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quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Série Grace e Frankie

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Conheci recentemente a série Grace e Frankie. Não lembro exatamente o porquê de ter adicionado a série à minha lista da Netflix, mas já estava há alguns meses. Daí comecei a assistir e gostei logo de cara. No início pensei que seria uma série chata e dramática sobre velhinhos, mas fui muito pega de surpresa, pois é uma série muito engraçada, bem feita e alto astral.

Criada por Marta Kauffman, Howard J. Morris, a série estreou em 2015 e tem três temporadas na Netflix. Já vi as três e estou apaixonada pelas velhinhas fofinhas cujo os nomes dão título a série. No elenco estão  Jane Fonda (Grace), Lily Tomlin (Frankie), Sam Waterston, entre outros. A série americana de comédia traz a história de Gracie e Frankie que depois de quarenta anos de casadas descobrem repentinamente que seus maridos são gays e estão tendo um caso há vinte.

A partir daí começa a série de conflitos mais engraçados que eu já vi na minha vida. Mas não são simplesmente engraçados, são diálogos bem feitos, situações tão inusitadas que a gente esquece até o drama do caso (traição) dos maridos. Até porque a série não se baseia nisso, a série funciona ao redor das duas setentonas "prafrentex."

Elas  namoram, fazem sexo, fumam maconha, tomam porres as onze da manhã e até criam um vibrador e uma empresa Sex Shop. Essa série mudou minha visão sobre a terceira idade. Mesmo que seja ficcional e Grace seja ninguém menos que Jane Fonda toda conservada e até um pouco plastificada, é impossível não mudar alguma coisa da imagem que temos da terceira idade. Até porque as imagens que tenho vêm das minhas duas avós e nem de longe se compara com as cenas que são protagonizadas por essas duas. Elas ficam muito amigas e essa amizade cheia de implicância, pois elas são tão diferentes, é que segura o enredo da série.

É claro que sempre tem alguma coisa que incomoda a gente um pouco em qualquer coisa. No caso da série o que me incomodou foi o silenciamento sobre a existência da bissexualidade. Os maridos são nomeados ou "taxados" o tempo inteiro como gays. Se assumem gays, se auto intitulam gays. Mas óbvio que eles são bissexuais não, é? E não só pelo fato de terem passado quarenta anos casados com mulheres, mas, também pelo de terem laços afetivos, filhos e vida sexual. É notório que houve paixão pelo menos em um dos casais. E esse casal  até tem uma pequena recaída sexual... e eu não vou contar mais nada. Apenas precisava problematizar isso, porque passei as três temporadas engasgada com isso. 



Rafaela Valverde

terça-feira, 11 de julho de 2017

Tentando entender você

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Eu não consigo entender certas coisas em você. Eu não consigo entender muitas coisas, pra falar a verdade. Eu não entendo como você diz que eu sou a melhor. Melhor em tudo: no beijo, no sexo, na companhia, na inteligência... E ainda assim você continua a não me querer para estar ao seu lado. Você diz que quer ter opções, que precisa disso para ser feliz. Você diz que quer ter outras não tão boas quanto eu, só por ter, só para saber que realmente tem essa opção.

Você entende isso como liberdade. Mas eu entendo  como uma confusão que você faz com sua vida e com a minha. Soa tudo tão incoerente e desconexo. Não quero criticar você, não ache isso. Eu só queria entender. Queria. Na verdade eu nem sei se quero mais. Talvez eu apenas me deixe levar pela situação e me satisfaça só com o fato de estar com você de vez em quando. Às vezes é bom viver na ignorância mesmo. Sem compreender determinadas coisas.

Mas minha cabeça não para. Ela insiste em saber o porquê de você querer outras se tem a melhor disponível para você a qualquer momento que precisar. Além de ser a melhor, eu sou também a que te ama. A que te ama incondicionalmente. Sou a mulher que te amou nesses últimos anos, independente do que você fizesse. Eu sou a mulher que te conhece melhor do que você mesmo, eu sou a mulher que te viu chorar feito criança em vários momentos, sobretudo, no momento em que seu time foi rebaixado. Eu sou uma mulher maravilhosa, como você mesmo diz. E eu não preciso que ninguém diga, eu sei que sou. 

Nem você consegue me explicar, os motivos dessa sua escolha. Já que tem a melhor, ainda opta em ficar, ou encontrar outras que serão pessoas menos importantes na sua vida. O que você quer? Colecionar afetos? Pequenos afetos, pequenos envolvimentos emocionais... Pequenos... Sempre pequenos. Porque o maior você já teve e tem. Você tem o amor da sua vida na sua frente e como mesmo já me disse, deveria se sentir privilegiado, mas não se sente.

Privilégio para você é poder estar "livre" para "ficar" com quem quiser, a hora que quiser. Questiono isso que você chama de liberdade, pois isso pode ser uma ou várias prisões. Prisões em conceitos, em pré-conceitos, prisões em ideias retrógradas e nefastas sobre você mesmo e sobre mim. E ainda há as ideias otimistas sobre as outras pessoas. Acho que você tem esperança de procurar, procurar e encontrar alguém igual ou melhor que eu. Você não aceita que possa haver apenas uma mulher para dedicar tanto amor durante tantos anos, durante a vida inteira... Você não se conforma com essa possibilidade e quer experimentar várias outras possibilidades para saber que não está perdendo nada da vida.

O problema é que enquanto você brinca de encontrar outro amor tão especial como o nosso e tenta experimentar "as alegrias da vida", você pode estar perdendo a possibilidade de ter seu amor, de ter sua companheira, sua amiga confidente, a pessoa que mais ama e cuida de você. Sabe por que? Não porque eu não esteja disposta a esperar por você e ficar com você, mas porque a vida pode acabar a qualquer hora, já pensou nisso? Além disso, nesse momento deve existir pessoas me observando. E eu não sei o que vai acontecer daqui pra frente, mas a gente tem que pensar em todas as possibilidades da vida, não é? Pois, enquanto você está aí dizendo que quando se ama quer  ver o outro feliz  e tentando buscar alguém para me substituir - mero discurso - eu estou "livre, leve e solta" e pensando que só posso mesmo obter ou reobter minha felicidade no amor com você, ao seu lado.



Rafaela Valverde

sábado, 24 de junho de 2017

Em Chamas - Suzanne Collins ♥


Reli Em chamas de Suzanne Collins. O livro foi lançado em 2011 e eu li pela primeira vez em 2015. Eu amo a trilogia Jogos Vorazes, como vocês já sabem. Em Chamas é o segundo e traz novamente Katniss Everdeen e Peeta Mellark que mudaram os Jogos Vorazes e desafiaram a Capital. Nesse livro eles retornam à Arena.

Tudo parece diferente e ao mesmo tempo o mais do mesmo, mas o casal desafortunado do Distrito 12 não sabem nada do que os esperam pela frente. Eu gosto de Em Chamas porque ele não funciona como um intermediário, apenas para encher linguiça, preparando os leitores para o último livro. Não, esse livro traz emoções diferenciadas. 

