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terça-feira, 31 de outubro de 2017

Quarto de Despejo: diário de uma favelada - Carolina Maria de Jesus

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Quarto de Despejo: diário de uma favelada é um livro lançado em 1960  e escrito por Carolina Maria de Jesus. A autora trazia em seus relatos quase diários, seu dia a dia na  antiga favela do Canindé em São Paulo. Lia bastante e gostava de escrever, registrando como fotografias os fatos de sua vida cotidiana em diários.

O livro foi publicado por meio do jornalista Audálio Dantas, que em reportagem visitou a favela e conheceu a escritora, se oferecendo para levar os manuscritos em editoras. Carolina narra os fatos da sua vida pessoal com os três filhos pequenos entre 1955 e 1960. A pobreza, a fome e o sofrimento que passavam, mesclados com fatos das vidas alheias, seus vizinhos. Esses fatos davam um panorama geral de como funcionava a favela. Brigas entre vizinhos, confusões, festas, etc. Ela morava em um barracão com os três filhos. Catava papel e outros materiais descartáveis para sobreviver.

O livro é basicamente isso. O diário de Carolina, contando as desventuras da vida de favelada. Ou seja, uma favelada contando, falando de si e da sua realidade. Ao invés de pessoas de fora fazerem isso. O livro, segundo o site Wikipédia, é considerado um dos marcos da literatura feminina brasileira. Foi traduzido para mais de treze idiomas. O engraçado é que eu nunca havia escutado falar no livro e na autora antes de entrar no curso de Letras. Engraçado, não. Trágico. E horrível. Mas que bom que pude ter acesso à essa obra agora. E eu gostei muito! É um livro bem político. Forte!

A escrita foi conservada como a original. Com os "erros" de ortografia e concordância também conservados, para preservar a escrita original. É o livro mais diferente que eu já li na minha vida. E já estava me sentindo fazendo parte daquela rotina. Que apesar de sofrida demonstrava que ela sempre foi uma mulher muito forte, assim como todas as mulheres negras e faveladas que eu conheço. Muito bom dar voz a quem tem voz. Pena não ter lido antes. Mas com certeza entrou na lista dos meus livros preferidos. 




Rafaela Valverde




segunda-feira, 24 de abril de 2017

Recife - Erel 2017


Estive esse mês pela primeira vez em Recife Pernambuco. Fui ao Erel - Encontro Regional dos Estudantes de Letras. Fui apresentar pela primeira vez meu trabalho de pesquisa. Tivemos alguns perrengues, eu e meus amigos, em relação ao acampamento e à organização do evento realizado pela UFPE, mas fora isso amamos Recife.

Eu pelo menos gostei bastante. Visitamos Olinda e Porto de Galinhas que são municípios próximos da capital. Essa foto acima é de Recife antiga, Marco Zero. Primeiro lugar que fui. Além de atividades acadêmicas na universidade, turistamos bastante na cidade e região. Tenho que dizer que sempre rola alguma comparação e eu senti inveja de Recife por dois motivos principais, claro que foram só cinco dias que estive lá, então minha análise é superficial. Então, os pontos que tive inveja da cidade foi que Recife conserva seus prédios históricos e consequentemente sua história. Pode ter problemas do tipo mas meus olhos encantados de turista viu poucos prédios mal conservados e nenhum em ruínas e perto de cair.

Como eu disse, pode ser que meus olhos tenham se enganado, mas foi essa a impressão que tive. A segunda inveja de Recife é relacionada à limpeza urbana. Sinceramente, alguém dizer que Salvador é uma cidade limpa deve ser cego. Soteropolitanos são muito mal educados e em a cada canteiro, bueiro e canto da nossa cidade é possível encontrar alguma embalagem de picolé ou garrafa de água. É só sair olhando atentamente os cantos da cidade, que vê fácil, fácil a sujeira de Salvador.

Eu observei os cantos de Recife também. Pouco, pelos poucos dias que passei lá, não é suficiente, mas ainda assim, notei que os cantos entre a rua e meio fio não têm garrafas de água, nem palitos de picolé como aqui na minha amada cidade. Perto da UFPE tem várias barracas de lanches e ponto de ônibus, por ali dá até para ver talvez um papel de bala ou outro que o vento leva, mas é diferente da sujeira que parece que brota do solo de Salvador. Enfim, eu acho que é mais uma questão de educação mesmo, já que o cidadão soteropolitano atira quantidades enormes de lixo pelas janelas dos ônibus e carros. É isso, é só minha impressão sobre alguns fatos que observei na cidade. E fora que Recife já tem BRT que é um tipo de ônibus mais rápido, com pontos específicos e que dizem que há anos que terá em Salvador também. Enfim, amei Recife, Ipojuca que é onde Porto de Galinhas e Olinda.




Rafaela Valverde

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Odeio shopping!


Eu odeio shoppings. Aqueles corredores labirintosos intermináveis. Não sei quem inventou que shopping é coisa de mulher, ou que mulher adora ir ao shopping. Eu tenho mais o que fazer do que ficar andando para lá e para cá dentro de shopping. Dia desse me perdi naqueles corredores para depois descobrir que eu estava bem perto de onde queria ir e andando só fiz me afastar ao invés de chegar.

É claro que eu vou ao shopping. Eu não posso ser hipócrita e dizer que: "nossa, eu sou uma natureba reclusa que se recusa a ir ao shopping." Não, não é a  minha pretensão. E não, eu não sou natureba e nem reclusa. O que quero dizer é que eu e os shoppings não combinamos muito bem. As pessoas ultimamente parecem que andam em um transe, um tipo de "zumibilização" retardante e andam devagar. Muito devagar.  Especialmente dentro do shopping, até porque eles foram construídos para isso mesmo, para que as pessoas pudessem andar devagar e ver as vitrines. As pessoas desfilam, param bem no meio dos corredores e andam com a cabeça baixa enterrada no celular. É uma das coisas que mais me irritam em um shopping, especialmente em datas como a que se aproxima que é a época de final de ano.

