ou pelo qual um certo homem pode matar.
Alguns monges passam a se incomodar com a presença de Wiliam e pedem que ele vá embora e que as investigações sejam finalizadas.

 Mas eles não param de investigar e descobrem um porão nas fundações da torre da biblioteca do mosteiro. Alguns livros proibidos são encontrados. Wiliam afirma que ninguém deveria ser proibido de consultar estes livros de forma livre. Seu pupilo responde que talvez eles sejam muito preciosos e frágeis. Mas ele sabe que não é bem isso, eles contêm uma sabedoria diferente e ideias que podem fazer as pessoas duvidarem de Deus. E a dúvida é a inimiga da fé, ou seja, para acreditar é preciso ter certeza do que acredita. Se há uma possibilidade de dúvida da existência de Deus, em que as pessoas vão acreditar? Como as pessoas vão acreditar na igreja e na bíblia? Portanto, o conhecimento deve ficar oculto, especialmente esse tipo de conhecimento.

Enquanto isso, a mesma mulher que fez Adso se entregar aos prazeres da carne, se envolve em um ritual que pode ser considerado bruxaria, junto com um monge corcunda e um deficiente mental: Salvarote, Eles utilizam um gato preto nesse ritual que é logo associado às mortes dos monges. Ambos são julgados e condenados à fogueira pela inquisição. Nesse mesmo período está acontecendo no mosteiro uma votação que decidirá os gastos da igreja, justificando assim a presença de Wiliam e de outros membros da igreja. Desta forma, com a presença desses nomes da inquisição no mosteiro, é possível a realização da condenação dos envolvidos com bruxaria de forma mais rápida.

Não havia como contestar a inquisição e quem assim o fizesse seria acusado de heresia. Vivia- se a partir de normas estabelecidas por doutrinas cristãs. Não era possível discordar e dizê-lo em voz alta, pois a inquisição matava. E esses livros, os que haviam sido escondidos, eram vetores de discordância, por isso foram taxados como livros proibidos. Em suas páginas foram depositadas veneno, para que quem ousasse lê-los, morresse. O responsável pelo veneno é o mais antigo morador e mais velho monge, Jorge que é cego.

Um incêndio na torre, provocado acidentalmente por Jorge ao tentar fugir após ser descoberto, destrói alguns livros, mas Wiliam consegue salvar alguns livros e a sua própria vida. Os livros têm saberes que não podem mais se perder. Daí o desespero de Wiliam para salvá-los. E mesmo quando é questionado por Adso se se importa mais com livros ou com pessoas, ele não tem dúvida e permanece com a ideia fixa de salvar os livros também, pois sem eles, as pessoas não conseguirão contestar doutrinas e ideias da igreja um dia.

O filme conta com uma fotografia sombria e escura, o que é essencial para o clima sombrio da história e do local. As atuações são fortes e os diálogos são bem construídos. Sean Connery está no melhor papel da sua carreira junto com Christian Slater que ainda menino demonstra um pouco de insegurança, mas segura bem o personagem.

É um filme para se pensar nessas formas de viver durante a Idade Média. O poder da igreja imperava, mulheres, deficientes e quem quer que discordasse ou realizasse práticas condenadas pela igreja, poderia ser condenado à morte. E geralmente era o que acontecia. A inquisição se instaurou no século XIII para investigar e julgar pessoas consideradas hereges, ou seja, aquelas pessoas que discordavam do poder e das ideias da igreja católica.






Rafaela Valverde

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Série 3%


Terminei de ver a série brasileira 3%. É uma série exclusiva da Netflix com produção e atores brasileiros. Foi lançada no ano passado e a primeira temporada tem 8 episódios. Criada por Cesar Charlone e Pedro Aguilera, a série tem excelentes atores como João Miguel, Bianca Comparato, Michel Gomes.