Mais uma vez sentimental e ao mesmo tempo duro. Distópico, futurista, crítico das ações humanas, politico, feminista. As aventuras dos tributos que voltam à Arena para começar o 75º Massacre Quaternário são bem diferentes, a Arena funciona com uma nova dinâmica. Mas eles não estão lá ocm objetivo de matar uns aos outros e apenas um vencedor. É muito mais que isso. Dessa vez, o inimigo é outro... Ou sempre foi? Maravilhoso, amo!


Rafaela Valverde

sábado, 20 de maio de 2017

Mulheres, não precisamos de homens!



Eu sofri mas eu aprendi algumas coisas com meus erros e meus sofrimentos. E quem sofre, erra e não aprende nada com isso? Não estou aqui querendo me sentir melhor que ninguém, apenas ratificar a tese de que os erros e dores servem para nos dar uma lição. Isso é verdade. Claro que a gente precisa ter consciência desses erros e realmente refletir sobre o que mudar. Não acontece por osmose, não é rápido, nem fácil. Demora e dói. 

Passei vários meses sentindo uma dor física, sem querer levantar da cama e passei muitas das horas desses dias pensando em que tinha falhado e que se eu não tivesse cometido determinada falha, talvez eu não tivesse em determinada situação. Mudei e virei uma pessoa mais leve com a vida. Não cobro mais tanto de mim, nem da vida, nem dos outros. Me tornei uma adulta mais leve e não me troco pela eu de cinco, seis anos atrás.

Mas e quando as pessoas sofrem, passam determinadas coisas e não mudam? Continuam cometendo os mesmos erros? Será que elas não refletiram sobre suas atitudes? E quando essas pessoas são mulheres? Uma mulher sofreu horrores em um relacionamento: perdeu tudo o que tinha construído com o outro, porque simplesmente ele lhe usurpou, quase morreu por um problema de saúde e ainda foi trocada por outra e agora "abre os dentes" para esse homem, anos depois. Não dá vontade de matar uma mulher dessa? Dá!

Eu não sei se é falta de maturidade, pois é uma mulher já bem grandinha. Eu não sei se muita falta de amor próprio, eu não sei se é o machismo, a misoginia e a sociedade patriarcal já impregnados em nosso inconsciente. Eu sinceramente não sei. A coisa está tão feia que quando a mulher erra é xingada, considerada vadia, vagabunda, sei lá. Mas quando o cara erra, a sociedade aconselha que se perdoe porque ele "é homem" e porque "todo mundo merece uma segunda chance." Então, só os homens merecem segunda chance? Porque mulheres são execradas e até mortas quando traem!

Então, isso está tão impregnado em nossa cabeça que a gente acha que não pode viver sem homem, mesmo que ele seja ruim. Chega a um determinado momento da vida em que a gente só sabe falar: "ruim com ele, pior sem ele" e acredita nisso tão veementemente que fica ali naquela relação, inerte, só esperando o dia de ser libertada por alguma magia. Não, isso não vai acontecer! Quem se liberta é a gente mesmo. E ponto.

A gente é criada e incentivada desde muito nova a procurar homem, a viver dependente de homem.  aí acreditamos que não dá para viver feliz sem ter um homem do lado, sem ter um relacionamento, sem casar. Porque somos indefesas e precisamos da defesa de um homem, A gente não sabe que dá para viajar sozinha, ir ao cinema sozinha, beber sozinha, ir à festas e shows sozinha... A gente acha que só vai ser feliz se tiver um homem para nos fazer companhia. Assim, aproveitamos a deixa e ficamos burras, esquecemos como instala computador, não aprendemos furar ou pintar uma parede e não aprendemos a ser independentes "por que temos um homem".

Mas um dia, assim como eu aprendi, a gente aprende que somos suficientes e nos bastamos. Estudamos, trabalhamos, pegamos pesado para ter nossa independência e nenhum homem vai nos dizer o que fazer, nem hoje, nem nunca. Pelo menos não a mim! Sobre os fatos relatados acima: eu, por muito menos já botei homem para correr. Mas tem mulher que sabe que está infeliz, sabe que aquele homem não presta e nunca vai mudar e continua ali. Até quando Deus quiser. Mulheres tomem posse das suas vidas! Amem, mas amem a si mesmas muito mais em primeiro lugar. É tão maravilhoso se amar, se achar linda, independente e auto-suficiente. Não há nada melhor! Aprender com nossos erros e sofrimentos, é para mim, o principal motivo deles acontecerem, então vamos levantar da cadeira e lutar por nós mesmas, pois os homens só enxergam seus próprios umbigos.




Rafaela Valverde

quarta-feira, 5 de abril de 2017

O beijo na boca - Fabrício Carpinejar




Casais que não se beijam na boca estão se separando. Vão se tornando amigos, parentes, irmãos, até se esquecerem de caminhar de mãos dadas. Vão se apartando do cheiro da pele, do gosto do abraço, das provocações infantis de corredor, das pernas alisadas no fundo da coberta.

O beijo na boca é a autêntica aliança, o ouro que vinga, a certidão que não desbota. Só que me refiro ao beijo mesmo, de girar o corpo, o pescoço, o rosto. Selinho não conta, onde os lábios são uma carta para quem já está distante. Beijo seco também não vale, onde não há a ameaça de morder os lábios.

O beijo molhado é que une. Um beijo úmido por dia renova o amor. O beijo de quem tem saudade dos tempos apaixonados, um beijo que ainda sopre de volta os elogios ditos um para o outro. O beijo sussurrado, em que os sons tremem com as respirações próximas.

O beijo que não tenha a necessidade de ser pensado demais senão surge sem jeito, forçado, cinematográfico. O beijo que seja um segredo a dois, que você extravie o horário e suspenda a noção do lugar. O beijo que toque uma canção dentro, que desperte a vontade de dançar.

O beijo de língua não permite o vazio crescer, a lacuna, o lapso. Pois uma ausência dentro de casa ainda tem conserto, duas ausências não têm como recuperar – o par esqueceu o amor em algum lugar das lembranças e não correu para reaver.

O beijo de língua desfaz as formalidades, os medos e a educação que esfriam a relação. Beijo de língua é beijo para combater o tédio, a mecânica repetida dos gestos. Beijo de língua salva os desaforos, perdoa as críticas e as cobranças. É como uma janela batendo com a chegada da chuva, uma porta batendo com o vento. É um susto que põe o coração a bater de novo.

Nem o sexo resolve o que o beijo faz. A transa sem beijo é apenas desafogo, catarse, apego de bichos. O beijo com língua é o que nos singulariza entre os animais. Casais felizes sempre se buscam pela boca. É uma receita simples de longevidade. Sem o beijo, a pessoa tem a vontade de largar tudo e ficar sozinha. Com o beijo, ela não perde a vontade de largar tudo, mas com a diferença de querer levar junto aquele que ama.