Não vou negar que shopping é prático e razoavelmente seguro. Pelo menos comparado com as ruas é mais seguro. Mas  só vou fazer esse tour de mau gosto em casos de extrema necessidade. Pagar contas, sacar dinheiro, usar o banheiro, curtir o cinema ou praça de alimentação são coisas que geralmente eu faço em um shopping. Mas não muito, não sempre. Quase nunca aos domingos. Eu acho que só fui ao shopping aos domingos umas quatro vezes na vida. 

Eu não gosto de muita gente falando, andando e sorrindo ao mesmo tempo. Parece uma vila feliz.Vila dos mentirosos. Vila dos compradores. A vila que sustenta o capitalismo. óbvio que o capitalismo é o sistema em que todos nós vivemos e ao qual não estamos dispostos a abrir mão. Mas shopping é um dos seus símbolos e irritante. 

No shopping você pode ser observado e observar. No shopping você não está sozinho e ao mesmo tempo é tão solitário. No shopping é possível encontrar pessoas, falta de educação, ladrões (sim!), frustração por não conseguir comprar tudo o que se quer. Mas também no shopping é possível encontrar boa comida, confraternização, filmes e livros, conforto e banheiros limpos.

Mas ainda assim eu odeio shopping.


Rafaela Valverde

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

A professora e coreógrafa Lia Robatto

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Lia Robatto é coreógrafa, dançarina e professora, nasceu em São Paulo mas mora em Salvador desde os anos 1950 quando veio ser assistente da professora de dança russa Yanka Rudzka que veio fundar a escola de dança da UFBA. Continuou dançando, se aperfeiçoando e virou professora de dança, fazendo a graduação de bailarina.

Casou - se com o fotógrafo e arquiteto Sílvio Robatto e fez história na dança da Bahia. Lia criou nos anos 1960 as suas primeiras coreografias para a Companhia de dança da UFBA. Após um tempo foi para a escola de teatro, onde trabalhou por um tempo, retornou posteriormente  à escola de dança. Onde ficou e deu aulas até se aposentar em 1982.

Em 1983 tornou se diretora do departamento de dança da FUNCEB, onde criou uma escola de dança. Criou ainda  a Usina de Dança do Projeto Axé.  Trabalhou na secretaria de Cultura da Bahia e montou vários espetáculos encenados pelo Balé do TCA, Grupo Experimental de Dança e outros.

Lia publicou três livros sobre dança. Dois pela editora da UFBA  e um outro pela editora da Casa de Jorge Amado com Lúcia Mascarenhas. O trabalho de Lia é grande. Ela ainda é diretora, dramaturga, curadora, etc. Passei a conhecer um pouco seu trabalho por causa da minha pesquisa de iniciação científica. Mas como a maioria dos seus espetáculos são relacionados à dança, eu e minha orientadora resolvemos mudar.

Lia recentemente doou seu acervo para o Centro de Memória da Bahia que fica no terceiro andar da Biblioteca Pública da Bahia nos Barris. Eu tive a oportunidade  de ver algumas coisas e ter em mãos a lista de todo  acervo. É enorme. Quem tiver interesse, passa lá. O pessoal é super acessível.



Rafaela Valverde

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Terapia


Comecei a fazer terapia. Finalmente. Sabia que precisava há muito tempo. Após uma série de desabafos de alunos da UFBA veiculados na mídia, falando sobre o mal estar que vivemos hoje na universidade, onde vivemos atolados e infelizes; surgiram várias iniciativas para terapias para nós alunos. Uma delas foi lá mesmo, na UFBA.

É uma terapia em grupo, com um psicólogo formado pela UFBA. O grupo inicialmente seria de dez pessoas mas estamos em seis. Já no primeiro dia, me fez muito bem ver aquelas pessoas passando por quase as mesmas coisas que eu venho passando. Sabe, de repente a gente deixa de achar que a culpa é nossa por não estar suportando e percebe que há uma instância maior, que atinge muitos alunos.

A gente não tem tempo para fazer quase nada do que a gente gosta no decorrer do semestre. A gente não conta com compreensão e flexibilização por parte de alguns professores. A gente tem que lidar com prepotência e desorganização. A gente praticamente não têm férias. A gente acaba odiando tudo isso. A gente odeia a área que a gente ama, a gente odeia ir às aulas, a gente odeia as pessoas. Tudo.

A gente só quer se formar logo. E assim tem gente lá do grupo que pega nove, sim eu disse nove disciplinas para poder terminar e se livrar logo. Isso é um sofrimento, é opressor. A gente passa até 12 horas dentro da universidade, a gente perde o prazer de fazer outras coisas, de fazer coisas que a gente gosta. A gente não têm mais tempo, na verdade. A gente pensa: "com tantas coisas para fazer, eu tô aqui vendo série, ou aqui vendo o pôr do sol."

É triste, é tenso. Mas estou conseguindo me libertar um pouco disso. Decidi que enquanto eu estiver sem trabalhar eu não vou estudar aos finais de semana e feriados, eu vou me organizando durante a semana e por enquanto está dando certo. Fico a semana toda atolada, mas consigo. Uma outra atitude que estou tomando para descansar a minha mente de toda essa agonia é ver um episódio da série que estou assistindo por dia. Ler outros assuntos, escrever, ouvir música, mesmo que seja no ônibus ajuda bastante. A nossa mente merece, o nosso corpo merece. Não dá para trabalhar o tempo todo, cumprir prazos o tempo todo e viver no standy by, no automático, sempre cansada, só sobrevivendo ao invés de viver plenamente.



Rafaela Valverde

sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Presidente de mesa pela terceira vez


Serei presidente de mesa mais uma vez esse ano. Claro que a contragosto. Em 2014, nas eleições presidenciais e para governador eu já saí de lá em clima de despedida e agora tenho que ir trabalhar o dia todo sem remuneração. Apesar de ter escrito em um formulário entregue pelos coordenadores e ter escrito em um documento importante da votação, a ata, que não queria trabalhar de novo, eles me convocaram.

Eu acho isso um despotismo e só me resta realmente e infelizmente cumprir essa determinação idiota. E quando acabar vou pessoalmente ao TRE para que retirem meu nome desse suplício. Enfim, em um país bagunçado como é o Brasil, já é um acinte a gente ser obrigado a votar, imagine ser obrigado a trabalhar de graça nas eleições. Um horror.