João Miguel está maravilhoso com sempre. Que ator. Eu nem vou falar dele, vou falar só da série pois João Miguel daria um texto só pra ele. Enfim, 3% é uma série de Drama, Ficção científica, Suspense que foi bastante falada no final do ano passado quando estreou.  Ouvi falarem bem e mal também. Eu gostei bastante, especialmente por ser completamente diferente de tudo que eu já assisti produzido no Brasil. Particularmente, eu curto bastante a dramaturgia e o cinema brasileiros, então para mim foi mais fácil. Apenas não julguei.

Um ambiente futurista é o cenário da série, onde há a separação do mundo em um lugar devastado, o Continente e Maralto, um lugar extremamente moderno e bom de se viver. Todo jovem de vinte anos passa por uma seleção para ir para um bom lugar para "melhorar de vida". Eles passam por duras provas físicas e psicológicas, mas só três por cento desses jovens serão selecionados e poderão sair daquela vida miserável.

A trama que se segue a partir daí é tensa e cheia de suspense. A cada hora você é surpreendido, não se sabe o que vai acontecer no próximo minuto, e  novas histórias sobre os personagens são contadas ao longo dos episódios. Com uma fotografia sóbria e cinza e diálogos bem feitos a série para mim dá conta do recado. Devorei em poucos dias. Recomendo!



Rafaela Valverde

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Livro A Garota na Teia de Aranha - David Lagergrantz


O último livro que li em 2016 foi A Garota na Teia de Aranha de David Lagergrantz. Ele é a continuação da trilogia Millenium, trilogia sueca cujo o autor, Stieg Larsson, faleceu em 2004. Ele nem viu seus três livros serem lançados e o sucesso que fizeram. Eu adoro essa trilogia  e descobri por acaso quando tinha TV por assinatura, o filme Sueco Os homens que não amavam as mulheres. A partir daí comecei a pesquisar, vi todos os filmes, inclusive o americano e li os três livros.

No ano passado, houve o lançamento desse quarto livro, escrito pelo jornalista e escritor Davi, citado acima. Eu torci a boca para esse livro, pois só o via como um livro mercadológico lançado pela família de Larsson para ganhar dinheiro. Eu ainda acho isso, com a diferença de que agora eu li e devo admitir que é um bom livro. Apesar de meio repetitivo, David conseguiu captar as áureas dos personagens, especialmente os principais: Lisbeth Salander e Mikael Blomkvist.

O livro traz uma trama, literalmente. Uma trama, uma teia, como o próprio nome já diz, onde os personagens se ligam de alguma forma. O passado de Lisbeth vem mais uma vez à tona com a revelação de novos detalhes que ainda não eram conhecidos pelos leitores dos livros anteriores.

Agora, a história está fortemente ligada à tecnologia e à matemática. O autismo também tratado, com um pouco de fantasia, eu achei. Há algumas outras coisas que são fantasiosas demais, mas vocês terão que ler para saber. Mas o livro é bom, eu gostei bastante e praticamente o devorei. Recomendo a leitura!



Rafaela Valverde

domingo, 11 de dezembro de 2016

Filme Preciosa - Uma história de esperança

Assisti o filme Preciosa - Uma história de esperança de 2009. Desde o ano passado já haviam me indicado esse filme, mas só agora pude assistir. O filme  dirigido por Lee Daniels é estrelado por  Gabourey Sidibe, Mo'Nique, Paula Patton e ainda tem Mariah Carey no elenco.

A história de Preciosa se passa em 1987, no bairro do Harlem, em Nova York e Claireece "Preciosa" Jones (Gabourey Sidibe) é uma adolescente 16 anos que vive condições precárias, sendo estuprada pelo pai e espancada pela mãe. Preciosa já tinha uma filha, chamada de "Mongo" por ter Síndrome de Down, fruto dos abusos sexuais aos quais é submetida. E agora espera um outro bebê.

Um dia, recebe a orientação de ir para uma escola diferente, uma escola "onde um aprende com o outro" e nessa escola  encontra amigas verdadeiras e é durante esse período que tem seu segundo filho. A história de Preciosa é forte. Ela sofria bullying na escola anterior, é preta e gorda, além de todo o sofrimento que passa em casa.