Rafaela Valverde

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Andando em círculos


Tudo é muito confuso. Eu não sei se você me quer. Na verdade eu sei que não quer. Eu só não gosto de admitir e fico mergulhada nesse vão imundo. Estou presa em você, estou presa nesse sentimento cheio de limo e bolor. Não porque é um sentimento sujo, mas porque já dura tempo demais. Me pergunto e  pergunto a Deus quando vai acabar. Se vai acabar. E por que não acaba? Qual a razão disso ainda corroer meu peito me trazendo lágrimas aos olhos em madrugadas modorrentas.

Tenho medo. O medo me persegue constantemente. Tenho medo da ansiedade e a ansiedade me deixa com medo. Desconto tudo na comida, na bebida e no cigarro. Claro, não posso me entregar a você, então me entrego aos vícios prazerosos que um dia acabarão com minha vida. Eu não ligo. O dia de hoje é mais um dia desses últimos anos em que eu estou vivendo sem você. Não muito bem, talvez apenas sobrevivendo e cumprindo minhas obrigações como  uma cidadã decente.

Eu não sei o que temos. Eu sei que já tivemos alguma coisa. Mas escorreu pela minhas mãos como água. Nosso amor foi sólido durante esses anos, mas acabou rapidamente como um rio escoando para bem longe de mim. Não sei, não. Acho que eu espanto você. Acho que não sou o que você procura e em todos esses anos só agora você descobriu. Não culpo você. A vida é assim mesmo, nós somos assim mesmo. Seres humanos toscos, cheios de indecisões e defeitos.

Toda a minha esperança foi embora no dia que você se foi de vez. Ao longo dos dias em que não vi você voltando, durante aqueles dias vazios e sombrios eu matei a minha esperança. No lugar dela ficou um buraco fundo, parece um poço. Ele se enche de lágrimas quando você me chama de maluca quando eu digo que te amo. Ele, o poço, nunca vai transbordar, derramar e se cansar. Parece que não. Ele tem sede, ele enche e seca. Para logo em seguida encher de novo. Um círculo vicioso miseravelmente baixo, que me faz passar por uma enorme humilhação diante do mundo. Sim, é tudo muito confuso. E mesmo que você passe noites inteiras conversando comigo, você nunca vai conseguir ter noção de tudo o que eu sinto, você nunca vai saber como é esse poço sem fundo, vazio e escuro dentro de mim.

É, eu sei. Pareço chata, às vezes. E sou mesmo. Sou chata. Até eu mesma já enchi de mim. Não suporto mais me ver te amando. Grito mentalmente que não deveria sentir essas coisas que já duram uns dez anos, mas elas insistem em se manter aqui. Enchendo meu saco, me perturbando. Mas eu juro, eu juro mesmo, que não vou mais terceirizar essas coisas e não vou mais passar isso para você. Você não vai mais precisar lidar com isso, eu juro. Você vai mesmo esquecer que eu existo, porque sim, eu vou sumir dos seu campo de visão. Me perdoe. Mas eu não sou maluca. Eu apenas te amo.



Rafaela Valverde


terça-feira, 28 de março de 2017

Da cama às pequenas conquistas


Com quem vou dividir minhas pequenas conquistas? Sabe aquelas pequenas vitórias cotidianas como por exemplo, uma prova de uma matéria que eu estava muito ruim e consegui melhorar? Pequenas coisas, sutilezas da vida. E eu não tenho com quem dividir. Minha família não se interessa muito e assim não posso expressar toda minha empolgação cm uma coisa que parece tão pequena mas que para mim soa como uma superação nesse semestre.

Não há ninguém para comemorar nada disso comigo. Ter alguém por perto para dividir essas coisas é o que mais faz falta. Nossa, como é bom de noite contar nosso dia, nem que seja pelo telefone. Como é bom ouvir o dia do outro. Entre eu, minha mãe e minha irmã não há muito esse hábito de conversar horas. E há dias em que fico tantas horas calada que quando volto a falar estou rouca de tanto não falar

E olhe que nem curto falar tanto assim. Mas eu sinto falta dessa pessoa que vai me ouvir falar dessas pequenas conquistas diárias. Eu sinto falta de alguém que me lhe nos olhos e me escute ou simplesmente me escute mesmo que no telefone. Eu sempre tive momentos de reclamar de solidão, de me sentir sozinha, mas eu nunca me senti tão sozinha como nesses últimos dois anos. Sinto que ninguém se importa de verdade comigo e eu não tenho relações profundas com pessoas.

Eu tenho uma amiga mais próxima, que faz às vezes de ouvinte, mas não é disso que estou falando. Não sei se é possível alguém entender minhas elucubrações. E nem sei se quero. O que sei é que preciso de gente, preciso de gente que me escute, me enxergue, me entenda ou pelo menos tente, sem julgamentos. Só isso. Preciso de gente para conversar comigo e para me perguntar como foi o meu dia, mas não só perguntar, preciso que escute de forma interessada. Não simplesmente pergunte por perguntar. Eu quero apenas que seja comigo como eu sou. Eu quero um sonho, uma ilusão.




Rafaela Valverde 

sexta-feira, 10 de março de 2017

Resenha acadêmica de Nove Noites - Bernardo de Carvalho - Parte III


Alguns dados foram encontrados, mas o jornalista optou em não atribuir juízos de valor às informações encontradas. Mas o fato era que ele, o americano, não gostava de estar no Brasil. Ele queria ir embora e escrevia isso em cartas sempre que tinhao portunidade.   Não   se   sabia   o   motivo   exato,   por   exemplo,   ele   poderia   ter   alguma inimizade com alguém, o que poderia ter resultado um homicídio e não um suicídio. Sim, houve essa especulação na grande colcha de retalhos que se tornou Nove Noites 

.Já quase no finalzinho do livro em um dos momentos narrados por Manoel Perna, ele conta que durante essas nove noites que esteve conversando com Buell Quainteve certeza que todas as histórias que ele contou pareciam confissões, mas de alguma coisa além do que parecia realmente estar contando. “Foi a preparação da sua morte.”Manoel afirmou ainda que não acreditava que ele, Buell, pudesse ter feito algo errado,mas que pudesse estar tentando dizer que se mataria em breve.

Nove Noites é um livro rico e em alguns casos se torna até meio repetitivo no que diz respeito à ausência de informações precisas sobre a morte de Buell Quain. Dessa forma, o livro traz narrativas dentro de uma narrativa. Já no final há uma nova história: o pai do jornalista-narrador está em um hospital internado ao lado de um velhinho bem doente que pode ter conhecido o antropólogo americano. Isso ele conclui depois de investigar o idoso já moribundo. Essa parte encerra o livro com chave de ouro, já que não se espera o que pode vir dessa nova narrativa apresentada dentro de um hospital. É surpreendente essa nova possível nova perspectiva da história. O que deixa ela ainda mais genial. O idoso internado é um fotógrafo que pode ter convivido com Buell um tempo e pode ser autor de uma icônica foto do americano. Ele envia cartas para diversas pessoas   nos  EUA  e   vai   até lá tentar   descobrir  mais algo   sobre   essa possível ligação. Na volta encontra se com um jovem “orgulhoso e entusiasmado” que vinha estudar os índios brasileiros. Perplexo, o jornalista brasileiro pensa em como aquela situação é irônica e como os mortos podem atormentar os vivos.




