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sábado, 18 de novembro de 2017

Ninguém mais pega buzu direto nessa joça!

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Ninguém anda mais como quer em Salvador. Sim, estou falando do transporte público. As pessoas, nós, soteropolitanos, estamos sendo obrigados a perambular pela cidade. E do jeito que o povo dessa cidade anda devagar, já viu, né? Como assim? Explico, apesar de as pessoas que são daqui já saberem do que vou falar...

Olha, eu não sei exatamente como se dá essa questão nas outras cidades. Mas o que ouço falar é que em nenhuma capital que tem metrô as pessoas são obrigadas a usar o modal. Aqui sim! Ninguém pode mais pegar ônibus direto. Sabe aquelas amizades de buzu? Aquelas matérias da TV, lembram? Que mostravam festas juninas e aniversários realizados dentro do ônibus? Não existem mais. Sabe aquela dormidinha faceira no trepidar do buzu? Acabou!

Agora somos obrigados a pegar um ônibus em nosso bairro, descer em um terminal de transbordo, acessar uma estação do metrô conectada ao terminal e pegar um metrô, descer em outra estação do metrô, sair e pegar outro ônibus, ou a depender da estação, outro metrô e só depois pegar o buzu e finalmente chegar ao nosso destino. Ufa! Cansei!

E nosso querido prefeito junto com sua equipe de bons entendedores de trânsito e transporte ainda dizem que é mais rápido e eficiente. Ah, integração maravilhosa! Você paga antes para usar o transporte - que é uma carniça, ônibus velhos, sujos, motoristas e cobradores imprudentes e não profissionais e  muito mais - depois de pagar antes, porque só com cartões é que existe integração e com eles a gente paga antes, colocando créditos, a gente passa por longas esperas, e todos os maus tratos que todo mundo já sabe e ainda temos que ficar que nem umas baratas tontas andando para lá e para cá atrás de metrô. Ah, me bata um abacate!

Linhas de ônibus estão sumindo, evaporando. E o que está sendo empurrado nossas goelas abaixo é que essa é uma mudança para o bem da população, que não foi ouvida. E os pululantes anúncios publicitários mentirosos, com atores sorridentes e felizes continuam mostrando o que não condiz com a verdade. Ninguém está satisfeito. Ou porque tem que andar demais da estação até o ponto mais próximo, ou porque os cartões não integram e acabam tarifando de novo (sim, porque ainda tem isso!) ou ainda porque os ônibus da bendita integração demoram demais... São inúmeros os motivos das insatisfações do povo, que só sabe reclamar dentro dos ônibus, mas na hora H oferece reeleição recorde ao prefeito... Aí fica difícil... Fora que ele nem cumpriu as promessas para o transporte público da primeira campanha que resultou no seu primeiro mandato de 2012 até 2016. Uma dessas promessas era que todos os ônibus, TODOS, teriam ar condicionado. Vocês lembram disso? Eu lembro perfeitamente! Alguém viu algum buzu com ar, a não ser os escassos e caríssimos expressos? Não? Nem eu!

Há quem diga que o prefeito tem algum tipo de acordo com os empresários do transporte público de Salvador. O ramo já vai mal há anos e quase não gera lucros. E essa foi a melhor solução que o prefeito arrumou para o problema? Massacrar os usuários que pagam pelo serviço? É isso? Se realmente for verdade - o que faz sentido já que se não há geração de lucros, pelo menos há economia com cortes de linhas, redução de itinerários e demissão de funcionários - o prefeito está dando tiros no pé, inclusive no que se refere a sua pretensa campanha  ao governo do estado em 2018.  Há quem diga também que ele, Antônio Carlos Magalhães Neto, vulgo o prefeito, quer "boicotar" o metrô, que foi implantado pelo governo do estado de Rui Costa do PT. Assim, os trens do metrô ficariam bem cheios, causando insatisfação no serviço. É o que a gente ouve por aí... Especulações à parte, o que eu sei é o que problema está aí e o que estamos fazendo além de reclamar e só reclamar? Nada. Sei também que por muito menos - e nisso incluo toda a situação política do nosso país - o gigante levantou em junho de 2013. Com todas aquelas manifestações. E agora? 




Rafaela Valverde

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Livro Antes Feliz do que Mal Acompanhada - Emanuela Carvalho


Terminei de ler o livro Antes Feliz do que Mal Acompanhada de Emanuela Carvalho. O livro foi lançado no ano passado aqui em Salvador. Emanuela é baiana. Encontrei- o por acaso nas estantes de sugestões de leitura da Biblioteca Central dos Barris. Me interessei pelo título e texto da contracapa e trouxe. 

O livro traz histórias anônimas de 25 mulheres sobre relacionamentos abusivos, violências física, psicológica e sexual e todo o sofrimento vindo desses relacionamentos. Dá uma dor no coração ler algumas dessas histórias. A gente que é mulher sempre se vê em situações como essas, em que nosso amor próprio vai embora, expulso por nós mesmas. 

Muitas vezes, amamos mais o outro do que a nós mesmas e quase sempre a vida mostra nosso erro. Há no livro histórias de relacionamentos abusivos entre mulheres também, há filhos envolvidos, dor, lágrimas, tristeza, falta de amor próprio, juventudes destruídas... Há coisas demais. E quando a gente para e pensa que são casos reais (a autora se inspirou em casos reais para escrever as histórias) misturados a um pouco de ficção, claro. Mas quando a gente percebe quantas mulheres estão envolvidas nesse tipo de relação, mesmo que tentem esconder e mostrar para o mundo o quanto são felizes, a gente pensa: "poderia ser eu..." ou "antigamente eu também agiria assim, hoje mais não..." 

Querendo ou não a gente se vê ali. Quantas mulheres não foram e são enganadas até hoje por homens e mulheres também, que acham que são seus donos? Que são possessivos, controladores e mau caráter... São esses alguns dos pensamentos que vêm à mente enquanto lia esse livro. É triste e dói saber que ainda somos tratadas como as culpadas por esses abusos. Muitas vezes recriminadas e julgadas... Bom, é isso. O livro é bastante interessante, por trazer casos próximos da gente, são histórias daqui de Salvador e nos faz refletir...




Rafaela Valverde












Verbos sem ações, ações sem efeitos

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Eu sei que nada vai dar em nada. Nada que eu fizer, reclamações, denúncias, chiliques vão ser suficientes para resolver as coisas. No nível em que estamos nãos sei se ainda adianta bradar, gritar, questionar... Está tudo tão parado que só dá vontade de ficar parado também.

Antes, eu achava que podia mudar coisas, talvez não o mundo, porque ele já está assim há muito tempo e a coisa não é boa. Não mesmo. Quando ainda insisto em reclamar ou questionar algo que está bem ruim, recebo mensagens genéricas, mais trazendo discursos de como eles deveriam agir do que resposta e efetivas soluções para o que foi questionado.

Dá um cansaço, um desânimo, uma preguiça... A gente se sente desmotivada a continuar acreditando que possa ainda existir algum tipo de solução para o que quer que seja. Esquece, deixa como está. Não adianta ficar se  envolvendo nessas coisas... São coisas que ouço. Especialmente das pessoas mais velhas, que claro, já estão por aqui há mais tempo e sabem que não vai dar em nada... É provável que já tenham sentido na própria pele, a dor da decepção de que sua voz não vale de nada.