Agora estou fazendo esse treinamento chato, on line. Eu sou presidente pela terceira vez, mas como há alguns eleitores  com cadastro de biometria esse ano, é necessário fazê- lo novamente. O treinamento é quase uma lavagem cerebral: "estar lá sendo escravo do governo é um ato de cidadania." Tudo é um ato de cidadania. Ah  que porre. Eu gostava de ser mesária, em 2010 quando fui a primeira vez, fui voluntária. Mas cansa, satura. E eu não quero mais. Mas não temos vontade própria nesse país e isso me deixa muito chateada.





Rafaela Valverde

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

A menina das telas


Estou sem as minhas telas. Meu celular e meu tablet deram pau ao mesmo tempo e ambos já estão no conserto. Mas eu cheguei a conclusão que sou a menina das telas. Gosto sim de estar cercada por telas. Nem eu sabia disso. Mas quero as telas que eu possa ter e que o dinheiro (o pouco que eu tenho) possa me oferecer.

Eu sinto falta do meu celular o tempo todo e até fiquei meio jururu. Primeiro pelo prejuízo, especialmente quandro os dois quebraram ao mesmo tempo e segundo por que sinto falta dele, simplesmente. Estou carente. Fico procurando. Às vezes vou me deitar e procuro o celular para dar uma última olhadinha no Facebook antes de dormir. E já acordo pensando em pegar meu celular. Ele despertava para eu acordar e era a primeira coisa que eu fazia ao acordar era tocar nele, é claro. E depois ligava o wifi.

Não sei até que ponto isso é prejudicial ou não, mas hoje estamos mais que inseridos nesse mundo das telas. Eu adoro tablet. Tablet é uma coisa mágica, parece até do capeta! rsrsrs É sério, eu fazia quase tudo pelo tablet. Acessava meu e-mail, internet em geral, via minhas séries e filmes; lia textos da faculdade - é uma mão na roda e foi por isso que eu comprei - lia livros, etc, etc, etc. Foi o segundo tablet que eu tive e esse foi com meu dinheiro, sabe? O outro foi presente. E eu adoro tablet mesmo.

Eu até pensei em comprar um kindle que é um leitor de livros on line ou PDF da Amazon. Mas apesar da qualidade comprovada, da boa leitura que oferece eu prefiro mesmo um tablet que até mesmo tira foto. Enfim, parece que não tenho muita sorte com esses aparelhos, pois quebram. Sempre quebram. Eles não gostam de mim. Meu notebook quebrou há uns anos, já foi consertado e quebrou de novo.

Eu não gosto muito de consertar aparelhos, sou mais de ir lá e comprar outro. Se tiver grana, é claro. Como não tenho, não estou tendo, então fico sem mesmo. Eu adoro comprar celular. Estava pensando nisso essa semana. Sim, eu adoro comprar celular. Aquela sensação de tirar da caixa, ver o aparelho novinho, aprender a usar... é gostoso. E consumista! Eu sei, mas ainda assim se eu pudesse eu comprava um celular por ano. É isso, sou a menina das telas.



Rafaela Valverde

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Espelho de farmácia


Eu estava me sentindo mal e desci para comprar um remédio para náuseas - não sei como chama - tudo agora tem nome específico, até remédio. Que porre. A farmácia ficava na esquina, a poucos metros de casa. A luz do sol estava me incomodando por isso lembrei de pegar os óculos de sol, o que nunca faço. Aliás o dia estava lindo: céu azul praticamente sem nuvens, constatei assim que fechei o portão do edifício antigo onde me escondia há seis anos.

Um belo domingo de sol e eu de ressaca, que ótimo. Acelerei o passo e em poucos minutos cheguei à farmácia que estava vazia, já que ainda era cedo e todos os meus vizinhos deviam estar na cama, dormindo ou não, e preparando seus festivos e barulhentos almoços de domingo. Comprei o remédio "antiseiláoquê" e me olhei num espelho enorme que havia na parede da farmácia. De quem é essa ideia idiota de pendurar espelhos em farmácia? É para olharmos a nossa aparência quando estivermos em fase terminal?

Continuei ali me refletindo no espelho, olhando minha cara de bêbada quando vi de repente o rosto de uma velhinha pelo espelho. Ela me olhava e sorria mas não mostrava os dentes. Ela era bem velhinha e tinha o cabelo todo branquinho. Ela vestia um casaco vinho grosso de lã e uma calça preta, além de sapatos. Estranhei os trajes em um calor terrível daquele, mas logo encontrei o que poderia ser motivo: havia um tubo em seu nariz descendo pelo pescoço e enfiado por dentro do casaco. Fiquei sem graça e me virei para ela.

Ela estava com uma pequena sacola na mão com o que parecia ser um único remédio. E ficou parada ali até dizer que não era para e continuar sendo sozinha para não ficar como ela, tendo que ir à farmácia no domingo de manhã para comprar um remédio contra prisão de ventre. (Sim, ela disse isso!) Olhei para ela interrogativamente e ela apontou para meu rosto, me virei rapidamente e olhei minhas olheiras. Eu estava desde a quinta feira na farra. A minha cara estava uma desgraça.

"Cara de quem é sozinha, minha filha. E de quem se sente sozinha." Ela deu um sorriso e foi caminhando devagar, quase se arrastando para a saída da farmácia. E eu fiquei lá, estatelada, pensando na vida. Sim, literalmente pensando na vida. Não tinha vó sozinha e doente para me dar esse tipo de conselho, uma delas eu nem conheci e a outra é casada há cinquenta e cinco anos com meu avô. Suspirei e saí ainda avistando a velhinha andando devagar. Queria ajudá-la mas eu estava enjoada e ia para o lado oposto. Simplesmente continuei andando. Cheguei ao meu prédio, abri o portão e subi pensando em tudo que tinha que preparar para o dia seguinte, para uma amarga e solitária segunda feira de verão.