Essa resenha foi solicitada como forma de avaliação junto com um debate sobre o livro para a disciplina de Literatura Brasileira e a Construção da Nacionalidade do curso de Letras da UFBA- Universidade Federal da Bahia. E foi escrita por mim.



Rafaela Valverde

Resenha acadêmica de Nove Noites - Bernardo de Carvalho - Parte II


Ora, era justamente a ideia que Bernardo de Carvalho rechaça. Os índios devem ser tratados como gente, como os seres humanos que são. Com seus defeitos e suas virtudes. A ideia que ainda se tem sobre o índio é que além de ele ser passivo, é  oco e superficial.   Índio   não pensa,  índio   só   quer   umas   lembrancinhas  e alguém   que   os defenda. Essa é a ideia paternalista que o livro pretende desbancar. E consegue. O livro passeia por histórias e emoções, o livro vai e vem. E assim será esse texto, ele vagueará pelas histórias  contadas  em   Nove  Noites   e  pelo   mistério que   ronda  o  suicídio   do etnólogo americano.

Dessa forma, há de se falar da morte, da vida, das cartas e de tudo mais que possa ser interessante sobre a vida de Buell Quain. Essa busca pela vida do antropólogo está   diretamente   ligada   à   vida  do   narrador.  A  análise   desse   texto   buscará   ser   tão obsessiva quanto a busca dele. Portanto trechos e parágrafos se vão se misturar e se intercalar para contar essa (s) história (s).

O narrador, depois de adulto, retornou à comunidade dos  Krahô, acompanhado de   um   antropólogo  conhecido.   Ele   conheceu   o   velho   Diniz,   único   membro   da comunidade vivo que conheceu Quain quando ainda era menino. Havia a esperança de que ele falasse sobre local em que o americano havia sido enterrado e outras questões. O velho Diniz mal havia sido apresentado ao jornalista e foi logo pedindo seu gravador. Negando educadamente, ele informa que precisa dele para trabalhar, o índio rebate: “Lá em   São   Paulo   você   compra   um   igualzinho   e   manda   pelo   correio.”   É   um   trecho marcante, pois evidencia o quão os índios são humanos, o quão os índios que moram no Brasil são realmente brasileiros. Enfim comprovam que índio é gente e gosta de todas ascoisas que todas as outras pessoas gostam. O velho Diniz conta que os índios chamavam Buell   de   “Cãmtwýon”,   sendo   logo   questionado   sobre   o   significado.   Mas   não   há significado específico, ao contrário do que se pensa que sejam os nomes indígenas. Mais um estereótipo quebrado. 

Diniz   ainda  conta   que   o   antropólogo   americano  raspou  a   cabeça,   enquanto tomava banho no rio, no dia seguinte à sua chegada: ajudou em um parto, deu nome ao recém-nascido, mas não queria participar de nada. Não se envolvia em nada e passava dias escrevendo, não bebia muito e costumava ouvir música às vezes. Era um homem bastante   reservado.   Diniz   achava   que   ele   havia   enlouquecido   depois   que   recebera algumas cartas. Nessas cartas, que foram queimadas por ele antes de morrer, haveria anotícia de que a mulher o havia traído com o irmão.

Mas   essa   história   não   é   verdadeira.   Há   muitas   contradições   e   versões desencontradas sobre as possíveis causas do seu suicídio. A mãe e a irmã dele afirmam que ele nunca havia sido casado e não tinha irmão. Só irmã, mãe e um pai que eranmédico, mas não muito próximo dele. Há ainda várias hipóteses sobre o momento da sua morte: “foi se cortando todo, ainda de dia, descendo sangue”, depois “queimou dinheiro.” Havia ainda informações sobre ele ter queimado as cartas que recebera, pois elas nunca foram encontradas. Ele teria se cortado no pescoço e nos braços e depois se
enforcado. Enfim, como se vê, não há uma informação só sobre o inesperado caso.

Há relatos que o etnólogo sofria e que estava se cortando (foi questionado nomomento) e ele afirmara que “precisava amenizar o sofrimento, extinguir a sua dorcruciante.” Em geral, as pessoas atribuem o suicídio a sofrimento à depressão e é fácil perceber que o homem tinha picos  de tristeza  e crises existenciais. Ele em  alguns momentos interagia e estava bem. No momento seguinte, porém mudava o seu humor e se trancava.

“Ele se enforcou com a corda da rede num pau grosso, inclinado, quando os índios fugiram,” afirmou o velho Diniz. Pediu que fosse enterrado ali mesmo e seu pedido foi atendido. A sepultura foi marcada com talos de buriti e nenhuma polícia ou outra autoridade foi ao local. Não houve exumação nem abertura de inquérito e nem há registro em nenhum cartório ou fórum.

 A morte de Buell Quain foi esquecida, teve certa repercussão na época, mais entre o meio antropológico, além de ter sido um americano morto em terras Brasileiras. Nem a mãe e a irmã vieram ao Brasil ou solicitaram o envio do corpo. Não. Ele ficou esquecido lá nos confins do norte do Brasil. A colcha de retalhos de informações e especulações sobre esse suicídio nunca foi concluída. As costuras não combinam entres i e sempre há alguma discrepância entre elas. Nunca se chegará a nenhuma conclusão sobre o que teria levado o jovem americano a se matar.

Foi   observado   que   há   algumas   insinuações   sobre   uma   possível homossexualidade   do   etnólogo.   Em   alguns   trechos   das   narrativas   apontam   como estranha a ausência de mulheres na vida dele. Ele não tinha amantes, não olhava para as índias, não era dado a aventuras sexuais, era bastante recluso. Outro ponto que pode ser interpretado como insinuação sobre a sexualidade de Buell seria uma das últimas cartas que ele escreveu ao cunhado, e somente a ele, antes de morrer. Para muitas pessoas poderia passar despercebido, mas não é esse o caso. Há também o fato de ele não se dar bem com o pai, seria um indício?

Em determinados momentos do texto é narrada  a viagem do jornalista, sessenta e  dois anos  depois. Ele mantém  um relacionamento mais  próximo com  os   índios, participa de rituais e reconstrói algumas imagens sobre os indígenas. Pôde ainda sentir um pouco a  sensação de estar próximo aos índios  e pesquisou bastante a vida do antropólogo. Cartas e fotos por exemplo. Em uma carta escrita em 4 de julho, menos de um mês antes de morrer ele escrevia: “Duvido de que em algum outro lugar no mundo existam culturas indígenas tão puras. Mas, a despeito de todas as virtudes do Xingu, gostaria   de deixar   o   Brasil   definitivamente   e   limitar   meu   trabalho   a   regiões.” Ele reclamava das dificuldades de trabalhar com índios brasileiros. “Acredito que isso possa ser atribuído à natureza indisciplinada e invertebrada da própria cultura brasileira.” Ou seja, os indígenas brasileiros, já naquela época não eram passivos como se imagina. E quase nada se alterou na cultura do povo brasileiro.