O gosto é amargo, azedo e injusto. Não existe coisa pior que receber respostas genéricas, que não levam a lugar nenhum. Não existe coisa pior do que ter seu grito abafado, gritar mudo. Grito único, pessoa sozinha, berrando à toa por coisas que nunca vão mudar. É frustrante. Dá uma tristeza, um súbito malquerer toma conta da gente. Dá vontade de sumir. E sabe por quê? Não apenas por uma resposta, mas por todo o conjunto. Tudo vai mal. Aliás, pode não ir totalmente mal, mas anda bem capenga. Tudo está sendo feito em vão. O que pode fazer com que eu pare de gritar, de falar, de reclamar, de orar, de pedir, de agradecer, de acreditar... Verbos ocos, esses. Ninguém mais acredita, Eu não mais acredito nas reais ações desses verbos.



Rafaela Valverde

domingo, 12 de novembro de 2017

A vida é tão rara...

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A vida é um sopro. Realmente. Sou obrigada a concordar. A vida é rara, frágil. A vida é a coisa mais valiosa que possuímos. Não tem riqueza, não tem saber, não tem poder. A vida com certeza é nosso maior tesouro. Não sou a pessoa mais apropriada para falar da morte. Não lido bem com ela. Fico muito chocada sempre que alguém próximo morre - ou às vezes nem tão próximo assim. Fico assim, paralisada, pensativa e calada, pensando na necessidade que temos de viver urgentemente. Ontem!

Essa semana um conhecido foi morto a tiros, em um assalto. Tínhamos pouco contato e só trocamos algumas palavras, ele trabalhou no mesmo projeto que eu, há uns anos, mas isso mexeu comigo. Sobretudo pela violência, sobretudo por saber que pode ser qualquer um de nós. Cada vez mais o medo nos atinge como uma flecha no peito e quanto mais próxima da gente a pessoa assassinada, pior a gente se sente. Mesmos trajetos, mesmos gostos, mesmas questões pessoais e sociais, mesma universidade...

Dói. É duro ver alguém tão jovem, cheio de vida e alegria de viver deixar de existir assim tão mesquinhamente em uma calçada. A troco de quê? Nada. Um mero celular, ou sei lá o quê. Perguntei a Deus o porquê de tanta injustiça e Ele me acalmou trazendo pra mim a mensagem que eu tenho direito de  me revoltar e sofrer, mas, tudo tem um propósito, afinal de contas. Não sei qual ou quais. E é certo que eu nunca vou saber exatamente, mas pelo menos me colocou para pensar na minha vida e em minhas atitudes. E olhe que eu nem era próxima, nem amiga, nem nada... Mas tenho um amigo bem próximo em comum com ele e consigo perceber sua dor, me solidarizando e aumentando mais ainda a minha.

Fiz algumas reflexões acerca da vida. Acerca da minha vida. Primeiro pensei, e é o que pensamos logo que uma coisa assim acontece, que devia viver minha vida intensamente, um dia de cada vez e todas essas coisas clichês que ficam melhores na fala. Porque na prática a gente não consegue viver um dia de cada vez, porque estamos sempre com a cabeça focada em algo "lá na frente". Um TCC, um casamento, planos de comprar um carro ou um apartamento, carreira acadêmica... Tudo isso nos impulsiona para frente e para o futuro. Claro que vivemos, aproveitamos, descansamos, tentamos não nos estressar, tudo em prol desse "viver plenamente", mas o sentido da nossa vida vem mesmo a partir das nossas lutas diárias: estudar, trabalhar, estudar para concurso, cumprir obrigações em casa, escrever teses, monografias e sei lá mais o que.

Então, o que passei a me questionar essa semana foi: "pra que tanta luta? pra que trabalhar e estudar, dormir pouco, se acabar, brigar por um lugar na academia e na sociedade, pra que tudo isso se podemos deixar de existir em uma calçada qualquer de forma prematura e estúpida?" Tanto sacrifício para nada? É isso? Quem me garante que vou vou conseguir efetivar todos os meus planos e realizar meus sonhos? É muito frustrante e triste pensar nessas coisas, especialmente quando temos certeza que a resposta nunca vem e somos obrigados a viver, a lutar, batalhar e nos impulsionar para o futuro, mesmo que ele venha a não existir.  Não tem jeito, precisamos viver o mais plenamente possível. A dor é grande e não passa. A revolta e indignação são impulsionadoras também. Quem sabe elas possam  nos dar mais forças? Então, é isso.





Rafaela Valverde

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Mais dicas para o Enem

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Hoje vou escrever o prometido texto de  dicas para a redação do ENEM. A primeira prova é domingo agora, dia 06/10, mas a redação ainda é na próxima semana, então dá tempo de estudar ainda. Vou falar um pouco sobre introdução, mas antes é preciso ter em mente os requisitos básicos para escrever bem. Já devo ter falado sobre eles no texto anterior, mas nunca é demais relembrar.

Repetindo:é preciso ler muito, ter repertório, saber um pouco de tudo. Conhecimento nunca é demais. É preciso ter informação, estar atualizado e atento com o que está acontecendo. Construir argumentos e se posicionar sobre um tema. Defender seu ponto de vista. Como fazer isso sem saber, sem ter repertório? Não tem como.

Sua introdução deve ser precisa, objetiva, mostrar para que seu texto veio. Não precisa  encher de palavras difíceis. A introdução vai apresentar seu tema ao leitor, a partir dela é que ele vai decidir se vai continuar a ler ou não. Portanto, pense no leitor! O texto deve se desenvolver a partir dessa introdução que também não precisa ser muito grande. Bastam três ou quatro linhas. Escreva sempre períodos curtos, com a utilização de pontos parágrafos. Aprendi a escrever assim há alguns anos e não sei mais fazer períodos muito grandes.

Mas reconheço que é difícil explicar como fazer textos. Na verdade, é questão de praticar mesmo e sentir seu texto melhorar aos poucos. É interessante ler outras redações, como por exemplo as redações de destaque em vestibulares e ENEM anteriores. Isso vai dar uma ideia mais ou menos de como as introduções são feitas.

O importante é ter em mente que a introdução vai mostrar e delimitar em que vai se basear seu texto. Se você começa trazendo dados do IBGE por exemplo, seu texto deve girar em torno daqueles dados. É claro que seu desenvolvimento deve ser um texto rico e não vai parar simplesmente em meros dados, estes devem ser desenvolvidos, argumentados e informações novas podem e devem surgir.

Ah, para finalizar, quero dizer que a introdução pode começar com uma pergunta. Mas não é algo que eu costumo fazer. Acho que a pergunta pode limitar um pouco a própria introdução e até mesmo o texto, mas sabendo fazer, pode. Pode tudo, contanto que o texto seja  bem escrito. Leiam, leiam muito. Vejam como são  as introduções das melhores redações que estão pela internet. 

Volto na semana que vem com mais dicas!


Rafaela Valverde





terça-feira, 31 de outubro de 2017

Quarto de Despejo: diário de uma favelada - Carolina Maria de Jesus

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Quarto de Despejo: diário de uma favelada é um livro lançado em 1960  e escrito por Carolina Maria de Jesus. A autora trazia em seus relatos quase diários, seu dia a dia na  antiga favela do Canindé em São Paulo. Lia bastante e gostava de escrever, registrando como fotografias os fatos de sua vida cotidiana em diários.