Rafaela Valverde

terça-feira, 13 de setembro de 2016

O que é feminismo?

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O feminismo é um movimento pacífico que luta por igualdade. É político e social e não se trata de uma guerra que objetiva provar a superioridade feminina. Não aguento quando chegam com esse papo de feminazi. Por que o nazismo foi uma ideologia e um sistema político escroto e cruel, não tendo nada a ver com o feminismo. Só posso dizer que essas pessoas – que fazem essa junção pérfida – são bem ignorantes. Pegar uns livros de vez em quando não faz mal, tá bom?

Pois bem, o feminismo começa a dar o ar da graça provavelmente no século XIX. O movimento, como é bom repetir, prega exclusivamente a igualdade entre os gêneros e não a superioridade feminina sobre os homens. Aliás, a igualdade se comprova no momento em que a mulher faz tudo o que o homem faz. Não há distinção, não há fragilidade! Seres humanos. Com sangue nas veias e respirando todos os dias. Feminismo não é o antônimo de machismo. Nada a ver, deixem de close errado minha gente. Tá feio!

Já o machismo, por sua vez, deixa bem claro que as mulheres são inferiores. Está aí a diferença. Um movimento prega a igualdade e o outro deixa bem claro a desigualdade e a inferioridade de um dos gêneros. O machismo faz, nós mulheres, nos sentirmos inferiores todos os dias. Afinal, os homens dominam o mundo desde sempre e as notícias na TV e nosso cotidiano não nos deixam mentir. 

Há muitos anos, na Antiguidade, o patriarcado surgiu e já dava todas as cartas. O homem é que era considerado o “fazedor” exclusivo do herdeiro. A mulher só participava como um solo para receber a sementinha que o homem plantaria. Uma guardadora do tesouro ali depositado pelo homem. Era a sua função única e exclusiva. O homem mandava, inclusive no corpo da mulher que deveria ser resguardado. Afinal, era preciso ter a certeza de que quem havia realmente plantara a sementinha foi o marido. A herança devia ser deixada para o filho legítimo e não para um bastardo.

Aí é que entra uma questão antiga do patriarcado: a mulher sempre sabe que o filho é dela. O homem, bom, nem sempre. E esse é um dos motivos da objetificação, misoginia e domínio que infelizmente permanecem até hoje. Era preciso uma marcação cerrada para que não viesse outro e levasse seu objeto. É claro que a igreja católica ajudou nesse processo, já que a mulher que tivesse liberdade sobre seu corpo e ousasse desobedecer seu marido era uma grande pecadora, mas  não vamos entrar nesse assunto, pois dá muito pano pra manga.

Porém, tanto sofrimento, tanto cerceamento não poderia sair incólume e as mulheres passaram a resistir bravamente a isso. O movimento feminismo avançou ao longo dos anos e traçou novos contornos para nós mulheres. Houve muita luta, muitas mortes, mas alcançamos avanços. Ao contrário do Nazismo que só destruiu e matou, o feminismo trouxe a vida para as mulheres, para nós. Ele não mata ninguém, nunca matou. Quem mata é o machismo. Esse sim é cruel e faz vítimas sem piedade. O machismo não precisa de permissão para existir, ele já está aí, todos os dias, enquanto o feminismo luta para ser aceito e para mostrar que só quer igualdade.

É graças ao movimento feminista que hoje nós votamos, vamos à escola e à universidade – onde inclusive somos maioria. Hoje podemos trabalhar, temos certa liberdade sexual e de expressão, podemos sair sozinhas, usar as roupas que quisermos e fazer alguns serviços antes considerados masculinos. Graças ao feminismo podemos fazer tudo isso.

É claro que ainda precisamos avançar, mas com certeza já estamos levando uma vida melhor do que nossas avós e tataravós. Infelizmente ainda somos discriminadas apenas por ser o que somos. Apesar de poder sair sozinhas e à noite, ainda somos assediadas e discriminadas pelo tamanho das nossas roupas e cor dos nossos lábios. Além disso, é necessário constatar tristemente que governantes do sexo masculino ainda dominam nossos corpos já que não temos total decisão sobre ter filhos ou não. Somos cobradas para ter filhos, para querer ser mãe, não temos a opção do aborto que garante liberdade ao nosso corpo.

Ainda falta muito respeito. Não precisamos nos dar ao respeito, já nascemos com eles. E afinal de contas qual homem tem que ser dar o respeito? Se eles têm respeito por direito desde que nascem, nós também temos que ter! Temos que exigir!  Ainda há muito o que se fazer, mas já temos avanços. Já avançamos muito mas a luta deve continuar. 

Com educação, com luta e com combate à violência de gênero que mata uma mulher a cada  noventa minutos no Brasil, segundo o IPEA, vamos continuar avançando para quem sabe nossas filhas não sejam estupradas há cada  dez minutos  e que tenham uma vida ainda melhor que a nossa. Se não fosse toda essa cadeia de luta eu não teria escrito esse texto e nem vocês leriam, aliás eu nem saberia esse pouco que eu sei hoje, o machismo  e o patriarcado não permitiriam. Por isso, mesmo que não saibam ou não queiram, todas as mulheres são feministas. No momento em que acham um absurdo não poder fazer as mesmas coisas que os homens fazem, no momento em que estudam, votam, escrevem, se posicionam, já estão sendo feministas.



Rafaela Valverde

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Passo de tartaruga não!

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Eu tenho andado quieta, distraída, preocupada e tensa. O que tenho que fazer para que a única coisa que ainda falta se resolver na minha vida, se resolva logo? Eu tinha problemas de auto estima, minha aparência não me agradava, eu tive problemas com universidade e cursos de graduação e eu tive problemas sentimentais e quase entrei em depressão, eu tive e continuo tendo problemas financeiros.

Porém meus problemas de auto estima se resolveram e hoje eu me acho bonita, eu consigo me amar, não uso mais óculos e amo meus cachos. Eu também decidi que quero estudar literatura - minha grande paixão da vida toda - e que quero ser professora. Além de ter conseguido entrar na UFBA, que era o que eu sempre quis. E eu resolvi meus problemas sentimentais, superei um amor do passado e encontrei outro amor, alguém que me aceita, me respeita e me merece. Mas os problemas financeiros continuam.