Continua...


Rafaela Valverde

Resenha acadêmica de Nove Noites - Bernardo de Carvalho


Livro que foi publicado em 2002 e  recebeu   o   prêmio  Portugal  Telecom de Literatura Brasileira, Nove Noites é o sexto livro de Bernardo de Carvalho. Ele mescla fatos da vida do antropólogo norte-americano Buell Quain com a vida do narrador. No dia 02 de agosto de 1939, cinco meses após chegar ao Brasil em sua segunda visita, Quain  se   suicidou   aos   27   anos.  Ele   vivia   com   a   comunidade  indígena   Krahô,   noTocantins, quando decidiu tirar a própria vida.

O narrador, sessenta e dois anos depois, resolve investigar obsessivamente o caso, após ler um artigo no jornal que fazia rápida menção ao suicídio de Quain. Ele segue pistas, contata pessoas que poderiam estar ligadas ao antropólogo e vai até a região conhecer os Krahô, a fim de tentar saber informações sobre esse misterioso suicídio. Ele usa o pretexto de que vai escrever um romance. E a partir dessa obsessão as histórias começam a ser contadas, de forma intercalada.

 O   livro,   na   verdade   pode   ser   encarado   como   uma   colcha   de   retalhos   de especulações sobre o que teria motivado o suicídio do jovem antropólogo. Mas uma colcha de retalhos genial. Bernardo de Carvalho – que já afirmou que o livro é “uma combinação de memória e imaginação” – soube desenvolver muito bem a narrativa a partir de fatos reais. Em uma entrevista para a Revista Trópico, Bernardo afirma que queria escrever um romance que não fosse paternalista e que mostrasse os índios como eles realmente são. Afirma ainda que queria fugir de diversas outras abordagens que são paternalistas. 

Quain era uma pessoa solitária, não se envolvia muito com os índios, até porque assim foi orientado antes  de   aqui chegar.  Porém,   se isolar   era uma   escolha muito particular dele. Não se sabia muito sobre o antropólogo que viveu meses entre os Krahô. Tanto que após a sua trágica morte especulava-se na possibilidade de uma doença, como por exemplo, a lepra. Havia também falatórios sobre sífilis. De tudo se falou. Afinal, era preciso justificar de alguma forma aquela odiosa tragédia.

O Brasil vivia no período do Estado Novo e assim alguns estrangeiros que por aqui viviam poderiam vir a ser vigiados – pelo menos é o que é contado no livro – em caso de serem comunistas ou algo parecido. Dessa forma, a reserva de Quain sobre a sua vida se tornava ainda maior. Essa reserva aumentou ainda mais em torno do seu suicídio.

Manoel Perna, engenheiro que conheceu e conversou com o etnólogo conta diversas informações sobre a personalidade e costumes de Quain. Inclusive é da estada do americano em sua casa que surge o nome do livro, já que foram nove noites de histórias contadas. Essas nove noites foram dias de abrigo para Quain que viajava. O que Manoel conta é o resumo das histórias de Buell nessas nove noites que foram alternadas: a primeira em um momento, a segunda em outro e mais sete em outra
viagem do etnólogo. Eles conversavam sobre muitos assuntos e o engenheiro afirma que chegou a conhecer um pouco a personalidade do misterioso homem.

O narrador, que é obcecado por essa história entrevistou Lévi-Strauss em Paris. Ele se pronunciou sobre sua visita ao Brasil e sobre a emoção que sentiu quando soube das pequenas culturas indígenas que estavam sendo ameaçadas de extinção, ou sendo exterminadas aos poucos. Strauss afirmou ainda que “toda cultura tenta defender sua identidade”. É possível perceber no livro, alguns relatos e narrativas se comunidades indígenas que lutavam entre si, a fim de se preservar cultural ou territorialmente. 

Ou seja,  não   necessariamente   era   o   homem   branco   que   ameaçava   a   existência   dessas comunidades. Eles mesmos lutavam e guerreavam. Esse fato já desconstrói algumas ideias paternalistas de que o índio é “coitadinho” e que o homem branco era o único algoz. Porém, apesar de alguns conflitos, a maioria das tribos mantinha uma relação amistosa. Antes de visitar os Krahô, Quain havia visitado a comunidade dos Trumai e achado os “chatos e sujos”, eles pediam várias coisas materiais para ele, que sempre recusava. 

Parece que ele já estava pensando em morte, pois segundo Manoel Perna afirmou, por exemplo, que o americano falara que os Trumai viam na morte uma saída para seus problemas  – “uma libertação dos seus temores e sofrimentos.” Há ainda relatos de Perna sobre possíveis prenúncios de morte que ele poderia ter recebido. Em um ritual dos Trumai, através do qual buscava- se a cura de uma mulher. Era uma cerimônia, muito fechada e foi informado a Quain que se entrasse ele morreria. Ele ignorou e  entrou   mesmo assim.   Em  outra  ocasião,   enquanto caçavam aves  para  a retirada das penas, disseram-lhe que “um pássaro de cabeça vermelha a que chamavam de ‘lê’ era o anúncio da morte para quem o visse. Pouco depois ele deparou com a aparição fatídica e preferiu acreditar que lhe pregavam uma peça.”  

Manoel   Perna   afirma   que   ao   lembrar-se   das   histórias   do   antropólogo,   só chegava à mente dele a imagem do corpo do antropólogo enforcado, cortado com gilete no pescoço e nos braços, com sangue pelo corpo, pendurado acima de uma poça de sangue. Foi essa a cena que os índios descreveram para ele, quando foram dar a notícia. Nove Noites traz diversas questões, as quais são impossíveis de serem todas analisadas nesse texto. Porém, há a pretensão de abarcar o máximo possível de questões trazidas pelo livro. Questões sobre o antropólogo americano, questões sociais e políticas da época, questões indígenas, entre outras.

O narrador, que é jornalista, conta as histórias das suas andanças pelas florestas.Sua primeira viagem foi em 1967, quando tinha seis anos. Ele foi acompanhado pelo pai, que procurava fazendas para comprar. Comprara duas: uma na região do Araguaia e outra na região do Xingu. Nessas fazendas ele viveu algumas aventuras na infância, inclusive um acidente de avião com o pai. Ele nem imaginava que retornaria um dia àquelas matas para investigar obsessivamente circunstâncias de um suicídio. Em sua narrativa ele afirma, entre outras coisas, que ficou guardada em sua memória a imagem do Xingu como um inferno e que ele não “entendia o que dera na cabeça dos índios para se instalarem lá.” Para ele parecia burrice, um masoquismo ou até mesmo uma espécie de suicídio. O antropólogo que o levou à região, em 2001 também se questionava o porquê de os índios estarem instalados ali.