O livro foi publicado por meio do jornalista Audálio Dantas, que em reportagem visitou a favela e conheceu a escritora, se oferecendo para levar os manuscritos em editoras. Carolina narra os fatos da sua vida pessoal com os três filhos pequenos entre 1955 e 1960. A pobreza, a fome e o sofrimento que passavam, mesclados com fatos das vidas alheias, seus vizinhos. Esses fatos davam um panorama geral de como funcionava a favela. Brigas entre vizinhos, confusões, festas, etc. Ela morava em um barracão com os três filhos. Catava papel e outros materiais descartáveis para sobreviver.

O livro é basicamente isso. O diário de Carolina, contando as desventuras da vida de favelada. Ou seja, uma favelada contando, falando de si e da sua realidade. Ao invés de pessoas de fora fazerem isso. O livro, segundo o site Wikipédia, é considerado um dos marcos da literatura feminina brasileira. Foi traduzido para mais de treze idiomas. O engraçado é que eu nunca havia escutado falar no livro e na autora antes de entrar no curso de Letras. Engraçado, não. Trágico. E horrível. Mas que bom que pude ter acesso à essa obra agora. E eu gostei muito! É um livro bem político. Forte!

A escrita foi conservada como a original. Com os "erros" de ortografia e concordância também conservados, para preservar a escrita original. É o livro mais diferente que eu já li na minha vida. E já estava me sentindo fazendo parte daquela rotina. Que apesar de sofrida demonstrava que ela sempre foi uma mulher muito forte, assim como todas as mulheres negras e faveladas que eu conheço. Muito bom dar voz a quem tem voz. Pena não ter lido antes. Mas com certeza entrou na lista dos meus livros preferidos. 




Rafaela Valverde




quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Como melhorar sua escrita (dicas de redação para o ENEM)

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A partir de hoje vou escrever um texto com dicas para a redação do ENEM por semana. Como a maioria das pessoas que me conhece já sabe, eu fiquei com 940 e 900 pontos em 2013 e 2014 respectivamente. Não é querendo me gabar e nem me acho. Eu não sei nada, não. Eu estou aqui para aprender, mas eu escrevo desde doze anos, então já tenho um pouco mais de experiência.

Então, vamos ao que interessa? A primeira coisa a se fazer para escrever bem é ler, ler e ler. E a segunda é praticar, praticar e praticar. Ninguém consegue escrever direito se não tiver vocabulário e os saberes que a leitura oferece. Leio compulsivamente desde criança e tenho certeza que é meu principal triunfo. Tudo que sei e tudo que consegui na minha vida foi graças a leitura. A leitura dá mais repertório, criatividade e como já disse vocabulário, entre outras coisas. Existe uma coisa que costumo chamar de memória visual. Quanto mais a gente lê, mais palavras teremos visto e aprendido a grafia. E não só a grafia, a concordância, os tempos verbais, etc. Uma dica importante: se você não tem o hábito de ler, comece com algo leve, que goste. Nada de começar a ler Machado de Assis logo de cara. Ler por obrigação é muito ruim.

Partindo para a segunda parte: a escrita, é preciso antes de mais nada dizer que ninguém nasce sabendo escrever. É um trabalho árduo, de muita leitura e treino. Se eu for pegar meus textos de nove anos atrás deste mesmo blog, encontro textos terríveis, escritos por essa mesma que vos fala. Eu melhorei, uns mil por cento, mas não foi de um dia para o outro. Ralei muito. E ralando todo mundo pode conseguir.

Você pode começar a escrever tópicos sobre um determinado assunto. Você pode ler algum tema na internet, pegar as ideias principais que aquele texto está tratando e escrever umas frases com suas próprias palavras sobre o tema, isso vai dar a chance de desenvolver ideias próprias e até mesmo errar e escrever muita besteira. Lembrando mais uma vez que você só saberá coisas e só terá ideias para desenvolver se você tiver um bom repertório de saberes, que só vem com leituras, a médio e a longo prazo. Não adianta também ler um livro hoje e daqui há uma semana querer escrever muito melhor. É um processo gradual.

Leia na internet modelos de redações bem colocadas em vestibulares do país. Isso vai te dar uma base de como estruturar seu texto, de como se posicionar e argumentar. Tente fazer textos parecidos com esses dissertativos que leu. Pesquise como deve ser a estrutura de um texto dissertativo - introdução, desenvolvimento e conclusão - mas também não se prenda muito a isso. A escola muitas vezes ensina de maneira muito mecanizada e não abre espaço para o mais importante: pensar,  argumentar, refletir, analisar e defender um ponto de vista.

Tendo esses detalhes em mente comece a escrever - dentro dessa estrutura - introdução (apresenta o tema, informa ao leitor sobre o que você vai dizer e como vai dizer). Costumo dizer que a introdução é seu cartão de visita, ela vai definir se o leitor vai continuar lendo ou não. Pode começar com uma pergunta? Pode. Mas não é regra. Não gosto de trabalhar totalmente presa em regras como essas em redação. Isso limita o texto demais. Observe como se iniciam textos como artigos de opinião, científicos e até textos jornalísticos. A partir daí passe a ler muito, escolher um tema e escrever a sua própria introdução. Entendendo como funciona o texto, já é possível começar a escrever. É muito divertido, eu adoro. Pronto, sua tarefa agora é selecionar um tema  que se identifique na internet, ler sobre ele, ler outros textos dissertativos e escrever sua própria introdução. Na semana que vem trarei mais dicas e falarei sobre o desenvolvimento.




Rafaela Valverde

Máscara Concentrada da Niely Gold e outras coisas...

Agora quero falar um pouco sobre cuidados com os cabelos. Já tem um tempo razoável que não falo sobre o assunto por aqui. Mas hoje quero falar sobre três coisas: primeiro, sobre a máscara concentrada hidratação chocolate da Niely; depois da tintura que usei no meu cabelo da última vez e por último sobre a mega nutrição que fiz no final de semana.

Vamos lá? Primeiro, essa máscara é muito boa e barata. O pote de 1kg custou cerca de vinte reais.  Promete hidratação, mais brilho e cabelo com fragrância glamourosa.Além de resultado imediato e profissional, emoliência e desembaraço. É indicado para todos os tipos de cabelo. Contém MaxQueratina e extrato de cacau, além de 13 aminoácidos similares a queratina, inclusive a Arginina.

O modo de utilizar é quase igual a todas as outras máscaras: Lavar,  aplicar em pequenas mechas, enluvando bem para penetrar nos fios e enxaguar. O tempo de ação é de três minutos, ou seja pode ser usada no banho também. É como geralmente hidrato meu cabelo. Caso esteja mais ressecado, pode deixar quinze. Assim é o que indica a embalagem. Eu aplico um condicionador depois para fechar as cutículas. Faz diferença!