A mãe depende dela para continuar ganhando dinheiro sem trabalhar, os abusos sexuais do pai continuam e todos os problemas que decorrem disso também. Até que um dia Preciosa recebe uma notícia que vai mudar sua vida para sempre.



Rafaela Valverde 

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Filme Orgulho e Preconceito


O filme Orgulho e Preconceito estreou em 2006 é baseado no livro homônimo de Jane Austen e  foi dirigido por  Joe Wright. Tem ainda atuações de Keira Knightley, Matthew MacFadyen, Talulah Riley. Um drama britânico que traz de maneira divertida a narrativa da história da escritora inglesa.

O filme retrata a história das irmãs Bennet que  moram no interior da Inglaterra e precisam lidar com várias questões da época. A época é  século dezenove e as moças precisam se casar. Precisam sair da casa dos pais e ter seus próprios maridos. As jovens moças precisam deixar de ser fardos para os pais e para isso elas fraquentam a sociedade, festas e bailes.A mãe das cinco Bennet precisa arrumar casamento para as filhas e assim, junto com o pai ela inicia uma corrida para ver qual casará primeiro.

Logo um homem solteiro vira o alvo dessa mãe e as investidas começam. A partir daí inicia - se uma série de acontecimentos e romances. O desenrolar da história é surpreendente e gostoso de assistir. Sim, o filme é gostoso de ver. Divertido e eu recomendo. Eu comecei a ler o livro de Jane Austen e não continuei mas depois que vi o filme, senti uma necessidade maior de ler o livo clássico e feminista.

Recomendo!


Rafaela Valverde

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Scandal


Terminei a quinta temporada da  série Scandal. É uma série dramática norte-americana. Passada em Washington, D.C, com grande foco na Casa Branca e na vida do presidente mais poderoso do mundo. Os bastidores da política americana são retratados com muita emoção e para quem não conhece os pormenores da política americana pode ser bastante útil. 

A série é de Shonda Rhimes a mesma criadora de Greys Anatomy, série de grande sucesso. E a primeira temporada foi lançada no país em 2012. Estrelada por Kerry Washington no papel de Olívia Pope, a série é inspirada na ex assessora de imprensa da Casa Branca durante o governo de George Bush: Judy Smith.

Olívia Pope agora trabalha na OPA. Olívia Pope Associados que é uma empresa que resolve problemas. Como a própria Olívia afirma é a melhor coisa que ela sabe fazer. É o que ela faz melhor: resolver problemas e "limpar a barra" de clientes que nem sempre são tão inocentes assim.

Vi algumas críticas à série na internet e em algumas coisas eu concordo. Há uma série de incoerências e histórias mal contadas na série. Um jogo perigoso é jogado o tempo todo, b613, Comando, espionagem, terrorismo, assassinatos, suspense... Mas a protagonista tem muitas oportunidades de resolver coisas e não resolve. Ela é meio inútil em alguns momentos.

Ela é egoísta e chata. Aquelas caras e bocas junto com os suspiros pelo presidente são irritantes. Eu acho maravilhoso uma mulher negra protagonista, mas a personagem não ajuda. Ela é arrogante e só pensa nela. Quase tudo o que ela faz é por ela mesma e não para ajudar as pessoas como ela mesmo fala. Mas apesar de Olívia, eu adoro essa série. Ela é alucinante, não dá para parar de assistir.

Agora é esperar o ano que vem para chegar a sexta temporada na netflix. Sem falar que há outros personagens memoráveis como Cyrus, Mellie, Abby, Huck, Rowan... Os outros personagens e/ ou as tramas paralelas ajudam a prender a gente na frente da tela e não desgrudar nem um minuto. É muito boa e quem gostar de suspense e tramas alucinantes assista! Recomendo.


Rafaela Valverde 
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