Nunca tive uma vida financeira tranquila e folgada. Nunca achei nada fácil e de graça. Fui trabalhas aos dezesseis anos para ter minhas coisas e minha independência financeira. Não durou muito e daí eu já sabia que teria uma vida profissional complicada. Desde então foi assim mesmo. O maior tempo que fiquei em um trabalho foi um ano e oito meses, claro que por culpa minha também. Sempre fiquei na faixa de quem ganha um salário mínimo e só. Quase sempre dependi de alguém ou de ajuda para me sustentar. Nunca tive um bom salário, um bom emprego. Parece que isso não é para mim. 

Então eu estava pensando: já que muitas coisas mudaram para melhor na minha vida, como por exemplo minha auto estima e problemas de decidir minha área de formação, por que então a minha vida financeira e profissional não pode ser resolvida de vez? Qual a dificuldade de apenas um único pedacinho da minha vida se resolver para ela ser tranquila? Eu já orei, fiz promessa, estudo que nem uma louca, fiz concursos e cursos, eu busco, eu vou atrás... Mas nada acontece na área profissional e financeira da minha vida. Por que? O que falta? O que falta eu aprender? Só falta isso para minha vida se ajeitar. Depois de estabilidade financeira e profissional eu serei uma adulta realizada. E sei que ralo para isso e tenho potencial. Isso ninguém muda, o que eu sou, ou que eu sei... 

Eu sei também que a vida não é fácil e que é aos poucos que as coisas vão mudando e se ajeitando. Nenhuma dessas minhas conquistas acima: entrar na UFBA, melhorar minha auto estima, ou encontrar um novo amor veio de forma fácil. Nada vem fácil, mas também não precisa vir em passos de tartaruga não. Eu tenho gostado muito da minha vida, eu tenho estado satisfeita, mas ainda não cheguei no patamar financeiro que preciso para poder realizar meus sonhos materiais. Eu espero que isso também venha. E que venha logo. Daí minha felicidade estará completa!


Rafaela Valverde

domingo, 11 de setembro de 2016

Incertezas financeiras

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Num domingo em que a data cheira a tragédia, estar de pé já lucro. A minha maior tragédia porém são meus problemas financeiros. Durmo e acordo pensando neles. Eles têm me atormentado de uma forma alucinante ultimamente. Além da crise econômica que está instalada em todas as nossas vidas, temos a crise política e o clima de instabilidade que deixa as nossas vidas caóticas.

Muitas incertezas atingem a vida dos brasileiros nesse momento e a minha não está de fora não é mesmo? A gente dorme catando moedas e acorda  pensando em soluções para driblar a crise, como trabalhar em casa, como vender coisas e dar aulas de reforço escolar. A gente precisa pelo menos sobreviver em meio a esse turbilhão.

Daí vem desemprego, bolsa atrasada, aparelhos eletrônicos que quebram do nada, contas que aumentam o valor a cada mês, despesas surpresas que vão surgindo e muitas vezes não resolvem o problema... Vem tudo ao mesmo tempo e a gente pensa que não vai conseguir lidar, nem raciocinar, nem resolver nada. Os problemas se aglutinam e nos devoram, nos sufocam.

Dívidas nem tanto, são mais compromissos mensais que assumi quando ainda tinha emprego. E agora tenho que saber viver e cumprir os compromissos com a minha bolsa da UFBA que é de 400,00 e ainda hoje dia 11 e não saiu. É um momento de incertezas. Temos que cumprir as obrigações da pesquisa e esperar o dia em que a "crise" permitir depositarem a grande fortuna dos bolsistas.

Tenho dúvidas do futuro, muitas dúvidas. Não posso deixar de dormir sem pensar o que será da minha vida na semana seguinte, no dia seguinte. Se terei transporte para sair, para ir à faculdade. Se conseguirei cumprir com meus compromissos. Essas dúvidas me dão muita aflição e preocupação e eu não consigo sossegar, vivo só de esperar.




Rafaela Valverde

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Voto nulo 2016

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Esse ano eu não vou votar em ninguém. Não sei, talvez vote em uma candidata a vereadora que realmente defende, abriga e trabalha pelos animais há anos e não é uma oportunista como muitos por aí. Pois bem, mas ainda assim não decidi se vou votar em alguém. Estou pensando em anular meu voto pela primeira vez. Fiz meu título há mais de dez anos e sempre fiz questão de votar, mas dessa vez é diferente. Estou desesperançada. E quem não está?

A democracia brasileira foi ferida. Não, eu não sou de esquerda, nem de direita. Eu não me rotulo. Eu só defendo a justiça e a democracia. E acho que qualquer pessoa de bom senso deveria defender. Eu acho sim que o governo de Dilma foi um desastre, principalmente nos aspectos político e econômico. O país foi lançado em uma crise que antes havia sido uma "marolinha". Enfim, tenho muitas críticas ao governo, mas acho que assim como diversos outros governos estaduais, municipais e até federais, com seus erros e acertos, chegaram ao fim. Por que só o governo de uma presidenta, uma mulher chega ao fim mesmo sem crime de responsabilidade fiscal? Mesmo sem nenhum crime?

Eu ainda não havia me pronunciado sobre esse assunto aqui, mas é esse o meu posicionamento. Me lembrei de escrever sobre política porque sempre de manhã estou ouvindo o horário político na rádio no caminho da faculdade. Faço questão de ouvir os dez minutos do horário eleitoral gratuito. Sim, gosto de saber como estão as campanhas, quais são as promessas e as mentiras que estão sendo contadas. Sim, porque é isso que eu ouço. Mentiras e ataques aos opositores. Será que não é possível fazer campanhas políticas sem baixaria? Sem atacar o outro? Isso me incomoda bastante e diminui mais ainda a minha vontade de votar.