Agora o que achei do produto: muito bom. Compensa muito. Quando a gente aplica no cabelo já sente a diferença e o primeiro impacto é a emoliência. Sim, a máscara praticamente desembaraça o cabelo sozinha. E olhe que meu cabelo embaraça muito, Mas com a máscara foi mais tranquilo. Sabendo aplicar direitinho, com mechas finas e enluvando bem, o resultado é maravilhoso. O cabelo fica macio (eu amo cabelo macio) definido, com aspecto de hidratado mesmo e com muito brilho. É um brilho realmente muito bom. Gostei e recomendo, viu?




E por falar nessa máscara, quero dizer que a utilizei para  fazer uma mega nutrição/ hidratação com aveia. Pois bem, fiz um mingau com a aveia (sem o leite), mexi até engrossar e logo que tirei do fogo peneirei e aquele gelzinho que foi saindo coloquei em um pote plástico junto com uma colher e meia dessa máscara e a mesma quantidade de azeite de oliva. Conforme uma receita que vi na internet, passei no cabelo antes de lavar, como se fosse uma umectação, passando em mechas finas, enluvando. Senti a maciez do cabelo na hora. Nem tive muito trabalho para desembaraçar. Coloquei um saco plástico e deixei mais ou menos uns quarenta minutos. Depois lavei com shampoo e condicionador normalmente. O resultado foi incrível. Muita definição e brilho. Sinto logo a nutrição também, o cabelo fica diferente.

Agora vou falar da tintura. Então, em abril retirei a tinta preta do meu cabelo, como vocês já sabem. Descolori e joguei um castanho claro por cima. O meu cabelo é um castanho médio. Mas há alguns anos não sei como é a cor original dele. Então a retirada do preto foi com essa intenção, voltar a cor natural. Mas andei numa maluquice  de querer ficar loira sozinha em casa e acabei clareando com um loiro bem claríssimo. Não ficou legal. Manchou, ficou alaranjado. Estava me sentindo muito feia e resolvi cobrir e realmente respeitar a cor natural do meu cabelo.

A tintura que utilizei das duas vezes foi Biocolor. É bem baratinha e resolvi experimentar. Agora, dessa vez para cobrir a cor mais clara foi essa cor abaixo. Comprei esse louro escuro clássico porque segundo a funcionária da farmácia onde comprei as tinturas com final zero possuem melhor cobertura. E realmente cobriu muito bem, cobriria melhor se eu tivesse comprado duas, mas ainda assim gostei do resultado. É uma boa tintura e vem acompanhada de um condicionador para usar uma vez por semana durante quatro semanas. Esse condicionador é bem legal e deixa o cabelo bem hidratado. É isso, decidi respeitar o volume e cor naturais do meu cabelo. E agora desisti de mantê-lo médio. Quero ficar com cabelão!

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Rafaela Valverde

Como Eu era Antes de Você - Jojo Moyes

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O livro Como Eu era Antes de Você da escritora inglesa Jojo Moyes é de 2013 traz a história de Louisa Clark e Will Traynor, os protagonistas mais autênticos dos últimos tempos. Lou é uma jovem de 26 anos sem perspectiva, sem sonhos e ambição. Ainda mora - em uma pequena cidade, rodeada por um antigo castelo - com os pais e dorme em um minúsculo quartinho.

Um dia, o café em que ela trabalhava há anos fecha, o que faz Lou perder o emprego e se ver ainda mais perspectivas. Até que, decidida a não ficar desempregada, Lou resolve ir, a contragosto, à uma entrevista para a vaga de cuidadora. Lou finalmente conheceu a bela mansão dos Traynor. E após uma entrevista, mesmo sem acreditar, conseguiu o emprego.

Will não recebe muito bem a nova cuidadora, mas aos poucos uma amizade vai sendo construída, com muito esforço por parte de Lou. Ao mesmo tempo, senti um pouco de egoísmo por parte dela em achar que ele teria que estar feliz e satisfeito, mesmo de ser paraplégico. Mas entendo que fazia parte do trabalho dela colocá-lo para cima, deixá-lo feliz e ela tentou muito até conseguir. Além disso tem a questão da composição de personagens. Nenhum personagem é uma coisa só. Aliás nenhuma pessoa é uma coisa só. Louisa se mostrou muito dedicada, sobretudo com a amizade  e afeto que surge entre eles.

Com o tempo os personagens vão se construindo e a gente percebe o quanto eles são complexos, especialmente os principais. Eu me apaixonei por Will e Lou. Eram engraçados e possuíam química, sintonia... Enfim, foram escritos para isso. Aliás, é um livro muito bem escrito, com boas tiradas, conflitos de gente como a gente, como desemprego, problemas familiares, financeiros, etc... Em muitas coisas me senti muito parecida com Louisa: a irmã mais velha que não sabia muito bem o que queria, sem emprego e preocupada com o bem estar da família.

Em vários momentos do livro eu ri alto. Há muitas coisas engraçadas. Mas também há muitas questões importantes a serem tratadas, além de emocionantes, como os momentos em que Will ficava doente. Chorei muito no final do livro, mas durante a leitura eu me diverti muito. Em alguns momentos a narrativa mudava um pouco e a história passa a ser contada a partir do ponto de vista da mãe, do pai e do enfermeiro de Will, além da irmã de Louisa. Dá nos visões diferentes da mesma história. Pontos de vista diversos sobre um mesmo ponto da história. Isso deu ainda mais dinamismo à estória.

Confesso que tive um pouco de preconceito com o livro no início. Por ser um livro bem popular, bastante falado e que virou até filme, fiquei meio receosa de ter um novo Cinquenta Tons de Cinza nas mãos. Mas o livro me surpreendeu muito. Gostei bastante e com certeza é um dos melhores livros que li ultimamente. Com certeza vou comprá-lo um dia, já que o exemplar que eu li é da minha irmã.

Para finalizar esse pequeno texto de impressões, gostaria de ressaltar que é um livro triste e diferente dos clichês que vemos por aí. Não há "final feliz." O feliz é todo o decorrer do livro, a alegria e os desafios de viver, apesar de tudo. É essa a principal mensagem que o livro passa: "viva a vida, porque ela vai acabar." Outro ponto que quero ressaltar é que ficaria ainda menos clichê se não houvesse o romance, o amor romântico entre os dois.  Achei desnecessário. A grande amizade que se desenvolveu entre eles já seria suficiente, mas acredito que o romance surja mais por uma questão comercial mesmo. Atrair mais leitores com paixão. Mas, ainda assim, não são dois jovens desmiolados, são duas pessoas maduras, que já passaram muitas coisas e se encontraram no momento certo de suas vidas. Aprenderam um com o outro e nos deram uma linda e triste estória.




Rafaela Valverde

sábado, 14 de outubro de 2017

Convoque Seu Buda - Criolo





Convoque seu Buda!
O clima tá tenso
Mandaram avisar que vão torrar o centro
Já diz o ditado, apressado come cru
Aqui não é GTA, é pior, é Grajaú

Sem pedigree, bem loco
Machado de Xangô fazer honrar seu choro
De UZI na mão, soldado do morro
Sem alma, sem perdão
Sem Jão, sem apavoro

Cidade podre, solidão é um veneno
O Umbral quer mais Chandon, heróis crack no centro
Na tribo da folha favela desenvolvendo
No Jutso secreto Naruto é só um desenho
Uns cara que cola pra ver se cata mina
Umas mina que cola e atrapalha ativista
Mudar o mundo do sofá da sala, postar no Insta
E se a maconha for da boa que se foda a ideologia

Nin Jitsu, Oxalá, capoeira, jiu jitsu
Shiva, Ganesh, Zé Pilin dai equilíbrio
Ao trabalhador que corre atrás do pão
É humilhação demais que não cabe nesse refrão

Nin Jitsu, Oxalá, capoeira, jiu jitsu
Shiva, Ganesh, Zé Pilin dai equilíbrio
Ao trabalhador que corre atrás do pão
É humilhação demais que não cabe nesse refrão

E se não resistir e desocupar
Entregar tudo pra ele então, o que será?
E se não resistir e desocupar
Entregar tudo pra ele então, o que será?