 Entre algumas coincidências entre o narrador e Quain, há o fato de ele ter estado, 62 anos depois, no mesmo local e data em que se suicidara o etnólogo: dia 02 de agosto.   O americano escrevia muitas cartas a seus amigos e parentes. Algumas, não chegavam a ser enviadas, como essa que seria para Margaret Mead, escrita no dia 04 de julho   de   1939   com   o   seguinte   trecho:   “O   tratamento   oficial   reduziu   os   índios   à pauperização. Há uma crença muito difundida (entre os poucos que se interessam pelo índios) de que a maneira de ajuda-los é cobri- los de presentes e ‘elevá-los a nossa civilização’ [...]”


Continua...



Rafaela Valverde




Bem sucedida e solitária


Parece que serei a mulher bem sucedida na carreira, escritora, acadêmica, com teses e muitas leituras. E por aí mesmo vou ficar. Não que isso não me satisfaça, é maravilhoso! Mas o que vai ficando claro a medida em que os anos vão passando é que não serei a mulher amada e que ama; não serei a mulher com um casamento bem sucedido e com amor.

Esses sonhos românticos não são para mim, deixo para os afortunados na vida, cujo sorriso demonstra a felicidade de estar ao lado de alguém. Parece que não nasci afeita aos lados românticos da vida. Ou eu tento me afastar deles ou eles se afastam de mim. Já vi que amor não é para mim. Até sinto, mas não vivo. E não tenho nenhuma esperança de viver novamente.

Eu tenho andado muito desiludida com todas essas questões românticas. Eu não quero mais saber de romantismo. Eu serei a representante oficial da mulher moderna, livre e bem sucedida. Mas sozinha, Sabe, não exatamente aquele sozinha de não ter ninguém por perto. É  a solidão que vem no final do dia - que é a hora de compartilhar coisas; é a solidão de não ter ninguém para abraçar a gente, para acariciar a gente, é a sensação de estar sempre calada ou de conversar com espelhos.

Outra sensação que tem se apoderado de mim nos últimos dias é a se eu realmente sirvo para ser amada, ou se sou mulher para encontros casuais e relações rápidas. Talvez sim, é provável que sim. Já tive meu pequeno conto de fadas, já tive meu momento. Agora ele já passou e é à minha carreira que irei me dedicar agora. Pelo menos ela não me faz sofrer.



Rafaela Valverde

A maçã - Raul Seixas





Essa música é muito especial para mim. Certa ocasião, alguém colocou um fone tocando ela em meu ouvido. E devido ao contexto da época ela me marcou e eu chorei muito. Ainda hoje choro. Hoje estava escutando rádio, no ônibus (!) e tocou ela. Adivinhem? Chorei.


Se eu te amo e tu me amas
E um amor a dois profana
O amor de todos os mortais
Porque quem gosta de maçã
Irá gostar de todas
Porque todas são iguais

Se eu te amo e tu me amas
E outro vem quando tu chamas
Como poderei te condenar
Infinita tua beleza
Como podes ficar presa
Que nem santa no altar

Quando eu te escolhi para morar junto de mim
Eu quis ser tua alma, ter seu corpo, tudo enfim
Mas compreendi que além de dois existem mais
O amor só dura em liberdade
O ciúme é só vaidade
Sofro mas eu vou te libertar
O que é que eu quero se eu te privo
Do que eu mais venero
Que é a beleza de deita




Rafaela Valverde

quarta-feira, 8 de março de 2017

Ser mulher - Silvana Duboc


Ser mulher...
É viver mil vezes em apenas uma vida.
É lutar por causas perdidas e sempre sair vencedora.
É estar antes do ontem e depois do amanhã.
É desconhecer a palavra recompensa apesar dos seus atos.

Ser mulher...
É caminhar na dúvida cheia de certezas.
É correr atrás das nuvens num dia de sol.
É alcançar o sol num dia de chuva.

Ser mulher...
É chorar de alegria e muitas vezes sorrir com tristeza.
É acreditar quando ninguém mais acredita.
É cancelar sonhos em prol de terceiros.
É esperar quando ninguém mais espera.

Ser mulher...
É identificar um sorriso triste e uma lágrima falsa.
É ser enganada, e sempre dar mais uma chance.
É cair no fundo do poço, e emergir sem ajuda.

Ser mulher...
É estar em mil lugares de uma só vez.
É fazer mil papeis ao mesmo tempo.
É ser forte e fingir que é frágil...
Pra ter um carinho.

Ser mulher...
É se perder em palavras e depois perceber que se encontrou nelas.
É distribuir emoções que nem sempre são captadas.

Ser mulher...
É comprar, emprestar, alugar, vender sentimentos, mas jamais dever.
É construir castelos na areia, ve-los desmoronados pelas águas.
E ainda assim amá-los.

Ser mulher...
É saber dar o perdão... É tentar recuperar o irrecuperável.
É entender o que ninguém mais conseguiu desvendar.

Ser mulher...
É estender a mão a quem ainda não pediu.
É doar o que ainda não foi solicitado.

Ser mulher...
É não ter vergonha de chorar por amor.
É saber a hora certa do fim.
É esperar sempre por um recomeço.

Ser mulher...
É ter a arrogância de viver apesar dos dissabores,
das desilusões, das traições e das decepções.

Ser mulher...
É ser mãe dos seus filhos... Dos filhos de outros.
É amá-los igualmente.

Ser mulher...
É ter confiança no amanhã e aceitação pelo ontem.
É desbravar caminhos difíceis em instantes inoportunos.
E fincar a bandeira da conquista.

Ser mulher...
É entender as fases da lua por ter suas próprias fases.
É ser "nova" quando o coração está à espera do amor.
Ser "crescente" quando o coração está se enchendo de amor.
Ser "cheia" quando ele já está transbordando de tanto amor.
E ser "minguante" quando esse amor vai embora.

Ser mulher...
É hospedar dentro de si o sentimento do perdão.
É voltar no tempo todos os dias e viver por poucos instantes.
Coisas que nunca ficarão esquecidas.

Ser mulher...
É cicatrizar feridas de outros e inúmeras vezes deixar.
As suas próprias feridas sangrando.

Ser mulher...
É ser princesa aos 20... Rainha aos 30...
Imperatriz aos 40 e... "Especial" a vida toda.

Ser mulher...
É conseguir encontrar uma flor no deserto.
Água na seca... Labaredas no mar.

Ser mulher...
É chorar calada as dores do mundo e
Em apenas um segundo, já estar sorrindo.
Ser mulher...
É subir degraus e se os tiver que descer não precisar de ajuda.
É tropeçar, cair e voltar a andar.

Ser mulher...
É saber ser super-homem quando o sol nasce.
E virar cinderela quando a noite chega.