O da TV eu não vejo, por que em geral não vejo TV, mas sei que é bem bizarro também. E sinceramente, não me interessa! Eu escuto o da rádio porque como vocês já sabem sou ouvinte fã da rádio Metrópole já saio de casa com o fone de ouvido e como são só dez minutos eu escuto para ver o que está ruim, bom ou péssimo;;; Ouço para criticar mesmo. E só consigo sentir que estou sendo enganada. Eu que sou tão desconfiada, como pude confiar em político algum dia na minha vida?

Que me desculpe quem faz campanha, segue, admira ou trabalha com candidatos, mas eles, em sua maioria, não me representam. Há candidato para a prefeitura de Salvador que diz que vai "conversar biblicamente com traficantes para acabar a violência", cara, que idiotia é em que estamos mergulhados? A candidata colocada em segundo lugar repete algumas das mesmas promessas do prefeito quando se elegeu há quatro anos e o prefeito que pleiteia reeleição nem cumpriu algumas dessas promessas... Me poupem! Eu não acredito mais em vocês!





Rafaela Valverde
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terça-feira, 16 de agosto de 2016

Sociolinguística

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A partir dos anos 1960 os estudos linguísticos passaram a se interessar também por questões relacionadas à sociologia. A sociolinguística nasceu da preocupação com áreas como a antropologia, sociologia, psicologia relacionadas à linguagem e à sociedade. O termo sociolinguística surgiu em 1964 em um congresso organizado poe William Bright em Los Angeles. Porém, antes no início do século XX, já haviam iniciado os estudos e a preocupação com os temas e suas relações.

William Labov reage às ideias de Chomsky sobre a ausência de componentes sociais em seu modelo gerativo. Labov insiste na relação entre língua e sociedade e na possibilidade de sistematização da língua falada. Em 1963 ele publicou um trabalho que destacava fatores  sociais para entender as variações linguísticas. Esses fatores poderiam ser  idade, sexo, ocupação, origem étnica entre outros.

A língua falada é heterogênea e diversa. E é a língua falada, sua observação, discussão e descrição e  análise das situações reais, se torna o objeto de estudo da sociolinguística. Assim é estudado que cada comunidade linguística utiliza maneiras diferenciadas para falar. Essas diferenças são chamadas de variedades linguísticas. O conjunto de variedades utilizadas  em uma comunidade é o repertório e as variações podem estar inseridas nos planos diacrônico (histórico) e sincrônico (época determinada ou atual).

Há diferenças no português falado nas regiões brasileiras. Essas diferenças podem ser lexicais, fonéticas, fonológicas, sintáticas e morfossintáticas. As variações podem se relacionar ao lugar ou região (variação diatópica), à formalidade da situação de fala (variação diafásica) e a aspectos socioeconômicos, escolaridade e contexto social (variação diastrática).

Cada variação pode ocorrer em uma região do país por exemplo. Ou mais de uma. Vai depender da comunidade em que os falantes estejam inseridos. A variação é inerente às línguas naturais segundo a sociolinguística, por isso é inevitável que uma língua natural falada não tenha variação. A gramática normativa nega essas variações e  prescreve que falamos exatamente como escrevemos.

Daí pode se abordar o preconceito linguístico, já que as gramáticas normativas são feitas pela elite que exige que falemos como eles acham que é o português certo e bonito. Com isso as variação diastrática e diatópica, que são relacionadas à questão das classe sociais e de lugares menos abastados são a mais tolhida pela "elite" . Ou seja, para a classe dominante quem fala "errado" são as pessoas pobres, sem educação, desempregadas e que moram na periferia ou na região Nordeste. Porém a SL não considera variações como agramaticais, ao contrário, nossas variações de cada dia são inteligíveis e nós como professores temos obrigação de mostrar aos nossos alunos que existem diferenças linguísticas e que não há quem fale certo ou errado, melhor ou pior. Os alunos não podem ser menosprezados por suas variantes e sim devem ser conscientizados sobre a adequação a depender de onde eles estejam.



Rafaela Valverde


terça-feira, 19 de julho de 2016

Reflexões de passarela

Imagem da internet
As pessoas vivem com pressa e pior que paradoxalmente reclamam que o tempo está voando. Os anos voam, envelhece se rápido. Ruas movimentadas são atravessadas destemidamente, tudo pela vontade de chegar mais rápido ou pela impaciência. E eu penso imediatamente no quanto a vida é valiosa. Ela não merece que nós arrisquemos tanto por tão pouco. Só para chegar uns minutinhos antes?

De cima da passarela eu observo, eu penso. É um turbilhão de ideias que vêm tão rapidamente e a pessoa continua lá esperando os carros pararem de passar para ela atravessar a rua. "Mas como assim, você já poderia ter vindo pela passarela, seu jumento!" Daí eu não entendo muito bem o raciocínio dessas pessoas e sigo meu caminho com a minha mente demente apostando corrida mentalmente com aquela pessoa otária que tem síndromes suicidas em plenas avenidas movimentadas de Salvador.

O que vale aqueles momentinhos economizados atravessando uma avenida ao invés de simples e seguramente atravessar pela passarela? O trabalho? Almoço? O crush esperando? Uma entrevista de emprego? Uma aula? Prova? O que é mais importante do que apenas não virar mingau de baixo de um ônibus ou de um caminhão? Bem, eu não entendo e nunca vou entender. Vou continuar passando pela passarela, sem me importar se estarei sendo chamada de abestalhada como se diz por aqui.

Mesmo tendo medo de passarela. Bem, eu ainda não decidi se é medo de passarela mesmo ou se é medo de altura. Só sei que não gosto. Não ando nas extremidades, de jeito nenhum. Somente no meio. E correndo. Quando dá. Passarelas são equipamentos muito caros para a cidade e são muito úteis e inteligentes, então por que eu vou seguir uma lógica primitiva de atravessar uma rua ou avenida movimentada? Para refletir!