Sonho em corrosão, migalhas são
Como assim bala perdida? O corpo caiu no chão!
Num trago pra morte cirrose de depressão
Se o pensamento nasce livre aqui ele não é não

Sem culpa católica, sem energia eólica
A morte rasga o véu, é o fel vem na retórica
Depressão é a peste entre os meus
Plano perfeito pra vender mais carros teus
A beleza de um povo, a favela não sucumbi
Meu lado África, aflorar, me redimir
O anjo do mal alicia o menininho
Toda noite alguém morre
Preto ou pobre por aqui

Nin Jitsu, Oxalá, capoeira, jiu jitsu
Shiva, Ganesh, Zé Pilin dai equilíbrio
Ao trabalhador que corre atras do pão
É humilhação demais que não cabe nesse refrão

Nin Jitsu, Oxalá, capoeira, jiu jitsu
Shiva, Ganesh, Zé Pilin dai equilíbrio
Ao trabalhador que corre atras do pão
É humilhação demais que não cabe nesse refrão

E se não resistir e desocupar
Entregar tudo pra ele então, o que será?
E se não resistir e desocupar
Entregar tudo pra ele então, o que será?



A Hora da Estrela - Clarice Lispector

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Já li A Hora da Estrela pela segunda vez esse ano. Eu já havia lido em algum momento da minha pré adolescência, mas não tinha nenhuma memória dele. Macabéa é uma personagem bastante conhecida na literatura brasileira. Clarice Lispector em seu último livro marcou a literatura brasileira com a estória da nordestina datilógrafa que mal sabia escrever. Em 1977, ano de sua morte, a escritora nos trouxe a rica estória da pobre mulher nordestina que "só sabia chover."

Além da história de Macabéa, narrada pela figura masculina de Rodrigo S.M já que mulheres narrando estórias é de uma pieguice sem tamanho, então tomem um homem! E assim o livro que tem treze títulos inicia a partir da voz deste homem, que além de contar a história de Macabéa, algo que pouco conhecia, ainda reflete sobre a função do escritor, sobre a ação de escrever e funciona (se coloca ou é colocado) como alter ego de Clarice.

Eu não estou aqui para escrever uma simples resenha do livro. Contar como se dá a história, descrever e analisar personagens, essas coisas... Não! Há muito disso por aí. Estou aqui para contar para vocês o que esse livro, essa história, esse personagem e esse narrador significam para mim. E talvez eu ainda não consiga deixar isso muito claro, mas pelo menos posso tentar.

Pois bem, no início, a presença de Rodrigo me causou certa estranheza. Mas o que esse homem pensa que está fazendo? Ele nem sabe o que quer contar e como contar. Mas confesso que fui me acostumando e reconheço que ele conseguiu cumprir bem a missão de nos trazer Macabéa, a alagoana insignificante que fora para São Paulo para 'melhorar" de vida. E "é claro que a história é verdadeira embora inventada..."

Macabéa aprendera com a tia a bater à máquina. Muito mal, poque era quase analfabeta. Macabéa era tola. "Ela como uma cadela vadia era teleguiada exclusivamente por si mesma. Pois reduzira-se a si." Ela nunca se viu, nunca se olhou no espelho por ter vergonha. Macabéa era sem atrativos. Macabéa era virgem. Sim, virgem! Ela mal vive, somente inspira, expira, inspira e expira... Macabéa é incompetente, ouve rádio-relógio com anúncios e cultura. E adora. Marias dividem o quarto com ela. Assim que vive essa nordestina: amontoada em um quartinho amorfo que pode muito bem ser igual a sua vida. Mas ela nunca perdera a fé, apesar de não saber em que deus acreditar. Era desencantadora aos olhos do mundo. Esta era Macabéa. Ou é. Porque ela ainda vive, apesar de morta. Mas ela não é só isso. Dentro de sua pequenez há algo muito maior. Quer saber? Leia as retorcidas palavras narradas por Rodrigo S.M porque eu agora hei de me calar.

Rodrigo afirma que escrever não é fácil. E não é mesmo. Ele, assim como todos os escritores, vê a escrita como uma fuga, como única alternativa para o cansaço da mente e da alma. O narrador fala de se preparar para falar sobre a nordestina. É preciso se igualar ao nível dela para que se consiga  escrever sobre a vida medíocre que ela levava. E isso não é fácil. Se abster de sua própria vida para compor ou descrever uma personagem como essa... Pobre, pobre de espírito, sem atrativos, moça infeliz...

O livro traz poucos personagens. O livro em si é pouco, mas um pouco que preenche a grandiosidade literária que se propõe. Glória, a colega de trabalho de Macabéa; o chefe, cujo nome agora eu esqueci; Olímpico, o namorado; as Marias, já citadas acima e a cartomante. Ainda há a tia de Macabéa que aparece in memorian e não deixa de ser marcante devido a seu relacionamento abusivo com a sobrinha. Havia o relacionamento abusivo também com Olímpico, o namorado. Que bom que hoje temos esse termo para nomear esse tipo de relacionamento. Até Glória maltratava a nordestina. Todo mundo a maltratava. Parece que ela atraía...

A morte, a aflição, a culpa, a crítica, a angústia e a briga com si mesmo - o auto-embate - como eu carinhosamente chamei, são temas que permeiam todo o livro. Por mais que não estejam explícitos, estão ali. O tempo todo. É só prestar atenção. A crítica literária e o preconceito sofrido por Clarice, por ser mulher também estão presentes. Há ainda de se ressaltar referências ao Nordeste e a Recife, terra onde viveu nossa autora. Eu vejo esse livro de muitas formas diferentes. A Hora da estrela é somente uma: a derradeira. Só se é estrela uma vez. Só se tem hora uma vez. Nada mais que isso... Eu vejo, entre outras coisas, a grande despedida de Clarice através deste livro, através de Macabéa, sua insignificante e grandiosa personagem. A personagem com nome esquisito que foi apresentada e narrada por um homem, fato que simbolizou, talvez, a voz feminina que tentaram calar.



Rafaela Valverde

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Dias...

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Têm dias que me acho linda. Têm dias que me acho feia. Têm dias em que nem estou aqui. Têm dias que estou longe, mas aqui. Têm dias que quero aprender inglês. Têm dias que mando tudo ir à merda. E vamos sair do ter e vamos para o há. Há dias em que esqueço quem sou. Na verdade já nem lembro se sei alguma coisa. Há dias que quero ser magra e ter corpão igual as artistas Pop. Há dias que quero sumir, há dias em quero ficar. Continuar. Viver. Ouvir música e dançar.