Ser mulher...
É ter sido escolhida por Deus para colocar no mundo os homens.

Ser mulher...
É acima de tudo um estado de espírito.
É uma dádiva... É ter dentro de si um tesouro escondido
E ainda assim dividí-lo com o mundo!


Silvana Duboc

Leia mais: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=80968 © Luso-Poemas





Rafaela Valverde

Traição


Traição é coisa muita séria. Causa problemas diversos, não só para os envolvidos, como também para a família e amigos e até mesmo pode virar casos sociais de violência, já que sempre vemos por exemplo, casos de assassinatos por traição ou ciúme. Mas a verdade é que em algum momento alguém já teve vontade de trair ou foi às vias de fato mesmo.

Na verdade, é um assunto que vai de cada casa, de cada pessoa. Uma pessoa pode dizer que perdoa traição e realmente perdoar, ou não, vai saber. Outra pessoa pode dizer que nunca perdoa e perdoar dizendo : "ah, foi só um deslize bobo." Na hora mesmo que acontece a coisa é que vai saber qual a real atitude.

Eu já vivi um relacionamento aberto. Eu sempre fui muito tranquila em relação a ciúmes, mas nunca admiti a traição propriamente dita, apear de sempre ter dito que perdoaria. E realmente perdoaria. Eu não consigo admitir a traição porque penso que ninguém é obrigado a estar em um relacionamento sério, namorar, casar... Mas se a pessoa está e se comprometeu a estar, é só naquele relacionamento em que ela vai se focar.

Pelo menos é o que EU penso. Por que conheço muita gente que não pensa assim e mesmo estando em um relacionamento dito monogâmico, tem vários "casinhos" por fora. Quem sou eu para julgar mas tenho certeza que ninguém é obrigado a nada. Não quer estar naquela relação, separa. 

Eu já traí, uma vez e com uma certa culpa. Mas eu tenho bem os meus motivos para isso. E com certeza já devo ter sido traída. Só tenho certeza de uma relação em que não fui. Ainda assim, não por falta de vontade da pessoa. É tudo muito relativo, somos seres humanos e erramos. Erramos muito.




Rafaela Valverde

terça-feira, 7 de março de 2017

Manifesto contra 'homis' escrotos

Pessoas em geral não prestam, pessoas em geral não são confiáveis. Mas os homens estão de parabéns nessa história. Parece que na escola chamam os homens e ensinam como serem escrotos. Parafraseando Vivian, personagem de Julia Roberts em Uma Linda Mulher que fala exatamente essa frase, só que no lugar do "de como serem escrotos", a fala dela é sobre os homens aprenderem a bater bem na cara de uma mulher - é que abro esse manifesto contra os homens escrotos - quase todos.

Não estou aqui para generalizar, mas também não vou ficar defendendo homi bosta não. Pois bem: a maioria dos homens que conheci e fiquei são bem imbecis. Não têm papo, não sabem lidar com uma mulher; eu sou capaz de dizer que não conhecem mulher.  Os homens são inconstantes, indecisos (mudando de opinião de forma irritante, ao seu bel prazer), uma hora querem, outra não querem. E isso em qualquer coisa! Os homens, em sua maioria, não se importam com nada mais além deles mesmos e seus digníssimos paus. Ah, pelo amor de Deus! Grande coisa é um pau!

Há uma cultura tão grande de idolatria a esse órgão, que para mim é nojenta. Um pau sozinho não faz nada. Entendam isso! Mulher é um conjunto bastante complexo e não apenas o que está embaixo da nossa saia é que o interessa. Aliás, para vocês, sim, né! É só o que importa: buceta. Pra meter, gozar, virar para o lado e dormir. Mas eu hei de informar para vocês, homens, que nós mulheres, temos vários pontos erógenos pelo corpo, atrás dos joelhos, por exemplo, é um bom local, o pescoço... Vocês já chegaram nesses locais? Não, né? Porque vocês não se importam com o prazer feminino. Só com vocês mesmos e ainda não sabem fazer sexo, não descobriram ainda a magnitude do que é o sexo, que com certeza não é só buceta e pau!

Ainda falando de sexo, eu infelizmente preciso dizer aqui que o mesmo homem que adora receber sexo oral é o mesmo que não gosta de fazer. Tem nojo de buceta, dos pelos, do cheiro, sei lá o que! Eu já devo ter falado isso aqui umas quinhentas vezes mas ainda assim vou repetir: buceta tem gosto e cheiros característicos e isso que faz dela uma buceta. Se você não gosta desses dois aspectos, você não gosta de buceta! Ah, quem dera se o mesmo homem que não gosta de chupar fosse o mesmo que não gostasse de ser chupado!!

Eu tenho pena desses homens. Coitados. Dependem apenas do pênis para ter prazer e quando esses dito-cujos começam a falhar é um deus dará, porque não há interesse em descobrir outras formas de prazer para ambos, afinal sexo é uma troca, não é? Não, os homens passam a vida toda dependentes dos pintos e só usando eles, muito mal, ainda por cima.

E aqui não estou reclamando ainda da falta de tato masculina apenas no sexo não. A maioria dos homens não tem tato para nada. Já saí com um cara que me levou numa lanchonete, engoliu o sanduíche dele e aparentava muita presa de irmos logo ao motel. Fiquei com vergonha alheia ali mesmo, só não me mandei porque queria levar o encontro adiante apenas para finalizá-lo de vez. Em outra ocasião deixei um homem-britadeira, lá sozinho de pau duro, na cama e fui me embora. Que nada, eu não sou obrigada!

Em relacionamentos, quando resolvem entrar, os homens costumam fazer muita merda também. Uma das piores coisas é continuar a vida de pegador mesmo tendo mulher/namorada em casa. É ridículo! Vocês não são obrigados a terem relacionamento, se querem continuar pegando, fiquem solteiros, porra! Estamos no século XXI! Mas na sociedade retrógrada e conservadora em que vivemos, parece que as pessoas são obrigadas a se relacionarem, casar, ter filhos... Apenas para prestar contas à sociedade. Tsc, tsc, tsc...

Por último, mas nem por isso menos importante, ao contrário são as coisas mais importantes para mim em qualquer relacionamento, mesmo que seja somente um relacionamento curto, para sexo casual, o respeito tem que imperar, de qualquer jeito. Sejam carinhosos, gentis, cavalheiros (não no sentido de tratar a mulher como uma retardada, sem mãos) mas o que custa pegar uma bolsa pesada se vocês estão com as mãos vazias? Nada! Acreditem, a gente, por mais feminista que seja, repara em atitudes como essa e gosta de ser bem tratada. Quando terminarem de transar e os DOIS tiverem gozado, e isso eu digo para as mulheres também: se abracem, se acariciem! Carinho é maravilhoso. Não vão cada um para um canto com o celular não, isso destrói qualquer possibilidade de um novo encontro e vai destruindo aos poucos o relacionamento. Por fim: homens, ESCUTEM AS MULHERES! Será que é tão difícil escutar, não só ouvir? Prestar atenção e não ficar olhando para o celular? Será que é possível conversar com vocês? Ou vocês só sabem mesmo, e mal, fazer sexo?