Rafaela Valverde

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Curso de preparação de tortas - Senac

Terminei no dia 01/07 um curso de preparação de tortas no Senac. O curso teve a duração de vinte horas e em cinco dias eu pude aprender muitas técnicas sobre tortas. Aprendi novas técnicas e aprendi as que não sabia. Pretendo em breve começar a trabalhar fazendo tortas, por conta própria. Porém ainda preciso ter dinheiro para comprar uns equipamentos simples. Além disso, pretendo fazer outros cursos na área lá mesmo no Senac que é uma boa instituição. Abaixo, algumas das tortas que aprendi a preparar lá:

Torta Baba de Moça

Torta cremosa de camarão

Torta com cobertura de vidro




Rafaela Valverde

terça-feira, 28 de junho de 2016

Meu primeiro curso no Senac

Imagem da internet
Ontem comecei um curso de preparação de tortas no Senac. Como foi o primeiro dia ainda não tivemos muitos ensinamentos, apenas o básico para começar e noções de higiene. O primeiro dia foi mais uma socialização. Gostei bastante do ambiente e da professora. É claro que o nome do Senac já é bem famoso e sua qualidade realmente é condizente com a fama que tem.

Eu me inscrevi nesse curso no mês de abril e lembro que passei uma manhã inteira lá. Apesar de ser um curso pago, a procura é grande e finalmente ontem começou. Escolhi para junho já que é o mês das minhas férias. Bem, as férias já estão acabando mas os meus aprendizados com bolos e tortas apenas estão começando.

Eu pretendo fazer outros cursos na área como confeitaria e bolos artísticos. Eu sempre fiz bolos, biscoitinhos e sempre gostei. Me especializar nessa área será importante para ter um plano B, para ter novas opções, variar e ampliar os  meus conhecimentos e ganhar meu dinheiro. Algumas pessoas já me perguntaram se eu não tenho foco, já que faço faculdade de Letras. 

Eu não entendo como as pessoas ainda acham que a gente só pode ser uma coisa na vida. Não, nós podemos fazer várias coisas. A vida está aí para isso, para fazer a gente mudar, conciliar coisas e fazer o que nos dar vontade. Além disso, em tempos de crise como hoje, uma crise que não se sabe quando vai acabar eu acho extremamente importante se qualificar, ganhar dinheiro por conta própria, empreender e ser criativo. Vamos, eu e minhas colegas de turma, aprender as principais técnicas da área, vamos "pegar as manhas" como se diz por aqui.


Rafaela Valverde

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Biblioteca Pública dos Barris está fechada: a quem interessa?

Imagem da internet
Em um estado e em um país em que a leitura não é valorizada e quase ninguém lê, a maior biblioteca do estado encontra se fechada ao público há vários dias. No dia 10/06, uma sexta feira ainda pudemos adentrar no prédio para estudar, porém antes de 17h havia um rapaz nas portas de vidro fechando-as e controlando para que ninguém entrasse, só saísse. Ele me informou que era devido a uma greve dos seguranças que estavam sem receber e resolveram paralisar por tempo indeterminado. Só voltariam quando recebessem os salários atrasados. Justo.

O setor de empréstimo estava fechado. Grades com cadeado. Isso é uma falta de respeito com os frequentadores. Que são poucos, mas geralmente jovens que não têm condições de comprar livros e que realmente se importam com a leitura. Já vi também muitos idosos lá no setor de empréstimo. São essas pessoas que ficam prejudicadas, pois para quem frequenta e gosta de ir às bibliotecas faz muita falta.

Eu acho isso uma total e completa falta de respeito e já registrei uma reclamação na Ouvidoria do estado. Porque é isso que nós cidadãos devemos fazer. Devemos reivindicar nossos direitos e reclamar de algo que esteja nos prejudicando. Nesse caso, eu estou precisando de meus livros para incrementar minhas leituras tanto para fruição quanto para adquirir conhecimento e não posso tê- los. 

Realmente gosto de bibliotecas, sempre gostei e frequento a biblioteca central há uns dez anos e exijo que o funcionamento seja restabelecido. Vou ficar batendo nessa tecla e vocês não sabem o que é mexer com os livros e com a biblioteca de alguém. Se não tem dinheiro para pagar os funcionários da segurança, diminua os gastos do nosso dinheiro para benefícios e salários altíssimos dos políticos, inclusive o governador que deveria cuidar muito mais da parte educacional e cultural do estado já que afirma o tempo todo que se importa tanto com a educação. 




Rafaela Valverde

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Minha primeira aula

Imagem da internet
Hoje foi a minha primeira aula particular. Eu fiquei um pouco nervosa é claro, mas quem não ficaria?Mas a aula foi dada para uma conhecida de longa data, uma ex colega minha de Pedagogia, o que deixou tudo um pouco mais fácil. Mas ainda assim é uma experiência de tudo que eu já fiz. 

Eu já dei aula de reforço escolar para crianças, mas era um inferno. Sinceramente, não tenho nenhuma cabeça e paciência para lidar com crianças. E gosto de passar um pouco mais do que eu sei para pessoas adultas e que realmente sabem o que querem, possuem um objetivo. Crianças estudam porque são obrigadas.

Gosto de ensinar, especialmente sobre a escrita. Não que eu saiba muito, mas escrevo há alguns anos e minha evolução é visível. É isso, por hoje, eu queria apenas deixar registrada a minha primeira aula. De muitas, pois espero que venham muitas. Eu estou muito feliz, estou construindo coisas, vivendo experiências e espero que assim continue.


Rafaela Valverde

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Minha quarta tatoo

No dia 10 de maio eu fiz a minha quarta tatuagem e como já vai fazer um mês amanhã eu decidi fazer um texto. Eu sempre faço sobre minhas tatoos, mas como estava em um período tenso de final de semestre acabei não fazendo todos os textos que eu queria fazer. Mas agora vou falar sobre a minha pimenta na virilha. Sim, tomei coragem e finalmente fiz a minha pimentinha.

Eu ia fazer no seio, mas ia ficar um pouco exposta demais e com a conotação sexual que tem a pimenta, eu preferi ser menos chocante e fiz na virilha mesmo. Algumas pessoas não compreenderam onde é, já que essa foto que eu tirei uma semana depois não é muito fácil de identificar:

Imagem de minha autoria

Por isso estou dizendo aqui que é na virilha, próximo ao quadril. Com alguns biquínis dá para aparecer, mas com outros mais comportados não. Enfim, como eu disse a pimenta tem uma forte conotação sexual ou ainda pode ser significado de proteção contra olho gordo por exemplo. Mas fiz mesmo por causa da putaria mesmo (rsrsrs). Representa a pessoa picante que eu sou. Aliás todas as minhas tatuagens representam um pouquinho de mim. Eu amei a tatoo e fiz com Alberto Fúria, no Fúria Tatoo nos bairro dos Barris.