E em determinados dias já acordo com vontade de morrer, ou menos: só dormir de novo. Em dias ensolarados quero ficar deitada vendo séries e filmes de baixo orçamento. Em dias chuvosos lamento por não poder sair. Inconstante. Inconsistente. Incoerente. Ingrata. Indecisa. Eu. Sou eu. Que também sou decidida, determinada, diligente, disciplinada...

Em outros dias, poucos, que fique claro, acordo reluzente, sorridente e saltitante. Mas não espero mais nada de lugar nenhum. Sou eu por mim mesma. Mais nada. Mais ninguém. E ao longo do dia, toda essa alegria pululante de passarinho se esvai. E eu já vou dormir imaginando que tem o amanhã. O porquê de o amanhã existir e todas essas coisas que geram nosso medo de viver. Quem passa por isso sabe!

O que será que vai acontecer amanhã? O que será que o dia de amanhã me reserva? Mais um dia deitada esperando as coisas melhorarem? Mais um dia esperando que minha orações, ações e corações façam efeito. Mas nada acontece. Dias desperdiçados, horas. Vinte e quatro. Em que poderia ter acontecido algo. Algo que mudasse tudo. Mas o tempo insiste em brincar comigo. A vida sai de órbita e volta só para esfregar na minha cara que contra ela eu não posso nada. Só deitar passivamente, ver minhas séries e esperar.

Têm dias que não espero; vou à luta. Têm dias que não tenho disposição para mais nada a não ser esperar. Esperar calmamente e esperar. Só isso que consigo fazer. Têm dias que a vida me cansa tanto que eu só quero descansar. De quê? Têm dias que só queria saber como é a sensação de não estar mais por aqui passando por essas coisas. Têm dias que só queria ser rica e ter alguns dias de férias em um hotel à beira mar vendo como ele brinca com o vento, com a areia e com o sol. Em harmonia. Sem brigar. Era isso que eu queria: harmonia. Com a vida, com o corpo, com a conta bancária, com os pequenos problemas diários, com a saúde, com tudo. Eu só quero humildemente que a vida seja harmonicamente a meu favor.


Rafaela Valverde

sábado, 7 de outubro de 2017

Mulheres, escrevam!

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Mulheres, escrevam. Se vocês têm o que dizer e querem fazê-lo escrevendo, façam isso. Hoje nós podemos, graças a muita luta. Mesmo em tempos conservadores como os nossos, estamos tendo mais espaço. Podemos falar por nós mesmas, ao invés de homens falarem. Temos voz. Temos inteligência e capacidade de escrever, de nos construir enquanto mulheres que escrevem enquanto fazem todas as outras atividades da vida cotidiana.

Eu sempre digo que escrever é um ato político. E é. Não se pode imaginar escrever de forma isenta e nem é possível. Sempre haverá um partido a ser tomado. Um ponto de vista a ser defendido. Escrever não é e não pode ser um ato mecânico, automático. Não. Escrever com consciência do ato de escrever. Escrever sabendo as implicações do ato. Escrever bem atenta. Essas devem ser nossas ações.

Mulheres, todas nós, que temos poesia em nós e sabemos disso devemos externá-la. Quanto mais mulheres atuando no mundo da escrita melhor para todas as outras mulheres. Assim, geraremos mais questões sobre nós mesmas;  aumentaremos o número de nós falando sobre nós mesmas. Tomaremos nosso lugar de fala, nossa voz. É muito importante ter voz. Já falaram muito por nós. Já disseram por muito tempo o que tínhamos que fazer e se tínhamos que fazer.

Escrever é registrar nosso eu livre, que está livre há tão pouco tempo. Não podemos nos calar. Sinto que é nossa obrigação moral escrever para que outras mulheres nos leiam. Para que nossas próximas gerações nos leiam. A luta ainda é grande, mas ainda seremos o que nossos filhos estudarão nas escolas daqui há algumas gerações. Estaremos registradas, para sempre. Não seremos poucas, porém ilustres, não seremos Clarices, Cecílias, Hildas... Poucas e ilustres em meio a um mundo predominantemente masculino. Seremos muitas e ilustres. Seremos nós por nós mesmas. Seremos cânones. Seremos autoras de nós mesmas, de nossas próprias histórias. Mulheres, escrevam!


Rafaela Valverde

Xô, passado!



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Minha vida é um balde cheio de passado. Parece que coisas e pessoas do passado sempre voltam. Tive um namorado da época da escola, recentemente reencontrei na rua um ex namorado. Mesmo que seja em pequenos momentos meu passado sempre fá um jeito de me encontrar. Não sei o que acontece com minha vida. Porque sei que muita gente consegue deixar o passado para trás e lá mesmo ele fica. Mas eu não. Acho que sempre tenho algo para resolver. Dá a impressão de que nada novo vai aparecer.

Lembranças das merdas que eu já fiz, sobretudo no que se refere a empregos também andam pairando em minha mente nos últimos meses, especialmente por eu estar desesperadamente procurando emprego. Parece que estou sendo castigada por esses erros do passado. Esse ano está sendo o ano de eu tomar porrada do passado.

Uma paquera do passado já apareceu e já me decepcionou como costuma fazer todos os homens. Nenhuma novidade, né? Mas o que quero dizer mesmo, é que tenho essa forte relação com o passado. Uma amiga disse que eu posso ter deixado coisas mal resolvidas e essas coisas têm que acontecer e portanto voltam para que eu "resolva." Mas eu não sei se acho isso positivo não. Parece que impede minha vida de andar pra frente. E eu fico achando que mudei e aprendi mas acabo cometendo os mesmos erros do passado. Repetindo atitudes e deixando que essas pessoas do passado retornem à minha vida.

Eu não sei exatamente o que tudo isso significa. Só estava refletindo sobre isso outro dia e estou aqui, escrevendo, contando para vocês.  É bom poder fazer essas análises e reflexões sobre a vida. E tentar fortemente, esforçosamente não cometer os mesmos erros de novo. Esquecer o passado e evitar que ele fique pairando em minha cabeça e refletindo sobre o meu presente e futuro.

domingo, 1 de outubro de 2017

Redes "solitariais"

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Cercados por todos os lados de redes sociais, parece que estamos sempre muito bem. Constantemente cercados de "amigos." Felizes, com saúde e dinheiro. Tudo aparência. Criamos uma névoa imaginária que nos protege da vida real e  de nós mesmos. Muitos amigos, seguidores, curtidas, visualizações, respostas... Ufa! Somos escravos de quantidades. Quantidade de amigos, curtidas e todas essas coisas trazidas pelas redes sociais. Até parceiros sexuais e em alguns casos, relacionamentos podem ser encontrados e começar nas chamadas redes sociais. E quando dá match aumenta mais nossa vaidade.

Tudo é feito virtualmente. Não há presença, olho no olho, calor humano, voz, cheiro, aperto de mão, abraço, parabéns de aniversário ou alguma outra realização. Para isso existem o Facebook, Instagram, Whatsapp, Tinder e outros... Mas na vida real vem a solidão. Ela não é virtual, nem fictícia. Ela é constante e bem presente. E não diga que estar consigo mesmo é solitário porque não é. Falo da solidão profunda, de não ter ninguém para contar, conversar ou sair. Solidão de verdade é a compulsória. Não se escolhe estar só, mas sempre se está.