Ficam as dicas!


Rafaela Valverde


sábado, 18 de fevereiro de 2017

La la land - Cantando Estações


Assisti La la land. O filme dirigido por Damien Chazelle é uma comédia musical romântica com atuações de  Ryan Gosling, Emma Stone, John Legend, etc., foi lançado em janeiro desse ano. Vou logo soltar o spoiler que o filme é maravilhoso, o melhor musical que eu já vi na vida. Logo, na primeira cena já fiquei empolgada. E sabia que havia ali um potencial. Ainda é dividido em estações, por isso  La la land - Cantando Estações.

O pianista de jazz Sebastian (Ryan Gosling) conhece a atriz Mia (Emma Stone). Eles estão tentando a sorte: ele recomeçando com o jazz e ela realizando testes para atuar em filmes. Sebastian tem o sonho de abrir um clube de jazz em Los Angeles e assim seguem tentando a sorte. Um belo dia se descobrem apaixonados e resolvem ficar juntos.E assim vão tentando permanecer juntos enquanto lutam para realizar seus sonhos de carreira.

Eu não vou contar mais sobre o enredo. O filme é lindo, mas não é a beleza somente na história que está sendo contada e sim na maneira que está sendo contada. A história poderia ser narrada de várias outras formas, mas a que foi escolhida com certeza foi a melhor e mais inovadora. Os diálogos são bem articulados com as músicas e eu gostei bastante. Não vou ficar aqui falando mais nada não. Ainda está em cartaz e provavelmente deve ficar até depois do Oscar. E deve levar algumas estatuetas sim. Saí do cinema com lágrimas nos olhos e extasiada. Recomendo!




Rafaela Valverde

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Seus braços


Seus braços me envolvem, me protegem
Me aninham, recarregam minhas energias
Braços grandes e fortes
Que meu querer subvertem
Me aninho, me aqueço
E vou vivendo meus dias
Ai meu Deus, que sorte!
Em você desapareço
Não sei de vergonha
Não sei os motivos
A vida fica enfadonha
Se você não está por perto
É uma sensação idiota
Não tenho outro adjetivo
E não sei mais o que é certo
Mas sei que você não faz chacota
Mas era isso que queria dizer
Que em seus braços me acho
Relaxo
E não me importo com mais nada
Em seus braços eu me perco
E tenho cada vez mais certeza que você foi um acerto!




Rafaela Valverde


sábado, 17 de dezembro de 2016

Música é magia!


Eu vivo música, eu faço tudo com música. Eu preciso de música. Eu amo música. Música é poesia ritmada. Quando estou estudando, escuto música, quando eu estou fazendo faxina eu escuto música. A arte é a forma mais sublime de ser humano, criar e contemplar arte nos diferencia dos outros seres vivos.

E a música é a mais marcante forma de arte para mim. A poesia está nela e isso me agrada. É claro que eu falo de boas letras, bons arranjos e intérpretes genias. Mas às vezes nem precisa tanto. ás vezes só mesmo o ritmo da música, o som, a voz do artista, ou algo na letra nos toca de uma forma tão profunda que é impossível desgrudar e a gente ouve a música toda hora.

Em alguns casos, uma música nos descreve ou contempla alguma ação nossa, ou ainda nos dá força para não desistir e continuar a lutar. A música faz meu espírito vibrar, a depender da música eu viajo para outras épocas ou prevejo o futuro. Ou ainda posso ter mais positividade ou negatividade no pensamento.

Mas também gosto de músicas tristes, elas são arte. E eu bem sei que quando estamos melancólicos, sofrendo temos um grande potencial criativo. Eu adoro música. E mesmo quando eu estiver velhinha ainda vou adorar. Gosto de vários tipos de músicas, contanto que sejam boas. Música é que nem livro, tem que me agradar logo de cara, tem que passar logo sua mensagem.

Mas a música é poderosa, ela pode fazer milagres. Ela faz dançar, pode ser romântica, pode ser funcional e ser trilha sonora... Pode fazer chorar, pode trazer lembranças e emocionar. Música é mágica. Me sinto grata por existir música no mundo.



Rafaela Valverde


sábado, 10 de dezembro de 2016

Intimidade


Relacionamento bom é aquele que tem intimidade. E aqui não falo apenas sobre relacionamentos amorosos e nem sobre intimidade artificial. Falo sobre todo e qualquer tipo de relacionamento.  E falo sobre aquela intimidade que é tão, mas tão forte que só de olhar para o outro já se sabe o que ele está pensando.

Intimidade é uma coisa difícil de ser conquistada, especialmente hoje, nesses tempos de relacionamentos efêmeros. Não é de um dia para o outro que se se consegue intimidade. Dois amigos que são íntimos quase não se chamam pelo nome. Geralmente se chamam por palavras que seriam xingamentos para as outras pessoas ou ainda nomes engraçados. Eu chamo minha amiga Fernanda de viada, jumenta, etc. E a gente fica numa boa, a gente se entende, ninguém se desentende por isso. Ela também me xinga de idiota e outros nomes lindos... E é uma relação de amizade que sinceramente eu não nunca tive.

Um casal que tem intimidade solta pum na frente do outro sim. Não têm reservas, nem constrangimento. Eles até riem dos puns. Não precisam pedir desculpas ao soltar pum ou arrotar. Essas são coisas que todos, TODOS os seres humanos fazem e por estamos muito próximos daquela pessoa, por sermos tão íntimos porque não fazer perto dela? Eu acho isso uma puta besteira. Alguns homens acham que mulher não peidam nem arrotam. Más notícias para vocês queridos!

Tomar banho junto, para casais, compartilhar banheiro, comentar e rir sobre puns são sinais de grande intimidade. E é disso que se trata um bom relacionamento, na minha opinião, é assim que se constrói um relacionamento daqueles que realmente valem a pena. Relacionamento bom é relacionamento com intimidade. Intimidade não se conquista de um dia para o outro, ela é construída ao longo do tempo e é preciso querer construí -la. Intimidade se constrói com amor.




Rafaela Valverde

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Distante -Jorge Vercillo


Não tem nada,
Sei que a estrada é o seu lugar.
Não vamos nos perder,
Posso até sentir...
Minha imaginação voa longe
Para onde quer que você vá,
Meu pensamento irá.
Pois meus sonhos são os seus

Se você não está aqui,
Tampouco estou dentro de mim
Sigo ausente pela vida alheia tudo ao meu redor
Sou o vento que lhe envolve,
Sou a noite a lhe abraçar
Mas agora ao telefone, tão distante eu lhe senti
Só não quero imaginar
Você vivendo outros amores por aí...
Só não quero imaginar
Você vivendo outros amores por aí



Rafaela Valverde



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