Rafaela Valverde

quinta-feira, 19 de maio de 2016

Debates (ou falta deles) sobre a homofobia no Brasil

Artigo de opinião escrito por mim em 2014


A homofobia ainda impera no Brasil, e é sabido que homossexuais sofrem preconceitos e violência, sendo muitas vezes levados ao extremo, causando mortes. Não há uma lei específica que puna a homofobia. E ações de conscientização e  de combate a comportamentos homofóbicos são realizados de forma insuficiente e concentradas apenas em pequenas ações de grupos LGBTs. São necessárias, portanto, ações mais enérgicas para tornar a homofobia crime. Mas o que acontece é o contrário, por exemplo, o projeto de lei da Câmara Federal, conhecido como PLC 122 que tem como objetivo criminalizar a homofobia, está parado desde 2006 e sem previsão de quando será votado.

 Tida por muitos como atitude urgente a ser tomada, a criminalização de atos homofóbicos no Brasil, pelo visto ainda faz parte apenas de discursos eleitoreiros. Em setembro, após um debate dos presidenciáveis em uma emissora de TV, a presidente eleita Dilma Roussef, na época candidata à reeleição, deu a seguinte declaração defendendo a criminalização da homofobia no Brasil: “Sou contra qualquer forma de violência contra pessoas. No caso específico da homofobia, eu acho que é uma ofensa ao Brasil. Então fico triste de ver que temos grandes índices atingindo essa população. Acho que a gente tem que criminalizar a homofobia, que não é algo com o que a gente pode conviver.”

Quem ouvir ou ler essa fala da presidente Dilma pode imaginar que ações efetivas estejam sendo realizadas pelo Governo Federal afim de viabilizar o surgimento de uma legislação específica para tratar o tema, mas não é isso que as estatísticas mostram. Segundo o blog Homofobia mata que traz dados do relatório do grupo gay da Bahia (GGB) de 2013-2014, um gay é morto a cada 28 horas no país. Há ainda registros de 312 assassinatos de gays, travestis e lésbicas no Brasil no ano passado. O relatório mostra ainda que o Brasil continua sendo o campeão mundial de crimes homo-transfóbicos. Ainda segundo o relatório, algumas agências internacionais apontam que 40% dos assassinatos de transexuais e travestis no ano passado foram cometidos aqui. Enfim, esses são apenas alguns dados divulgados que dão a percepção de que pouca coisa está sendo feita nesse sentido e a impunidade continua vencendo a batalha.

Porém, apesar disso não dá para negar os avanços que foram conquistados, em outros segmentos, como a possibilidade e legalidade de uniões homo-afetivas, por exemplo. Essas agora possuem os mesmos direitos de relações heterosexuais.

Voltando para a homofobia e celebrando uma atitude para promover a criminalização, em julho desse ano o Procurador Geral da República Rodrigo Janot enviou ao Supremo Tribunal Federal um parecer a favor da criminalização da homofobia. Janot sugeriu em seu parecer que a punição contra a homofobia seja aplicada pela justiça nos termos da lei 7.716/1989 (Lei de racismo), que estabelece o tempo de prisão para crimes resultantes de preconceito de raça, etnia e religião. Ainda segundo Janot, a homofobia deve ser tratada como crime de racismo até que o Congresso Nacional aprove uma lei específica para disciplinar as punições. Ações como essa são louváveis e demonstram interesse em ver algo sendo feito contra a impunidade em casos de homofobia, mas ainda é pouco. 

Outro ponto que requer atenção é a educação, os valores que são passados através das escola e da educação familiar. O preconceito vem sendo perpetuado há anos na sociedade brasileira, dentro das escolas e passa despercebido, se manifestando em forma de “brincadeiras”, em forma de bullying. Assim, as diferenças são tratadas de forma depreciativa e não como algo a ser valorizado. A criança ou adolescente que se percebe homossexual desde cedo já encara sua diferença como negativa.

Pensando nisso, em 2011 o Ministério da Educação em parceria com entidades dos movimentos LGBTs, criou um kit educativo para distribuir para professores de algumas escolas públicas. Essa iniciativa é uma das ações do programa federal Escola sem homofobia e o kit é destinado ao ensino médio, ou seja, é para adolescentes e não para crianças como alegou a bancada evangélica, que após protestos, conseguiu que a presidente Dilma vetasse o projeto. É  preciso que haja maiores discussões acerca desse kit que seria de muita valia se tivesse a oportunidade de ser mostrado aos adolescentes brasileiros. Ele seria entregue aos professores que definiriam como trabalhar com o material que contaria com caderno e pôster informativo, cinco vídeos,  boletins para serem entregues aos alunos etc. O caderno seria material de apoio, com conceitos, sugestões de aulas e atividades a serem realizadas em sala de aula. Ou seja, uma material como qualquer outro que daria direcionamento ao professor que muitas vezes não sabe como abordar o tema, seria um material de promoção dos direitos humanos, do respeito à diferença. Porém foi vetado antes mesmo do seu lançamento oficial em benefício a uma bancada que parece que sequer tem noção da laicidade do Estado brasileiro.

Assim, é possível concluir que mesmo apesar de alguns avanços, efetivamente pouca coisa tem sido feita para se não acabar, pelo menos reduzir os números trágicos da homofobia. É preciso muito mais que a legalização das relações homoafetivas para garantir igualdade de direitos e para o fim da homofobia no Brasil. Apesar de ser um excelente avanço na luta em prol da igualdade e da liberdade, isso ainda não é suficiente para arrancar do país o triste estigma da violência contra o diferente. É preciso criminalização e educação, duas palavras que rimam, mas que na prática não estão sendo combinadas para proporcionar igualdade  a todas as pessoas.



Rafaela Valverde




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