Essa solidão não é fácil e em muitos casos está paralela à redes sociais lotadas, muitas curtidas, comentários e matchs. Redes sociais agitadas. Redes pessoais vazias. Ninguém para conversar, nenhuma notificação que não seja as do celular. Nada.

A sensação que dá é que quanto mais agitada a vida virtual, mais solitária e vazia a vida real. Ou seja, redes sociais vêm para consolidar o processo de solidão, porque quanto mais interação com o celular e com o computador, menos interação com pessoas - e também  vêm para demonstrar para todas as outras  que "não estou tão solitária assim..." "Vejam como minha vida é maravilhosa, como eu tenho amigos..."

Mentiras virtuais, mentiras online. Felicidade forçada, fingida mesmo. Ninguém nunca vai saber onde se esconde a solidão. Por trás de belos sorrisos, mesas de bar lotadas de amigos e fotos "photoshopadas", pode haver pessoas mais solitárias emocionalmente, perdidas tentando se encontrar ou caminhando cada vez mais para a perdição nas teias da solidão e as garras das redes "solitariais."


Rafaela Valverde

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Tinder

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Sempre tive uma relação meio conturbada com o Tinder e já devo ter escrito sobre isso aqui. Mais uma vez, pela milésima vez eu apaguei minha conta ontem e excluí o aplicativo. Claro que eu acho que todo mundo sabe o que é o Tinder, mas eu vou aqui defini-lo como um aplicativo para procurar pessoas para transar.

Foi só o que encontrei nesses dois anos que utilizei o aplicativo. Pessoas para transar. E mal. E olhe lá. Porque eu não sei o que esse povo acha que é transar, mas isso é assunto para outro texto. Enfim, eu não quero mais conhecer ninguém através do Tinder e nem de nenhum outro aplicativo do tipo. Eu não tenho mais paciência pra ficar falando com estranhos: "oi, tudo bem?" E ir conhecendo a pessoa, destrinchando sua vida e me aproximando. Já fiz isso muitas vezes e até conheci pessoas legais. A última pessoa que conheci e comecei a conversar pelo Tinder nem em Salvador mora, mas o papo fluiu, foi além do raso cumprimento e conversamos desde cabelo até questões mais picantes e secretas de nossas vidas.

Quando chega assim é muito bom. Costuma ser menos vazio. Mas é muito raro e essa é a graça. Pois bem, continuando a falar sobre o aplicativo e minha relação com ele, o que eu quero dizer é que ultimamente tenho andado mais retraída em relação a sair com pessoas desconhecidas. Além disso, só estava usando o Tinder para me divertir. Como? Rindo da cara dos omi. São muitas coisas bizarras, fotos ridículas. Perfis com  cachorros, gatinhos e até bebês. É muita gente esquisita. Já vi até fake com foto de um modelo que já tinha visto no Google antes. AFFF omis!

Fora os malhados ou pseudo-malhados, os que tiram foto no carro ou do carro. Eu queria muito poder expressar a minha cara aqui nesse texto em relação a isso. Mas, seguindo... Então, eu perdi minha paciência com papos vazios e pessoas idem. É tudo meio bizarro. Já usei e não vou ficar aqui cuspindo no prato que comi, só não quero mais. Quem continua usando, massa. Liberdade! E também, como já disse, minha relação com o aplicativo é bem confusa. Pode ser que daqui a uns meses eu decida baixar de novo e usar. Liberdade!

Enfim, só quero dizer mais uma coisa sobre as pessoas que utilizam o Tinder. Na verdade sobre os homens que utilizam. Se vocês são casados não usem o Tinder. Tá feião ver tanto homem casado e próximo num aplicativo pra pegar pessoas. Se quer ter vida de solteiro não case. E se casou exclua o tinder. Porque eu tô com muita vergonha alheia de vocês.

É claro que a vida amorosa-sexual não depende só do curtir, descurtir, matchs e bate papo do Tinder. Há muito mais que isso aqui fora e é nisso que vou tentar me agarrar por que eu nem sei como trocar olhares com alguém. Mas preciso aprender! Já! Fora Tinder!




Rafaela Valverde

terça-feira, 26 de setembro de 2017

A você que faz joguinhos


As pessoas estão viciadas em joguinhos de desinteresse ou simplesmente joguinhos. Que não são engraçados e não fazem bem para nada. E não digo que há joguinhos somente em relacionamentos afetivos e/ ou sexuais. Acabo observando jogos em diversas relações: amizade, relação profissional, familiar, etc.

Há disputas idiotas por coisas sem sentido. Quem tem mais contatinhos. Quem faz mais ciúmes no outro. Quem se interessa e liga menos para o outro. Há também a tentativa constante de provar para o outro que é mais desejado, que fica com várias pessoas e não precisa desse outro para nada. Além disso existe joguinhos do "quem desapega mais rápido", "quem ignora mais", etc. Criou-se a cultura de visualizar e não responder. O celular está do lado, mas deixa lá. Esnoba que ele (a) se apaixona. Vou dar um vácuo porque assim a pessoa se interessa.

Na boa, a pessoa tem que ser muito desinteressante, chata e sem graça, para achar que a única coisa que faz alguém se interessar é vácuo, desinteresse e escrotidão. Não sei quem inventou esses joguinhos. Não sei quem foi a pessoa que achou que isso daria certo em algum momento.

Não interagir, não curtir, não comentar, não puxar assunto, não responder, além de dar a entender que quer a pessoa mas não fazer nada mais que confirme isso. Falar por códigos, não ser direto (a) e tantos outros sinais de demonstrar não-interesse não levam a lugar nenhum e no mínimo só vai fazer o outro se cansar e sumir. Porque realmente cansa e cansa muito. Não faça joguinhos. é chato, é feio, é ruim e só afasta as pessoas. Eu quero distância desse tipo de gente.


Rafaela Valverde




quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Série Grace e Frankie

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Conheci recentemente a série Grace e Frankie. Não lembro exatamente o porquê de ter adicionado a série à minha lista da Netflix, mas já estava há alguns meses. Daí comecei a assistir e gostei logo de cara. No início pensei que seria uma série chata e dramática sobre velhinhos, mas fui muito pega de surpresa, pois é uma série muito engraçada, bem feita e alto astral.

Criada por Marta Kauffman, Howard J. Morris, a série estreou em 2015 e tem três temporadas na Netflix. Já vi as três e estou apaixonada pelas velhinhas fofinhas cujo os nomes dão título a série. No elenco estão  Jane Fonda (Grace), Lily Tomlin (Frankie), Sam Waterston, entre outros. A série americana de comédia traz a história de Gracie e Frankie que depois de quarenta anos de casadas descobrem repentinamente que seus maridos são gays e estão tendo um caso há vinte.

A partir daí começa a série de conflitos mais engraçados que eu já vi na minha vida. Mas não são simplesmente engraçados, são diálogos bem feitos, situações tão inusitadas que a gente esquece até o drama do caso (traição) dos maridos. Até porque a série não se baseia nisso, a série funciona ao redor das duas setentonas "prafrentex."

Elas  namoram, fazem sexo, fumam maconha, tomam porres as onze da manhã e até criam um vibrador e uma empresa Sex Shop. Essa série mudou minha visão sobre a terceira idade. Mesmo que seja ficcional e Grace seja ninguém menos que Jane Fonda toda conservada e até um pouco plastificada, é impossível não mudar alguma coisa da imagem que temos da terceira idade. Até porque as imagens que tenho vêm das minhas duas avós e nem de longe se compara com as cenas que são protagonizadas por essas duas. Elas ficam muito amigas e essa amizade cheia de implicância, pois elas são tão diferentes, é que segura o enredo da série.

É claro que sempre tem alguma coisa que incomoda a gente um pouco em qualquer coisa. No caso da série o que me incomodou foi o silenciamento sobre a existência da bissexualidade. Os maridos são nomeados ou "taxados" o tempo inteiro como gays. Se assumem gays, se auto intitulam gays. Mas óbvio que eles são bissexuais não, é? E não só pelo fato de terem passado quarenta anos casados com mulheres, mas, também pelo de terem laços afetivos, filhos e vida sexual. É notório que houve paixão pelo menos em um dos casais. E esse casal  até tem uma pequena recaída sexual... e eu não vou contar mais nada. Apenas precisava problematizar isso, porque passei as três temporadas engasgada com isso. 



Rafaela Valverde

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Aquele bom e velho medo de se apegar

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O que venho observando é que as pessoas estão meio perdidas. Elas não sabem exatamente o que querem. Claro, que em "as pessoas" eu me incluo porque não gosto disso de falar pelo outro ou sobre o outro me excluindo do problema. Entenderam? Quando eu digo as pessoas, são todos nós. Ok? Pronto, agora posso continuar. Pois bem, não temos em nossa cultura atual ideias bem definidas de relacionamentos. Às vezes nem amizade hoje em dia, é apenas amizade. Claro, que tudo é relativo, mas apenas tentem entender o que estou querendo dizer.

Antes, pelo menos na época de minha mãe e minha avó, existiam namorados, noivos, casados, amantes e outros nomes que queiram dar. Mas havia definição. Quando se fazia sexo sem ter "compromisso" havia recriminação, claro que com as mulheres né? Aff Mas se sabia o que queria ou em que estava metido. Não estou dizendo que era melhor, mas também não vou dizer que é pior. Eu não sei. Não estava lá. Não vivi essas épocas. Nasci no final dos anos oitenta...

O que quero dizer é queque existia um certo conservadorismo. Hipócrita e machista, claro. Eu acho que minha vó nem sabe o que sexo casual. Hoje temos essa liberdade. Temos a possibilidade de ter sexo casual, temos a possibilidade de não ter "compromisso" de não nos relacionarmos com ninguém. Isso foi muito bom, eu acho. Para nós mulheres, foi um ganho absoluto sobre nossos corpos e sobre nossa sexualidade.

Por outro lado, no entanto, viramos um bando de perdidos. Atarantados em nós mesmos, com medo de se abrir, com medo de qualquer contato mais próximo, com medo de se importar, de se apegar, de se importar. Vivemos com medo de tudo. Da violência urbana e de se relacionar. E não falo só de relação amorosa, falo de amizade e falo de ter consideração com o outro, mesmo que estejam em algo casual, mesmo que estejam ficando. Porque com nossos egos inflados, não querendo nos envolver para não sofrer acabamos sendo muito escrotos com as outras pessoas.

Medo. Tudo isso vem do medo. Medo de amar e de sofrer. Medo de abrir nossas casas e convívio familiar com quem quer que seja, medo de relacionamentos abusivos, medo de sermos enganadas. Medo. Nossas vidas foram invadidas pelo medo. Mesmo que nem todas as pessoas sejam assim, medrosas, sempre há algum, em maior ou menor proporção. Algum trauma do passado, em muitos casos vai determinar esses medos e nossas atitudes diante dele e sobre ele.

Eu tenho esse medo também. Sim, fui atingida. Tantas decepções dão nisso não, é? Mas eu não quero falar de mim. Estou tentando falar sobre a tendência que temos, em geral, em nossos dias, de não se envolver, não se relacionar, não se apaixonar. Queremos mesmo o casual, o raso. Mas tenho cá minhas dúvidas se estamos realmente felizes com isso. Já estou começando a sentir uma quebra de todo esse discurso bem elaborado e construído em nossas mentes.  Porque não é possível que se viva assim o tempo todo, a vida inteira. Em algum momento esse gelo tem que ser quebrado e o medo enfrentado. Em algum momento a gente vai se apaixonar, querer dividir o edredom,o brigadeiro e o filme em uma tarde de domingo. Mesmo que já tenha feito isso em determinado momento e quebrado a cara. Coloquemos a cara pra bater. E pra quebrar também. Porque a vida é se arriscar... Bom, é o que dizem, porque por enquanto eu prefiro é não dividir nada. Ficar só comigo mesma. É o melhor que posso fazer por mim nesse momento. Sem medo de ter medo.


Rafaela Valverde

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Eu não conserto erros de português de ninguém!

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Sou professora de português em formação. Entrei porque queria escrever, produzir, pesquisar, quem sabe fazer mestrado e doutorado. Entrei ainda perdida, sem saber muito bem o que era a sala de aula. Hoje, já faço. Já estive em sala de aula. Não é coisa que eu abomino como achei que faria. Eu amo estar na sala de aula, como aluna e como professora. Quero ressaltar que eu gosto de estudar esse curso, mas antes dele fiz dois semestres de psicologia e odiei. Era uma tortura estar na sala de aula estudando aquelas coisas estranhas.

Mas agora me sinto realizada estudando a língua portuguesa, suas teorias, práticas, literaturas e gramáticas. Eu não sabia que nossa língua era assim tão encantadora. Claro que tem disciplinas que gosto mais e outras que gosto menos. Umas que estudo mais e outras não. Em qualquer lugar é sempre assim. Mas ainda assim, eu me encontrei porque agora posso realmente fazer o que gosto: escrever e estudar a língua. Sempre gostei de português e sempre tive muita facilidade. Eu quase nem estudava português na escola, porque pra mim vinha natural e com apenas assistindo as aulas eu conseguia entender. Fora que eu sempre amei ler e escrever.

E eu estou escrevendo isso por quê? Para que as pessoas compreendam que quanto mais a gente é apaixonado pelo que faz, mais a gente estuda e quanto mais estudamos menos tendemos a praticar preconceito linguístico. E mais uma vez, digo isso estou escrevendo todas essas coisas porque eu não vou corrigir ninguém. A não ser que a pessoa me peça. Até porque eu não estou ganhando para consertar as pessoas. 

Se depender de mim as pessoas vão continuar falando e escrevendo "errado" que eu não estou nem aí. A não ser que seja meu aluno, criança ou adolescente. Sendo adulto e não sendo meu aluno, eu não estou aqui para ficar praticando preconceito linguístico com ninguém. Tem gente que fica com medo de conversar comigo no Whatsapp para não escrever errado, achando que eu vou corrigir. E já ouvi relatos de outros estudantes de letras falando a mesma coisa.

Mas não tenham medo da gente. Nós não vamos te consertar. Pelo menos um bom estudante de letras e um realmente estudante não vai te consertar. Fiquem tranquilos, leiam, estudem que isso auxilia na melhoria da escrita. Não precisa que outras pessoas te consertem, não! É deselegante.



Rafaela Valverde
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